domingo, 9 de dezembro de 2018

Militares e evangélicos: nova fonte de poder

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Os generais estão voltando, sob o comando de um capitão reformado, mas não estão sozinhos para dar as ordens em Brasília.

Junto com eles, chegam ao poder os bispos da grana das igrejas evangélicas neo-pentecostais, que já nomeiam e vetam ministros.

Nada muito diferente de 1964.

Só mudaram as igrejas: naquela época, quem açulou os militares a tomar o poder foram bispos da igreja católica apostólica romana, que promoveram as Marchas da Família, com Deus pela Liberdade, e acenderam o pavio do golpe.

Haddad venceria eleição com dados do Coaf

Por Renato Rovai, em seu blog:

Os dados vazados do relatório do Coaf podiam ter mudado o resultado das eleições presidenciais se divulgados na data que o presidente eleito e seu filho provavelmente tiveram acesso a eles.

A data é 15 de outubro. Ou alguns dias antes. Foi neste dia, a menos de duas semanas para a eleição do segundo turno, que o motorista Fabrício de Queiroz se desligou do gabinete de Flávio Bolsonaro. E na mesma data, a filha de Fabrício, Nathalia Queiroz, deixou o gabinete de Jair Bolsonaro, onde foi nomeada em dezembro de 2016 para atuar como secretária parlamentar.

Ao lado do nome de Nathalia, no relatório do Coaf, está anotado o valor de 84 mil reais.

sábado, 8 de dezembro de 2018

De onde veio o torpedo contra os Bolsonaro?

Por Gilberto Maringoni

O mais relevante desse imbróglio filho-assessor-esposa-grana não é o fato em si. A Coaf rastreia contas a partir de suspeitas ou denuncias. Assim, as questões relevantes que se colocam são:

1. Quem fez a denuncia?

2. Por que fez?

3. Por que agora?

Seguramente não foi a oposição que deu curso à acusação. Trata-se de tiroteio palaciano, realizado antes mesmo de se entrar em palácio.

Escândalo dos Bolsonaro desmascara Moro

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Chega a ser inacreditável que o ex-juiz Sergio Moro ainda não tenha vindo a público se pronunciar sobre o Laranjão, escândalo envolvendo movimentação suspeitíssima e milionária na conta de ex-motorista, segurança e assessor – tudo junto – do filho de Bolsonaro. Cadê o moralismo fajuto desse sujeito? Cadê a indignação dele com a corrupção. Caiu a máscara!

Será que não devemos subestimar Bolsonaro?

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Respeitados analistas políticos e quadros de primeira linha da esquerda vêm batendo na tecla de que, devido a sua base social e política, aliada a uma agenda econômica que unifica a elite e todos os segmentos da direita, Bolsonaro não deve ser subestimado. Enfatizam também que o fenômeno sóciopolítico que levou a extrema direita ao governo da República pode não ser algo apenas transitório, um mero voo de galinha na linguagem popular.

Militares ocupam alto escalão do governo

Por Rafael Tatemoto, no jornal Brasil de Fato:

O governo Bolsonaro terá ao menos um terço dos ministérios ocupado por militares, reformados e da ativa. Seis das pastas com status formal de ministério - que devem atingir o número de 22, sete a mais que o prometido na campanha - serão chefiadas por integrantes das Forças Armadas. Resta apenas a nomeação do ministro do Meio Ambiente

O Gabinete de Segurança Institucional, a Defesa e a Secretaria de Governo serão ocupadas, respectivamente, por Augusto Heleno, Fernando Azevedo e Silva e Carlos Alberto dos Santos Cruz. Todos são generais da reserva. Na Infraestrutura, Tarcísio de Freitas é um dos poucos a não fazer parte do generalato: é capitão reformado do Exército.

O vale-tudo no Congresso Nacional

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Depois da eleição atípica de Jair Bolsonaro, o Congresso também parte para a subversão das regras que sempre regeram a convivência entre os partidos.

Se a observância do peso eleitoral de cada um deixa de existir, temos o vale-tudo, com grave ofensa ao instituto da representação política.

A formação de um grande bloco de partidos para controlar os cargos da Mesa e postos de comando, isolando os dois partidos mais votados e com as maiores bancadas, PT e PSL, é o melhor exemplo, mas não o único, de que na próxima legislatura pode imperar as regras da casa de mãe Joana.

O enigma dos “coletes amarelos” na França

Foto: Yanik Dumont Baron
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Em pânico, o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, articula, para este sábado, uma operação policial poucas vezes vista na história do país. Cerca de 89 mil homens estarão nas ruas, fortemente equipados (inclusive como treze blindados). Tentarão evitar que a mobilização dos “coletes amarelos” [gilets jaunes, em francês] cumpra sua promessa de bloquear as rodovias de todo o país e chegar ao Palácio do Eliseu, sede do governo. Deflagrada há três semanas, contra o aumento do preço dos combustíveis, a revolta não parou de crescer, desde então. Mas o que é ela? E por que desafia tanto os ultra-capitalistas, de Macron, quanto a esquerda institucional?

Quem é quem na cúpula direitista das Américas

Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Às vésperas do início do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro, o Brasil será palco de uma Cúpula Conservadora das Américas, a primeira do gênero, uma iniciativa bolsonarista que tentará aproximar reacionários do continente para ações políticas conjuntas. A “fauna” a se reunir no sábado, 8, em Foz do Iguaçu, no Paraná, será variada e terá como estrela bolsonarista o filho caçula do ex-capitão, Eduardo, uma espécie de chanceler paralelo do futuro governo do pai.

Partido de Bolsonaro virou MMA

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O “chefe” já se deu conta do estrago e chamou uma (a primeira) reunião com o amontoado – chamar de bancada seria impróprio – de parlamentares eleitos à sombra do alugado PSL.

Jair Bolsonaro, entretanto, deveria pensar bem pois do jeito que as coisas vão a baixaria vai rolar solta.

O “barraco” de ontem entre Joyce Hasselman e seu filho “02”, Eduardo, continuou hoje.

A trincheira de Bolsonaro

Por Sergio Araújo, no site Sul-21:

Quer conhecer alguém? Repare nas atitudes e não nas palavras. Antes mesmo de assumir, Jair Bolsonaro dá mostras de que pretende ter um mandato com garantias de conclusão e até mesmo de continuidade. Cerca-se de ministros militares. Envia o filho para os EUA para se reunir com autoridades e empresários americanos. Recebe em sua residência o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton. E faz diversos acenos para agradar o presidente Donald Trump, como por exemplo, a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, críticas à política econômica da China e movimentos anti-Cuba (saída dos médicos cubanos).

O guru por trás do guru de Bolsonaro

Por Liszt Vieira, no site Carta Maior:

Apesar de ser loucura, há método nela. (Shakespeare, Hamlet: Ato II, Cena II)

Já se disse que o Brasil não é um país desenvolvido nem subdesenvolvido. É um país de contrastes. Enquanto na Europa a Modernidade varreu os valores pré-modernos típicos das teocracias medievais, no Brasil corremos o risco de ver o contrário: depois da Modernidade, a Idade Média!

E, para cúmulo do surrealismo, uma Idade Média capitalista! Como vemos hoje em muitas partes do mundo, o capitalismo convive bem com regimes políticos autoritários e com valores conservadores da era pré-moderna.

Uma faísca de pragmatismo

Por Jorge Armindo Aguiar Varaschin, no site Brasil Debate:

O dia 28 de outubro deste ano, ao que tudo indica, inaugurou um certo tipo de distopia brasileira, quando o até então impossível torna-se efetivo, quando se consuma algo considerado inimaginável. A sensação de desamparo refere-se muito mais a isso, ao impossível que toma corpo, do que ao aspecto de isolamento político, já que o candidato do campo progressista, Fernando Haddad, teve votação expressiva. Nesse contexto, é necessário ter calma na análise da atual situação, sem subestimar ou superestimar qualquer elemento do cenário. Assim, aqui vão alguns apontamentos que considero relevantes.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

França reedita protestos de 2013 do Brasil

Foto: AFP
Por Rosana Pinheiro-Machado, no site The Intercept-Brasil:

Tem sido assim nos últimos dias: acordo, acesso as redes sociais e metade dos meus amigos está dizendo que as manifestações dos “coletes amarelos” na França – os gilets jaunes – são de extrema-direita, fascistas e ajudarão a eleger Marine Le Pen, a deputada da Frente Nacional. A outra metade comemora a revolta popular e está contente que os 50 anos das agitações de 1968 não passaram despercebidos.

Nós já vimos esse filme. E ele não leva a lugar algum.

Moro arquitetou em 2005 plano contra Lula

Por Jeferson Miola, em seu blog: 

Em entrevista a Roberto D’Avila/Globo News, Onyx Lorenzoni revelou que Moro arquitetou o plano para prender Lula ainda em 2005, depois de frustrada a primeira tentativa durante o processo do chamado mensalão.

Naquele mesmo ano, no bojo da conspiração para derrubar o primeiro governo Lula, o oligarca Jorge Bornhausen, então presidente do PFL [atual DEM, partido do Onyx], fez a célebre declaração genocida, defendendo a “eliminação dessa raça [dos petistas] do país pelos próximos 30 anos”.

Deixando transparecer orgulho da amizade antiga com Moro, na entrevista Onyx acabou fazendo 1 confidência que tem o efeito de 1 bomba nuclear:

Caso Palocci e o jornalismo venal

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Ainda não chegou o dia em que os jornais brasileiros voltarão a fazer jornalismo. Na área policial e na primeira página, continuam, todos, meros joguetes de procuradores, delegados e juízes, enquanto nos artigos de fundos aumentam as preocupações com o estado policial, que eles mesmos ajudam a alimentar.

É um jogo desmoralizador para o jornalismo.

Esperança: Indignação e coragem

Por Leonardo Boff, em seu blog:

Vivemos no Brasil nos últimos dois anos dois grandes golpes: o primeiro, o impeachment e a deposição de Dilma Rousseff, e neste ano de 2018 a ascensão da extrema-direita com a eleição de Jair Bolsonaro a presidente do Brasil.

Não foi Bolsonaro que ganhou. Foi o PT que perdeu e com ele o Brasil.

1. Vivemos tempos sombrios e incertos


Militares darão as cartas no futuro governo

Por Fernando Rosa, no blog Viomundo:

O atual governo conta com sete ministérios sob comando de militares, além de outros cargos ocupados por oriundos do meio militar.

Além do presidente, do vice e vários ministérios, duas secretarias chaves, a Secretaria de Assuntos Estratégicos e a Secretaria de Comunicação, serão ocupadas por militares.

A presença de militares no governo Bolsonaro é a mais expressiva desde a redemocratização e tão visível quanto os governos da ditadura militar, entre 1964 e 1985.

As dificuldades de ser patrão no Brasil…

Por Jean Wyllys, no blog Diário do Centro do Mundo:

Na sua mais recente declaração sobre como vê a situação dos trabalhadores no país, o presidente recém-eleito resolveu ser bem claro, e disse aos jornalistas que “está difícil ser patrão no Brasil”.

Isso, mesmo. Ser patrão.

Segundo Bolsonaro, tamanhos são os benefícios de empregados (na verdade, irrelevantes se comparados aos de outros países mais desenvolvidos), que os patrões locais estariam em uma situação “horrível”.

Os mitos da privatização da Previdência

Do site Vermelho:

Em artigo no jornal Valor Econômico, intitulado “Previdência e regime de capitalização”, os professores da FEA-USP Carlos Luque - também presidente da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) -, Simão Silber e Roberto Zagha descrevem uma série de mitos sobre o chamado regime de capitalização para a aposentadoria, uma das propostas para substituir o atual sistema da Previdência Social. Eles recorrem à obra "A Balada de Narayama", escrita em 1956 Shichigoro Fukuzawa, para fazer uma analogia com a proposta.

Já apareceu um PC Farias dos Bolsonaro?

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Reportagem de Fábio Serapião, publicada no Estadão desta quinta-feira, informa: “Coaf relata movimentação atípica de ex-assessor de Flávio Bolsonaro”.

Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou movimentação atípica de R$1,2 milhão, no período de 12 meses, na conta do PM Fabrício José Carlos de Queiroz, assessor parlamentar, motorista e segurança do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, que foi exonerado entre o primeiro e o segundo turno da eleição de outubro, quando a eleição já parecia decidida a favor do capitão reformado.

Brasil chega a 2019 entre 64 e 68

Por Renato Rovai, em seu blog:

Daqui a alguns dias chegamos em 2019. Parece muito que foi ontem quando conversávamos o que causaria o bug do milênio e dizia-se que muitos computadores iriam apagar por conta da programação da virada do seculo 19 para 20.

Parece que foi ontem, mas já faz 19 anos que o tal bug do milênio “assombrou” a terra.

Mas o que isso tem a ver com o título? Talvez muito pouco. Mas me lembro que no século passado falávamos muito do Brasil do próximo milênio, do cidadão do novo milênio etc. E agora na virada para 2019 estamos revivendo uma história que se passou a 60 anos como farsa.

A guerra de valores no Brasil

Por Silvio Caccia Bava, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Não nos iludamos, vivemos apenas um interregno em um processo que deve se acirrar depois de 1º de janeiro, quando toma posse o novo governo. Ocupados com a montagem da equipe ministerial, Bolsonaro, seus generais e os grupos evangélicos que o apoiam deram uma trégua na guerra de valores que está orientando a estratégia de recrutamento de sua equipe.

Colocando a economia de lado, porque esta será dirigida por economistas ultraliberais provenientes do mercado financeiro, inspirados por sua formação na Escola de Chicago e orientados a promover em larga escala a privatização de estatais para atender aos interesses especialmente do grande capital internacional e a direcionar os recursos públicos para alavancar os processos de acumulação, o governo que se constitui tem como projeto político a defesa de valores conservadores e de uma moral fundamentalista.

IBGE: é um país miserável!

A rebelião dos 'coletes amarelos' na França

Foto: AFP
Por Nuno Ramos de Almeida, no site Correio da Cidadania:

Se­gundo as es­ta­tís­ticas do Mi­nis­tério do In­te­rior francês, di­vul­gadas no mo­mento em que está convocada para o pró­ximo sá­bado uma quarta mo­bi­li­zação dos co­letes ama­relos, 136 mil pes­soas mani­fes­taram-se no dia 1 de de­zembro, 166 mil em 24 de no­vembro e 282 mil em 17 de no­vembro.

Mais de 682 pes­soas foram in­ter­pe­ladas pela po­lícia, 630 co­lo­cadas sob de­tenção. Pelo menos 281 pes­soas fi­caram fe­ridas, entre as quais 81 po­li­ciais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Efeito devastador da privatização da Caixa

Por Lu Sudré, no jornal Brasil de Fato:

Mesmo antes de chegar à Presidência, a equipe de transição de Jair Bolsonaro (PSL) sinaliza que irá expandir a entrega de bens e empresas nacionais estratégicas ao setor privado. A política foi executada ao longo do governo Temer (MDB), que desestatizou partes significativas da Petrobrás e da Eletrobrás desde 2016.

O “raio privatizador” de Temer também mira os bancos públicos do país, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF). Embora Bolsonaro afirme que não pretende privatizar as instituições financeiras, declarações de sua equipe ministerial apontam para o sentido oposto e mostram que seu governo deve radicalizar a linha adotada pela última gestão. Paulo Guedes, que está à frente da pasta de economia do novo governo, já disse ser favorável a privatização de todas as estatais.


Assim o Facebook estrangulou o jornalismo

Por Paulo Motoryn, no site Outras Palavras:

O debate sobre a influência do Facebook no jornalismo nasceu para morrer. Não falo isso pela crise do próprio Facebook, sobre a qual alguns analistas já se apressaram em profetizar a queda do império de Mark Zuckerberg – o que está muito distante de acontecer. Eu digo isso porque não é o Facebook, mas o jornalismo que está em perigo.

É preciso começar assumindo que a crise do jornalismo existia muito antes do Facebook, o problema é que, se por um momento acreditamos que o Facebook nos aproximou de novos modelos para superar a crise que estava colocada desde a virada do século, agora ele nos levou para o caminho totalmente oposto ao de um jornalismo sustentável.

Bem-vindos à Escola Sem Partido

Por Guilherme Boulos, na revista CartaCapital:

Em alguma escola desta terra sofrida chamada Brasil, quando ficção e realidade já não se distinguem mais:

‒ Hoje é um momento muito especial para nossa escola. É o primeiro dia de aula depois da aprovação do projeto de lei que tanto esperávamos. Sejam todos bem-vindos à Escola Sem Partido!

‒ Graças à nossa luta, neste momento, as salas de aula de todas as escolas do Brasil têm um cartaz como este. Leiam com muita atenção: “Os professores estão proibidos de promover qualquer opinião e preferência moral ou política”. Estou aqui para contar a verdadeira história! Quem ensina não pode escolher a versão dos fatos que mais lhe agrada.

A polícia de Sergio Moro

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Sob o comando do futuro ministro Sérgio Moro, a Polícia Federal vai reforçar o núcleo encarregado de investigar ministros e parlamentares com foro no STF, providência apontada como essencial à continuidade do combate à corrupção.

Assim será montada a mega Lava Jato do super Moro que, pelo andar da carruagem, terá focinho de polícia política: ministros também foram citados como alvo mas são os parlamentares, especialmente os de oposição, que estarão na mira.

Dificilmente alcançarão ministros de Bolsonaro. Ontem mesmo Moro declarou que Onyx Lorenzoni, contra quem o STF abriu investigação sobre suposto recebimento de caixa 2 da Odebrecht, tem sua “confiança pessoal”.

Para que sindicato? Por que comunicação?

Por Clomar Porto

O título deste breve artigo também poderia ser: "Até quando o movimento sindical vai seguir subestimando a importância da comunicação?" Ou, "Até quando o movimento sindical continuará apostando em estratégias de comunicação superadas há mais de 20 ou 30 anos?"

Há muito tempo, temos tentado chamar a atenção sobre o anacronismo que caracteriza a comunicação praticada pelas entidades sindicais. São, em geral, modelos totalmente superados, que pouco ou quase nada conseguem frente à complexa disputa simbólica que há na sociedade e, sobretudo, nas relações entre capital e trabalho.

O blábláblá da previdência

Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

Passado pouco mais de um mês depois da confirmação da vitória eleitoral de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, pode-se perceber a nítida consolidação de uma linha editorial bastante simpática e favorável ao novo governo. Os grandes meios de comunicação estão totalmente alinhados com a equipe do capitão e fazem questão de expressar tal entusiasmo a cada dia.

É bem verdade que ainda são encontradas algumas lamentações, aqui e acolá, relativas a algumas das muitas trapalhadas que vêm sendo cometidas por integrantes do futuro esquadrão e mesmo quando patrocinadas pelo chefe da equipe e seus familiares. Os exemplos são inúmeros. Mas os que mais chamam a atenção desses analistas relacionam-se às declarações comprometedoras de nossa diplomacia e relações comerciais, como é o caso do apoio à mudança da embaixada brasileira para Jerusalém ou ao rebaixamento de prioridade a ser concedida ao Mercosul.

O laranja do filho de Bolsonaro

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A mídia está sendo discretíssima sobre um caso escandaloso, a movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de ex-motorista e segurança do filho mais velho de Jair Bolsonaro. Durante o período em que trabalhou para ele, o motorista movimentou essa fortuna tendo salário de R$ 8 mil. E depositou soma alta até na conta da mulher do presidente eleito.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome de um ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro – entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Direita, esquerda e Gramsci na cena histórica

Por Marcus Ianoni, no site Brasil Debate:

Várias vozes da direita, em diversos tons e conteúdos, atribuem à esquerda um marxismo cultural ou uma revolução gramsciana, termos concebidos por esses críticos como práticas que propiciam conspirações surdas. As novas direitas vêm se levantando contra esse marxismo cultural, que, banalizações pseudointelectuais à parte, atribuem, aqui no Brasil, a Gramsci e, nos EUA, à Escola de Frankfurt. Vou me referir apenas ao marxista italiano.

A bomba atômica de Paulo Guedes

Por Marcelo Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

Já não é de hoje que políticos brasileiros se entregam cegamente ao mito da austeridade fiscal. Governos de todas as cores têm se submetido docilmente às chantagens plantadas pelos interesses rentistas e a eles prometem fazer a “lição de casa” (gastar menos do que arrecadam) independentemente das condições de temperatura e pressão da economia.

Apesar dos alertas do FMI ou dos nobéis de economia Paul Krugman e Joseph Stiglitz sobre a ineficácia e o caráter contraproducente das políticas de austeridade, com Paulo Guedes, o estranho ultraliberal que encarna a totalização do poder econômico, a ortodoxia fiscal deverá ser levada ao paroxismo e com ela mergulharemos em uma aventura jamais experimentada nestes trópicos.

A dor dos pobres não sai nos jornais

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Nos anos 70, escapando da censura, a peça musical Gota D’Água, numa das geniais canções de Chico Buarque, Notícia de Jornal, ao falar dos dramas vividos pelos pobres, dizia: “a dor da gente não sai no jornal”.

O dia clareando, percorrer as primeiras páginas dos mais “importantes” (será?) jornais brasileiros mostra cruelmente que ainda é assim, ou é pior, pois já não há a censura daqueles anos de chumbo a obrigar que o “Brasil Grande” fosse manchete e o “pequeno Brasil” um canto de rodapé.

Fachin e um certo juiz heterodoxo

Por Jeferson Miola, em seu blog:             

Sempre se soube que o julgamento do habeas corpus do Lula nesta terça, 4/12, era jogo de cartas marcadas. Chance zero do STF praticar justiça neste julgamento [ler aqui], pois isso causaria a ruína da Lava Jato e abalaria os alicerces do bolsonarismo e do Estado de Exceção.

Como o resultado contra Lula estava previamente concebido, o que ficou comprovado durante a sessão, não haveria motivos para espanto ou surpresas. O que não se esperava, contudo, era o comportamento inescrupuloso e capcioso de Luiz Fachin.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O dia em que recusei convite da Globo

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Recebo convite para a comemoração dos 80 anos de Woile Guimarães. Woile foi um dos grandes jornalistas da geração imediatamente anterior à minha. Passou pelo Jornal da Tarde, dirigiu depois a sucursal da TV Globo em São Paulo, onde se notabilizou pelo talento e pelo fino trato. E me vem à memória uma das decisões mais importantes que tomei em minha carreira.

Nos anos 80 fiquei conhecido pelo uso intensivo da matemática no jornalismo e pela introdução do chamado jornalismo de serviços na imprensa, criando o Seu Dinheiro, no Jornal da Tarde e, depois, o Dinheiro Vivo na Folha.

O quão livre é o MBL?

Por Iago Montalvão, no site da UJS:

Já não é mais segredo para ninguém que vivemos em um momento turbulento na política brasileira. Sobram motivos, mas faltam explicações sobre como chegamos até aqui. O fato é que desde a crise mundial de 2008 que atingiu o Brasil com mais força após 2013, somada às manipulações midiáticas e de lideranças infiltradas nos movimentos que levaram às Jornadas de Junho e, ainda, o desencadeamento da operação Lava-Jato e sua espetacularização por parte do judiciário e da imprensa, instalou-se um ambiente de total descredibilização das instituições democráticas e de um completo caos político em nosso país.

Continência de Bolsonaro e a republiqueta

Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:

Se ainda integrasse o serviço ativo do Exército, Jair Bolsonaro teria transgredido a norma que estabelece regras para o gesto de continência nas Forças Armadas. Na quinta-feira, o presidente eleito prestou continência ao visitante John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Mas o capitão reformado é cidadão civil, deputado federal há sete mandatos; não tem obrigação de obedecer aos dispositivos castrenses. Seu ato foi mesmo o que pareceu: mais um retrato para o álbum de imagens picarescas de submissão diplomática na história do Brasil.

A pobreza no Brasil é um genocídio

Editorial do site Vermelho:

O Dia Mundial do Pobre, instituído em 2017 pelo Papa Francisco e assinalado neste ano em 18 de novembro, coincidiu com dados alarmantes sobre o assunto, entre eles os que mostram o aumento de 2 milhões de brasileiros em situação de pobreza em um ano, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) apontou que a pobreza extrema também cresceu em patamar semelhante. Soma-se a esses dados o relatório da Oxfam Brasil revelando que a desigualdade de renda parou de cair e a pobreza cresceu.

Bolsonaro e a regressão trabalhista

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“É horrível ser patrão nesse país” (Jair Bolsonaro)

***

Bom mesmo, para o presidente eleito, é ser trabalhador sem carteira assinada, sem direitos, ganhando a metade dos empregados formais.

Para ele, que votou a favor da “reforma trabalhista” de Michel Temer, ainda foi pouco o que fizeram. Tem que arrochar mais os trabalhadores para deixar os patrões mais satisfeitos.

Temer prometeu que a sua reforma iria gerar novos empregos, mas aconteceu exatamente o contrário.

Dez fiascos de Bolsonaro na política externa

Por Alejandro Barrios, no blog Socialista Morena:

Em 2022, o Brasil completa dois séculos de vida nacional, independente e soberana. É fato que a diplomacia convive com os impulsos internos, que são projetados ao cenário internacional. Faltando apenas quatro anos para um grande marco histórico da sua ação externa, o país vive momentos de fiascos e confusões sobre o expediente das relações exteriores: dúvidas e ataques aos pilares da casa de Rio Branco têm sido desencadeadas por setores da sociedade que não compreendem as determinações históricas da inserção internacional do Brasil. Desenvolveu-se um quadro geral de desconhecimento dos condicionantes da ação externa do país. A visão de mundo é, contudo, elemento chave em qualquer estratégia diplomática.

O que esperar da economia no novo governo?

Por Luiz Fernando de Paula, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

O quadro atual da economia brasileira mostra uma situação de compasso de espera, com uma recuperação gradual e lenta: taxa de crescimento do PIB de 1% em 2017 e 1,4% em 2018 (segundo previsão do Focus). Já a taxa de desocupação se mantém bastante elevada, oscilando entre 12% a 13% desde o início de 2017 contra 6,5% em dezembro de 2014. A utilização da capacidade da indústria, por sua vez, se situa em 75,1% no 3º trimestre de 2018 contra 81,5% no 4º trimestre de 2014; consequentemente a formação bruta de capital fixo – após forte declínio desde 2014 – se mantêm estagnada desde o início de 2016. De acordo como o relatório Focus de 16 de novembro de 2018 a previsão de crescimento do PIB real do Brasil é de 1,36% em 2018 e 2,5% em 2019; já a previsão recente do OCDE é de um crescimento menor, de 2,1%, em 2019 (contra 3,5% da economia mundial). Neste contexto, o que se pode esperar da política econômica do governo Bolsonaro? Quais as perspectivas para a economia brasileira durante o seu governo?


É horrível ser patrão! Bom é ser escravo!

Manifesto contra a extinção da EBC

Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

“Ajustes podem ser feitos, uma vez que nenhuma área é imune a críticas. Contudo, não se pode confundir a necessidade de aperfeiçoamento com o fim de serviços essenciais à sociedade brasileira”. Mais de 140 organizações e representantes da sociedade civil brasileira lançam uma carta-manifesto contra a extinção da Empresa Brasil de Comunicação, a EBC.

Confira na íntegra abaixo, juntamente com a lista de organizações:

Autocrítica no partido dos outros é colírio

Por Ayrton Centeno, no jornal Brasil de Fato:

Um estrangeiro distraído que desembarcar no Brasil ficará impressionado ao ouvir falar tanto em autocrítica. Julgará não existir no planeta alguém mais fascinado pela técnica de expiação do que o brasileiro. À primeira vista. Um segundo olhar, mais apurado, perceberá uma particularidade neste clamor: todos querem autocrítica mas apenas do Partido dos Trabalhadores.

De preferência, publicamente, no meio da rua, rasgando suas vestes, num espetáculo de autoflagelação, expondo-se à execração nacional como escadaria para o céu da redenção. Uma catarse para exorcizar os demônios que o conduziram ao mau caminho e para trazê-lo de volta à senda dos bons e dos justos. Parece atraente. Pelo menos, do ponto de vista dos autores da receita.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A construção da desigualdade brasileira

Por Paulo Kliass, no site Outras Palavras:

É fato amplamente sabido e reconhecido a desigualdade estrutural que sempre caracterizou a sociedade brasileira. O enfoque pode ser centrado na distribuição de renda, na distribuição do patrimônio, na distribuição da terra, na distribuição dos imóveis urbanos ou qualquer outro tipo de mensuração do fenômeno. Pouca importa o objeto avaliado, o resultado dos níveis de concentração é sempre impressionante. Trata-se de um país profundamente desigual, atributo infelizmente secular que nos acompanha ao longo da História.

Os militares e Jair Bolsonaro

Por Adriano de Freixo, na revista Teoria e Debate:

A ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República tendo em torno de si, inclusive na vice-presidência, um grupo palaciano formado por diversos oficiais-generais da reserva que, até recentemente, ocupavam cargos importantes na estrutura das Forças Armadas (FA) e contando com o voto e a simpatia da maior parte das tropas, traz implícita uma questão de extrema relevância: como um ex-capitão, de carreira militar apagada, reformado como decorrência de processos disciplinares, com uma atuação pífia como parlamentar e que até não muito tempo era visto com ressalvas e mesmo com desdém por boa parte das lideranças militares, conseguiu angariar toda essa base de apoio nos meios castrenses?

Todo poder emana das redes sociais

Por Fred Melo Paiva, na revista CartaCapital:

Estupefato com a falta de habilidade e noção de Paulo Guedes no primeiro encontro que manteve com o futuro ministro da Economia, o senador Eunício Oliveira (MDB-CE) adiantou aquilo que se verifica agora com clareza transparente: “Esse povo que vem aí não é da política, é da rede social”. 

O cientista político Miguel Lago foi o primeiro a cravar que estávamos a eleger um “youtuber” presidente. “Durante décadas, Bolsonaro teve atividade legislativa medíocre e não tem nenhuma proposta séria de política pública. Mas é o rei da opinião: tudo diz, sobre tudo, mesmo que nada tenha feito. Mascara suas declarações racistas, homofóbicas e sexistas com um suposto humor que incentiva o compartilhamento”, escreveu. “Bolsonaro é tosco, e isso contribui para que pessoas o achem engraçado. É um ativo youtuber, talvez o mais bem-sucedido do Brasil.”

O teste com Paulo Guedes

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Na próxima quarta-feira, o futuro czar da economia no governo Bolsonaro, Paulo Guedes, prestará depoimento à Polícia Federal no inquérito que apura supostas irregularidades em seus negócios com fundos de pensão de estatais.

Em seis anos ele fez fortuna ao captar cerca de R$ 1 bilhão de sete fundos.

A Lava Jato recrudesceu nos últimos dias com ações que atingiram MDB, PT, PSDB e outros partidos.

A mídia curva a espinha para Bolsonaro

Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                             

Bolsonaro monta um ministério que pode ser comparado a uma seleção nacional do despreparo, do obscurantismo, da imbecilidade e da estupidez. Depois do "batom na cueca" do prêmio recebido por Sérgio Moro, a composição da equipe do capitão nazista causa estupefação em todas as pessoas com mais de dois neurônios. Mas a mídia noticia com naturalidade a escolha de cada energúmeno para a Esplanada dos Ministérios.

Nenhum regime democrático ao redor do planeta, que tem na subordinação dos militares ao pode civil um dos seus importantes pilares de sustentação, conta com sete generais ocupando cargos de primeiro escalão, como o de Bolsonaro. Mas o Globo não vê nada demais nesta grave degeneração autoritária.

O reinado de Paulo Guedes já está no fim?

Por Renato Rovai, em seu blog:

Paulo Guedes nem assumiu o cargo de superministro da Economia e já é o que nos EUA se convencionou chamar de pato manco. Um político que não tem mais força.

O inquérito que a Polícia Federal (PF) instaurou para apurar se ele cometeu irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento o deixa completamente à mercê do humor e da boa vontade do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que montou um gabinete repleto de policias federais.

Guedes, aliás, já deve ter sentido o cheiro de queimado. Ele teve carta branca para montar a sua equipe econômica, mas viu o resto do governo ser entregue para militares.

Análise de um ano da reforma trabalhista

Por Marina Sampaio e Paula Freitas de Almeida, no site Brasil Debate:

A reforma trabalhista foi justificada pela necessidade de tornar o Brasil mais competitivo e, simultaneamente, gerar empregos. A desregulação das relações de trabalho foi o mecanismo eleito, passando a permitir a livre contratação de trabalhadores. Ela atenderia à dinâmica capitalista internacional, que exige flexibilidade na contratação e exploração do tempo de trabalho, demandando liberdade de negociação. A seguir, identificamos alguns dos efeitos provocados pela reforma nesse um ano de sua vigência, todos incompatíveis com as justificativas iniciais.

Democracia e memória

Por Luis Felipe Miguel, no site da Fundação Maurício Grabois:

Em seu romance Andamios, publicado em 1997, o escritor uruguaio Mario Benedetti pôs em cena um ex-perseguido político que depois de anos de exílio retornava ao país. Perdido em meio a transformações que não conseguia compreender, num ambiente político que não casava com aquele de seu tempo de militância, ele pede ajuda a um amigo, que explica, sem rodeios, que é inútil tentar ligar as lembranças do passado com a realidade presente: “Democracia es amnesia” [1]. A ironia do romancista tem boa razão de ser. De fato, a experiência da redemocratização na América Latina, mas também em outros lugares do mundo, em muitos sentidos envolveu uma dose significativa de esquecimento voluntário.