domingo, 31 de maio de 2026

A manchete sonegada sobre Flávio Bolsonaro

Reprodução
Por Moisés Mendes, em seu blog:

Esta é a chamada de capa da Folha, com um balanço do que teria sido até aqui a vida parlamentar medíocre do candidato do pai a presidente da República:

“Flávio Bolsonaro mirou segurança, mas não teve projetos próprios transformados em lei”.

Mas a informação que deveria estar na manchete está logo no começo do texto:

“Terceiro mais votado entre os senadores eleitos em 2018, com 4,38 milhões de votos, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou ao seu último ano de mandato sem ter projetos próprios transformados em lei. O pré-candidato do PL à Presidência é autor ou coautor no Senado de 57 projetos de lei e 92 PECs (propostas de emenda à Constituição), a maioria tratando da segurança pública, sua principal bandeira no mandato e um dos temas prioritários de sua campanha. Mas, em pouco mais de sete anos na Casa, só duas propostas em que ele foi coautor entraram em vigor, sem elo com a segurança: uma emenda constitucional para isentar o IPVA de veículos com mais de 20 anos de fabricação e uma lei de fomento ao microcrédito”.

A manchete sem medo, direta, com a informação que importa, deveria ser esta:

“Senador Flávio Bolsonaro nunca criou uma lei”.

Nada. Zero. Só como coautor, o que não significa muita coisa, mas apenas uma carona no projeto de lei de alguém. Mas a Folha dá voltas para não estampar no título da reportagem o que está logo no início. Que história é essa de que mirou a segurança? Flávio não produziu nada de relevante como senador legislador, no mandato de oito anos que se encerra no fim do ano.

E fugiu até do debate sobre a transformação de facções criminosas em organizações terroristas. Está lá:

“Flávio buscou nesta semana capitalizar a decisão do governo Donald Trump de classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, após encontro entre eles na Casa Branca. A medida foi explorada por bolsonaristas como exemplo, segundo eles, da capacidade do senador de viabilizar com rapidez medidas efetivas nessa área. Como mostrou a Folha, esse enquadramento de PCC e CV foi rejeitado no Senado, no fim do ano passado, sem resistência de Flávio, que não estava no plenário e não defendeu a proposta”.

Sem resistência quer dizer que o sujeito fugiu do debate. “Na ocasião, o agora presidenciável do PL não estava no plenário e não defendeu a medida, ao contrário de outros senadores bolsonaristas, que registraram voto favorável e discursaram sobre a importância de enquadrar as facções”.

Esse é Flávio Bolsonaro. A reportagem mostra que, em quase oito anos de mandato, não há um projeto relevante ou irrelevante de sua autoria que tenha virado lei. Essa é a manchete.

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