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| Charge: Gallego & Rey |
Se fosse um sobrinho do presidente Lula, mesmo que bem distante, com certeza estaria na capa de algum jornalão e seria motivo de comentários ácidos em algum noticiário da televisão. A notícia também infestaria de fake news o esgoto digital da extrema direita. Mas como é um parente do golpista Jair Bolsonaro quase não se fala no assunto. Nessa quarta-feira (14), o jornalista Rogério Gentile informou que o “sobrinho de Bolsonaro será julgado novamente por tentativa de homicídio”. A notícia não teve qualquer repercussão na mídia tradicional e no mundo digital.
Segundo a matéria, “os desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo anularam a decisão do Júri que absolveu o comerciante Orestes Bolsonaro Campos, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro, da acusação de tentar matar o namorado da sua ex-mulher. Campos, de 45 anos, que é filho de Maria Denise Bolsonaro Campos, irmã do ex-presidente, e primo de Flávio Bolsonaro, terá de passar por um novo julgamento. O caso ocorreu em outubro de 2020”.
Conforme a denúncia apresentada na ocasião pelo Ministério Público, Bolsonaro Campos entrou às seis horas da manhã na casa de Valéria Oliveira, sua ex-mulher, portando uma arma de fogo, e atacou o namorado dela, Valmir Junior. A Promotoria afirmou que o crime de homicídio só não se consumou porque o rapaz conseguiu fugir. “De acordo com a acusação, Bolsonaro Campos atingiu Valmir com golpes de madeira (a lenha do fogão). Na sequência, com a vítima caída, teria sacado uma arma de fogo, mas a ex-mulher teria segurado seu braço”.
Misogínia é uma marca do clã Bolsonaro
“O denunciado tratava sua ex-esposa de forma possessiva, não aceitando que ela iniciasse novo relacionamento amoroso, ainda que já estivessem separados havia vários meses”, afirmou à Justiça o promotor João Bernardes Ricúpero. Na denúncia, o Ministério Público afirmou que Bolsonaro Campos tentou matar a ex-mulher também, mas que ela escapou durante a briga e chamou a polícia.
Em novembro de 2025, o parente de Flávio Bolsonaro foi condenado apenas por lesão corporal, recebendo pena de quatro meses de detenção em regime aberto. Mas o Ministério Público recorreu e os desembargadores anularam a decisão e determinaram um novo julgamento. Airton Vieira, relator do caso, apontou várias falhas na sentença anterior e refirmou que as provas demonstraram cabalmente que o assassinato não ocorreu porque a vítima conseguiu escapar após entrar em luta corporal. Não há data ainda para o novo julgamento pelo Tribunal do Júri.
Apelando para o mesmo mimimi vitimista do clã, Orestes Bolsonaro Campos jura que é inocente. Mas como aponta a matéria do UOL, o sobrinho do ex-presidente “já possui uma condenação, em outro processo, por agressão a uma namorada. De acordo com a decisão, que já transitou em julgado, ele desferiu tapas em Ana Caroline Alves, puxou seu cabelo e a arrastou pelo chão durante uma festa”. A misoginia parece ser uma marca do clã Bolsonaro!

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