terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Brasil não cabe no quintal de ninguém?

Por Paulo Nogueira Batista Jr.

No seu discurso na ONU, o presidente Lula soltou a frase: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém!” e foi interrompido por aplausos. Fiquei honrado com o fato de ele ter recorrido ao título de um livro meu, de 2019. A frase parece estar se tornando um slogan da campanha eleitoral. Quase desmaiei, cravejado de brilhantes, como diria Nelson Rodrigues.

Mas a frase é muito mais do que um slogan. Ela alude, primeiramente, às dimensões do nosso país, que é um dos gigantes do mundo. Temos o quinto maior território do planeta, a sétima maior população e o oitava economia do mundo. O Brasil faz parte de um grupo de apenas cinco países, juntamente com China, Índia, Rússia e Estados Unidos, que integram a lista das dez maiores nações em termos territoriais, demográficos e econômicos. Temos, também, imensas reservas de terras raras e minerais críticos, urânio, petróleo, minério de ferro, entre outros minerais. Temos a maior biodiversidade do mundo. Temos, além disso, uma belíssima tradição cultural nacional, que suscita a admiração de outros países. E, como se não bastasse, temos os brasileiros, um povo admirável em muitos sentidos, entre os quais humanidade, simpatia, cordialidade, criatividade e capacidade de trabalho.

O imperialismo e sua encruzilhada

Por Jair de Souza

Olhando em retrospectiva as quatro últimas décadas de nossas contendas eleitorais, somos levados a concluir que Lula está agora enfrentando o mais insignificante e despreparado de todos os adversários contra os quais ele já se confrontou ao longo do tempo.

Há quase que um consenso entre os analistas que o representante do clã bolsonarista que encabeça a principal chapa de oposição consegue ser até menos culto, mais grosseiro e troglodita que o próprio patriarca a quem ele deve sua indicação. Em suas duas dezenas de anos de atividade parlamentar, ele jamais exerceu qualquer protagonismo em nada de algum significado real. Não havendo herdado sequer o demencial carisma que caracteriza seu progenitor.

O destino do país vai às urnas

Por Roberto Amaral

Em artigo-ensaio recente (“O golpe continuado”), o professor e historiador Lincoln de Abreu Penna estuda como um só fenômeno a tragédia que se abateu sobre nós em 1º de abril de 1964 e que, pelos seus efeitos, todos danosos, chega até nossos dias, justificando as apreensões que medram em setores significativos do pensamento democrático brasileiro.

Lincoln ressalta que o golpe militar “não foi [só] contra um governo constitucional, eleito pelo povo, mas contra o Brasil como nação que aos trancos e barrancos se estruturava para promover o arranco desenvolvimentista conjugado com as Reformas de Base”. Foi tudo isso, mas foi ainda mais: para além dessa tragédia, fez por terra um processo democrático então caracterizado pela crescente ascensão das forças populares e pelo esforço coletivo para dar fim à miséria.