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| Foto: Ricardo Stuckert |
A coluna “Narrativas em disputa” do site UOL demonstrou que o corajoso discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA), nessa terça-feira (22), teve forte impacto na internet. Com base nos números do instituto Palver, que realiza o monitoramento em tempo real em mais de 100 mil grupos de WhatsApp e Telegram, “entre as mensagens que se posicionaram sobre a viagem e o discurso, 77,8% foram favoráveis ao presidente e 22,2% contrárias”.
Ainda segundo o levantamento, em cerca de metade das mensagens favoráveis “a narrativa dominante foi a da soberania”. A frase proferida por Lula de que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” ressoou com força nos grupos e foi muito usada pelos apoiadores do governante, tratada como um recado direto ao “imperador” Donald Trump. A ausência de aplausos da delegação estadunidense no final do discurso na ONU “circulou como prova de que o alvo foi atingido”.
“Uma segunda linha narrativa buscou explorar o prestígio internacional por conta das agendas que o presidente realizou em Nova York, tanto com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, que chamou Lula de ‘inspiração’, como com o democrata Bernie Sanders, que expressou apoio à soberania do Brasil”. Com esses destaques, o presidente conseguiu “recuperar o controle da agenda” nas redes, que estava dominada pelo noticiário negativo contra o governo.
Bolsonaristas ficaram acuados e fugiram
A coluna mostra que as milícias digitais bolsonaristas até tentaram ofuscar o brilho de Lula na ONU. “As críticas se concentraram antes do discurso, quando chegaram a 30,2% das mensagens que expressaram opinião sobre o tema”. Elas exploraram de forma oportunista os “gastos” da viagem, a ausência de uma reunião bilateral contra o ditador Donald Trump e até o encontro com Zohran Mamdani, apresentado como prefeito "muçulmano e comunista”. Os ataques, porém, não surtiram efeito. “Depois da fala de Lula, a direita praticamente não disputou o conteúdo do discurso”.
“Considerando os dados da Palver, é possível afirmar que a pauta internacional deu a Lula algo fundamental para que consiga reagir às últimas pesquisas, que é o controle da agenda. A soberania é o terreno em que o governo colheu seus melhores resultados desde o tarifaço e o discurso amarrou crime organizado, eleição e Estados Unidos, argumentando que o país não aceita tutela externa. Sem citar nomes, ele recoloca Flávio Bolsonaro, candidato próximo a Trump, na defensiva. A oposição optou por não entrar nesse debate, o que evita dar palco ao tema, mas deixa a narrativa sem contraponto”.

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