segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Aécio Neves segue acima da lei

Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

Único a discursar na bancada do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), presidente do partido, defendeu Antonio Anastasia, disse que ninguém está acima da lei, e voltou atacar a presidenta Dilma Rousseff, a quem acusou de cometer "ilegalidades". Aécio afirmou que "ninguém pode cometer crime impunemente" e que, após o julgamento do impeachment, a sensação de"impunidade" deixará de predominar.

Soam como ideias fora de lugar declarações do tucano Aécio Neves, ao dizer que "impunidade" deixará de predominar. Aécio, como é notório, adora um aeroporto em sua fazenda. Melhor ainda se construído com dinheiro dos cofres públicos. Ou teria Aécio esquecido do escândalo do aeroporto construído para atender a ele e à própria família. E nada foi investigado. Isso se chama impunidade!

Faltam a ele a bagagem intelectual e a oratória de um Carlos Lacerda, que migrou para a direita e morreu no relento da política. Mesmo assim, Aécio ousou: "Ninguém pode cometer crime impunemente".

Mas e quando Aécio estava à frente do governo de Minas e destinou uma gorda fatia de publicidade para empresas de telecomunicações dos Neves? Não cometeu ilegalidades? É deselegante perguntar como Aécio lida quando se encontram o público e o privado?Isso é cometer crime impunemente!

E os R$ 23 milhões da empreiteira via caixa dois (que corrigido pela inflação do período, equivale a R$ 34,5 milhões), recebido por José Serra, do mesmo partido do qual Aécio é o presidente? A impunidade vai predominar? Aécio trabalhará pelo "impeachment" do ministro interino?

Se Aécio está tão determinado a acabar com a impunidade, por que articulou na Comissão de Constituição e Justiça para que seus deputados não votem pela cassação de Eduardo Cunha? Já se foram 300 dias do início do caso Cunha e nenhuma manifestação do PSDB contra o deputado.

Relatório da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), divulgado pela Folha de S. Paulo, ontem, aponta que uma obra em rede de energia elétrica que corta uma fazenda da família do senador Aécio Neves foi realizada quando o tucano era governador, sem cobrar os R$ 240 mil (avaliados na época) ao proprietário. Regras da estatal também teriam sido descumpridas.

O documento é assinado por Eduardo Ferreira, superintendente de Auditoria Interna da Cemig. Ele trata de mudança no traçado da linha de distribuição de energia Cláudio/Carmópolis entre as torres 18 e 22, em 2007. "Após a realização de apurações detalhadas e do levantamento de toda a documentação, foi averiguada pela auditoria uma falha de procedimento nessa obra, pois os proprietários (a família de Aécio) não chegaram a ser cobrados pelo seu valor, apesar de serem responsáveis pela execução do desvio", disse a Cemig em nota.

Quando a obra foi feita, a Cemig era presidida por Djalma Morais, aliado de Aécio. A partir de setembro de 2015, a estatal passou a cobrar pela obra não paga. O responsável pela aprovação do estudo de viabilidade, Wellington Soares, disse aos auditores que orientou o projetista a não atribuir os custos aos donos do terreno "seguindo demanda que teria recebido de seu superior" – mas sem dar detalhes. Que nome devemos dar a isso? Seria "gato" ou roubo de energia elétrica? Isso sim se chama cometer um crime e ficar impune.

E o mensalão tucano, nascido em Minas Gerais, pai tucano de todos os mensalões reais ou imaginários, onde é que fica? O tucano Eduardo Azeredo e seus companheiros fazem de tudo para alongar o processo para prescrever condenações.

O inquérito aberto em 2005 para investigar contratos do governo tucano de Aécio Neves (2003-2006) com as agências de publicidade do empresário Marcos Valério está parado há 11 anos nas gavetas do Ministério Público de Minas Gerais.

O pente-fino da Promotoria seria em todas as operações que as duas agências de Valério (SMPB e DNA) mantinham com o governo tucano de Minas, na primeira gestão do senador. Onze anos desde a instauração do inquérito, não há conclusão, e o caso, na prática, nem sequer andou. O mensalão tucano envolveu o governo de Minas, em 1998, quando era comandado por Eduardo Azeredo (PSDB).

Segundo a Procuradoria-Geral da República, houve desvio de R$ 10 milhões de estatais mineiras para a campanha eleitoral de Azeredo, que tentava se reeleger. Em razão desses escândalos, o Ministério Público recomendou, em julho de 2005, a suspensão de todos os contratos de órgãos públicos do Estado com a SMPB e DNA. Entre 2004 e 2005, a gestão do atual senador pagou ao menos R$ 27 milhões às agências de Valério (hoje condenado e preso) pelos contratos vigentes até então. Aécio Neves foi governador de Minas entre 2003 e 2010.

A Promotoria pediu ao Executivo cópias de toda a documentação desses contratos, inclusive notas fiscais, para análise. No entanto, caixas e caixas de documentos enviados ao Ministério Público ficaram praticamente intactas. A promotora Elizabeth Villela, que assumiu a responsabilidade por esse inquérito, disse que em 2014 remeteu a papelada ao Conselho Superior do Ministério Público mineiro, que solicitou o envio de todos os inquéritos instaurados até 2007 e que estavam sem andamento.

Mês passado, o publicitário Marcos Valério de Souza propôs ao Ministério Público de Minas Gerais um acordo de delação premiada sobre o mensalão tucano.

"A sociedade vai se escandalizar com o que o Marcos Valério vai revelar sobre o mensalão tucano", disse Jean Robert Kobayashi Júnior, o advogado de Valério. Talvez seja por esse motivo que até agora não houve interesse do MP assinar o acordo de delação.

Seriam necessários dias, meses, anos, para relembrar aqui todos os casos de ilegalidades, corrupção e os crimes impunes no ninho tucano.

Não se sabe dos tucanos emplumados qual tem sido mais infeliz e calhorda em suas manifestações. Bem, na verdade sabe-se: Aécio Neves. Definitivamente, o fracasso eleitoral subiu-lhe à cabeça.

4 comentários:

Marcio Marconato disse...

Não nos esqueçamos da lista de Furnas, das contas em paraísos fiscais (Liechtenstein), da reforma da sede do Governo em Minas quando Aécio era governador, etc etc etc. Como bem citou Helena, a lista é longa.

Lia disse...

E mas nao da nada para eles.

Dilma Coelho disse...

Ao Presidente do STE.
Sr. Gilmar Mendes, é impossível que uma criatura na sua posição profissional, sua posição social, na sua idade, possa agir de forma tão maldosa e irresponsável. Se você tem algum problema de ordem pessoal, trate-o ou o aceite, é o melhor caminho. Odiar o seu país, o povo brasileiro, odiar as pessoas que pensam diferente, não vai melhorar em nada sua vida. Aceite e sinta o prazer de ter "o suficiente", o prazer de viver no país em que nascestes. Já lhe xinguei muito mas, percebo que isso só faz mal a mim mesma e recomendo que pense nisso:
“Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”.
Sejamos inteligentes e de bom senso. Por que ainda vives no Brasil, se o odeia tanto?
Por favor, deixe o LULA e a DILMA em paz, eles nunca lhe fizeram mal, tudo que o LULA é, e conquistou, foi com o esforço próprio, ele é amado e reconhecido por muitas pessoas e por muitos países.
– Lula tem 55 honrarias e 27º títulos de Doutor Honoris causa e lidera lista de homenagens a presidentes;
– Lula ganhou estátua em Bronze ao lado da Casa Branca. Ele está cumprindo o papel dele, é uma missão.
Você também pode conseguir isso, é só agir assertivamente.
Livre-se desse golpe que carregas e alimenta, não é bom para você. Tente ser feliz do modo positivo. Estás numa fase da vida que podes fazer e construir coisas boas, tens poder para isto.
SEJA JUSTO, APENAS JUSTO. É PARA ISSO QUE ESTÁS AQUI NO MUNDO.
Não faça o jogo dessa quadrilha que tomou o governo de assalto, eles vão se dar muito mal. Estás na fase da despedida, faça o bem, transforme sua vida. Precisas agir como adulto.
Um grande e carinhoso abraço.

Valéria disse...

O Ministério Público Federal entrou com ação civil pública na Justiça cobrando do governo de Minas Gerais o repasse de R$ 14,2 bilhões para a área de saúde. Segundo a Procuradoria da República em Minas, este é o montante que deixou de ser investido entre 2003 e 2012 nos governos dos tucanos Aécio Neves e Antonio Augusto Anastasia - atualmente senadores - em descumprimento à Emenda Constitucional 29, que obriga aplicação mínima de 12% do orçamento na área.