sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

As reações às provocações de Bolsonaro

Mídia abafa politização do Carnaval

Steve Bannon e a ofensiva da extrema direita

Por Celso Japiassu, no site Carta Maior:

A ofensiva da extrema direita, herdeira ideológica do nazi-fascismo, tenta ocupar espaços no solo da Europa, onde um dia a sua matriz construiu uma triste e trágica história.

Países como a Polônia e a Hungria estão virtualmente ocupados e vários outros abrigam partidos que, dentro da democracia, trabalham para desestabilizá-la e substituí-la por regimes populistas, radicais e reacionários. Um ardiloso agente dessa ação que pretende subverter por dentro os sistemas democráticos europeus chama-se Steve Bannon.

O americano Steve Bannon tem 66 anos, foi executivo de mídia no site direitista Breitbart News, onde veiculava material de cunho racista, antissemita, sexista e xenofóbico.

Ajudou a eleger Donald Trump, em cujo governo atuou como estrategista chefe até ser demitido em 2017.

Cheiro de golpe no ar

Por Frei Betto, em seu site:

O ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), sugeriu, em 19 de fevereiro, que o povo deve ir às ruas “contra a chantagem do Congresso”. Bastou este aceno autoritário para os aliados do presidente convocarem manifestação para o domingo, 15 de março.
Ora, quando uma autoridade do Poder Executivo convoca uma manifestação contrária a outro Poder da República, no caso o Legislativo, isso é gravíssimo e sinaliza conspiração golpista ou, sem rodeios, o fechamento do Congresso. Tomara que o Poder Judiciário, representado pelo STF, proíba tal manifestação, pois caso contrário correrá o risco de assinar o fechamento de suas portas.

Mais tarde será tarde, estaremos na ditadura

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

Até quando as instituições, especialmente Congresso e STF, pouparão Bolsonaro, permitindo que ele avance com a tática de testar os limites da democracia, para em alguma hora romper a cerca e instaurar a ditadura?

A quarta-feira de cinzas foi de protestos, alguns mais enérgicos, como o do ministro do STF Celso de Mello, outros mais brandos, como os de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Dias Toffoli, presidente do STF, sem falar no silêncio imperdoável do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre.

Até quando as elites econômicas vão acreditar que será possível haver reformas neoliberais, ajuste fiscal e crescimento com Bolsonaro na Presidência?

Coronavírus agrava economia já sem rumo

Da Rede Brasil Atual:

Com o fim do carnaval, o mercado brasileiro entrou em “pânico” nesta quarta-feira (26), superando a queda dos principais mercados mundiais, abalados por conta das notícias sobre a disseminação da epidemia do coronavírus. Por aqui, a falta de rumo da política econômica do governo Bolsonaro deve ser agravada por conta da retração da economia mundial, em especial a da China, foco principal da infecção e principal parceira comercial do Brasil. Há ainda as tensões políticas estimuladas pelo próprio presidente, que ampliam as incertezas no cenário econômico.

As crises e os capitães

Por Fernando Brito, em seu blog:



Os jornais, pelo mundo afora, dizem que esta é a pior semana econômica desde a crise de 2008.

É, portanto, bom lembrar que os efeitos daquela não desapareceram de uma hora para outra e que os governos, por toda a parte, tinham instrumentos que, de alguma forma, ajudaram na sua estabilização, provendo liquidez pela baixa de juros, pelas emissões e até, como ocorreu com a General Motors, com aportes diretos nas empresas.

E isso já não é possível hoje, senão numa muito menor escala.

Bolsonaro imita Collor e pode ter mesmo fim

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Ao perceber que estava perdendo o apoio do mercado e da mídia, e sem sustentação política no Congresso Nacional, Fernando Collor jogou a última cartada para evitar o impeachment: convocou a população a ir às ruas num domingo, vestida de verde e amarelo, para defender o seu governo, em 1992.

"Não me deixem só!", implorou ele numa reunião com taxistas no Planalto. No domingo, a população foi às ruas, mas vestida de preto, para protestar contra os desmandos do primeiro presidente eleito após o golpe cívico-militar de 1964.

Foi a gota d´água. Pouco depois, seu governo foi derrubado nas ruas, no Congresso e no STF.

Agora, o capitão Bolsonaro também está perdendo o apoio do mercado e da mídia, dois pilares da sua eleição, e também entrou em confronto com o Congresso Nacional.

A Bolsa e a aposta perdida de Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

Com a reabertura da Bolsa de Valores de São Paulo, após os festejos do carnaval, foi possível observar os efeitos da crise no chamado “mercado internacional” no Brasil. As quedas acentuadas dos últimos dias refletiram as consequências da expansão do coronavírus para a Europa e Estados Unidos. Pesou de maneira significativa, também, o prognóstico de redução do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão e de uma possível desaceleração do crescimento chinês.

Adeus, governo Bolsonaro

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Governar é mais do que nomear e demitir; requer ter poder para reformar as instituições e realizar políticas que levem o país na direção desejada.

Para ter poder não basta ser eleito; é preciso ter “legitimidade política“ – ou seja, ter apoio nas elites e no povo. Quando um presidente da República deixa de ter legitimidade, podemos dizer que seu governo acabou. Ele não tem mais condições de cumprir seu programa de governo, tem apenas que “segurar as pontas” para não sofrer processo de impeachment.

Por exemplo, o governo Sarney terminou em 1987 quando o Plano Cruzado fracassou e ele decidiu ficar mais um ano no governo.

O 25 de Ventoso de Jair Bolsaparte

Por Marcelo Zero

Jair Bolsonaro, insatisfeito com os limites constitucionais e democráticos impostos ao exercício de poder na presidência da República, lançou, pelas milícias digitalizadas, sua candidatura a Imperador do Brasil.

Sua inspiração, contudo, não vem de Pedro I ou Pedro II, mas sim de Napoleão Bonaparte.

Bolsonaro parece pretender fazer, no próximo dia 25 de Ventoso (no calendário da Revolução Francesa -15 de março, no calendário gregoriano), o mesmo que Napoleão fez no 18 de Brumário de 1799: dar um golpe.

Entretanto, a diminuta envergadura moral, intelectual e histórica do candidato a ditador o aproxima mais de outro Bonaparte, o sobrinho Luís, que repetiu a história como farsa corrupta.

Como Jair, candidato a Pedro III, Luís Bonaparte fora antes eleito deputado e presidente da República antes de dar o golpe de Estado e proclamar-se Napoleão III, também chamado de “Napoleão, o Pequeno”, por Victor Hugo.

Movimento popular reage à política golpista

Por Carlos Pompe

Durante o Carnaval, o presidente Bolsonaro compartilhou em seu número pessoal de WhatsApp vídeo convocando ato contra o Congresso Nacional. No texto que enviou junto com o vídeo, o presidente escreveu: “15 de março, Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”. A mesma arte foi divulgada por Regina Duarte, anunciada como futura secretária da Cultura do Governo Federal. Alguns panfletos convocatórios evocam o Ato Institucional nº 5 da ditadura militar (AI-5, que cassou mandatos de parlamentares oposicionistas, interveio nos municípios e estados e favoreceu a institucionalização da tortura de presos políticos) e pedem a saída dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Petardo: As reações à provocação fascista

Por Altamiro Borges

Bolsonaro pode ter dado um tiro no pé ao agitar o ato do 'foda-se' ao Congresso e ao STF. De todos os cantos partem críticas ao fascista: das tímidas notas dos presidentes da Câmara e do STF, ao duro rechaço das forças de esquerda. As centrais sindicais e movimentos sociais já organizam atos em defesa da democracia.

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José Dias Toffoli, presidente do STF – um dos alvos do ato fascista – reagiu de forma branda, sem citar Bolsonaro. Após afirmar que não há democracia sem Legislativo atuante e Judiciário independente, ele pregou a "paz para construir o futuro" e "a convivência harmônica entre todos".

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Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também reagiu com platitudes: "Só a democracia é capaz de absorver sem violência as diferenças da sociedade e unir a nação pelo diálogo. Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas". Já Davi Alcolumbre, chefão do Senado, sumiu!

TVs tentaram abafar carnaval politizado

Escola de Samba Águia de Ouro, vencedora do carnaval de São Paulo
Por Altamiro Borges

Como já era de se esperar, o Carnaval deste ano foi escrachadamente politizado. Motivos para isto não faltaram. O laranjal de Jair Bolsonaro deu farta munição para a gandaia. Fanatismo religioso, milicianos, fake news, trevas na cultura, racismo, machismo, homofobia – entre outras aberrações e regressões. Dos milhares de blocos de rua espalhados pelo país às escolas de samba na Marquês de Sapucaí, os foliões detonaram a “familícia” no poder. As emissoras de televisão, porém, evitaram dar maior destaque à politização momesca – algumas por mercenarismo e outras talvez para evitar maiores confrontos com o vingativo “capetão”.

Bolsonaro e o ativismo evangélico

Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade?

Aproxima-se a hora do confronto final

Bolsonaro foi eleito vereador por milicianos

Entre o impeachment e o golpe...

O coronavírus e a economia brasileira

10 minutos para entender economia

A ‘aliança’ entre Bolsonaros e as milícias

Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Após a morte do líder miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, na Bahia, Jair Bolsonaro disse no Rio:

“Eu não conheço a milícia do Rio de Janeiro, não existe nenhuma ligação minha com a milícia do Rio de Janeiro, não existe nenhuma ligação minha com milícia no Rio”. Seu filho Flávio, senador, comentou no mesmo dia: “Não temos envolvimento nenhum com milícia”.

Uma cronologia de acontecimentos indica o contrário: laços da família com a milícia.

Sinaliza mais: que o ano de 2007 parece ter selado uma aliança entre o clã e a milícia, com QG no antigo gabinete de deputado estadual de Flávio na Assembleia do Rio.

Miliciano-em-chefe adere ao ato golpista

Por Luis Felipe Miguel

O miliciano-em-chefe do país aderiu à manifestação convocada para o próximo dia 15, cuja bandeira principal, descrita em bom português, é "fechem o Congresso!" O que isso significa?

Não creio que seja muito diferente de situações similares que ocorreram no ano passado.

Bolsonaro sabe que não tem força para aplicar um novo golpe e instaurar uma ditadura pessoal.

A ampliação do espaço dos generais em seu governo não significa que ele está ganhando ascendência sobre as forças armadas, muito pelo contrário. E, apesar da calculada explosão de Augusto Heleno, a cúpula militar sabe muito bem que lhe convém mais essa "democracia" tutelada e capenga do que uma ruptura aberta com a ordem constitucional.

Os arreganhos golpistas de Bolsonaro

Por Gilberto Maringoni

Coloquemos os problemas em fia para que marchem de forma organizada:

1. Os bolsonariers (corruptela de farialimers) não estão convocando sua Marcha sobre Roma dia 15 de março por causa do orçamento impositivo do Congresso, que trava o livre manejo de parte das verbas públicas pelo Executivo.

Os bolsonariers – a começar pelo presidente da República - convocam a manifestação golpista por se sentirem em processo de isolamento acelerado.

2. A semana anterior ao Carnaval foi muito ruim para a pátria bolsonárica.

Ela começou com a repulsa geral – de lideranças congressuais aos partidos de extrema esquerda, passando pela mídia, setores empresariais, ministros do STF e ativistas sociais – às agressões grotescas do miliciano-em-chefe à jornalista Patrícia Campos Mello.

Democratas, uni-vos!

Por Benedito Tadeu César

Bolsonaro está sentindo que começa a ficar só. Ao que tudo indica, o empresariado golpista e a mídia golpista já começaram a abandoná-lo. Por isso, ele está arregimentando suas tropas (formada por milicianos, setores das classes médias arrivistas, pela baixa oficialidade das forças armadas e policiais militares e civis), para demonstrar força e resistir ao impeachment que se esboça. Um impeachment que, ocorrendo, levará ao poder o general Mourão.

Omissão de Moro diante do crime de Bolsonaro

De: Gladson Targa
Da Rede Brasil Atual:

O advogado criminal José Carlos Abissamra Filho, diretor do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), considera que o Poder Executivo está “quase vago”. E critica duramente a “omissão” de Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, ao não se manifestar em defesa da Constituição.

O diretor do IDDD faz referência ao vídeo disparado pelo celular do presidente Jair Bolsonaro, convocando ato contra o Congresso e o Judiciário e que tem repercutido negativamente entre lideranças políticas, jurídicas e na sociedade civil.

Ameaça de Bolsonaro exige resposta ampla

Editorial do site Vermelho:

O episódio envolvendo o presidente da República, Jair Bolsonaro, na convocação de um ato contra a institucionalidade democrática do país deixa claro, definitivamente e de forma inconteste, que o risco para o regime democrático é real. Desde a sua posse, essa ameaça existe. Vem numa crescente e, agora, se agrava.

Em diversos momentos Bolsonaro aplicou a tática de realizar ataques contra a democracia para testar o grau de resistência e a capacidade de resposta do campo democrático e progressista. Conforme a reação, ele faz movimentos de tergiversação e nega suas intenções para em seguida reincidir na mesma prática.

Bolsonaro só existe porque Moro o pariu

Por Fernando Brito, em seu blog:

O ministro Celso de Mello manda à Folha mensagem que não poderia ser mais clara, apesar da rápida ressalva de que a situação “se confirmada” revela:

“a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”


Só o Congresso e o STF podem deter Bolsonaro

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Voltamos a viver dias muito semelhantes aos que antecederam o golpe cívico-militar de 1964, que afundou o país em duas década de ditadura.

Com uma grande diferença: naquela época, o objetivo era derrubar o governo do civil João Goulart e colocar os militares no poder, para “combater a subversão comunista e a corrupção”.

Para isso, movimentos civis e militares organizaram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, por ironia liderada pelo notório governador de São Paulo, Adhemar de Barros, que era conhecido como o “rouba mas faz”.

Agora, trata-se de salvar um governo militarizado, já no poder, liderado por um ex-capitão cercado de generais, que subverte a Constituição, e convoca o povo a ir às ruas contra o Congresso e o STF.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Ex-aliados detonam o golpista Bolsonaro

Cresce a onda pelo impeachment de Bolsonaro

Petardo: Fascistas querem fechar o Congresso

Por Altamiro Borges

Após o general-gagá Augusto Heleno propor um "foda-se" ao Congresso Nacional, grupos fascistas convocam ato pela dissolução do parlamento e do STF. Deputados bolsonaristas, incluindo os filhos do "capetão", reforçam a convocatória. Cadê os presidentes da Câmara, Senado e STF?

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O ato fascista é apoiado por seis parlamentares bolsonaristas: Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros (PSL-PR), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR), Delegado Éder Mauro (PSD-PA) e Soraya Thronicke (PSL-MS)". Por ser contra a Constituição, todos deveriam ser cassados!

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Na semana passada, diante das ameaças que já fediam no ar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que "nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento". Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), detonou o general Heleno, um "radical ideológico". Só isso, porém, não basta!

Eleição de Bolsonaro e o voto quântico

Por João Feres Júnior, no site A terra é redonda:

Dando sequência ao artigo “Em busca do centro perdido” (https://aterraeredonda.com.br/tag/joao-feres/), vou analisar agora as reais possibilidades de recomposição do centro por meio da ação das forças políticas atuais. Para chegar ao cerne da questão precisamos primeiro tentar compreender o que está acontecendo no plano fenomenológico mais capilar da opinião pública.

Meu objetivo é ilustrar o que eu chamei de transformação do campo ideológico do eleitorado de um formato de corcova de dromedário para um de corcova de camelo – que me perdoem o preciosismo zoológico: __/\__ em _/\___/\_. Não vou reproduzir gráficos aqui para não tornar a leitura descontinua.

O trabalhador com a corda no pescoço

Por Paulo Rubem Santiago, no site Carta Maior:

O cidadão comum, depois de um dia de trabalho ou de busca de emprego, chega em casa, toma um banho, come alguma coisa e liga a televisão. O noticiário econômico lhe é cada dia mais confuso. A taxa de desemprego bate 11% da população economicamente ativa, mas os bancos obtêm lucros extraordinários, tudo na mesma economia. Ao mesmo tempo o dólar nas alturas e a depreciação do Real lançam mais confusão ainda na sua cabeça, quando se lembra que um dia desses fizerem festa quando o Real havia sido a moeda que mais se valorizara no mundo. Agora em queda vertiginosa, faltam explicações adequadas para que consiga entender essa gangorra cambial.

Dia 15 é tentativa de assalto a democracia

Por Paulo Moreira Leite, no site Brasil-247:

Incluído na propaganda do ato "Foda-se", convocado por Jair Bolsonaro por vídeo distribuído nas redes sociais, o general da reserva Roberto Peternelli, deputado federal do PSL-SP, partido do presidente, deixa claro que o eleitor está sendo vítima de propaganda enganosa.

"Ninguém pediu para usar minha imagem", disse ele a Marcelo Godoy, do Estado de S. Paulo, esclarecendo que discorda da iniciativa. "Atrito entre Executivo e Legislativo não contribui para o País", acrescenta Peternelli, que acrescenta: "'Fora Maia e Alcolumbe é impróprio, como 'Fora Bolsonaro'".

Os militares e as empresas estatais

Por William Nozaki, no site da Fundação Perseu Abramo:

A doutrina militar, historicamente, estabeleceu os objetivos da industrialização brasileira: integração, defesa e segurança, mais do que desenvolvimento, emprego e renda, como imaginavam os civis. As malhas ferroviária e rodoviária garantiriam as condições logísticas para a integração, as indústrias metalúrgica e siderúrgica garantiriam os suprimentos essenciais para a defesa, as indústrias de petróleo e petroquímica garantiriam o abastecimento necessário para a segurança. Não se tratava de um industrialismo baseado em nacionalismo e protecionismo, mas sim em pragmatismo e funcionalidade temperados, é bem verdade, com um certo dualismo na visão sobre a geopolítica e um certo elitismo na visão sobre o povo brasileiro. Exatamente por isso, em todas as ocasiões em que ocuparam o Estado, os militares estabeleceram estreita proximidade com o sistema de empresas estatais. Com outros objetivos, tal aproximação se repete atualmente. Sendo assim, vejamos como tem se dado a presença dos militares no sistema produtivo estatal, particularmente em alguns projetos com interface na área de defesa.

SUS perdeu R$ 13,5 bilhões em 2019

Por Bruno Moretti e Ana Paula Sóter, no site Brasil Debate:

Nos últimos anos, mais de 3 milhões de usuários deixaram os planos de saúde, aumentando a demanda pelo SUS. Há estimativas de que a inflação do setor, em 2019, foi de 17%. O envelhecimento populacional e a incorporação tecnológica levam mais pressão ao orçamento de saúde. Segundo pesquisa Datafolha em 2019, a saúde era o principal problema do país.

Como responder ao quadro acima esboçado, que combina aumento de custos e demanda da população por serviços de saúde? Aperfeiçoamento do funcionamento do SUS e ampliação do financiamento seriam os caminhos naturais. No entanto, o SUS vem sofrendo o impacto negativo da Emenda Constitucional nº 95, de 2016, que limita o gasto federal primário à variação da inflação. Em outros termos, se o PIB tiver algum crescimento acima da inflação, a regra implica a redução das despesas em relação ao PIB. Estima-se que tal queda será de 4 p.p. de PIB até 2026.

A cobertura do carnaval na TV Globo

E a democracia, general Heleno?

Carnaval de rua e de luta

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Petardo: Ex-aliados detonam Bolsonaro

Por Altamiro Borges

Gustavo Bebianno, que chefiou a campanha presidencial do "capetão" e depois foi enxotado do laranjal, segue atirando: “O conselho que eu daria a ele [Bolsonaro] é: seja mais humilde, menos beligerante, manda os filhos pra Disney (mesmo com o dólar a R$ 4) e governa o país com inteligência".

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Na entrevista a Mônica Bergamo, na Folha, o ex-braço direito de Bolsonaro também revelou que Bolsonaro “não é um homem que trabalhe muito. Qualquer jornalista que acompanhe sua agenda oficial percebe que é muito fraca. Infelizmente ele tem como meta a próxima eleição. E com isso não governa".

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Outra ex-bolsonarista que anda irritada com o "capetão" é a deputada Janaína Paschoal (PSL-SP), que entrou em transe no golpe do impeachment contra Dilma e é uma das culpadas pelo avanço do fascismo no país. Segundo o site UOL, ela agora jura que "não sou e nunca fui bolsonarista".

Guedes subiu no telhado. Será defenestrado?

Os negócios da legalização dos cassinos

Ambulantes sofrem com a precarização

Bolsonaro queima reservas internacionais

Brasil na contramão da publicidade infantil

Da Rede Brasil Atual:

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, propôs uma portaria para que os meios de comunicação voltem a veicular publicidade infantil. Esse tipo de propaganda foi proibida no Brasil justamente por deixar as crianças desprotegidas. Uma lei vigente desde 2014 considera a publicidade infantil abusiva e proíbe a prática, mas agora o ministro Moro abriu uma consulta pública para rever essa regulamentação.

A trilha de sangue do ódio político

Por José Carlos Ruy, no site Vermelho:

O sangue derramado pelo ódio político marca com força esta semana. No sábado, dia 15, o dirigente comunista Afonso João Silva foi assassinado por pistoleiros em Jaciara, no Mato Grosso. Afonso João Silva era presidente municipal do PCdoB e grande liderança na luta pela reforma agrária, líder do acampamento próximo à BR-364.

O mesmo ódio sangrento que o assassinou está por trás da mão que, nesta quarta-feira (19) baleou no peito o senador Cid Gomes (PDT), em Sobral, no Ceará. Prontamente atendido na Santa Casa de Misericórdia no município, Cid Gomes felizmente está salvo e não corre risco de vida.

Mas o ódio político difundido desde o vértice da presidência da República, faz os democratas de todos os matizes pagarem com sangue pela ousadia de se contrapor à intolerância , ao arbítrio, à intolerância fascista.


O julgamento da extradição de Assange

Do site Carta Maior:

Esta segunda-feira, 24 de fevereiro, começa a ser julgado o pedido de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, pela juíza Vanessa Baraitser do tribunal de Westminster. O julgamento decorrerá durante esta semana, depois será interrompido e recomeçará em 18 de maio, prevendo-se que dure três semanas e que a sentença seja lida em junho. A primeira parte do julgamento será dedicada à discussão das motivações políticas e ao possível abuso processual da acusação norte-americana ao fundador da wikileaks.

Como os jornalistas podem reagir a Bolsonaro?

Por Rogério Christofoletti, no Diário do Centro do Mundo:

Ele já te constrangeu publicamente, disse que você só espalha mentiras. Já te ofendeu, falou da sua mãe e “deu uma banana” para o seu trabalho. Constantemente, não respeita o que você faz, e te xinga porque você é mulher ou porque trabalha para esse jornal ou aquele. Seus subordinados já te impediram de participar de entrevistas coletivas, e tentaram convencer empresas a não anunciar mais nos veículos em que você trabalha. Milícias virtuais te perseguem nas redes sociais, muitas vezes instigadas pelo desprezo que ele tem por você. Não é novidade nenhuma que Jair Bolsonaro – o presidente da república – odeia o jornalismo e os jornalistas, e faz de tudo para atacá-los. A questão é: como reagir a isso?

Brasil miliciano: todo poder às bancadas BBB

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“Uma certeza se pode ter: a maluquice perversa a que o Brasil está entregue não terminará bem” (abertura da coluna de Janio de Freitas na Folha com o título “Nosso andar no escuro”).

***

Todo mundo já desconfiava disso, desde o início deste desgoverno, caro Janio, mas nada acontece para evitar o desastre.

Líder sindical de militares e policiais por 28 anos na Câmara, Jair Bolsonaro hoje nem partido tem e despreza a articulação política, mas mesmo assim controla o Congresso como quem manipula um boneco de ventríloquo.

Como isso é possível, com mais de 30 partidos no parlamento, e tantos interesses difusos?

Matança no Ceará indica chantagem policial

Por Fernando Brito, em seu blog:

O número de assassinatos no Ceará em quatro dias, desde que começou o motim policial, disparou.

Relata a Folha:

O mês todo de janeiro teve 261 homicídios, uma média de pouco mais de oito por dia. Em fevereiro de 2019, foram 164 homicídios, uma média de menos de seis por dia - em 2020, já são 286 no mesmo mês. Na segunda-feira (17) antes do início da paralisação houve três homicídios e, na terça (18), dia em que os policiais começaram a parar no início da noite, foram cinco. (…)


Aula de história é na Sapucaí

Por Conceição Oliveira, no Blog da Maria Frô:

A Tuiuti há dois anos arrasou na Sapucaí contando toda a narrativa do golpe. Nos atuais governos neopentecostais fundamentalistas de Bolsonaro/Crivella, em que as escolas de samba perderam financiamento público como forma autoritária de silenciamento, elas ficaram ainda mais independentes e críticas.

Foram raras as escolas de samba que não fizeram crítica social este ano. Seguindo uma tradição que em tempos de golpe, censura, autoritarismo a arte tem obrigação de fazer refletir, as escolas de samba ensinaram ao povo brasileiro, muito além do samba: na Sapucaí podemos ver um Brasil nu e cru, furando a mediação narrativa da Globo.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Petardo: Paulo Guedes será defenestrado?

Por Altamiro Borges

A deterioração da economia - e não o piriri verborrágico do "parasita" Paulo Guedes - é que explica a boataria sobre a iminente queda do "superministro". O "capetão" teme o desgaste eleitoral e já cobra resultados. Até Ricardo Noblat, do jornal O Globo, especula que "Guedes subiu no telhado”.

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Nem a mídia ultraneoliberal, que tanto paparicou o abutre Paulo Guedes, consegue mais esconder os sinais de deterioração da economia. Deu no Painel S.A. da Folha: "As visitas em lojas de shopping continuam em baixa... Em janeiro, a queda foi de 1,64% ante o mesmo mês de 2019".

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Ainda segundo o Painel S.A. da Folha, "a Páscoa deste ano deve gerar 14 mil empregos temporários, segundo a Abicab, associação da indústria de chocolates. Serão 4.000 vagas a menos que em 2019. A entidade diz que a queda reflete a mudança no comportamento do consumidor no varejo".

O programa econômico da esquerda brasileira

Por José Luís Fiori, no site A terra é redonda:

A história ensina que não existem políticas econômicas “certas” ou “erradas” em termos absolutos; o que existe são políticas mais ou menos adequadas aos objetivos estratégicos e aos desafios imediatos do governo. As mesmas políticas podem obter resultados completamente diferentes, dependendo de cada situação

No conjunto da América Latina, foi só no Chile que houve governos de esquerda ou com participação de partidos de esquerda, na primeira metade do século XX. Em 1932, durante a efêmera República Socialista do Chile, proclamada pelo oficial da Força Aérea Marmaduke Grove. E depois, durante os governos da Frente Popular – que governou o país entre 1938 e 1947 – formada por socialistas e comunistas, ao lado dos radicais, e que foi interrompida pela intervenção americana logo no início da Guerra Fria.

Algo se move nas elites contra Bolsonaro

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

As elites brasileiras sempre souberam se livrar dos incômodos, mesmo dos criados por ela mesma.

Alguém já disse algo parecido. Desde que entramos no inverno da democracia, na ladeira dos retrocessos e nas trevas do obscurantismo, com a posse de Bolsonaro, esta é a primeira vez que algo começa a se mover neste sentido, de forma ainda incipiente, não planejada e imposta pelos desatinos do presidente e de seu governo.

Pois ainda que dispostas a aturar ataques à democracia e regressos civilizatórios em nome da agenda neoliberal, as elites podem estar começando a perceber que sob Bolsonaro não haverá reformas, nem ajuste fiscal, nem crescimento.

Informalidade aumenta e emprego piora

Por Clemente Ganz Lúcio

A recessão trouxe novamente desemprego, precarização, informalidade, insegurança laboral e arrocho salarial. A atual situação econômica favorece a conformação desse quadro como o novo “normal”

A economia brasileira rasteja depois de passar por uma das mais graves crises econômicas da sua história. O país experimenta a mais lenta saída de uma recessão com um crescimento econômico anêmico em torno de 1% ao ano, inclusive em 2019. Ao contrário do que bradam e insistem os otimistas agentes econômicos e governamentais, ao final de cada ano frustrado e no início do ano novo, “agora vai!”, a economia patina.

A crise nas policias e as milícias

Moro quer legalizar a publicidade infantil

Será este o carnaval do "fora Bolsonaro"?

Lava-Jato e a indústria de compliance

As milícias virtuais de Bolsonaro

Um socialista no governo dos EUA?

Censura no Carnaval: histórias esquecidas

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Brasil ruma para virar uma grande Colômbia

Por Marcelo Zero

Com o bolsonarismo, o Brasil caminha para se transformar numa espécie de grande Colômbia.

Notadamente aquela Colômbia dos anos 90 e do início deste século, mas que ainda se mantém. Um país regido por um modelo político assentado no tripé forças armadas, milícias paramilitares e partidos de extrema direita.

Concebido e direcionado não só para combater a guerrilha, mas para sufocar as organizações de esquerda de um modo geral e para reprimir revoltas populares, esse modelo recebeu o apoio decidido dos EUA e, paradoxalmente, foi financiado, em grande parte, por atividades ilícitas, especialmente o narcotráfico.

A liberação de ofensas morais

Por Manuel Domingos Neto

Vontade de dirigir-me aos congressistas, aos integrantes do Judiciário, às autoridades do país...

Vontade de alertar sobre a necessidade irrecorrível de destituição, o mais brevemente possível, do Presidente da República, seguida de processo legal e punição conforme à lei vigente.

Não exatamente por conta do entreguismo desavergonhado e da imposição de sofrimentos à sociedade, problemas que só podem ser resolvidos no embate político.

É que o Presidente ofendeu moralmente a mulher brasileira na pessoa da jornalista Patrícia Campos Mello.

Esse crime deu sequência à longa série de agressões morais assacadas por esse indivíduo ao longo de sua vida pública.

Um grande Rio das Pedras

Por Fernando Rosa, no blog Senhor X:

Os jornais noticiam que Bolsonaro cobrou de Guedes o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em, no mínimo, 2% neste ano. A “cobrança” renderia uma “piada de caserna” da velhota Seleções Reader’s Digest. O assunto, no entanto, é sério e evidencia que as portas do Posto Ipiranga podem estar sendo fechadas. E não é para menos pois, ao contrário do prometido, além de não crescer, a economia entrou em desaceleração.

Caos no Bolsa Família amplia crise social

Por Ana Luíza Matos de Oliveira, no site da Fundação Perseu Abramo:

Em momento de crise social e aumento da pobreza, o governo tem reduzido a proteção social no país. Este quadro de enxugamento do Estado tem desamparado especificamente os mais pobres e mais vulneráveis do país, desassistido os possíveis beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF), os do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e os que solicitam benefícios no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Com frequência, o público alvo destes três programas ao mesmo tempo fica a ver navios.

A última chance de salvar Julian Assange

Ilustração: Pinguino Kolb
Por John Pilger, no site Outras Palavras:

Neste sábado, em Londres, haverá uma marcha da Australia House à Praça do Parlamento, o centro da democracia britânica. Os manifestantes levarão fotos do editor e jornalista australiano Julian Assange. No próximo 24 de fevereiro [segunda-feira de Carnaval], ele estará diante de um juiz, que decidirá. se deve ou não ser extraditado para os Estados Unidos, para morrer em vida.

Conheço bem a Australia House. Como sou australiano, costumava frequentar o local para ler os jornais da minha terra, na época em que havia acabado de chegar a Londres. Inaugurada pelo rei George V há mais de um século, a abundância de mármores, pedras, lustres e retratos solenes, importados da Austrália enquanto soldados australianos morriam no massacre da Primeira Guerra Mundial, garantiu sua fama de “marco imperial de monumental servidão”.

Miriam Leitão e os recursos do BNDES

Por Arthur Koblitz, na Rede Brasil Atual:

A nova intervenção da jornalista Miriam Leitão sobre o BNDES (A verdade não cabe numa caixa-preta, artigo publicado nas edições online e impressa do jornal O Globo, no dia 30 de janeiro) é uma importante oportunidade para trazer o debate público sobre o banco e suas políticas para um foco mais racional e construtivo. Isso é fundamental não apenas para a instituição, mas para o debate sobre estratégias para o desenvolvimento do país.

Desfile do crescimento medíocre de Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

Jair Bolsonaro entra no segundo ano de governo na condição de estelionatário eleitoral. Já que o carnaval começou, nada mais apropriado do que demonstrar essa verdade no ritmo da passarela. Ele representa ideias econômicas que vieram ao mundo nas décadas de hegemonia do neoliberalismo, e pareciam mortas, que ressurgiram com nova roupagem, agora com outros estribilhos e outras cantilenas.

Ainda candidato, Bolsonaro entrou na marcha de Paulo Guedes prometendo fazer o país voltar a crescer, mas, a julgar pelo zunzunzum da mídia, a evolução tende a chegar à fase da dispersão sem ter passado direito pela fase da concentração.

Bolsonaro pede passagem: o bicho vai pegar

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Mais cedo do que se temia desde a sua posse, o capitão Jair Bolsonaro resolveu ir à guerra contra tudo e contra todos ao mesmo tempo: o Congresso, os governadores, a imprensa, a cultura, a ciência, os direitos humanos, os índios, as mulheres, os negros, o meio ambiente e o que mais encontrar no caminho rumo ao caos.

Como se previa, não restará pedra sobre pedra quando esta barbárie chegar ao fim, se um dia chegar.

“Tem que entender que o pessoal verde está chegando, e o bicho vai pegar”, ameaçou o presidente da República em sua “live” semanal das quintas-feiras, ao anunciar o envio de tropas das Forças Armadas para o Ceará. “Se é pra tratar com flor essa galera, não fiquem enchendo nosso saco”, acrescentou com sua finesse habitual.

Bolsonaro, sem pesos e medidas na demagogia

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Jair Bolsonaro disse que vai “implodir o Inmetro”.

Pode ser até que seja um populismo primário, misturando história de tacógrafos – que os táxis não precisam ter – com a renovação gradual dos taxímetros, provocadas por mudanças tecnológicas – os sistemas e freios ABS, agora obrigatórios, implicaram mudanças em sensores da caixa de marchas, para evitar fraudes.

Mas, como adverte Luís Nassif, no GGN, é um caminho aberto para lobbies e fraudes no mecanismos de certificação.

Bernie Sanders, um estranho no ninho

Por Sebastião Velasco e Cruz, no site Carta Maior:

Bernard Sanders é um desmentido cabal do adágio que anuncia, no jovem radical, o velho conservador. Nascido em uma família de trabalhadores judeus, de origem polonesa, moradores do Brooklin, Sanders — ou melhor Bernie, como então era chamado — ingressou na idade adulta em um período dramático da história dos Estados Unidos, e viveu intensamente as lutas que marcaram sua geração. Tendo estudado no College de Brooklin e depois na Universidade de Chicago, onde se graduou em Ciência Política, Bernie Sanders – como hoje o conhecemos – participou ativamente dos movimentos dos direitos civis e contra a guerra do Vietnã.

Desprovido de dotes excepcionais de orador, destacava-se, porém, por seu grande talento em congregar pessoas diferentes em torno de si e de com elas construir consensos. Membro da Young People’s Socialist League (seção juvenil do Partido Socialista da América), presidiu o capítulo do CORE (Congress for Racial Equality) na Universidade e integrou o SNCC (Students Non Violent Coordinating Committee), organização que esteve à frente de grandes mobilizações e foi liderada por jovens cujos nomes se tornaram famosos, nacional e internacionalmente. Objetor de consciência, mas tendo escapado do alistamento compulsório por idade, Bernie Sanders incluiu em seu currículo nessa época uma detenção, com multa, por resistência à prisão durante um protesto contra o racismo.

Brasil caminha para o colapso

Por Fernando Silva, no site Correio da Cidadania:

As re­centes pro­vo­ca­ções mi­só­ginas de Bol­so­naro e seu clã-fa­mi­liar mi­li­ciano contra a re­pórter Patrícia Campos Melo, da Folha de S. Paulo; os in­dí­cios cada vez mais evi­dentes do en­vol­vi­mento dos bol­so­naros com as mi­lí­cias formam os mais novos traços de uma inequí­voca con­tra­dição po­lí­tica e ins­ti­tu­ci­onal: a exis­tência de um pre­si­dente da Re­pú­blica fas­cista, chefe de uma facção, que faz questão de ocupar seu tempo em busca de so­lu­ções au­to­ri­tá­rias para o país. Di­ante disso, por que é to­le­rado um go­verno tão de­vas­tador de di­reitos e com um peso de fa­ná­ticos e pro­vo­ca­dores extremistas no seu in­te­rior sem pa­ra­lelo na his­tória re­cente do país, pelo menos desde o final da ditadura mi­litar? 

Homens da CIA no golpe da Bolívia

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

Um artigo do site Behind Back Doors, conhecido por suas revelações sobre a ingerência norte-americana na América Latina, apresenta uma lista dos mais importantes agentes da CIA que participaram do golpe contra o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales.

Anuncia também que a operação na Bolívia continua e que há outros governos “não amigos” nos planos de desestabilização política do continente. O próximo alvo pode ser Manágua.

Em sinal de que a ofensiva contra a esquerda na Bolívia de fato continua, na quinta-feira a Justiça Eleitoral do país barrou a candidatura de Evo ao Senado nas eleições marcadas para maio, alegando que ele não provou residir no distrito eleitoral pelo qual se candidataria.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Petardo: Impeachment de Bolsonaro é viável?

Por Altamiro Borges

Pela lei n° 1.079, que regula o impeachment, o "capetão" já poderia ser enxotado da Presidência da República. Artigo 9°, por exemplo, tipifica como crime de responsabilidade "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo". Bolsonaro se enquadra nesse crime!

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Mas não basta citar um dos 65 tipos de crimes listados na lei 1.079 sobre o impeachment. É preciso mobilização de rua para convencer 2/3 dos deputados federais a autorizar a cassação e 2/3 dos senadores para decretá-la. Quem topa ir para rua para derrubar o laranjal de Bolsonaro?

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Até a revista IstoÉ  a mercenária "QuantoÉ", que apostou na desestabilização política no país e ajudou a chocar o ovo da serpente fascista  agora teme o fascismo do "capetão". Na edição desta semana, ela deu um "Basta!" garrafal na sua manchete.

A vitória da greve dos petroleiros

Weintraub e o escândalo na Unifesp

A estratégia bolsonariana

O que risco que corre a democracia

Não é greve da PM! É motim!

Motim no Ceará e o comportamento miliciano

A origem das escolas de samba

Cid Gomes peita os milicianos

Desdobramentos da rebelião da PM no Ceará

A militarização avança no Brasil

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Mídia detona machismo de Bolsonaro

Os maus modos do neofascismo brasileiro

Charge: Grossomodo, por Muna/Causa Operária
Por Tales Ab'Sáber, na revista CartaCapital:

O neofascismo no Brasil, para quem não entendeu, não emula o fascismo italiano dos anos 1920. Nunca foi isso, evidentemente. Muita energia importante foi gasta com esse debate estéril, de especialistas querendo fixar pontos históricos e palavras, enquanto a vida política do país se degradava de fato. A evocação do termo fascismo vem de uma tradição do pensamento político do século XX, que se refere a uma escala imaginária, ou efetiva, dependendo do que somos capazes de ver, do mal na política. É isso o que importa. Nosso neofascismo diz respeito aos modos de nossa conversão própria da política em violência, o que ninguém pode negar. Ele se ordena e se unifica, por fim, ao redor do bolsonarismo. Uma conversão sistemática, organizada por circuitos oficiais e randômicos sociais, nos seguintes termos:

Motim no Ceará: acabou a brincadeira!

Por Charles Alcantara

O endosso maldisfarçado à tentativa de homicídio contra o senador Cid Gomes e ao motim de policiais no Ceará não são atos irrefletidos ou irresponsáveis do clã Bolsonaro. São um movimento calculado para avançar num projeto cada vez mais evidente: o de instaurar um governo autocrático.

Acontece que esse projeto não se viabiliza sem o engajamento efetivo das forças armadas e do seu braço auxiliar e mais numeroso e capilarizado: as polícias militares.

Bolsonaro, seus filhos e militares do núcleo duro do governo já colocaram em marcha esse projeto.

Os sinais estão aí, todos os dias e noites, evidentes, gritantes.

Bolsonaro bate às portas de nova ditadura

Por José Dirceu, no site Metrópoles:

A militarização do governo Bolsonaro com as últimas indicações para a Casa Civil e a Secretaria de Assuntos Estratégicos tem raízes em nossa historia recente e no passado.

O general Braga Netto era chefe do Estado-Maior do Exército, o mesmo que no julgamento do habeas corpus de Lula publicou uma foto da reunião de emergência convocada pelo comandante do Exército Eduardo Villas Bôas para, numa aberta e flagrante violação da Constituição, ordenar – isso mesmo – ao STF que não ousasse conceder HC a Lula. Villas Bôas fez a mesma ameaça via Twitter, o que levaria a sua prisão imediata em qualquer democracia.

Bolsonaro destrói imagem do Brasil no mundo

Da Rede Brasil Atual:

Correspondente internacional há mais de duas décadas, o jornalista Jamil Chade afirma que o governo de Jair Bolsonaro destruiu a reputação do Brasil no cenário internacional. Em pouco mais de um ano, acrescenta, ele colocou em risco a imagem do país construída ao longo de mais de um século.

“Nunca vi o que está acontecendo hoje. É um desmonte de qualquer capital que o país tinha em termos de credibilidade. É impressionante como foi rápido”, afirmou Jamil aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (21). “No caso da opinião pública europeia, vai levar muito tempo para reverter essa imagem”, afirmou.

Filas do INSS são o novo corredor da morte

Por Alexandre Padilha, no jornal Brasil de Fato:

É abominável a disposição do governo em destruir o que existe de eficiente no serviço público brasileiro. O INSS era um órgão desamparado, que tinha um histórico de filas enormes e mal garantia atendimento à população. Porém, durante o governo Lula foi transformado, tornando-se uma estrutura eficiente e capilarizada em todo o país, com distribuição de agências em pequenos municípios e nas periferias das grandes cidades.

Motim no Ceará serve de palanque político

Por Cecília Olliveira, no site The Intercept-Brasil:

“O governador acha que que manda na polícia. Mas se a polícia cisma de botar fogo nessa cidade, não há quem impeça. Ninguém controla o guarda da esquina”. Ouvi essa frase de um delegado das antigas, “da época em que policial era tira”, como ele dizia.

Apesar do diagnóstico ser sobre o Rio de Janeiro, há pontos comuns com a situação vivida no Ceará, que está em chamas e não é de agora. E o modo como são tratadas – ou melhor, não são tratadas – as greves e motins de policiais faz com que o bolo cresça. Agora, com novos ingredientes: bolsonarismo e WhatsApp. O ministro da Justiça Sergio Moro se manifestou de forma protocolar, avisando que a situação está sendo monitorada. Jair Bolsonaro disse apenas uma frase: “A democracia nunca esteve tão forte”.

Bolsonaro e as jornalistas de direita

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

O mundo dá voltas, e não é porque agora existe gente que acredita ser a Terra plana que ele irá parar de girar.

Há um aspecto convenientemente pouco comentado no golpe jurídico-midiático que derrubou Dilma Rousseff em 2016: a misoginia. Dilma se tornara, em 2010, a primeira mulher presidenta do Brasil, após uma campanha suja em que chegou a ser chamada de “assassina de criancinhas” pela mulher do rival, José Serra. Digo presidenta? Pois: o primeiro ato de machismo contra Dilma na imprensa comercial foi se recusarem a reconhecer o termo, perfeitamente dicionarizado tanto em língua portuguesa quanto em língua espanhola.

Reações da Globo aos ataques de Bolsonaro

Por Jeferson Miola, em seu blog: 

No caso da agressão sexista e criminosa do Bolsonaro contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, o jornalismo da Globo agiu com o rigor e a dignidade que deveria ter adotado – mas não adotou – para defender o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept-Brasil.

A Globo repercutiu a agressão de Bolsonaro com a veemência devida no Jornal Nacional, no noticiário da Globo News e de todas emissoras e rádios associadas ou repetidoras; nos sites do G1 e do Globo.com.

Glenn Greenwald, assim como Patrícia Campos Mello, foi vítima de uma incriminação fascista.