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| Divulgação |
Uma enxurrada de notícias nas últimas semanas, que culminou com a divulgação de uma pesquisa do Datafolha, vem chamando a atenção para o problema do endividamento dos brasileiros.
Embora vários fatores combinados expliquem a dificuldade que muitas famílias encontram para pagar seus boletos, o papel deletério das bets raramente é destacado pela imprensa comercial.
Na certa, são poupados porque são grandes anunciantes dos veículos de comunicação. Mas especialistas já apontam o vício em apostas, a ludopatia, como uma questão de saúde pública.
O jogo compulsivo faz estragos em todas as faixas etárias e em diferentes estratos sociais.
Mas o truque é simples e conhecido: em ano eleitoral, é preciso fazer com que o distinto público acredite que o endividamento é uma mazela econômica causada pelo governo Lula. Como pode um governo ser culpado pelas dívidas contraídas pelas pessoas, quando se sabe que, entre suas realizações, estão o maior rendimento médio da história por parte dos trabalhadores, o maior número de pessoas ocupadas, o mais baixo índice de desemprego, a menor inflação em quatro anos?
Aí o governo reconhece a gravidade do problema e decide anunciar., provavelmente neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, um programa para reduzir em até 90% as dívidas da população. Entre as medidas que estão sendo finalizadas pelo Ministério da Fazenda, está a utilização de parte do FGTS para a quitação de dívidas.
Bastou para, em efeito manada, os comentaristas de política e economia da mídia partirem para o tiroteio:
1) "Quem garante que os que se beneficiarem das medidas não tornarão a se endividar ?"
2) "O FGTS não pode servir para pagar dívidas?"
3) "Se o maior nível de endividamento se encontra na faixa de um a três salários mínimos, por que o governo quer ampliar o alcance das medidas para cinco mínimos?"
4) "Este já é o Desenrola 2 do governo. Quantos virão ainda?"
5) "As medidas são meramente eleitoreiras."
Os Sardembergs da vida temem justamente o potencial de impacto eleitoral do pacote. Se estivessem dispostos a debater seriamente o assunto, teriam que reconhecer o caráter multifatorial do endividamento, incluindo os juros altos tão defendidos por eles.
Vivemos em um mundo em que a jogatina, as compras e o bombardeio de propostas de crédito estão ao alcance da mão, nos smartphones. Não seria a hora de a autoridade a monetária, o Banco Central, entrar em campo e disciplinar as ofertas de crédito a juros escorchantes que inundam a internet?

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