Por Altamiro Borges
A apuração das eleições de meio de mandato – “midterms” – nos EUA deve durar mais alguns dias, mas ela já confirma a fragorosa derrota de Donald Trump, o arrogante presidente do império em decadência. A surra do chefão do fascismo internacional superou as expectativas e as pesquisas mais otimistas. O Partido Republicano perdeu a maioria que possuía na Câmara dos Representantes e no Senado e também foi humilhado nos pleitos para os 50 governos estaduais.
Até o início da tarde desta quarta-feira (4), o Partido Democrata contabilizava 237 deputados eleitos – 28 a mais do que na atual legislatura. Já o Partido Republicano somava apenas 147 assentos. Outras 51 cadeiras seguiam em disputa, mas a projeção é de que a vantagem dos Democratas se amplie e até supere o melhor desempenho da sigla desde 2008. Naquele ano, quando Barack Obama ganhou a eleição pela primeira vez, a legenda elegeu 257 deputados federais.
Já no Senado, onde a disputa era bem mais acirrada e imprevisível, os Democratas agora terão 54 cadeiras e os Republicanos despencam para 44. Duas vagas ainda estão em disputa, no Alasca e no Kansas. Donald Trump também foi derrotado na eleição para os governos estaduais. Os EUA terão 28 governadores democratas e 20 republicanos. Dois estados seguem em aberto. O conservador estado do Texas – onde se refugiou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, vulgo Dudu Bananinha – foi um dos mais emblemáticos da surra dada no fascista-pedófilo.
Democrata quer deportação imediata de Flávio
Por falar nos foragidos brasileiros, a situação deles pode se complicar no próximo período. Nesta terça-feira (3), o deputado democrata Robert Garcia, reeleito na Califórnia, cobrou explicações do governo sobre a ajuda de autoridades ianques na fuga vergonhosa e criminosa de Flávio Bolsonaro. Ele defende que o senador derrotado nas eleições brasileiras seja “imediatamente” deportado do país. O pedido já foi encaminhado ao Departamento de Estado dos EUA.
Em carta enviada ao secretário Marco Rubio, o deputado acusou Donald Trump de usar o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas, o temido ICE, para “aterrorizar crianças e trabalhadores que buscam sustentar suas famílias”, ao mesmo tempo em que acolhe um político alvo de investigações no Brasil. “Se o presidente alega que não deseja a entrada de criminosos nos EUA, por que permitir a entrada do sr. Bolsonaro?”, questionou em um trecho da carta. “O sr. Bolsonaro deve ser enviado de volta ao Brasil imediatamente para responder perante a Justiça”.
Investigação sobre a participação do EUA na fuga
“Além do pedido, Robert Garcia também cobrou explicações da participação da diplomacia norte-americana na fuga de Flávio Bolsonaro. O democrata solicitou, por exemplo, registros de comunicações entre a Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA, o Departamento de Segurança Interna, o assessor Jason Miller e autoridades argentinas sobre a viagem do senador brasileiro ao país. O deputado ainda pediu a fundamentação jurídica que permitiu a concessão de vistos a Flávio Bolsonaro e sua família, e documentos sobre o apoio da Rockbridge Network – grupo conservador ligado ao vice-presidente J.D Vance – ao parlamentar brasileiro nas eleições deste ano”, relata postagem do site Metrópoles. Na semana passada, a hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas nos EUA.
Também na semana passada, o influenciador e deputado eleito no Texas, Isaiah Martin, afirmou que no primeiro dia após a sua posse pedirá a deportação de Flávio Bolsonaro. Em postagem no X, ele garantiu que “nós o deportaremos no primeiro dia. Na verdade, deveríamos deixar o Brasil pegá-lo no meio da noite, de helicóptero!”. Ele também detonou a fujão, “que nunca trabalhou na vida”. “Eu não quero criminosos ilegais como os Bolsonaros em nosso país, pois eles buscam ser nada mais que sanguessugas às custas do contribuinte americano”.
Violação de duas convenções internacionais
Com a derrota do chefão mundial do fascismo, deve crescer a pressão pela deportação da dupla Rachadinha e Bananinha, como são apelidados os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro – assim como de seus capachos foragidos nos EUA, como Paulo Figueiredo, neto do último general da ditadura militar. E base jurídica não falta. Como lembra Marcelo Zero em artigo no site Brasil-247, “a articulação do governo Trump para facilitar a fuga e dar guarida a Flávio Bolsonaro (um fato óbvio) viola, ao menos, duas grandes convenções internacionais”.
Em primeiro lugar, a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Internacional (Convenção de Palermo), que contém artigos específicos sobre combate cooperativo à lavagem de dinheiro e à corrupção (artigos 6, 7, 8 e 9). Em segundo lugar, a Convenção Interamericana sobre Extradição, a qual obriga seus Estados-membros a prender e extraditar o fugitivo para o país que o reclama. O Brasil deveria apresentar logo seu pedido para todos os bolsonaristas fugitivos... A situação política nos EUA deverá mudar muito em breve. A prenunciada vitória dos Democratas nas midterms propiciará uma enxurrada de investigações contra Trump e seus aliados, o que deverá afetar o status dos bolsonaristas refugiados nos EUA”. A conferir e torcer!
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