Por Marcelo Zero, no site Viomundo:
A mídia ocidental insiste em suas versões falaciosas sobre a guerra na Ucrânia.
Elogiam o governo corrupto e de tintas neonazistas de Zelensky.
Incentivam a Ucrânia a “resistir e lutar até o fim”. Aplaudem os ataques de Zelensky no território russo. Divulgam a ideia fantasiosa de que a Rússia está sendo derrotada.
Divulgam também a tese falaciosa de que o governo Putin quer ocupar toda a Ucrânia e, a partir dessa base, invadir a Europa para restaurar a “antiga glória” do império tsarista.
Ignoram que quem acaba pagando um preço caro por tudo isso é a própria Ucrânia, especialmente sua juventude, imolada no altar de uma geopolítica guiada por interesses externos e belicosos.
Mas não são apenas os ucranianos que pagam um preço muito alto.
Os mercenários e “voluntários” que vão lutar na Ucrânia também pagam um preço elevadíssimo.
Estudo intitulado “Volunteering for Ukraine: scoping the operational experiences and impacts among UK and US veterans”, publicado recentemente no European Journal of Psychotraumatology, comprova uma realidade brutal, muito distante das fantasias ocidentais.
Segundo o estudo, desde a escalada do conflito armado na Ucrânia em 2022, um número significativo de veteranos militares do Reino Unido e dos EUA voluntariou-se para apoiar as Forças Armadas da Ucrânia. Eles operam em um ambiente excepcionalmente intenso e tecnologicamente avançado, frequentemente expostos a níveis elevadíssimos de combate e estresse.
Esse estudo observacional de métodos mistos envolveu algumas dezenas de veteranos militares do Reino Unido e dos EUA que relataram ter viajado para a Ucrânia para apoiar as Forças Armadas da Ucrânia. Os participantes foram recrutados entre outubro e dezembro de 2025.
Pois bem, trinta e um veteranos militares do Reino Unido e dos EUA responderam a instrumentos de avaliação psicométrica, e 21 deles forneceram dados qualitativos.
Conforme o estudo, foram identificados níveis elevados de provável Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), transtornos mentais comuns (TMC), abuso de álcool e sofrimento relacionado a danos morais, bem como baixa qualidade de vida relativa a problemas de saúde.
Os veteranos relataram exposição a combates extremamente intensos - incluindo o uso de drones e a guerra de trincheiras - e ferimentos físicos frequentes.
A assistência médica para questões físicas foi frequentemente descrita como deficiente ou inadequada.
Os cuidados de saúde mental foram amplamente solicitados, mas raramente estavam acessíveis, tanto na Ucrânia quanto após o retorno para casa, e os veteranos relataram ter sido recusados por serviços de apoio.
Consequentemente, o apoio emocional provinha principalmente de seus pares, e não de sistemas formais de assistência.
As conclusões do estudo são simples e claras. A maioria desses veteranos, segundo a amostra pesquisada, relata necessidades significativas de saúde física e mental que não são atendidas, tanto na Ucrânia quanto no regresso ao Reino Unido ou aos EUA.
Têm suas vidas destruídas e são abandonados à própria sorte. São invisíveis para os sistemas oficiais e normais de atendimento à saúde física e mental.
São, como se diz em português, “carne de canhão” para uma guerra inútil.
Entre eles, há brasileiros que buscam ganhar dinheiro no conflito.
Com efeito, iludidos por promessas financeiras, frequentemente endividados, dezenas de jovens brasileiros atuam ou atuaram como voluntários e combatentes na guerra da Ucrânia. O resultado é frequentemente dramático.
O Itamaraty já registra oficialmente dezenas de mortos e desaparecidos do Brasil no conflito. Mas o número extraoficial pode ser bem maior. E relatos dos próprios mercenários demonstram condições de extrema violência, arrependimento no front da guerra e, como demonstrado no estudo, total desassistência.
Em reportagem ao site UOL, um grupo de brasileiros que viajou à Ucrânia para lutar na guerra contra a Rússia conta que tem sofrido pressão psicológica, agressão física e xenofobia, além de ter salários atrasados e passaportes retidos.
Eles contaram também que vivem como prisioneiros, em condições degradantes.
Um brasileiro teria chegado a morrer após ter sido espancado por militares ucranianos. Militares esses que, segundo tais brasileiros iludidos, ostentam símbolos nazistas em vestimentas e tatuagens.
Um horror.
Mas a mídia ocidental continua a estimular esses jovens a servirem de “bucha de canhão” para um regime nazista e sua guerra inútil.
Outro horror.
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