quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro já sofre deserções e traições

Por Altamiro Borges

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) deve ter elevado ainda mais a tensão no comando de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que teme uma virada de Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Além de confirmar o empate técnico entre os dois ambos (45 a 44%), o que já havia sido apontado em todas as sondagens recentes, ela trouxe outros dados preocupantes para o fascistoide.

Entre outros, ela mostrou uma forte queda da rejeição de Lula – de 53% para 47% em apenas uma semana –, um crescimento do número de indecisos – de 7% para 14%, o que torna a votação ainda mais aberta – e um aumento do temor do eleitor com a possibilidade do retorno do clã Bolsonaro ao poder. Segundo a sondagem, o medo da volta ao governo da familícia é de 44% dos entrevistados, acima dos que temem a continuidade do atual governo (42%). Como base nesses índices, o comando de campanha de Lula avalia que “a virada está acontecendo”.

“A pesquisa Quaest capta um movimento em que o eleitorado percebe o risco de perder conquistas que o país levou anos para consolidar. É o receio de retrocesso, de perder todas as conquistas, não apenas o Bolsa Família, mas o MEI, o PIX, Farmácia Popular, aumento real do salário e da aposentadoria, o Pé de Meia, os investimentos no SUS... Por isso cai a rejeição do presidente Lula. Isso está mobilizando a sociedade e a gente sente esse movimento nas redes e nas ruas”, avalia o secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares.

"Flaviômetro" soa o sinal de alerta

O temor da virada já vinha abatendo o ânimo de alguns aliados do bolsonarismo, com o aumento do número de deserções e traições. Matéria da Folha revelou que um site criado com o uso do Inteligência Artificial, o “Flaviômetro”, já constatara que “metade dos apoiadores do candidato do PL se omitem no segundo turno”.

Criado para medir o apoio efetivo a Flávio Bolsonaro, o site apontou que 52% dos monitorados não mencionaram o candidato em suas redes sociais. “De acordo com a contabilidade da ferramenta, o silêncio atinge 792 políticos de 1.521 listados. O universo engloba deputados federais e estaduais, senadores, governadores e até prefeitos de partidos que anunciaram apoio a Flávio, como PL, União Brasil, PP, Republicanos e Podemos”, descreve a matéria, que acrescenta:

“A ferramenta, que monitora vídeos e postagens com recursos de IA, foi criada por apoiadores de Flávio para acompanhar o nível de engajamento de políticos que se elegeram alinhados ao senador. Um dos que vêm divulgando o site é o deputado e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). Há uma preocupação entre bolsonaristas de que políticos que se elegeram em grande parte pela associação com Flávio não estejam retribuindo agora, no esforço para derrotar Lula no segundo turno”.

Alckmin se reúne com prefeitos do PL

Outro sinal de alerta foi dado numa reunião em Hortolândia de Geraldo Alckmin, vice de Lula, com 58 prefeitos do interior de São Paulo. O evento reuniu membros do PL, PP e União Brasil, partidos que apoiam formalmente o fascista. Entre os presentes, Sheila Maria (PL), de Borborema, Cristina Aguiar (PP), de Mongaguá, Daniel Bogalho (União Brasil), de Taboão da Serra, Zezé Gomes (Republicanos), de Hortolândia; e Aninha Montanher (MDB), de Ribeirão Corrente. Além dos prefeitos, participaram 27 vices e vereadores de diversas cidades paulistas. A organização estima que o encontro reuniu mais de 900 lideranças políticas de São Paulo.

Já no campo das deserções e traições, dois casos ajudam a explicar o temor dos bolsonaristas com uma virada no segundo turno. O sumido Abraham Weintraub, que foi um dos ministros mais estridentes do covil de Jair Bolsonaro, voltou aos holofotes para detonar o filhote 01 do ex-presidente. Hoje residente nos EUA, ele informou que não votou no primeiro e nem votará no segundo turno. “Entre dois males, não escolha nenhum”, afirmou, chamando Flávio Bolsonaro de corrupto.

Já o site Direita contra Bolsonaro foi ao ar para divulgar declarações de ex-aliados da familícia. Ele reúne opiniões de 21 lideranças políticas. Joice Hasselmann, ex-deputada federal (PSL-SP) e primeira líder do covil de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, é uma das mais duras nas críticas: “Quando cheguei na casa do Flávio, eu vi que ele era ladrão na hora, porque era absolutamente incompatível o lugar que ele morava com as obras de arte que ele tinha”.

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