segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Direita latino-americana e o Estado policial

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

A crise global de 2008 despertou reação distinta no conjunto das economias latino-americanas quando comparada à Grande Depressão de 1929. Naquela oportunidade, países da região aproveitaram para alterar profundamente a sua orientação econômica, ao contrário do verificado mais recentemente, com a acomodação em torno das políticas neoliberais.

A divulgação do manifesto latino-americano por Raul Prebisch (O desenvolvimento econômico da América Latina e alguns de seus problemas principais), em 1949, apontou o equívoco na época que seria ter mantido o modelo de exportação das commodities da região centralizado na decadente Inglaterra. O abandono das políticas liberais vigentes e o deslocamento da centralidade para os Estados Unidos, o país mais dinâmico desde então, concedeu notável desempenho econômico à América Latina.

O laboratório "explotó" na América Latina

Por Fernando Rosa, no blog Senhor X:

A mobilização popular em vários países sul-americanos nos últimos meses sinaliza que estamos às vésperas de importantes eventos sociais. Em 2016, apontamos para a eclosão de grandes convulsões ao redor do mundo, particularmente na Europa e na América Latina. Também afirmamos, no artigo “O fim do mundo unipolar“, que delas surgirá o novo, com a libertação de Nações e o progresso social.

É o caso do Chile, por exemplo, que explodiu na última semana contra o aumento das tarifas de transporte público. Foi a gota d’água, que se somou aos baixos salários, a falência da previdência (obra de Paulo Guedes & Chicago Boys), à precariedade dos serviços de educação e saúde. Mas, mais do que isso, expressou a insatisfação da sociedade chilena com as políticas neoliberais que sufocam o país.

Dallagnol não pode ser premiado

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Ao invés de ser punido pelos muitos crimes cometidos como chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol pode ser premiado com uma promoção a procurador regional da República. Carbonizado pelas revelações da Lava Jato, em que aparece violando o devido processo legal, conspirando com Sérgio Moro para a condenação e prisão de Lula com claros objetivos políticos, e planejamento o próprio enriquecimento às custas da notoriedade obtida na operação, Dallagnol tem prazo até o final do dia de hoje para aceitar a “boia de salvação” que lhe está sendo oferecida.

Treta no PSL e o caos no governo

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

O Brasil parou para acompanhar uma grotesca briga pelo controle do PSL nessa semana. O baixo clero recém-empoderado pautou o país ao protagonizar uma disputa pelo controle do partido de aluguel que abrigou o bolsonarismo. Estão em jogo os R$ 350 milhões do fundo partidário do PSL para as eleições do ano que vem.

A treta foi feia, cheia de ataques, espionagens, grampos, ameaças e xingamentos entre os representantes da chamada nova política. O racha não se deu por divergências ideológicas ou programáticas, mas por grana e poder. Bem vindos à “nova era”.

Feche a boca, general Villas Bôas!

Por João Vicente Goulart, na revista Fórum:

Chega de ameaças à democracia, o Brasil é maior de idade e não precisa de bravatas autoritárias advindas do General Villas Bôas ou de quem quer que seja, que defende governos ditatoriais, que submeteram nosso país a 21 anos de ditadura totalitária.

A citação de Rui Barbosa, feita pelo general, diz contextualmente:

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos do mal, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto”.

O embaixador de Ustra

Por Oswaldo Malatesta, no site A terra é redonda:

Na ocasião do voto de Bolsonaro pelo impeachment de Dilma, o filhote Eduardo estava ao lado. O voto carregou uma homenagem a um dos maiores torturadores que este país teve a infelicidade de conhecer, Carlos Alberto Brilhante Ustra. Na minha opinião, a citação do assassino e torturador dificilmente saiu da cabeça de Jair, já que não acredito ter ele talento para uma ofensa dessas. Eduardo, como pode ser comprovado no vídeo, repete as palavras do pai como se já soubesse de antemão o conteúdo exato do voto. Se não foi ideia sua, sem dúvida já conhecia o teor exato da manifestação e parecia bastante excitado com a situação. Não se trata então de colocar palavras na boca de Eduardo, elas estavam lá, saíram de lá também. Nas palavras dos Bolsonaros o homenageado foi “o pavor de Dilma Rousseff”.

Chile e o incêndio do modelo neoliberal

Por Paul Walder, no site Carta Maior:

Talvez o dia 18 de outubro de 2019 seja registrado como um momento de revolta popular na história do Chile. Ou talvez seja seguido por outros momentos de maior intensidade. Mas, sem dúvida, podemos dizer que algo mudou no Chile. O modelo neoliberal, hoje administrado por Sebastián Piñera, mas amado por Ricardo Lagos a Michelle Bachelet em seu momento, está mortalmente ferido.

A decisão do atual presidente de decretar o Estado de emergência, que habilita o exército a restaurar a ordem em Santiago, não resolve o problema, senão o agrava.

Não é por acaso que, pouco mais de uma semana após o término dos protestos no Equador, que forçaram Lenín Moreno a recuar em suas medidas de aumento dos preços dos combustíveis, Santiago do Chile passou por incidentes e manifestações semelhantes.

Ódio de Bolsonaro ao Nordeste em 7 capítulos

Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                                   

1- Tragédias ambientais, ou de qualquer natureza, de grandes proporções, como o megavazamento de óleo nas praias nordestinas, exigem a presença física do governante. Mas Bolsonaro não deu o ar da graça na região e nem mesmo sobrevoou as praias, embora no Nordeste vivam 49 milhões de brasileiros. É a segunda região mais populosa do Brasil, atrás apenas do Sudeste.

2- Cerca de 10% do PIB nordestino são oriundos do turismo. Essa atividade pode ser seriamente prejudicada. Bolsonaro, no entanto, não abriu nenhuma linha de crédito para os estados atingidos e tampouco cogitou a liberação de verbas de emergência para os governadores.

Joice admite milícia virtual dos Bolsonaro

Do blog Viomundo:

"Eles têm uma milícia virtual e todo mundo sabe disso. São pessoas interligadas em todo Brasil, algumas recebendo para isso e outras não. Muitos robôs. Já sabia e não estou nem aí para isso" - Joice Hasselmann, ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal.

A CPMI das Fake News, em andamento no Congresso, tem agora mais chances do que nunca de prosseguir.

É de interesse de todos os partidos, mesmo da ala anti-bolsonarista do PSL.

A CPMI vinha sendo rigorosamente bloqueada pela bancada governista.

Dentre os requerimentos apresentados, um convoca a senadora Elizabeth Warren, candidata do Partido Democrata à Casa Branca.

Óleo nas praias e o desgoverno de fake news

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Sim, Bolsonaro, tanto as queimadas na Amazônia como o óleo nas praias do nordeste são tragédias provocadas por criminosos, como você diz, e aponta culpados sem apresentar provas.

Na Amazônia, logo você veio com a história de que quem tacou fogo na mata foram os índios e as ONGs estrangeiras.

Quando nosso litoral foi tomado por um óleo negro, você insinuou que a culpa era da Venezuela do teu inimigo Maduro.

Hoje sabemos que quem provocou as queimadas na Amazônia foram teus seguidores fanáticos das tropas da madeira, da mineração e do boi, que promoveram o “Dia do Fogo”, estopim da tragédia, no dia 10 de agosto.

Praias abandonadas por governo vagabundo

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo:

Correram o mundo as imagens dos heróis que foram para as praias nordestinas retirar o óleo derramado por barris com a logomarca da Shell.

Gente forte e de caráter que arregaçou as mangas e foi à luta pela sobrevivência.

Não vai sair de graça para um governo ecocida, corrupto, incompetente e leniente, diretamente responsável por uma tragédia ambiental.

Como disse o Delegado Waldir, Bolsonaro é um “vagabundo”. A definição se estende para quem se pendura no chefe.

domingo, 20 de outubro de 2019

Carta de São Luís por liberdade de expressão

Do site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC):

O 4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (4ENDC) terminou neste domingo (20) com a aprovação da Carta de São Luís. O documento reafirma de forma contundente a defesa da liberdade de expressão e da democracia, e denuncia os principais movimentos autoritários em curso no país, que tem sido capitaneados principalmente pelo governo Bolsonaro.

Óleo no Nordeste suja o bolsonarismo

Editorial do site Vermelho:

A indiferença do governo Bolsonaro diante da tragédia ecológica com o vazamento de óleo no Nordeste chega a ser impressionante. Dois meses depois da descoberta do caso, nenhuma palha foi movida para enfrentar o problema. De acordo com o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, senador Fabiano Contarato (Rede-ES), "o presidente da República não tem noção da função dele". "É o capitão de um navio naufragando", afirmou em entrevista ao Portal UOL.

Vaza-Jato indica que mais pesado vem agora

Por Fernando Brito, em seu blog:

Glenn Greenwald voltou, depois de um longo tempo, a ocupar-se pessoalmente dos novos episódios da “Vaza Jato”, a longa e chocante série de revelações das mensagens trocadas entre os procuradores da Força Tarefa de Curitiba, a PGR e policiais federais. É um possível sinal de que estão se aproximando as mais fortes revelações sobre a conspiração da Lava Jato, das quais o jornalista tem toda a razão de querer participar diretamente.

O SUS caminha para seu fim

Por Aristóteles Cardona Júnior, no jornal Brasil de Fato:

De forma bem rápida, todos os nossos apontamentos sobre o buraco no qual o Brasil está sendo enfiado estão se confirmando. É triste constatar que desde a derrubada da presidenta Dilma, o país caminha de forma acelerada para uma crise sem fim, acabando com avanços de décadas da população brasileira. Creio que nem precisaríamos dos números para constatar esta realidade. Mas, eles são importantes para tornar mais evidente o que estamos falando.

Bolsonaro e a moral das classes médias

Por Vinícius Mendes, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

“Pretendo beneficiar um filho meu, sim”, respondeu o presidente Jair Bolsonaro sete dias depois de anunciar a indicação de filho mais novo (entre os três que são políticos), o deputado federal (PSC-SP) Eduardo Bolsonaro, para o cargo de embaixador brasileiro em Washington, nos Estados Unidos, no final de julho. “Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou”, continuou durante uma transmissão realizada em suas redes sociais.

Bolsonaro, Guedes e o desastre econômico

Por Guilherme Boulos, na revista CartaCapital:

A economia do Brasil continua patinando. O orçamento de 2019 previa um crescimento de 2,5% do PIB. Hoje, o próprio governo admite que o País crescerá no máximo 0,85% e consultorias avaliam um número ainda menor. Estamos na recuperação econômica mais lenta da história de nossas crises. Pior que a de 1929. Pior até mesmo que a dos anos 1980.

Celebrar a vida, a militância e a diferença

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

O ex-ministro e hoje deputado Orlando Silva sofreu uma cruel campanha da mídia tradicional porque, num dado momento – como ministro dos Esportes que tinha a Copa do Mundo pela frente –, comprou uma tapioca com o seu cartão corporativo. Foi exposto aos seus amigos, a sua família, ao seu país, ao mundo - no bojo do moralismo bandido que se instalou no país - como uma pessoa que se utilizou das funções públicas em “próprio proveito”. A campanha foi sistemática, ofensiva, mentirosa e visava arrasar uma liderança comunista, que se comprometera com os métodos democráticos de luta, parlamentar e social, já no bojo da transição da ditadura militar-civil que obstruíra a democracia no país por mais de vinte anos.

Banco Mundial e as maldades de Bolsonaro

Por Paulo Kliass, no site Outras Palavras:

Vira e mexe o roteiro surrado e desgastado reaparece nas cenas da Esplanada brasiliense. Em geral, o movimento tem início quando algum governo impopular ou mal das pernas no quesito pesquisa de opinião pública precisa conquistar apoio para suas maldades. São medidas polêmicas e redutoras de direitos, que dificilmente contariam com a benevolência da maioria da população. Conhecemos bem esse enredo.

História mostra ação de Lula contra corrupção

Da Rede Brasil Atual:

Um dos principais personagens que atuou no primeiro mandato do governo Lula para criar instrumentos de combate à corrupção foi o ex-governador da Bahia e ex-ministro Waldir Pires. Como ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Waldir Pires criou o Portal da Transparência e o programa de fiscalização a partir de sorteios públicos, entre outras iniciativas, que deram ao poder público maior força institucional para atuar contra esses crimes.

Surgem as provas dos crimes de Moro

Por Jeferson Miola, em seu blog:               

As revelações do Intercept de 19/10 [aqui] trazem as provas do Moro agindo como chefe da Orcrim – organização criminosa, como o ministro Gilmar Mendes denomina a força-tarefa da Lava Jato.

Nunca houve dúvidas quanto à função do ex-juiz na hierarquia da Orcrim. O que se tem agora é a comprovação documental do papel exercido por ele em obediência às ordens emanadas desde o centro de inteligência estratégica da Operação, sediado nos EUA.

É assombroso o conluio entre o “Russo” [codinome com que Moro era chamado na Orcrim] com procuradores e policiais federais.

Privatizações e a sua privacidade

Bolsonaro e o óleo nas praias do Nordeste

Mutirão especial de aniversário do Lula

sábado, 19 de outubro de 2019

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

PSL, Bolsonaro e a linguagem de bandidos

Por Wevergton Brito Lima, no site Vermelho:

Para decifrar o que está acontecendo na briga do Clã Bolsonaro contra parte do PSL é preciso, fazendo uma analogia, entender a linguagem de bandidos. Bandido, pra começo de conversa, em público, nega ser bandido. E se um bandido poderoso decide matar algum antigo aliado no crime ele, em primeiro lugar, para evitar suspeitas e pegar o novo inimigo de surpresa, vai se desdobrar em gentilezas para com a futura vítima.

Não é segredo para ninguém em Brasília que Bolsonaro foi avisado sobre (ou ele mesmo orientou) a investida da Polícia Federal contra o presidente do seu partido, PSL. Investida que aconteceu no dia 15/10.

Isolado, Bolsonaro pode tentar golpe

Charge: Luc Descheemaeker
Por Rodrigo Vianna, em seu blog:

O que nós, seres normais (e talvez ingênuos) enxergamos como “caos” no governo e implosão do PSL, para o bolsonarismo é combustível de golpe.

Bolsonaro vai tentar sair dessa como a freira no bordel:

“Só tem safado na política; não se pode confiar em ninguém”.

Foi ele, Bolsonaro, quem vazou o #vouimplodiropresidente, dito pelo tresloucado Delegado Waldir…

Bolsonaro vai jogar pro povo dele. A lógica dele sempre foi a de “um governo sitiado”, contra “tudo que está aí”. O caos no PSL favorece esse discurso.

Disputa no PSL vai parar na Justiça

Por Fernando Brito, em seu blog:

O grupo de deputados do PSL ligados ao presidente Jair Bolsonaro está preparando um recurso judicial para anular a convenção de hoje, na qual Luciano Bivar reforçou o seu controle sobre o partido e prepara o afastamento dos filhos do capitão do controle das suas seções paulista e fluminense.

O argumento é que não houve a convocação pessoal dos convencionais, prevista no parágrafo 5° do artigo 31 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos.

Olavo de Carvalho deve ser levado a sério

Por Valério Arcary, no jornal Brasil de Fato:

Na hora mais escura da noite, mais intenso será o brilho das estrelas no céu - sabedoria popular persa

A hora mais escura do dia é a que vem antes do sol nascer - sabedoria popular árabe


A convocação de Olavo de Carvalho a Bolsonaro para assumir plenos poderes, se apoiando nas Forças Armadas e na mobilização de sua base social, depois ecoada nas redes bolsonaristas como um chamado a um novo AI-5, não deve ser subestimada. Trata-se de um escândalo.

Revela que o bolsonarismo tem como estratégia a subversão do regime político. Um governo de extrema-direita com projeto bonapartista é contraditório com um regime político eleitoral. Não é, necessariamente, incompatível, mas é antagônico.

A derrota do neoliberalismo na Bolívia

Por Leonardo Wexell Severo, de El Alto, Bolívia, para o ComunicaSul:

“A vitória do povo boliviano nas eleições do próximo domingo será a derrota do imperialismo e dos vende-pátria, será a derrota do neoliberalismo, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, da sua cartilha de privatizações. Será a vitória dos que se unem, organizam e mobilizam contra a submissão ao estrangeiro, contra a pobreza e a desigualdade”, afirmou o presidente Evo Morales, no discurso de encerramento do multitudinário comício de encerramento realizado na noite de quarta-feira (16) na cidade de El Alto, vizinha à capital, La Paz.

Tem PEC de dar com o pau

Por João Guilherme Vargas Netto

Não me entendam mal, eu não disse que era para dar um pau em uma PEC qualquer, mas sim que existem PECs em demasia, no dito popular.

Tomemos um exemplo recente e façamos as contas. Em menos de uma semana a PEC 161 do deputado Marcelo Ramos ao ser reapresentada passou a ter o número 171. Portanto, entre uma apresentação e outra houve nove PECs. Como são numeradas sequencialmente durante o ano vê-se que o ritmo de apresentações tornou-se frenético e nesta toada pode-se chegar a mais de 250 em 2019.

Janot e Moro abraçados como náufragos

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Num abraço de náufragos, Moro e Janot aguardam decisão do STF

Enquanto aguardam decisão sobre trânsito em julgado no Supremo, Moro enfrenta os diálogos comprometedores divulgados pelo Intercept e Janot encara juizes que rejeitaram denúncias contra Lula, Dilma e Temer

Quando faltam poucos dias para o plenário do STF iniciar um debate necessário sobre a presunção da inocência e o transito em julgado, o país assiste a cenas típicas de um sistema de Justiça que deixou de obedecer aos fundamentos da Constituição.

Nos últimos dias, o ex-PGR Rodrigo Janot, que autorizou Deltan Dallagnol a criar a força tarefa da Lava Jato e por quatros anos foi responsável por investigar autoridades com prerrogativa de foro, encontra-se em situação de calamidade pública.

Sobre as revelações do jornal El País

Por Dilma Rousseff, em seu site:

As novas revelações da Vaza Jato que vieram a público nesta sexta-feira, 18 de outubro, por intermédio do El País Brasil, em parceria com The Intercept Brasil, confirmam o caráter político e persecutório dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato no suposto combate à corrupção.

A alegada “falta de interesse público”, que levou os integrantes da República de Curitiba a descartarem por conveniência política a colaboração de um delator, reforça a trama e desmascara o conluio de procuradores para interferir no cenário político nacional, corroborando o Golpe de Estado que me tirou da Presidência da República há três anos.

O extremismo avança sobre a democracia

Por Cida de Oliveira, na Rede Brasil Atual:

O triunfo da extrema-direita no Brasil com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e centenas de nomes antidemocráticos aos governos estaduais e nos legislativos é a vitória do extremismo religioso, sobretudo evangélico, alimentado pelo conservadorismo do brasileiro. Pautada por uma agenda de ataques aos direitos da mulher, da população negra, indígena, quilombola e a toda a diversidade sexual, supostamente em defesa da família e dos fundamentos da fé, da moral e dos bons costumes, essa combinação nefasta segue dando as cartas nos espaços de poder, nas políticas, ações, projetos e nos discursos. E tem como objetivo se fortalecer, se ampliar e se perpetuar como instrumento político e de controle social e econômico.

A eleição mais árdua de Evo Morales

Por Pablo Stefanoni, no site Outras Palavras:

Nos primórdios da campanha eleitoral argentina, rumo às eleições do dia 27 de outubro, um programa de televisão dedicou uma de suas transmissões para responder uma pergunta: A Argentina poderia mirar-se na Bolívia em busca de inspiração econômica? A questão, ainda que um pouco exagerada, não deixa de ser sugestiva, especialmente ao observar que Evo Morales faz parte do mesmo clube ideológico regional que a Venezuela, pais com resultados econômicos catastróficos. Mas a verdade é que os bons indicadores macroeconômicos da Bolívia têm sido amplamente refletidos na imprensa internacional.

O extermínio do servidor público

Foto: Luiza Castro/Sul21
Por Sergio Araujo, no site Sul-21:

“De boas intenções o inferno está cheio”

O governador Eduardo Leite, um jovem político que se preparou para ser um gestor diferenciado, tem usado a transparência e o diálogo, marcas da sua curta e profícua carreira política, para justificar os sacrifícios que pretende impor aos servidores públicos estaduais. E faz isto expondo os números da crise financeira do erário para deputados, sindicatos e imprensa. “É hora de mudar”, diz o documento publicitado pelo Palácio Piratini e denominado de Reforma Estrutural do Estado. E o material não deixa dúvidas sobre o foco de interesse e forma de atuação: o equilíbrio das contas públicas mediante a redução dos gastos com a folha de pagamento dos servidores públicos estaduais ativos e inativos e o aumento das suas alíquotas previdenciárias.

O governo Bolsonaro é fascista

Por Armando Boito, no site A terra é redonda:

Como caracterizar o movimento de extrema direita que chegou ao poder no Brasil? E como caracterizar o governo Bolsonaro? Neoliberal? Neocolonial? Neofascista? Todas as anteriores?

Intelectuais e dirigentes políticos socialistas e progressistas têm afirmado que não se deve caracterizar o Governo Bolsonaro e o movimento que o apoia como fascistas ou neofascistas. Argumentam contrapondo tal movimento e tal governo a uma caracterização a nosso ver errônea do fascismo original. Ao contrário do que pensam aqueles que recusam o conceito de fascismo ou de neofascismo para caracterizar o bolsonarismo, não é correto caracterizar o fascismo pela fração burguesa que deteve a hegemonia política no fascismo original – a grande burguesia monopolista italiana e alemã – e tampouco é correto caracterizá-lo fazendo referências genéricas ao nacionalismo, ao militarismo e às práticas imperialistas característicos da política dos Estados fascistas originais.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Guedes falta a reunião do FMI. Vai cair?

Por Altamiro Borges

Numa atitude inesperada, o rentista Paulo Guedes, ministro da Economia, decidiu cancelar a sua participação na reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acontece em Washington (EUA). “A previsão era de que o ministro chegasse à capital americana na noite desta quarta-feira (16) para as reuniões do FMI de quinta-feira a sábado (19), mas integrantes do governo brasileiro afirmam que o representante da equipe econômica será agora o secretário de Comércio Exterior, Marcos Troyjo”, relata Marina Dias, na Folha.

A grave crise da TV por assinatura no Brasil

PSL tem traidores para todos os lados

Jornal Nacional sabota Gilmar Mendes

Objeções ao general Villas Bôas

Por Antonio Barbosa Filho

O general Eduardo Dias Villas Bôas tinha dez anos de idade quando no seu Rio Grande do Sul (ele é natural de Cruz Alta), quando o governador Leonel Brizola impediu um golpe de militares contra a posse do vice-presidente João Goulart, em substituição ao renunciante presidente Jânio Quadros.

O comandante do então III Exército, que comandava os três Estados sulistas, general Machado Lopes, recusou-se a participar do golpe, e aderiu a Brizola, mobilizando e movimentando suas tropas, até o Paraná. O golpe contra a posse de Jango foi abortado pelos civis e pelos militares legalistas.
Villas Bôas, aos dez anos, pode ter-se esquecido de como um general deve obediência a Constituição que jura cumprir. Se não se lembra de Machado Lopes, quem sabe lembre-se do já então reformado Marechal Lott (cuja memória o Exército guardará por séculos como um herói, e não um traidor como Villas Bôas) ou do general Pery Bevilaqua, o primeiro general a defender a legalidade.

A resistência democrática da educação

Por Gilson Reis

Ao longo das últimas 14 sessões legislativas (três em setembro e 11 em outubro), fizemos o bom combate em defesa da educação e da autonomia pedagógica dos docentes em sala de aula. A resistência democrática promovida por um grupo de sete vereadores e vereadoras permitiu que o debate sobre a educação transpusesse as fronteiras fechadas da Câmara Municipal de Belo Horizonte – silenciada pela evacuação das galerias – e ganhasse as ruas da cidade. Foi uma vitória para os defensores do debate e da liberdade de expressão.

Teremos STF ou haverá faca no pescoço?

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Quero acreditar que, ao final do julgamento das prisões após segunda condenação, que terá início nesta quinta-feira e terminará na próxima semana, possamos dizer: Sim, temos Supremo.

O STF fez valer a letra insofismável da Constituição, não para libertar Lula mas para restaurar, ou dar início à restauração, da plenitude do esgarçado Estado de Direito.

Já poderíamos dizer isso nesta noite de quarta-feira se houvesse a confirmação efetiva de que os ministros Toffoli, presidente da corte, juntamente com Alexandre de Morais, e separadamente Gilmar Mendes, foram a Bolsonaro para protestar contra a pregação de ditadura pelo guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, e pelo ativista digital Allan dos Santos, outro porta-voz da extrema direita bolsonarista.

Lula Livre X General Villas Bôas

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“Não estou reivindicando essa discussão de segunda instância. Não estou interessado nisso. Não quero progressão de pena, quero a minha inocência. Não tem meio termo comigo. O que eles vão fazer? Antigamente, era mais fácil. Mandava esquartejar, salgar, pendurar no poste. Cometeram a bobagem de me prender, cometeram a bobagem de me acusar, agora vão ter que suportar esse peso aqui dentro”, desabafou Lula, em entrevista ao UOL, publicada nesta quinta-feira.

Manter Lula preso ou libertar Lula é o que está em jogo, mais uma vez.

No julgamento que começa esta tarde em Brasília, o Supremo Tribunal Federal terá que decidir se cumpre a Constituição ou cede novamente às ameaças tuiteiras do general Villas Bôas.

O Brasil na porta dos fundos da OCDE

Editorial do site Vermelho:

Há uma aparente pasmaceira no governo Bolsonaro. Sua equipe e seus apoiadores aparecem mais pela prolixia do que por ações concreta. Esse método de governar tem a ver com a esfera econômica, por ser o cerne do governo, mas ele é, na essência, ideológico. É a ideia que, na prática, traduz um determinado modelo econômico. Algo que lembra a tese de Lênin de que a política é a expressão mais concentrada da economia, sua generalização e fim. Ou, numa definição sucinta, qualquer ação do governo tem como base interesses econômicos.

Tributos, isenções e ajuste fiscal

Por Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição, no site Brasil Debate:

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 36,3% dos orçamentos familiares são gastos em habitação, 18,1% em transporte e 17,5% em alimentação. A POF ainda mostra que quase 25% da renda dos mais pobres vem de aposentadorias e programas sociais. Fator que retrata o quadro brasileiro, em que a redução de desigualdade de renda está mais atrelada aos benefícios previdenciários e aos gastos em saúde e educação que aos impostos diretos.

O nazismo e seus métodos na crise

Por Emiliano José, na revista Teoria e Debate:

Livros são o diabo. Você está em busca de uma coisa, vem outra. Estava correndo as páginas de História da Internacional Comunista, de Pierre Broué. O título me chama a atenção, página 653: “Eles entregaram a cidadela”. Diminuo o ritmo, leio com carinho. Vou lendo, lendo, e ligo com o Brasil, talvez equivocadamente, e o leitor há de me corrigir se achar estranho, ancorado em Marx, aquela história da tragédia e da farsa. Só comento para dividir minhas apreensões, nesses tempos em que dormir bem é uma conquista, pesadelos constituem parte do cotidiano.

Crise do neoliberalismo e o autoritarismo

As "distrações" dos criminosos da Lava-Jato

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

TV por assinatura despenca no Brasil

Por Altamiro Borges

O jornalista Ricardo Feltrin postou no UOL nesta terça-feira (15) mais uma notinha que confirma a gravidade da crise da TV paga no país. “Ao mesmo tempo em que perde assinantes – e foram mais de 3,5 milhões nos últimos cinco anos –, a TV por assinatura obviamente também está perdendo consumo e público. Os últimos dados da Anatel apontam que há hoje no Brasil 16,3 milhões de domicílios com pontos de TV por assinatura. Cinco anos atrás esse número estava batendo a casa dos 20 milhões. Desde então só houve perda da base”.

Mídia esconde eleições na América Latina

Os militares e o projeto nacional

O "exército" de Bolsonaro no WhatsApp

Por Fred Melo Paiva, na revista CartaCapital:

“BOMBA. Olha aí o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) recebendo propina, ele mesmo que chamou o Ministro Sérgio Moro de ladrão. Divulguem sem dó pra esse bandido safado perder o mandato. Isso a Globo ainda não mostrou é em primeira mão. Divulguem (sic).” A mensagem, sempre esse primor no trato com a língua pátria, foi postada às 8 horas e 22 minutos da terça-feira, 8, no grupo de WhatsApp MG MILITANTES B17, encaminhada de outro grupo ou conversa privada. Seguiu-se então a prova do crime: o vídeo que mostra um senhor de meia-idade, flagrado pela câmera escondida, a enfiar maços de notas em sua farta cueca. 

Neoliberalismo: nova forma do totalitarismo

Por Marilena Chauí, no site A terra é redonda:

Tornou-se corrente nas esquerdas o uso de termos fascismo e neofascismo para descrever criticamente nosso presente.

Estamos acostumados a identificar o fascismo com a presença do líder de massas como autocrata. É verdade que, hoje, embora os governantes, não se alcem à figura do autocrata, operam com um dos instrumentos característico do líder fascista, qual seja, a relação direta com “o povo”, sem mediações institucionais e mesmo contra elas. Também, hoje, se encontram presentes outros elementos próprios do fascismo: o discurso de ódio ao outro – racismo, homofobia, misoginia; o uso das tecnologias de informação que levam a níveis impensáveis as práticas de vigilância, controle e censura; e o cinismo ou a recusa da distinção entre verdade e mentira como forma canônica da arte de governar.

A era da devastação no Brasil pós-golpe

Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

A crise política no Brasil mostra uma democracia comandada pelo capital, para poucos, ou que nunca existiu de uma perspectiva histórica e social? Uma economista (Laura Carvalho), um filósofo (Vladimir Safatle) e um sociólogo (Ricardo Antunes) analisaram as mazelas brasileiras, sob diversos pontos de vista, no primeiro seminário do encontro Democracia em Colapso?, promovido pela editora Boitempo e pelo Sesc São Paulo. O evento, que tem apoio da RBA, começou ontem (15) e vai até sexta-feira (18), na unidade Pinheiros, na zona oeste da capital. Confira aqui a programação.

EUA tentam interferir na eleição da Bolívia

Por Leonardo Wexell Severo, de La Paz, Bolívia:

O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou que logo depois de ter “enviado agentes da inteligência” para dar orientações à oposição ao seu governo, em julho deste ano, a Embaixada dos Estados Unidos decidiu apelar, financiando obras em troca de votos contra o Movimento Ao Socialismo (MAS) nas eleições do próximo domingo, 20 de outubro.

“Na semana passada eu convoquei o Encargado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, apresentei os documentos, como este carro da Embaixada tem ido às comunidades dos Yungas de La Paz para oferecer pavimentação e asfalto, sempre e quando não apoiarem Evo”, denunciou o presidente.

Barão de Itararé repudia ataque de Ciro Gomes


Com o país conflagrado entre a extrema-direita e o bloco democrático de centro-esquerda, Ciro Gomes escolheu o oportunismo.

Filiado a um partido que integra o campo progressista, o PDT, Ciro parece cada vez mais prisioneiro da estratégia que traçou para si mesmo, desde o segundo turno da eleição de 2018, quando se refugiou em Paris evitando enfrentar a candidatura neofascista.

Acredita, talvez, que ocupará assim o espaço, entre o centro e a direita, deixado vazio pelo desmoronamento do PSDB.

Laranjal do PSL está pegando fogo!

As mudanças climáticas e as cidades

Guerra no PSL? É o fundo eleitoral, estúpido!

O fascismo na política e na sociedade

Canibalismo no PSL para agitar a matilha

Por Fernando Brito, em seu blog:

A estratégia escolhida por Jair Bolsonaro para enfrentar a crise interna do PSL – ao que parece, a da destituição do grupo de Luciano Bivar – não tem caminho fácil.

Temos seis meses até a data limite da filiação partidária para quem queira concorrer às eleições de 2020 e é impossível que, neste espaço de tempo, se obtenha a inédita ordem para auditar cinco anos de contas partidárias, realizar a tal auditoria, confrontá-la com perícias contrarrequeridas, julgar uma eventual destituição da direção do partido, tentar estendê-la ao diretório que a reporia, provisoriamente, obrigar à convocação de eleições que preparassem uma nova convenção nacional e eleger um comando bolsonarista-raiz para o PSL.

Lula humilha seus algozes

Por Benedito Tadeu César, no jornal Brasil de Fato:

Dando mais uma prova de sua dignidade, Lula se recusa a solicitar a progressão do regime de prisão a que tem direito por já ter cumprido 1/3 da pena a que foi condenado. Assustados com a indignação e a determinação inquebrantável de um homem de 73 anos, condenado, injustamente e sem provas, a 12 anos e um mês de prisão, a totalidade dos 15 procuradores federais que integram a Força Tarefa da Operação Lava Jato, exatamente os que forjaram o processo contra Lula, tomaram a iniciativa, inédita na prática dos agentes persecutórios brasileiros, de solicitar que Lula passe para o regime semiaberto de prisão.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Bolívia, Uruguai e Argentina somem da mídia

Por Altamiro Borges

A mídia brasileira, que andava tão excitada com os revezes das forças de esquerda na América Latina – quase sempre rotuladas pejorativamente de “bolivarianas” –, tem evitado dar maior destaque às eleições na Bolívia (20 de outubro) e na Argentina e no Uruguai (27 de outubro). A razão é simples: todas as pesquisas sinalizam uma reversão do cenário, com a derrota dos candidatos neoliberais, o que desaponta a imprensa burguesa.

A metralhadora giratória de Ciro Gomes

Bolsonaro como capacho da Casa Branca

Editorial do site Vermelho:

A política externa de um país diz muito sobre o seu caráter. No caso em que o governo se dispôs a abrir mão de prerrogativas soberanas na esperança de que os Estados Unidos apoiassem a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficou patente, mais uma vez, sua opção pelo servilismo.

Há um jogo de xadrez na geopolítica, que traduz, antes de tudo, grandes interesses econômicos. Ao abrir mão da sua soberania em favor dos interesses da Casa Branca, o governo Bolsonaro entrega os destinos econômicos do Brasil nas mãos dos seus algozes.

Segurança pública e os limites da democracia

Por Jordana Dias Pereira, na revista Teoria e Debate:

Luiz Eduardo Soares abre seu livro Desmilitarizar: Segurança Pública e Direitos Humanos com uma dedicatória às mães dos jovens mortos pela polícias e às mães dos policiais também mortos nos confrontos pelo país. Para ele, se essas mães compreenderem que o inimigo está em outro lugar “a politização do sofrimento promoverá uma revolução no Brasil”. A frase não poderia ser mais oportuna depois da comovente cena em que um policial consola a mãe de Willian Augusto da Silva, sequestrador de um ônibus em Niterói que foi alvejado pela polícia do Rio de Janeiro em agosto passado. William levava consigo uma arma de brinquedo e tinha desequilíbrio mental. A morte dele foi comemorada aos pulos pelo governador Wilson Witzel. O mesmo que menos de um mês depois afirmou que a política de segurança pública do estado está no caminho certo. A declaração veio após o assassinato, também pela própria polícia, da menina Ágatha Felix, de 8 anos, no Complexo do Alemão.

Equador: bastidores e sentidos da vitória

Foto: David Díaz Arcos
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Passava das nove e meia da noite, quando as multidões começaram a celebrar e bailar nas ruas de Quito ontem. Nas barricadas montadas para deter a selvageria da polícia e do exército, e nos bloqueios de ruas e estradas, espalhados em todo o país, os manifestantes se felicitavam. Recebiam, aqui e ali, o cumprimento de um soldado. Minutos antes, em negociações transmitidas pela TV, por exigência do movimento indígena, a delegação do presidente Lênin Moreno aceitara o que ele havia dito ser impossível, desde que os protestos de rua começaram, em 2/10. O Decreto 883 – que elimina os subsídios à gasolina e provocou aumento de 123% nos preços dos combustível – seria revogado. Uma comissão de negociação, da qual participará o movimento indígena, discutirá alternativas. Até o momento, porém, as demais medidas ultracapitalistas impostas por Moreno e FMI continuam de pé.

Quimeras de Guedes não resistem aos fatos

Por Umberto Martins

Jair Bolsonaro já disse e reiterou que não entende nada de economia e parece se orgulhar da própria ignorância, que o fez ceder com fé cega o comando da política econômica ao rentista e banqueiro Paulo Guedes, um fiel representante do mercado ou, em outras palavras, do capital financeiro.

O superministro não demonstra maior preocupação com o desemprego em massa, a degradação dos serviços públicos, a penúria da Ciência ou da Educação, problemas agravados ou provocados pela política de restauração neoliberal do governo Michel Temer, que conforme o próprio reconheceu recentemente veio à luz através de um golpe de Estado.


Enfim, STF começa a julgar a Lava-Jato

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Ao colocar na pauta desta quinta-feira o julgamento sobre prisão após segunda instância, o Supremo Tribunal Federal abre o caminho que poderá colocar Lula em liberdade e, mais adiante, anular os seus processos.

“Trata-se de garantir a vitória da Constituição”, disse um dos ministros do Supremo ao Globo.

Até o final do ano, o plenário do tribunal deverá definir também uma tese sobre a anulação de condenações nos processos em que réus delatados não puderam falar depois dos réus delatores.

Procurador tucano persegue Lula

Por Jeferson Miola, em seu blog:

O vice-procurador-geral da República José Bonifácio de Andrada entregou ao STF parecer contrário ao pedido de anulação dos atos adotados pela Lava Jato a partir das conversas telefônicas entre Lula e Dilma que foram interceptadas ilegalmente e vazadas criminosamente por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol para a Rede Globo em 16 de março de 2016.

Sabe-se hoje, por meio das revelações do Intercept, que além do atentado terrorista contra a ordem política e social caracterizado na espionagem da Presidência da República para fins conspirativos, Moro e Dallagnol também perpetraram outras graves barbaridades:

Os desgastes sucessivos de Bolsonaro

Os conflitos do presidente Bolsonaro

Por André Singer, no site A terra é redonda:

Estamos chegando perto do final do primeiro ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro. Nesse período houve muitos conflitos entre ele e seu partido, o PSL. Logo no início do ano, o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebiano, foi demitido. Bebiano dirigiu o PSL, em 2018, durante a campanha eleitoral e era uma figura-chave do governo.

Apagar o professor é apagar o futuro

Por Maria Clotilde Lemos Petta

A data comemorativa do Dia do Professor - 15 de outubro -, neste final da segunda década do século XXI, deve ser oportunidade para uma reflexão sobre o papel deste profissional na sociedade glorificada como sendo do “conhecimento”. Se, por um lado, ao nível do discurso, a educação, e em decorrência o professor, são considerados como decisivos para o futuro das novas gerações e nações, paradoxalmente as condições de trabalho dos professores é marcada pela instabilidade, a precariedade, a intensificação do trabalho docente com tendência inclusive de desprofissionalização.

O Equador saindo do beco. Será?

Foto: Reuters
Por Eric Nepomuceno

Foi tudo muito tenso e muito rápido.

No finalzinho da tarde do domingo 13 de outubro um grupo de indígenas liderados por Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), se reuniu com o presidente Lenín Moreno e outros integrantes do governo nos arredores de Quito.

A reunião começou por volta das seis da tarde.

E quando faltavam quinze para as dez da noite, chegou-se a um acordo.

Ou melhor dizendo: Moreno aceitou a principal reivindicação de Jaime Vargas e anulou o decreto 883, cuja consequência principal foi um aumento de mais de 120% no preço da gasolina e do diesel e, com isso, desencadeou uma tormenta que sacudiu e paralisou o país ao longo de longuíssimos treze dias.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Lava-Jato e o espetáculo midiático

Showzinho do Deltan não era só powerpoint

Ciro Gomes parece biruta de aeroporto

Por Altamiro Borges

Talvez ainda abatido com o resultado das eleições presidenciais do ano passado, Ciro Gomes segue dando tiros para todos os lados, parecendo biruta de aeroporto. Em entrevista ao site UOL neste domingo (13), ele decidiu destilar seu veneno contra dois renomados jornalistas da mídia alternativa, Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira, e seus respectivos sites – o Brasil-247 e o Diário do Centro do Mundo.

Ciro segue o caminho que devorou Marina

Por Fernando Brito, em seu blog:

Não posso deixar passar sem registro as ofensas proferidas por Ciro Gomes a Paulo Moreira Lima e a Kiko Nogueira, do 247 e do Diário do Centro do Mundo.

Críticas políticas são livres, a eles, a qualquer um e a mim, quando jornalistas saem do manto tantas vezes hipócrita da neutralidade ou até mesmo embuçados por ele.

Acusar de venais e “picaretas” exige, porém, fatos concretos. Que não foram apontados.

É preciso separar Ciro do PDT, ainda que o PDT de hoje sofra todas as vicissitudes de 15 anos sem Brizola, que fazem a ele muita falta, como falta faz à toda a cena politica brasileira.

E faz a mim, depois de duas décadas de convívio diário.