quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

O fugaz reinado de Bolsonaro, o Patético

Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

Patético, segundo o Michaelis, pode ser aquele que “comove, que provoca piedade ou tristeza” ou também aquele “que causa constrangimento ou aversão por ser exageradamente emocional”.

Ambos os significados caem como uma luva no presidente Jair Bolsonaro após o rocambolesco episódio da demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência.

É claro que a piedade e a tristeza são, embora provocadas pelo presidente, direcionadas ao nosso país, entregue a figura tão flagrantemente despreparada.

“Exageradamente emocional”, por sua vez, define à perfeição a conduta de Jair Bolsonaro no imbróglio.

Barão de Itararé e a "Constituição em risco"


Pouco mais de 30 anos após a promulgação da Constituição, seus princípios são postos em xeque pelo avanço do "ultra-neoliberalismo", tendência mundial representada no Brasil pelo governo de Jair Bolsonaro. O ex-chanceler e ex-ministro da Defesa Celso Amorim, a jurista Carol Proner e a economista Laura Tavares debateram as ameaças à democracia, aos direitos individuais e ao sistema de Seguridade Social, bem como à soberania nacional, nessa segunda-feira (18), no Rio de Janeiro.

O evento chamado A Constituição de 1988 em Risco, iniciativa do Coletivo Barão de Itararé, também teve a participação da líder da minoria da Câmara, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e contou com o auditório da Conselho Regional de Economia do Rio lotado.

Laranjal dificulta o golpe da Previdência

Por Thais Reis Oliveira, na revista CartaCapital:

Depois de muitas idas e vindas, a Reforma da Previdência volta ao Congresso. Findado o prazo para o envio do texto nesta quarta-feira 20, Jair Bolsonaro foi à Câmara entregar a proposta do governo ao presidente Rodrigo Maia. Deputados do PSOL recepcionaram o presidente vestidos com um avental laranja e segurando a fruta.

A reforma é a prova de fogo do governo, que enfrenta pressão por aprovação rápida e indolor depois da jornada malsucedida no governo Temer: à época, a proposta embolorou conforme o escândalo da JBS avançava, e acabou não passando sequer do plenário da Câmara.

O governo dos generais da "turma do Haiti"

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

A lambança na demissão do ministro dos laranjais foi a gota d´água.

Nenhuma surpresa. Acabou precocemente o governo do clã dos Bolsonaros, aos 50 dias de vida, na primeira crise que enfrentou.

A deprimente imagem do vídeo improvisado em que o presidente Jair Bolsonaro se rende à chantagem de Bebianno, e o cobre de elogios, deve ter arrepiado o brio até dos militares mais insensíveis.

Começa agora para valer o governo da junta militar comandada pelo general Augusto Heleno, o chefe da “turma do Haiti”.

Medo e solidão no marketing via Google

Por Patrick Berlinquette, no site Outras Palavras:

Como a Google diz diretamente, micro-momentos são os “momentos ricos em intencionalidade, quando decisões são tomadas, e preferências moldadas.” Isso esconde o que a Google não pode dizer: Sua atitude “quero-isso-agora” geralmente é produzida por incômodos sentimentos de ansiedade e medo. Quando você está fazendo compras nesta sintonia (de qualquer coisa, não apenas um produto), seus limites estão nublados pela emoção. Sua “necessidade” imediatista, transacional, de navegação ou informativa, é confundida com o desejo de que seus sentimentos ruins desapareçam.

A intencional discrição do homem de Chicago

Por Marcelo Manzano, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Fazendo jus ao frio mais-que-polar de sua Chicago, Paulo Guedes parece ter preferido hibernar nos primeiros 45 dias como superministro da Economia. Falou menos do que de hábito e, do que fez, pouco se sabe. Nos raros momentos em que botou a cara para fora, como em Davos, Guedes falou para os seus nada além do que dele se esperava: privatizações, abertura comercial, reforma da previdência. De resto, o silêncio foi sua marca.

A guerra entre Globo e Bolsonaro

Por Mauro Donato, no blog Diário do Centro do Mundo:

Memorize esta data: 19 de fevereiro. Foi provavelmente o primeiro dia em que o Jornal Nacional terá iniciado uma guerra diária contra Jair Bolsonaro. A edição de ontem contou longos e intensos minutos, repletos de expressões sisudas de seus apresentadores.

Quem te viu, quem te vê. Em menos de dois meses, o governo que se elegeu pelo falacioso discurso anticorrupção passa a ter tratamento similar ao dispensado aos anteriores, quando desafetos da Globo. Praticamente metade do JN foi dedicado a denúncias das diversas espécies de laranjais bolsonaristas, com ênfase, claro, no diz-que-diz digno de novela mexicana que envolve aquele bando de orangotango.

Estamos sob uma ditadura militar?

Por Antonio Barbosa Filho

Alguém já viu um general, brigadeiro ou almirante batendo continência para um capitão? Acho muito difícil, ainda mais para um capitão que ameaçou explodir quartéis, matando colegas, e que escapou por pouco de não ser expulso - foi apenas "desligado".

A formação disciplinar nas três Forças é muito rigorosa: quem manda é a patente, quem sabe, obedece. A única exceção são os paraquedistas, porque são os primeiros a morrer numa guerra. No metrô ou ônibus lotados, o tenente sentado levanta-se e cede o lugar a um sargento paraquedista.

Militares ocupam quase todo Planalto

Por Vilma Bokany, no site da Fundação Perseu Abramo:

O porta-voz da presidência de Jair Bolsonaro, general Otávio Rêgo Barros, anunciou no início da noite desta segunda-feira, 18, a demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, alegando razões de “foro íntimo” de Bolsonaro para a saída do ministro.

Em menos de 50 dias, o governo tem a primeira baixa no primeiro escalão. Bebianno é acusado de repasses do PSL a candidatura laranjas em Pernambuco durante a campanha eleitoral de 2018, quando era presidente do partido.

A rendição de Bolsonaro

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Para quem tinha dúvidas sobre o tempo cultural que o país se encontra a partir da posse de Jair Bolsonaro no Planalto, a queda de Gustavo Bebianno da Secretaria Geral da Presidência não poderia ser mais instrutiva. Esqueça mudanças nas questões de gênero, reforma da Previdência, liberdades civis. O país acaba de ser atingido naquele ponto fundamental que permite distinguir a civilização humana do mundo dos animais - a linguagem.

Bolsonaro: como se tornar um inútil perigoso

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Jair Bolsonaro, na ilusão de autosuficiência própria dos simplórios, percebe mal a situação em que está envolvido e ainda confia que vai “resolver a parada” com a força carismática do “Mito”.

De um lado, um parlamento cheio de medíocres e vazio de caráteres se move para enquadrá-lo às regras do jogo. A “oferta”, muy amiga, do DEM, registrada pela Folha, para assumir a coordenação política do Governo, com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre sendo os canais oficiais de encaminhamento das reivindicações (leia-se verbas e cargos) dos parlamentares é cicuta edulcorada.

O homem de Bolsonaro para a reforma agrária

Por Leonardo Fuhrmann, no site The Intercept-Brasil:

Em julho de 2003, um grupo de fazendeiros do Pontal do Paranapanema, no oeste paulista, resolveu posar para o Jornal Nacional com armas em punho. Eles anunciavam a formação de um ‘centro de treinamentos’ onde se preparavam para resistir às ações do MST. Lula havia chegado ao poder - e, com ele, crescia o temor de uma reforma agrária. O objetivo era apresentar poderio paramilitar para intimidar os camponeses, com armas proibidas no Brasil ou de uso restrito às Forças Armadas.

Segundo investigações da polícia e da CPI da Terra, de 2005, os milicianos rurais eram ligados a Luiz Antônio Nabhan Garcia, fazendeiro da região e presidente da UDR, a União Democrática Ruralista. Hoje, ele é secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura – em outras palavras, o responsável demarcações de terras e a reforma agrária.

Ford fecha fábrica. Cadê a mídia otimista?

Por Altamiro Borges

A multinacional estadunidense Ford anunciou nesta terça-feira (19) que fechará a sua fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A abrupta decisão faz parte do projeto da empresa de encerrar a produção de caminhões nas unidades instaladas na América do Sul. A previsão é de que até o final do ano a "reestruturação" resultará na demissão de 2,7 mil metalúrgicos  além do corte nos empregos indiretos das firmas que fornecem peças e prestam serviços. Com certeza, a mídia burguesa  nutrida com milhões em publicidade  tentará abrandar o impacto do fechamento da fábrica. Até porque seus colunistas de aluguel vinham jurando que a economia, sob o comando do rentista Paulo Guedes com o seu plano ultraliberal e entreguista, já estava em plena retomada. Baita recuperação!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Estadão detona a "criançada" de Bolsonaro

Por Altamiro Borges

Por seu ódio visceral a Lula e às forças de esquerda, o Estadão deu uma importante contribuição para a ascensão fascista no Brasil, que resultou na eleição de Jair Bolsonaro em outubro passado. Sem se preocupar com o futuro do país, o jornal da falida e endividada famiglia Mesquita ligou o "foda-se" e apostou em algo que sabia que tinha tudo para dar errado. Em 1964, o diário oligárquico também deu apoio a um golpe militar e pouco depois foi censurado e perseguido pela ditadura. Agora, com apenas 50 dias da tragédia, o Estadão parece que já não nutre qualquer expectativa no êxito do presidente-capetão. O editorial publicado nesta terça-feira (19) evidencia um rápido desencanto que pode atingir outros setores da cloaca empresarial brasileira. Vale conferir o petardo e aguardar os próximos lances:

O incêndio do Reichstag à brasileira

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – Bebianno e os militares

Desde os primeiros movimentos do governo de transição, um dos grupos que se posicionou foi dos financiadores de campanha, Gustavo Bebianno, Paulo Marinho e Luciano Bivar. Tentaram emplacar nomes em áreas de grandes contratos, como o Ministério de Minas e Energia, da Infraestrutura. Foram impedidos pelo grupo militar.

Esta é a razão para não ter havido esforço para segurar a sua demissão, apesar dos métodos atabalhoados de Jair Bolsonaro e filhos.

Bernie Sanders enfrenta fascismo bolsonárico

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

Tocqueville no seu “Democracia na América” (II p..813), considerando que a democracia – por carregar o gérmen de um novo despotismo – transformar-se-ia no “seu contrário”, escreveu que “nossos contemporâneos imaginam um poder único, tutelar, onipotente, mas eleito pelos cidadãos (e) consolam-se pelo fato de serem tutelados, pensando que eles mesmos selecionaram seus tutores(…). Num sistema deste gênero os cidadãos saem, por um momento da dependência, para designar o seu amo e logo voltam a entrar nela”. Vem do Século 19 uma lúcida lição sobre a questão democrática na pós-modernidade da pós-verdade, que nos faz pensar no Brasil destes nossos dias de crueldade, miséria moral e autoritarismo que combina o ultraliberalismo com os espasmos fascistas que nos trouxeram até a tragédia.

A maldade da "reforma" da Previdência


Editorial do site Vermelho:

A luta desesperada da direita pela “reforma” da Previdência Social diz muita coisa. Uma delas, talvez a principal, é que há uma conta a ser paga, inflada pelos efeitos da crise global que estourou em 2007-2008. O chamado “déficit fiscal”, que na visão dos neoliberais deve ser sanado com recursos provenientes dos direitos dos trabalhadores e do patrimônio público — as privatizações —, é o coração do problema. Ao desvendá-lo, aparece a essência da crise e se compreende o desespero da direita pela “reforma” da Previdência Social.

Quem é Juan Guaidó, o golpista venezuelano?

Do site Carta Maior:

Estamos há um mês nos fazendo essa pergunta: quem é Juan Guaidó? Quem é esse fenômeno que apareceu com tanta força na política internacional, reconhecido por vários governos como presidente (!!!) da Venezuela, mesmo sem ser eleito, e que rapidamente também foi aceito pelos representantes da direita uruguaia. Guaidó se dá ao luxo inclusive de criticar o nosso presidente Tabaré Vázquez simplesmente porque o nosso país, junto com o México, avançou pelo único caminho possível para nós que amamos a democracia, a liberdade, a paz e especialmente o diálogo. E claro, Guaidó não está de acordo com essas posturas.

Desafios do governo para golpear a Previdência

Por Cristiane Sampaio, no jornal Brasil de Fato:

A tradicional rejeição popular em relação a pautas de retirada de direitos faz com que o governo Bolsonaro pise num terreno movediço quando o assunto é a reforma da Previdência, apesar de ter maioria no Congresso Nacional. As denúncias de corrupção envolvendo o PSL, seu partido, aumentam ainda mais os desafios do ex-capitão e de seu ministro Paulo Guedes.

O governo tem esbarrado em dificuldades de articulação política com partidos mais conservadores. Na semana passada, líderes de legendas como o PP, por exemplo, queixaram-se do problema da corrupção, que se delineia em meio à primeira crise da gestão, hoje alfinetada por escândalos envolvendo supostos laranjas.

Bolsonaro trai os produtores de leite

Do blog Viomundo:

De nada adiantou a forte reação dos produtores nacionais de leite diante da decisão da área econômica do governo Bolsonaro de não renovar a aplicação de tarifas antidumping para importação de leite em pó da União Europeia e da Nova Zelândia.

Após a decisão, alertado para o fato de que esses países têm grandes estoques do produto, o que poderia gerar uma enxurrada de leite estrangeiro no Brasil, o presidente foi às redes sociais para garantir ao setor que iria “manter o nível de competitividade”.

Mas Bolsonaro não cumpriu a promessa.

Crise econômica em governo de 'curto prazo'

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

Apresentada por porta-vozes do rentismo e propagandistas neoliberais como administrações incompetentes e esbanjadoras de recursos da população, os governos estaduais e municipais estão sendo empurrados para a liquidação dos sistemas públicos de aposentadoria e pensão. Dessa forma esperam aliviar a asfixia fiscal a qual estão submetidos pelos cinco últimos anos de economia paralisada.

Acontece que a solução prometida a governadores e prefeitos dificilmente virá da realização de reformas previdenciária e privatizante na administração pública. Infelizmente não se trata apenas de equívoco atinente à visão prisioneira do "curtoprazismo", mas à superficialidade neoliberal ao difundir saídas simples para questões complexas, como na crença de centralizar no Estado as razões dos males do país.

Bolsonaro e a ausência de honra entre ladrões

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

O PSL, partido de Bolsonaro, apodreceu rapidamente. As candidaturas de laranjas serviram para enriquecer um partido recém-nascido e nascido grande graças à onda de loucura que se apoderou do país. Porém, o “mito” de pés de barro não hesitou em entregar as cabeças dos comparsas ao menor sinal de perigo. Essa é uma lição para quem quiser se aliar ao clã fascista.

O Congresso que tomou posse dia 1º reúne o menor número de parlamentares declaradamente governistas dos últimos 24 anos. Na Câmara, a base oficial de Jair Bolsonaro representa 22% das cadeiras, enquanto que, no Senado, não passa de 8%.


A gente vai continuar indo ao Extra…

Por Renato Rovai, em seu blog:

O Brasil se tornou um país impressionantemente ruim. Um boçal aplica um mata-leão até matar um menino de 19 anos num dos bairros mais abastados do Rio de Janeiro. Sufoca-o indefeso até que faleça.

A cena inunda a internet. Faz 24 horas que a vi. São quase meia-noite de sexta e ela invade minha timeline de novo.

Não choro. Não chorei ontem. Mas sinto um desespero silencioso, porque a vida daquele guri não parece valer nada.

Governo Bolsonaro: ópera-bufa em sete atos

Por Thais Reis Oliveira, na revista CartaCapital:

O governo de Jair Bolsonaro completa 50 dias nesta segunda-feira, 18. Mas é tanto recuo, tanto bate-cabeça, tanta intriga e tanta crise que o tempo parece outro: uns cinco anos, alguém diria. Destaque para a degola de um de seus homens fortes, o aprofundamento do caso Queiroz e a revelação de um esquema de candidaturas laranja no PSL.

Chamuscado por um início cheio de tropeços e o estouro precoce de crises públicas e privadas, o presidente chega fragilizado à disputa com o Congresso – embora beneficiado pelo acordo com Rodrigo Maia e pela vitória contra Renan Calheiros.

Auditores fiscais na luta pela democracia

Enviado por Charles Alcantara

Manifesto declaratório 

Ao tempo em que assistimos à intensificação dos ataques à frágil democracia brasileira e ao inconcluso Estado Social declarado na Constituição de 1988, lançamos o coletivo Auditores Fiscais pela Democracia (AFpD), formado por servidores públicos das administrações tributárias, aduaneira e da inspeção do trabalho que compartilham do propósito comum de construir uma sociedade pautada na democracia plena, na justiça social e na solidariedade. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Intelectuais de internet chegam ao poder

Por Tatiana Roque, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Dizendo proteger a democracia ao suprimir o comunismo da sociedade, formam-se cruzadas que, ironicamente, suprimem a democracia – ao tolher o dissenso e a liberdade de expressão. Grupos organizados atuam em universidades e escolas para vigiar e denunciar supostos comunistas, sem provas, listando nominalmente professores e acusando-os de doutrinar e seduzir estudantes. Comitês governamentais são instalados para limpar a máquina estatal de funcionários ideologicamente suspeitos.

O luto parece não ter fim

Por Leonardo Boff, em seu blog:

O Brasil parece tomado por um luto que nunca termina. As pessoas andam acabrunhadas por causa do desemprego e pelas reformas conservadoras que o novo governo pretende introduzir, tirando direitos dos trabalhadores e atacando diretamente várias políticas sociais que beneficiavam os mais destituídos. Estudantes universitários que viviam com bolsas do governo tiveram que interromper seus estudos. Reformas na educação nos remetem à fase anterior ao Iluminismo, em alguns pontos, à Idade Média. Uma sombra escura pesa sobre o rosto de milhões de compatriotas.

Bebianno descobriu o óbvio tarde demais

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Gustavo Bebianno falou o óbvio ululante quando apontou o dedo para o pai na crise que culminou em sua exoneração.

“O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, disse, segundo Lauro Jardim no Globo.

“Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil.”

Carlos é produto de Jair, com quem tem uma relação obsessiva. O rosto do genitor está tatuado em seu braço direito.

Um muro chamado soberania nacional

Por Mariângela Nascimento, na revista Teoria e Debate:

A nova configuração do poder capitalista tem redesenhado o território global e estabelecido uma nova ordenação produtiva, na qual a mobilidade do trabalho torna-se, cada vez mais, uma condição necessária, ao mesmo tempo a maioria dos países capitalistas vem impondo fortes restrições que limitam e controlam a circulação de pessoas.

Para a execução dessa política, uma nova noção de direito passa a fundamentar e justificar essa ordenação na sua capacidade de fazer uso da força, e passa a manter sob o seu total controle os resultados políticos de qualquer acontecimento no âmbito global.

Bolsonaro passou a lua de mel no bordel

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Num país onde é costume definir os meses iniciais de todo governo novo como uma "lua de mel", os primeiros 45 dias do governo Jair Bolsonaro no Planalto podem ser classificados como uma festa de arromba num antigo bordel da república brasileira.

Nesse período, já se detectou a presença de tudo que há de pior naquele universo que meses atrás os marqueteiros do bolsonarismo-chique adoravam descrever como "velha politica":

1- O emprego da força imunda do dinheiro clandestino ficou claro na contabilidade dos laranjas, esquema mais velho que as contas-fantasma da Republica de Alagoas que derrubaram Fernando Collor. Até agora, não custa lembrar, ficamos na pontinha do iceberg, como sugerem os imensos cuidados com a saída de Gustavo Bebianno.

O “Pitfilho” e a carga de cavalaria

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Precioso o levantamento de O Globo sobre a natureza dos 500 “tuítes” disparados - o termo é perfeito - por Carlos Bolsonaro nos últimos dois meses.

O resultado é o indiscutível retrato da máquina de agressões que é o clã Bolsonaro: 73% deles são de ataques a pessoas e instituições.

Dão razão aparente ao fato de o “pitbull’ estar sendo apontado como personagem principal de uma confusão na qual é mero coajuvante: o conflito entre Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno.

Aparente, apenas, porém.

Bebianno pode se voltar contra Bolsonaro

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Há duas semanas, uma repórter da Folha foi até à gráfica utilizada por uma candidata-laranja do PSL e constatou que não havia nada funcionando no endereço. O partido despejou R$ 380 mil de dinheiro público nessa gráfica fantasma. Confrontado, o presidente do partido de aluguel Luciano Bivar contestou a reportagem: “Mas se ela for lá, ela vai ver as máquinas todinhas. Se não tiver máquina, você pode escrever que eu sou um mentiroso amanhã”. A Folha foi e não encontrou nem um cartucho de tinta. Mesmo autorizado, o jornal elegantemente se absteve de chamá-lo de mentiroso.

O Brasil não é mesmo para amadores

Por Tadeu Porto, no blog Cafezinho:

O telecatch governista promovido pelo Presidente da República e um dos seus ministros mais fieis mostra que o Brasil chegou mesmo ao fundo do poço em matéria de política. O país virou uma nau à deriva completa, institucional e ideologicamente (militantes de todas as vertentes estão se pegando e não é daquele jeito legal do carnaval).

[Sem falar no clima de barbárie. Impossível deixar de citar que esse clima de “vale tudo” que estamos vivendo em Brasília inspira pessoas a assassinar adolescentes a troco de nada. Se for preto e pobre então (mais desumanizado) é batata.]

Eles decidem se você é terrorista

Por João Telésforo, no site Outras Palavras:

Em junho do ano passado, o governo Temer enviou para a Câmara o Projeto de Lei nº 10.431/2018, alegando que precisava ser aprovado com urgência, para que o Brasil se adequasse às exigências internacionais de cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança da ONU que determinassem o bloqueio de bens de pessoas acusadas de atos terroristas ou de financiamento do terrorismo. Sérgio Moro tem atuado pela aprovação do projeto desde outubro, com os mesmos argumentos. Em 12/2, os deputados o aprovaram. Ele começará, agora, a tramitar no Senado.

Mídia e direita desinformam sobre a Bolívia

Emilio Rodas Panique
Por Leonardo Severo e Monica Severo, de La Paz

Nesta entrevista dada em seu gabinete, em La Paz, o vice-ministro do Emprego, Serviço e Cooperativas da Bolívia, Emilio Rodas Panique, fala sobre os 13 anos do governo de Evo Morales, de “nacionalização e industrialização”, do “fortalecimento do Estado e do cooperativismo” no combate “ao neoliberalismo e à selvageria do capitalismo”. Defende a relevância da “valorização dos salários, direitos e benefícios sociais”, do “investimento na formação científico-tecnológica”, da “campanha desinformativa movida pela grande mídia para danificar a imagem do presidente” e do “combate à corrupção”. “Somos nós que mais temos lutado contra a corrupção e quem melhores resultados obtivemos”, sublinhou.


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Bolsonaro comprará o silêncio de Bebianno?

Por Altamiro Borges

Como diria o ex-juiz Sergio Moro, atual superministro do governo em chamas: ainda não há provas, mas cresce a convicção de que Gustavo Bebianno venderá muito caro o seu silêncio sobre as sujeiras da campanha que resultaram na vitória da extrema-direita nas eleições do ano passado. Na tarde deste domingo (17), o provável defecado da Secretaria-Geral da Presidência já havia abrandado sua bronca contra o "desleal", "fraco" e "louco" Jair Bolsonaro  segundo desabafos vazados pela imprensa. Em entrevista a Danilo Martins, da TV Globo, ele afirmou no maior cinismo que "agora é hora de esfriar a cabeça"  isto após ter colocado fogo no bordel, que reúne o que há de pior na política nativa, como milicos ressentidos, abutres rentistas, corruptos velhacos, fanáticos religiosos e fascistas malucos.

Os aloprados no comando do Titanic Brasil

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

A economia mundial está sob influência dos seguintes fatores negativos, um desmanche em toda organização que vigorou no pós-guerra.

Peça 1 – desaceleração das economias

União Europeia

Nos últimos meses houve uma redução abrupta da oferta de crédito, com reflexos nas diversas economias. E uma obsessão por ajustes fiscais que derrubou as condições sociais estimulando partidos radicais em praticamente todos os países.

Os preparativos da invasão da Venezuela

Por Carlos Fazio, no site Carta Maior:

Em Caracas, a normalidade da vida cotidiana contrasta com a visão apocalíptica difundida no exterior pelas agências internacionais de notícias e pela Internet. Aos olhos de um observador imparcial e objetivo, não há rastros da publicitada catástrofe humanitária. Tampouco há resquício algum de uma ditadura: se imaginam alguém se proclamando presidente encarregado durante os regimes de Franco, Pinochet, Videla, Bordaberry ou Fujimori?

Capitalização será o fim da Previdência

Por Iram Alfaia, no site Vermelho:

Na expectativa da chegada do texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência ao Congresso, o senador Paulo Paim (PT-RS) diz que haverá muita resistência ao que estão chamando de sistema de capitalização. Ele explica que se trata de uma poupança privada que na prática pode acabar com a previdência pública.

“O sistema da capitalização já foi adotado no Chile, na Colômbia, no México e no Peru. Esses países fizeram essa experiência e já estão voltando atrás, porque não deu certo essa tal de poupança – o nome bonito é capitalização”, afirmou o senador.

O general brasileiro no Comando Sul dos EUA

Por Célio Turino, no blog Viomundo:

Generais brasileiros aceitam se submeter ao comando militar de potência estrangeira. Isso é crime de alta traição à pátria e vai acontecer a partir deste ano, sob o governo mais entreguista da história do Brasil.

Como se não bastasse a entrega da Embraer à Boeing e, por tabela, ao Pentágono das FFAA dos EUA, agora generais brasileiros, de forma submissa, vão bater continência ao Estado Maior das FFAA de uma potência estrangeira, assumindo comando de tropas no SouthCom (Comando Sul das FFAA estadunidenses).

Agendas de Guedes e Moro se complementam

Da Rede Brasil Atual:

Para o cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) Vitor Marchetti, a agenda ultraliberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e a de "desarticulação social" do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, são complementares. Em sua avaliação, para evitar resistência popular contra as políticas econômicas do governo Bolsonaro, o ex-juiz federal tenta minar a capacidade de mobilização da sociedade.

Só gerentes devem pagar por crime da Vale

Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                                                                 
Já vai longe o tempo em que o Ministério Público tinha forte atuação na área dos direitos humanos, especialmente no tocante aos abusos de autoridade e crimes cometidos por agentes do Estado.

Desde que foi contaminado pela partidarização e militância política de direita, amplos setores do MP e do Judiciário têm pautado sua atuação pela busca obsessiva por notoriedade midiática, através de uma cruzada seletiva contra a corrupção.

Na mesma semana em que, esbanjando cinismo e falta de senso de humanidade, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, esteve no Congresso Nacional para fazer uma defesa apaixonada da empresa e, praticamente, ignorar os mortos e as famílias enlutadas, oito funcionários da mineradora foram presos.

Bebianno se tornou refém de Sergio Moro

Por Renato Rovai, em seu blog:

O laranjal está tão adensado que cada dia fica mais difícil entender o que acontece no PSL. Não porque existe complexidade nas relações entre os diferentes atores que dominam a sigla usada para completar o golpe iniciado com o impeachment de Dilma. Mas porque cada dia aparecem mais peças num quebra-cabeça que vai se tornando ao mesmo tempo vergonhoso e, por que não, também um tanto divertido.

Quem é o "perigoso" Gustavo Bebianno?

Por Thais Reis Oliveira, na revista CartaCapital:

Gustavo Bebianno está perto demais de perder a chefia da Secretaria-Geral da Presidência da República. Depois de uma reunião a portas fechadas com Bebianno e Mourão, na noite desta sexta 15, o presidente preferiu dispensá-lo. A exoneração deve ser publicada na segunda-feira.

Embora tenham havido alguns recuos em nomeações, Bebianno será a primeira baixa ministerial do governo. O rompimento também é o primeiro dentro do núcleo mais próximo a Bolsonaro, e pode provocar uma reação em cadeia: o aliado guarda várias informações das quais Bolsonaro certamente não quer ser lembrado.

Rogério Marinho, o carrasco da Previdência

Por Rafael Duarte, no site Saiba Mais:

Responsável pelo texto-base da reforma da Previdência que será enviado ao Congresso Nacional após a análise final do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ex-deputado federal do Rio Grande do Norte e atual secretário especial de Previdência e Trabalho Rogério Marinho (PSDB) é investigado em quatro inquéritos e ainda espera pela decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a quinta denúncia já apresentada pelo Ministério Público.

As investigações contra o potiguar vão de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, crime contra a ordem tributária e falsidade ideológica.

Mourão, um novo animal na floresta

Por Ayrton Centeno, no jornal Brasil de Fato:

Há um novo animal na selva política do Planalto Central. É um espécime diferenciado. Trata-se de um predador, instalado no topo da cadeia alimentar do universo regressista abancado em Brasília. Enquanto a maioria da fauna bolsonarista se engalfinha, demarcando seu território com urina, em meio a guinchos, berros e zurros, este forasteiro no matagal político pragmaticamente amplia seu espaço, passo a passo. É o general Antônio Hamilton Martins Mourão.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Maju Coutinho e o racismo na televisão

Por Altamiro Borges

A estreia neste sábado (16) da jornalista Maju Coutinho como apresentadora do “Jornal Nacional”, o telejornal de maior audiência da tevê brasileira, teve forte impacto nas redes sociais. A maioria dos internautas parabenizou a profissional e a TV Globo. Já alguns fascistas, que saíram do esgoto com a onda conservadora que resultou na eleição de Jair Bolsonaro, destilaram seu ódio e preconceito. Como registrou a própria Maju Coutinho, em entrevista a Mauricio Stycer, do UOL, a repercussão da sua estreia do JN “é simbólica”, mas evidencia que o racismo ainda é uma realidade repugnante no Brasil.

Argentina afunda e Macri abraça Bolsonaro

Por Altamiro Borges

Sem maior repercussão na mídia colonizada, que só realça a ofensiva imperialista contra a Venezuela, nesta quarta-feira (13) a vizinha Argentina parou. Convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais, o protesto nacional contra o desemprego e a inflação paralisou Buenos Aires e outras 50 cidades do país, com bloqueios de ruas e inúmeras marchas e atos públicos. Segundo a imprensa argentina, que é amplamente favorável ao presidente-rentista Mauricio Macri, as manifestações superaram as expectativas e indicam novos enfrentamentos para breve. Nas próximas semanas, importantes categorias de trabalhadores iniciam suas negociações coletivas. Apesar da inflação ter batido em 47,6% no ano passado, os patrões já anunciaram que não farão a correção salarial e nem concederão aumento real. As centrais sindicais já prometem uma poderosa greve geral.

Bebianno ameaça Bolsonaro: "Brasil vai tremer"

Por Altamiro Borges

Até para o bolsominion mais tapado a situação do "presidente-capetão" Jair Bolsonaro está cheirando muito mal – e olha que o "mito" já retirou a bolsa de colostomia. A crise envolvendo um dos chefões da sua campanha eleitoral, Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL (Partido Só de Laranjas), parece não ter fim. A imprensa especula que o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência será exonerado na segunda-feira, mas parece que ele decidiu ligar o ventilador no esgoto. Segundo matéria postada no site da Veja na tarde deste sábado (16), "uma fonte disse que 'se isso (a demissão) acontecer na segunda, o Brasil vai tremer’. Além de ter sido presidente do PSL e um dos seus maiores conselheiros durante as eleições, o ministro era um frequentador assíduo da casa do presidente".

Âncora da Globo pede demissão ao vivo

Por Altamiro Borges

A crise do modelo de negócios da mídia monopolista  decorrente da explosão da internet, da perda de credibilidade de seus veículos, da incompetência dos gestores familiares e da crise econômica que a própria imprensa tenta esconder, entre outros fatores  segue vitimando seus profissionais. A onda de demissões, precarização do trabalho e arrocho salarial não atinge apenas os trabalhadores dos jornalões e revistonas. Ela também produz duros golpes nas emissoras de rádio e tevê. Nos últimos dias, ela atingiu com força uma importante afiliada da Rede Globo, a TV Verdes Mares, do Ceará. A crise só se tornou pública porque um dos seus jornalistas, o apresentador Kaio Cézar, pediu demissão ao vivo durante o encerramento do Globo Esporte neste sábado (16).

Que tal uma delação premiada do Bebianno?

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Nas redes sociais, já se pergunta se Sérgio Moro vai oferecer uma “delação premiada” a Gustavo Bebianno para denunciar a organização criminosa que se formou para a tomada do poder no Brasil.

Afinal de contas, foi notória a ameaça de revelar a face oculta da campanha que guindou Bolsonaro ao Planalto.

Como cansou de escrever Moro, em “cognição sumária” há indícios suficientes para iniciar uma apuração dos fatos.

E, mesmo “sem ato de ofício”, está claro que Jair Bolsonaro era o chefe e, portanto, aquele que garantiria as transações espúrias feitas por seus auxiliares.

Davi Alcolumbre é fruto da velha política

Por Amanda Audi, no site The Intercept-Brasil:

Davi Alcolumbre não dormia havia duas noites quando deixou o apartamento funcional localizado em área nobre de Brasília na manhã de 1º de fevereiro, uma sexta-feira. Passara as horas anteriores em conversas com 20 senadores, um périplo que só terminara às 5h da manhã. Mesmo assim, saiu cedo de casa, levando, no carro oficial, o colega Randolfe Rodrigues, da Rede, também eleito pelo Amapá.

Minutos depois, no Senado, os dois se dirigiram ao gabinete do tucano Tasso Jereissati, que havia se transformado em um bunker contra Renan Calheiros, do MDB alagoano. Apesar de ser visto com ressalvas até pelo próprio partido, que preferia centrar esforços na eleição de Rodrigo Maia na Câmara, Alcolumbre estava confiante. Fora treinado para enfrentar o que sabia que viria pela frente.

Bolsonaro cria Lava-Jato da Educação

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Não é preciso ser nenhum gênio da análise política para entender que essa iniciativa de Bolsonaro e Sergio Moro visa cumprir dois objetivos estratégicos:

1) produzir factoides político-midiáticos contra as gestões petistas, talvez visando atingir o ex-ministro de Educação de Lula, Fernando Haddad, um dos nomes mais importantes da oposição e desde já potencial competidor em 2022;

Precisamos democratizar a mídia

Foto: Lucas Martins / Jornalistas Livres
Por Lucas Martins, no site Jornalistas Livres:

Se você mora na cidade de São Paulo e, ontem, por volta das 17h ou 18h, circulou pelas regiões atendidas pela avenida 23 de Maio, você com certeza enfrentou um trânsito fora do comum, mesmo para os padrões congestionadíssimos da grande Metrópole. Muito provavelmente, você não sabe por que ficou parado um tempão a mais no trânsito. Já abrimos o spoiler: o que congestionou mais ainda a cidade foi a greve dos servidores municipais. “Como?” Olha aí… você nem sabia que os servidores estavam em greve.

Previdência: os porquês da nova guerra

Por Eduardo Fagnani, no site Outras Palavras:

A Previdência é um dos pilares da cidadania social brasileira. Entre 2001 e 2012, o total de benefícios diretos do segmento urbano cresceu 48% (passando de 11,6 milhões para 17,2 milhões de beneficiários), enquanto na Previdência Rural o acréscimo foi de 38% (de 6,3 milhões para 8,7 milhões). Segundo a PNAD (Pesquisa por Amostra de Domicílio) de 2001, do IBGE, para cada beneficiário direto há 2,5 indiretos (membros da família). Em 2012, a Previdência Social beneficiou, direta e indiretamente, mais de 90 milhões de brasileiros.

Bolsonaro e a "classe média" no poder

Por Ivana Bentes, no site Mídia Ninja:

Bem na sua cara! A Classe Média no poder! Interrompendo minhas férias para comentar essa foto sensacional a partir das observações do Ricardo Sardenberg. Isso é que é choque cultural! O que temos aqui? Uma foto típica dos grupos no poder, o Presidente da República ladeado por aliados na Biblioteca do Palácio da Alvorada. E no centro da foto, entronizado, o Presidente de chinelo Rider, calça de moletom, camiseta e um paletó improvisado e mal ajambrado jogado por cima de tudo. Bolsonaro está “em casa” de chinelo recebendo as visitas.

Lava-Jato da Educação e o estado policial

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

O anúncio da Lava Jato na Educação é a inauguração oficial do estado policial no país. Não há fato definido, não há crime relatado. A própria denominação é o indício mais evidente de que haverá uma movimentação política na área.

A estratégia é óbvia.

Nos anos de governo PT, os dois setores mais beneficiados foram as empreiteiras, devido à volta das grandes obras, e a educação, devido às políticas implementadas, desde a expansão das universidades federais ao estímulo ao setor privado através do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil).

As diferenças entre Lula e Bolsonaro

Foto: Francisco Proner
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Me lembro até hoje do susto que levei logo cedo ser chamado às pressas para ir ao gabinete do presidente Lula.

Ao lado dele estavam o vice presidente José Alencar e o ministro da Defesa, José Viegas, ambos com ar grave, em silêncio.

Eu era na época o secretário de Imprensa e Divulgação do primeiro governo Lula, encarregado de dar as boas e más notícias ao país.

Sem maiores explicações, o presidente me deu a ordem:

As incessantes fábricas de ódio e mentira

Por Boaventura de Sousa Santos, no site Carta Maior:

Quando o respeitado Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, renunciou ao cargo em 2018, a opinião pública mundial foi manipulada para não dar atenção ao facto e muito menos avaliar o seu verdadeiro significado. A sua nomeação para o cargo em 2014 fora um marco nas relações internacionais. Era o primeiro asiático, árabe e muçulmano a ocupar o cargo e desempenhou-o de maneira brilhante até ao momento em que decidiu bater com a porta por não querer ceder às pressões que desfiguravam o seu cargo, desviando-o da sua missão de defender as vítimas de violações de direitos humanos para o tornar cúmplice de tais violações por parte de Estados com importância no sistema mundial.

O desastre econômico do Brasil de Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

Um país à deriva. Essa é a impressão que passa a equipe econômica do governo do presidente da República, Jair Bolsonaro, liderada pelo ministro Paulo Guedes, com seu programa embalado pela “reforma” da Previdência Social como samba de uma nota só. O governo e a mídia querem fazer crer que tudo se resolverá quando o sistema de aposentadoria for reduzido a quase nada ou, dito de outra forma, o país não terá salvação enquanto os trabalhadores não perderem essa conquista.

Uma ditadura em uma democracia

Por Raphael Silva Fagundes e Wendel Barbosa, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

A censura se funda como um desdobramento repressivo dos governos, impelidos pela necessidade de manter o controle social sobre a informação. Nos anos de 1960, no Brasil, houve um processo de institucionalização dessa prática, na medida em que foram criadas leis que a regulasse. Naquela época, esse mecanismo repressivo foi consolidado na noite do dia 13 de dezembro de 1968. Na ocasião, o então Ministro da Justiça, Gama e Silva, e o locutor Alberto Cury, ocuparam cadeia nacional de rádio e TV para ler os doze artigos do Ato Institucional nº 5 (AI-5) e o Ato Complementar nº 38 que previa o fechamento do Congresso sem prazo determinado, em uma tentativa de impedir que os ideais superiores da “Revolução” fossem frustrados, num pronunciamento onde a palavra “democracia” foi pronunciada dezenove vezes.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Barão de Itararé e a defesa da democracia

Paulo Guedes: e a capitalização?

Bebianno vai de 'laranjeiro' a homem-bomba?

Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência de Jair Bolsonaro, está no bico do corvo após várias reportagens da Folha terem revelado um laranjal eleitoral do PSL, o partido bolsonarista que ele comandou na campanha de 2018. Seu chefe mandou a Polícia Federal (PF) investigar o caso e avisa que o demitirá se ele tiver culpa. Um dos filhos do chefe chama-o de mentiroso publicamente.

Sob o risco de ser o primeiro degolado do governo, Bebianno pode se tornar um homem-bomba. Ambicioso, participante de uma conspirata contra o chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni, para assumir a rédea da relação do governo com o Congresso, tem motivo para querer se vingar da família no poder, caso perca o cargo. E tem meios para atacar o clã.