Por Altamiro Borges
No sonolento debate da Band deste domingo (23), que resultou no cochilo de Gilberto Kassab, vice de Ronaldo Caiado (PSD), e teve metade da audiência da entrevista de Lula na Record no mesmo horário, Renan Santos, do partido Missão, esbanjou toda sua agressividade e misoginia. Ao criticar a ausência do presidente, o fascistoide rosnou que ele ficou “com aquela Janja”. Depois, ainda acrescentou que “Lula ou tá bêbado ou tá com a Janja” e arrematou: “Melhor ficar bêbado”.
Diante dessa atitude asquerosa, a primeira-dama divulgou de imediato uma nota de repúdio ao candidato da ultradireita, fundador do famigerado Movimento Brasil Livre (MBL). No comunicado enviado à Band, Janja Lula da Silva afirma que a cena configura um ataque misógino dirigido a quem não disputa as eleições nem estava no local para se defender. Ela também aponta que agressões com esse teor de ódio não podem ser normalizadas. Vale conferir a íntegra da nota:
Outros episódios de violência contra as mulheres
“Diante do episódio ocorrido no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo, manifesto repúdio às falas do candidato Renan Santos do Missão. Situações como essa não podem ser normalizadas.
O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão. Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de ‘pena’ está longe de ser uma crítica política.
É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político. Episódios como esse não são um caso isolado. Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo.
É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres. Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas. Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências.
Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é."
Notícia-crime contra o presidendiável da Missão
De fato, a atitude do lacrador Renan Santos é repugnante, criminosa, e merece dura condenação. Nesse rumo, o site Metrópoles informa que “um advogado filiado ao PSol enviou notícia-crime no Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão). No documento assinado nesta segunda-feira (24), o advogado alegou que Renan cometeu injúria eleitoral contra a primeira-dama Janja da Silva durante o debate presidencial realizado no domingo (23/8)”.
“Segundo o advogado autor da notícia-crime, Olímpio Rocha, Renan ‘utilizou uma mulher como instrumento de humilhação e escárnio, construindo sua agressão política contra um adversário a partir da premissa de que a companhia de sua esposa seria algo depreciativo, desagradável ou indigno a ponto de ser preferível a embriaguez’. Olímpio pediu que o MPE investigue o candidato do Missão por injúria eleitoral. Agora, cabe ao Ministério Público aceitar ou não o pedido e decidir se inicia um processo contra Renan”.
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