terça-feira, 13 de novembro de 2018

Onyx Lorenzoni e a parcialidade de Moro

Por Cláudia Motta, na Rede Brasil Atual:

O juiz Sérgio Moro criou um novo tipo de extinção de punição a quem comete um crime “mais grave do que corrupção” – segundo ele mesmo. "É a extinção de punibilidade se houver pedido de desculpas. Talvez ele possa colocar isso nas tais medidas que está dizendo que vai aprovar contra a corrupção", afirma o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Durante coletiva de imprensa, na terça-feira (6), após aceitar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do futuro governo de Jair Bolsonaro, o juiz de Curitiba consentiu que um réu confesso permaneça impune caso admita seu erro e peça desculpas. Questionado sobre integrar uma equipe ministerial ao lado de um político assumidamente beneficiado por recursos de caixa 2, caso do deputado federal Onyx Lorenzoni, Moro respondeu: “Ele já admitiu e pediu desculpas”.

Uma grande batalha de classes

Por Umberto Martins, no site da CTB:

O auditório do Dieese em São Paulo revelou-se pequeno para acomodar mais de 300 lideranças do movimento sindical que presenciaram o seminário sobre a Previdência promovido pelas centrais sindicais na manhã desta terça-feira (12). O chileno Mario Villanueva, dirigente da Confederação dos Profissionais da Saúde, expôs um estudo sobre a situação da Previdência em seu país, cujo modelo o economista Paulo Guedes, o superministro da Economia de Bolsonaro, pretende impor ao Brasil.

O Brasil a caminho do hospício

Por Mino Carta, na revista CartaCapital:

No país material e moralmente devastado pelos efeitos do golpe de 2016, Jair Bolsonaro prepara-se para exercer a Presidência da República. Há quem o defina como fascista ou nazista, de extrema-direita ou super-reacionário. Bolsonaro, entretanto, é tão único como será seu governo e o próprio Brasil. Qualquer comparação é impossível.

Estamos diante da exasperação de tudo quanto sofremos em dois anos e alguns meses, através de uma série de atentados à razão.

A campanha não acabou e a guerra só começou

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Quinze dias após a sua vitória nas urnas, para o presidente eleito Jair Bolsonaro a campanha ainda não acabou.

Pelas suas manifestações em entrevistas e vídeos, o capitão reformado deixa claro que a guerra contra os “vermelhos” está só começando.

“Vermelhos”, para o novo presidente, quer dizer todos os que não votaram nele, ou seja, quase metade do país que foi às urnas.

Foi exatamente essa mesma guerra que ele moveu nos seus 28 anos como deputado federal, combatendo o PT e os movimentos sociais, e não é agora que ele vai mudar.

Conjecturas sobre o governo Bolsonaro

Por Ricardo Carneiro, no site Carta Maior:

Em países nos quais o Estado não é capaz de garantir de forma democrática os seus monopólios fundadores, o da violência e o da moeda, não raro surgem as soluções ad hocpara essas atribuições. No primeiro caso, por meio de restrições crescentes à operação do Estado de direito e de forma mais radical, pela constituição de grupos paramilitares. No segundo, por soluções que atrelam a gestão da moeda a outra, mais forte, os currency boards. As variantes mitigadas dessas formas polares são recorrentes nas sociedades periféricas, onde não raro se observa o exercício do monopólio da violência, não por instituições democráticas, mas pelas burocracias, em particular a militar. Por sua vez, o poder da finança e a fragilidade do Estado podem ser tais que a gestão da moeda pode ser cedida incondicionalmente ao setor privado, por meio de formas extremadas do banco central independente.

Os marechais e suas cinco estrelas

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O futuro dirá o quão danoso será ao país e às próprias Forças Armadas o quadro esdrúxulo que vai se formando no futuro governo Bolsonaro.

Generais da reserva recém saídos do Alto Comando do Exército não são, na prática, civis como outros quaisquer, jubilados em suas carreiras.

Formam não só uma confraria – se quiserem chamar assim, uma “ala militar” do governo – como têm a tendência quase inevitável de sobreporem-se às estruturas formais de comando e subordinação das Forças Armadas.

Amadorismo e delírios da política externa

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Quando Trump ligou para parabenizar Bolsonaro pela eleição, não havia nenhum integrante da campanha preparado para traduzir a conversa. O filho de um empresário amigo do presidente eleito foi escalado para a missão. A primeira conversa entre o presidente eleito e o presidente da economia mais forte do mundo foi intermediada por um youtuber de 24 anos. Parece uma cena de filme do Mazzaropi, mas é o jeitinho estabanado com que o bolsonarismo tem lidado com a política externa.

Resistência não é escolha: é sobrevivência

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A coreografia atual de Jair Bolsonaro não deve confundir ninguém. Embora o novo presidente tenha recebido o voto de 39% dos eleitores, a partir de 1 de janeiro de 2019 o comando do Estado brasileiro estará nas mãos de uma articulação política que jamais escondeu sua falta de compromisso com a democracia.

Parece razoável prever que, ao longo de um mandato previsto para durar quatro anos, o governo Bolsonaro tentará valer-se de todos os meios a seu alcance - legais e paralegais - para percorrer um caminho clássico. Construir uma posição de força e evitar de qualquer maneira um possível retorno pelas urnas do bloco político que venceu as quatro eleições presidenciais anteriores, e deixou a campanha na posição de única opção viável - em novembro de 2018, não custa sublinhar - a um programa de extrema-direita que até agora nunca havia recebido o respaldo das urnas brasileiras.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Silvio Santos é um lambedor de botas

Indonésia é o modelo de Eduardo Bolsonaro

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Em entrevista ao Estadão, o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro contou que vai lutar para tipificar como terrorismo os atos do MST.

“Se for necessário prender 100 mil, qual o problema?”, questionou o filho de Jair, que deseja transformar o comunismo em crime.

“É uma proposta que eu gostaria que fosse adiante, mas que depende de renovação do Congresso”, falou.

“É seguir o exemplo de países democráticos, como a Polônia, que já sofreu na pele o que é o comunismo. Outros países também proibiram, como a Indonésia”.

Globo já tem um presidente: Moro!

O primeiro erro de Jair Bolsonaro

Por Rodrigo Perez Oliveira, no site Jornalistas Livres:

Depois de uma derrota traumática, é natural que os derrotados façam um duplo exercício: primeiro vem a negação, a tristeza, a depressão. Depois vem a análise, a reflexão, o autoflagelo, ou, para usar um termo da moda, a “autocrítica”.

Pelo que ouço, pelo que vejo, pelo que sinto, acredito que já estamos na fase da reflexão, do autoflagelo. A “autocrítica”, ao menos para mim, passa por uma pergunta fundamental: por que subestimamos tanto Jair Bolsonaro?

Bolsonaro contra o Brasil

Por Adilson Araújo, no site Vermelho:

São lamentáveis as declarações de Jair Bolsonaro (PSL) em que chama de “organização” e “refundação” o desmonte de espaços como os ministérios do Trabalho, da Cultura e da Indústria, centrais para o desenvolvimento nacional em diferentes aspectos. Pelo que observamos, até a sua posse ele pretende administrar o país via twitter e WhatsApp da sua sala de estar, no Rio de Janeiro.

O fim do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pasta criada há 88 pelo então presidente Getúlio Vargas, vai na contramão da luta por um Brasil democrático e justo. Embora esvaziado ao longo dos últimos anos, o MTE desempenha importante papel na promoção do emprego e do desenvolvimento nacional bem como na progressiva humanização das relações sociais de produção, hoje submetidas a um brutal retrocesso.

Quem está por trás do site O Antagonista?

Por André Pasti e Luciano Gallas, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Nestas eleições de 2018, o portal O Antagonista ganhou destaque ao se prestar ao serviço de “assessoria de imprensa” informal da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. Como ele é um dos dez sites noticiosos brasileiros mais acessados em 2017, é pertinente investigar seu papel na ascensão da extrema-direita no país, assim como os interesses que motivam a empresa na defesa da candidatura de Bolsonaro e na construção de um imaginário antipetista no Brasil.

Relincha Brasil, a república dos burros

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Merece atenção uma mensagem publicada pelo juiz Rubens Casara em seu twitter: “O empobrecimento subjetivo, que também leva à regressão do Eu, faz com que o brasileiro busque identificação com políticos, artistas, pastores, padres, comediantes e outras figuras públicas a partir daquilo que os une: a ignorância. Perdeu-se a vergonha de ser ignorante ou burro.”

Casara acertou na mosca: a onda obscurantista que varre o país pode ser comparada a uma espécie de epidemia galopante de burrice. Até há pouco tempo, era comum numa roda de amigos ouvir expressões do tipo “sou apolítico” ou “nada entendo de política, por isso não vou opinar” ou ainda a frase-síntese da alienação: “política, religião e futebol não se discutem.”

Oposição a Bolsonaro e frente pela democracia

Por José Reinaldo Carvalho, no blog Resistência:

A oposição ao governo de extrema-direita e a constituição de uma ampla frente pela democracia são as ações indispensáveis e inadiáveis para todos os que têm compromisso com os destinos da nação. Mas os primeiros sinais do momento pós-eleitoral parecem indicar que o caminho a percorrer será sinuoso. A instauração do governo Bolsonaro deveria ser entendida como uma convocação aos democratas para resistir e lutar com frontalidade e convergência de posições contra a ameaça fascista e neocolonialista.

Guedes, do pinochetismo ao bolsonarismo

Por Jeferson Miola, em seu blog:               

“A ditadura de Augusto Pinochet estava a todo vapor, e a universidade vivia sob intervenção militar. Economistas de Chicago haviam sido convidados pelo regime a implementar uma política econômica liberal, baseada nos fundamentos da economia de mercado defendidos por Milton Friedman. Chamados de ‘Chicago boys’, eles se instalaram na universidade e se revezaram em cargos no governo. O convite a Guedes partiu de um deles, Jorge Selume, então diretor da Faculdade de Economia e Negócios e diretor de Orçamento de Pinochet”.

Essa passagem da vida do Paulo Guedes é retratada na reportagem da repórter Malu Gaspar na edição 144 da Revista Piauí.

O "projeto de poder" da bancada evangélica

Por Lu Sudré, no jornal Brasil de Fato:

Antes mesmo de Jair Bolsonaro (PSL) ser eleito presidente nas eleições de outubro, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional lançou o chamado “Manifesto à Nação: O Brasil para os brasileiros”. Com 180 signatários, o documento propõe uma agenda de governo dividida em 4 eixos principais: Modernização do Estado, Segurança Jurídica, Segurança Fiscal e “Revolução na educação”.

Em declarações recentes, o militar reformado e sua equipe têm seguido as diretrizes principais do proposto pela bancada evangélica. A redução ministerial, por exemplo, já foi anunciada. As 29 pastas atuais se tornarão 15 a partir do ano que vem. Outros pontos programáticos do manifesto como a abertura comercial e a não priorização do Mercado Comum do Sul (Mercosul), alvo de críticas do setor industrial, são frequentemente defendidas pelo futuro "superministro" da Economia, Paulo Guedes.

Bolsonaro e as questões óbvias sobre os EUA

Por Marcelo Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

Em tempos de governantes de “ peruca solta” parece necessário tratar de reforçar algumas obviedades, antes que elas também sejam alvo dessa máquina de destruição de sentidos que tanto estrago causou no recente processo eleitoral.

No campo da economia, é preciso dizer em voz alta que não somos e nunca seremos os Estados Unidos. Não apenas porque temos outra história e outra dimensão econômica, mas, principalmente, porque eles são os emissores da moeda internacional, o dólar. E isso faz que a gramática da economia de lá funcione muito diferente da que utilizamos por aqui. Vejamos porque:

domingo, 11 de novembro de 2018

O cheque em branco nas eleições

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

A equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro está fazendo agora o que não foi feito na campanha: um plano de governo, com ações setoriais mais definidas, ainda que não possam ser muito detalhadas agora.

Em outras eleições, o que se faz na transição é o ajuste entre a agenda aprovada pelas urnas e a realidade apresentada pelo governo que está de saída.

O cheque em branco agora está sendo preenchido, com medidas que os eleitores de Bolsonaro, ainda contentes, só sentirão no ano que vem. Já apoiadores que representam o poder econômico estão chiando baixinho.

Bolsonaro será o exterminador de direitos

Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

Caso se concretize a anunciada intenção, do futuro governo de Jair Bolsonaro, de extinguir o Ministério do Trabalho, o Brasil entrará em um período em que se podem prever graves prejuízos aos trabalhadores. “Além da relação trabalhista específica, da saúde e condições de trabalho, por exemplo, me preocupo muito com a questão dos dois grandes fundos coordenados pelo ministério. O FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o Fundo de Garantia, fundos multimilionários, com fundamentação constitucional, que são patrimônio da classe trabalhadora”, diz Ricardo Berzoini, ex-ministro do Trabalho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonaro e o controle da verdade

Por Ricardo Alexandre, no site Outras Palavras:

“Jair Bolsonaro é evangélico”, afirmava um. “Não, ele é católico romano”, dizia o outro. “Não, eu vi o vídeo dele sendo batizado por um pastor da Assembléia”. “Mas eu vi uma entrevista na qual ele dizia que era católico”. “Mas quem fez o casamento dele foi o Malafaia”. “Mas ele continua sendo católico”.

Não eram minhas tias conversando no almoço de família. Era um comentarista político e um especialista em marketing político discutindo com o microfone ligado, sobre a religião do então candidato a presidente. Em um país em que 60% declara que “jamais” votariam em um ateu, a religião é fator fundamental também na identidade de um personagem público.

Em que mundo vive Paulo Guedes?

Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, na revista CartaCapital:

Não acreditei, confesso, quando li a mensagem de WhatsApp: só pode ser fake news. Um técnico do IPEA informava que o futuro ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, tinha acabado de ter uma reunião com integrantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

Os técnicos discutiam a LOA e foram interrompidos pelo futuro ministro: o que mesmo é a LOA? Sério? Não pode ser. Como é possível que um economista experiente prestes a assumir o Ministério da Economia não saiba que a LOA é a Lei Orçamentária Anual? Só pode ser brincadeira de petista infiltrado.

O comandante do Exército e a prisão de Lula

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“Bolsonaro é um mau militar” (general Ernesto Geisel, ex-presidente da República, ao comentar porque o presidente eleito foi reformado pelo Exército aos 33 anos, após atos de insubordinação e desordem).

*

Ficamos sabendo neste domingo, oficialmente, que os militares já tinham voltado ao poder antes da eleição do capitão Jair Bolsonaro. E foram determinantes na sua vitória.

Em entrevista à Folha, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, revelou que agiu “no limite” ao declarar pelo Twitter “preocupação com a impunidade”, no dia 2 de abril, véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal.

Luis Fernando Verissimo: Desilusões!

Por Luis Fernando Verissimo, no site Carta Maior:

“Desilusão, desilusão...” O samba Dança da Solidão, do grande Paulinho da Viola, cantado pela grande Marisa Monte, seria um fundo musical perfeito para estes estranhos tempos. Poderíamos chamá-lo de “leitmotiv” da nossa desesperança, se quiséssemos ser bestas. A desilusão começou quando? Dá para escolher. No fim da ditadura que o Bolsonaro diz que nunca existiu, quando Tancredo ia tomar posse como o primeiro presidente civil em 20 anos, mas os germes hospitalares de Brasília tinham outros planos? Depois viria o entusiasmo seguido de grande frustração com Collor, o Breve, tão bonito, tão moderno, tão raso, a desilusão com o PT e a desilusão com os políticos em geral, agravada com as revelações de que até grão senhores da República levavam bola.

O “sem-noção” voltou

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Estava demorando.

Depois de uma semana desmentindo as bobagens de seus auxiliares – e a suas próprias -, o presidente eleito Jair Bolsonaro encarregou-se ontem de dar um piparote nos “reis do pensamento positivo” que já proclamavam que ele estava se adequando às regras do jogo político (e constitucional).

Numa única “live” de Facebook conseguiu produzir uma enxurrada de asneiras capaz de devolver a euforia à legião de selvagens que reuniu nas redes e fazer cair no ridículo todas aquelas juras de que seria “escravo” da Constituição.

O desastre da política externa de Bolsonaro

Por Alexandre Andrada, no site The Intercept-Brasil:

Em seu discurso da vitória, Jair Bolsonaro afirmou que iria libertar “o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico”.

Pois bem.

“Ideologia” é dessas categorias difíceis de definir. De modo simplificado, podemos dizer que uma ideologia é uma espécie de lente através da qual o indivíduo enxerga e explica o funcionamento e as transformações do mundo social, político e econômico.

O contrário de “ideologia”, portanto, deveria ser o “pragmatismo”, ou seja, uma ausência de compromisso com quaisquer crenças ancestrais ou simpatias políticas.

Em defesa da comunicação pública e da EBC

Por Gésio Passos, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Após 30 anos de promulgação da Constituição, o capítulo dedicado à comunicação social continua longe de uma efetivação que reflita a batalha do campo progressista durante a Constituinte.

Importante recordar que o capítulo da Comunicação Social foi o único que não conseguiu ser colocado para votação nas subcomissões temáticas da Constituinte, sendo seu texto possível após um acordo na Comissão de Sistematização da Constituição que, mesmo favorável à bancada radiodifusora, trouxe importantes fundamentos para uma comunicação democrática.

As súplicas de Magno Malta por um ministério

Malta implora por uma boquinha ao “irmão” Bolsonaro
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Não que a concorrência não seja grande, mas Magno Malta é o emblema acabado do governo Bolsonaro.

Malta bajulou todos os presidentes, desde Lula. Essa é sua grande especialidade.

Quando não lhe interessa mais, solta o saco e embarca numa outra canoa.

A maneira como está implorando por um cargo a Jair Bolsonaro é de fazer corar qualquer cristão.

A filosofia de Fausto e a 'burocracia do PT'

Por Valter Pomar, em seu blog:

A Carta Capital publicou, no dia 7 de novembro de 2018, uma entrevista com Ruy Fasto.

A entrevista foi feita por Marina Gama Cubas e intitula-se “Burocracia do PT vive do mito Lula. Se houver sucessor, ela morre”.

Carta Capital informa que esta entrevista faz parte de uma série, publicada entre os dias 30 de outubro e 7 de novembro, para refletir sobre “a esquerda atual e suas perspectivas para o futuro”.

Fausto considera que a vitória de Jair Bolsonaro é “um verdadeiro desastre nacional”; “uma extrema-direita muito radical e extremamente perigosa chegou ao poder no Brasil”; “57 milhões e meio de brasileiros votaram num candidato que elogia não só a ditadura militar, mas a ala extremista dessa ditadura, aquela que se opunha a qualquer abertura mais o resto: racismo, homofobia etc”.

A reforma previdenciária de Paulo Guedes

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Há dois modelos de previdência pública:

- Repartição simples: aquele em que as contribuições dos empregados da ativa bancam a aposentadoria dos aposentados.

- Capitalização: no qual cada trabalhador tem uma conta individual, capitalizada para garantir a aposentadoria futura.

Mas não apenas isso. No caso da capitalização, há dois modelões de previdência:

Brasil de Bolsonaro: A casa caiu!

Por Hildegard Angel, no site Jornalistas Livres:

A Caixa Econômica já avisou que não assina mais nenhum contrato do programa Minha Casa Minha Vida este ano. É o Brasil Novo sem dó nem piedade.

A mídia corporativa faz cara de paisagem, como se não tivesse nada a ver com esse quadro de pré barbárie que estamos vivendo, de obscurantismo e patrulhamento ideológico e moral. Mas ela foi, e é, a principal responsável. Até porque foi ela que liderou, desde o início, essa campanha de ódio, que se disseminou como bactéria, causando um quadro de septicemia generalizada em nosso povo, dificultando e distorcendo sua percepção da realidade.

A legitimação do fascismo no Brasil

Por Lejeune Mirhan, no site da Fundação Maurício Grabois:

Dizer que esperávamos a vitória do fascismo nas eleições seria um erro. Muito ao contrário. Estávamos confiantes na virada, como apontavam todos os institutos de pesquisa, com a queda de Bolsonaro e a subida de Fernando Haddad. No entanto, a legitimação do fascista veio pelas urnas. Neste primeiro artigo sobre eleições, pretendo apenas apresentar dados numéricos sobre o resultado em si nas eleições presidenciais. Comentar sobre um tema que tenho introduzido na Sociologia que é a relação com a representatividade do eleito/a no conjunto dos eleitores inscritos. Ao final, algumas breves conclusões, tecendo comentários específicos sobre as formas de como um fascista ascende ao poder.


Bolsonaro vira piada na TV da Holanda

sábado, 10 de novembro de 2018

Silvio Santos sempre bajulou os ditadores

Por Altamiro Borges

O mercenário Silvio Santos, que confessadamente construiu seu império midiático graças ao apoio do regime militar, adora bajular os ditadores. Nesta terça-feira (6), o SBT, emissora privada que explora uma concessão pública, passou a exibir várias vinhetas com mensagens fascistoides e as cores da bandeira nos intervalos comerciais da sua programação. Na que repercutiu mais, o hino nacional é tocado enquanto é exibido um dos principais slogans da ditadura, “Brasil, ame-o ou deixe-o”, que foi a marca do governo sanguinário do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). A vinheta causou imediata indignação nas redes sociais e foi retirada do ar na mesma noite. Mas outras quatro com o mesmo conteúdo seguem na sua programação.

Os trabalhadores e as grandes mudanças

Por Clemente Ganz Lúcio, no site Brasil Debate:

Os paradigmas das três revoluções industriais que organizaram a vida moderna estão ficando no passado. Há novos modelos surgindo no cotidiano do mundo da produção e do consumo, o que tem alterado o universo do trabalho, os empregos, os salários, os direitos, a proteção trabalhista e social.

As empresas estão mudando de propriedade e de função econômica, priorizando o resultado financeiro. Os estados perdem importância relativa para as empresas multinacionais e grupos econômicos e estes, gradativamente, passam a controlar as escolhas e os destinos das nações. A produção amplia a capacidade de gerar riqueza, mas, de outro lado, os institutos distributivos (organizações e regras) são enfraquecidos, o que faz com que as desigualdades cresçam.

Um chamado para a resistência

Por Marcelo Barros, no jornal Brasil de Fato:

O fato de que, em pleno século XXI, em um país como o Brasil, a maioria do povo possa ter votado em um projeto de governo representado por Jair Bolsonaro, merece estudos e reflexões que não se esgotarão em poucos dias, ou em algumas páginas de artigos. Sem dúvida, se o discurso de ódio e intolerância de um homem como o vencedor dessas eleições foi capaz de germinar e frutificar em uma população tão diversificada é porque o vírus já estava incubado no coração das pessoas e dos grupos sociais. Ele só aproveitou a ocasião propícia para fazer aflorar a revolta sem rumo das massas e conciliá-la com os interesses da elite escravagista.

Bolsonaro é Temer e vice-versa

Por Ana Luíza Matos de Oliveira, no site da Fundação Perseu Abramo:

Em 2015, a Fundação Ulysses Guimarães e o MDB lançaram o documento "Ponte para o Futuro", uma espécie de plano de governo (fora de período eleitoral), para sacramentar o compromisso de Temer com o programa neoliberal do ajuste fiscal. No documento, são apontadas diversas medidas que submetem todos os objetivos de política econômica à política fiscal. Previa-se o corte de direitos com uma reforma trabalhista (nos moldes da já realizada), um forte arrocho dos gastos sociais (nos moldes do já realizado pela Emenda Constitucional 95) e uma reforma da previdência draconiana (ainda em debate).

As demolições de Bolsonaro

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Se até o Ministério do Trabalho será esquartejado, embora responda por tantas atividades relacionadas ao emprego, gerindo fundos como o FGTS e o FAT e fiscalizando delitos trabalhistas, não há dúvida de que Bolsonaro levará adiante o plano, anunciado no fechar das urnas, de acabar com a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC.

Transpareceu no anúncio sobre o ministério o desejo de castigar as centrais sindicais que não apoiaram Bolsonaro.

A EBC também pode ser extinta pelo capricho revanchista de acabar com uma iniciativa do governo Lula.

Dois Projetos para o Brasil

Por Samuel Pinheiro Guimarães

1. Dois projetos para o Brasil se confrontam desde 1930, se alternaram no Poder desde então, se confrontaram no dia 28 de outubro de 2018 e continuarão a se confrontar após o dia 28, data em que Jair Bolsonaro foi eleito Presidente da República.

2. O primeiro, é o projeto do “Mercado”. É o projeto dos muito ricos, dos megainvestidores, das empresas estrangeiras, dos rentistas, dos grandes ruralistas, dos proprietários dos meios de comunicação de massa, dos grandes empresários, dos grandes banqueiros, e de seus representantes na política, na mídia e na academia. É o projeto de uma ínfima minoria do povo brasileiro.

3. Cerca de 30 milhões de brasileiros apresentam declaração de renda anual onde revelam ter rendimento superior a dois salários mínimos, cerca de 250 dólares por mês. Portanto, dos 150 milhões de brasileiros eleitores, 120 ganham menos de dois salários mínimos por mês.

Bolsonaro desdenha da questão ambiental


O atual quadro de crescimento de mortes em decorrência da intoxicação por agrotóxicos, que faz uma vítima a cada dois dias e meio no Brasil segundo dados do Ministério da Saúde, poderá ser agravado diante das políticas planejadas pelo futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). A análise é da pesquisadora do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombarbi, que vê na nomeação da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura a confirmação de uma "tragédia anunciada".

Pré-sal e o desmonte da educação e saúde

Editorial do site Vermelho:

A riqueza do pré-sal é gigantesca. Segundo cálculos de 2016, é formada por algo entre 80 e 150 bilhões de barris de petróleo; na cotação atual do barril de petróleo (cerca de 80 dólares), isto significa, num cálculo a partir da estimativa mais baixa, algo em torno de 6,56 trilhões de dólares. Considerando-se que o PIB brasileiro hoje alcança cerca de 2,056 trilhões de dólares, o valor de riqueza encontrada no fundo do oceano é três vezes maior produção nacional total.

Bolsonaro, o maestro da violência

Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

Grande parte dos eleitores votou, em 8 de outubro, contra Jair Bolsonaro. Ele venceu no segundo turno. Poucos brasileiros, os que ganharam e os que perderam, talvez desconheçam o perfil humano do próximo presidente. Pessoa quase desalmada. A cada dia todos vão conhecê-lo melhor.

É um político de extrema-direita. Que seja. Sobre ele, o que importa neste caso, é uma marca assustadora. Bolsonaro é implacavelmente violento. A bandeira dele, por exemplo, será certamente a de impor mais violência para enfrentar a violência. Para isto propõe a liberação da compra de armas de fogo pelos cidadãos. Um faroeste brasileiro.

Bolsonaro paralisará o governo apos posse

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Ou o capitão reformado Jair Bolsonaro não esperava ganhar as eleições ou é um político irresponsável.

Nesses primeiros dez dias após a vitória, o presidente eleito já deu suficientes demonstrações de total despreparo e de falta de um programa de governo.

Atirando balas perdidas para todo lado, Bolsonaro já deixou claro, para quem ainda tinha alguma dúvida, que não tem a menor ideia de como vai governar este país de 208 milhões de habitantes e 12,5 milhões de desempregados.

Bolsonaro ainda é um ponto de interrogação

Por Roberto Requião, no site Carta Maior:

A sociedade brasileira saiu das últimas eleições tão confusa quanto entrou. A campanha foi pobre em termos políticos. A polarização se deu, em muitos casos, em termos de comportamento individual, e não de propostas fundamentais. Nesse aspecto, não houve grandes diferenças entre os candidatos. O tema da corrupção sequestrou o debate. É curioso, mas a poucos ocorreu que corrupção é um tema da polícia e da Justiça, não de Presidência da República. O presidente da República é aquele que traça os grandes rumos do país, a grande estratégia, e não alguém que sai por aí a caçar corruptos. Ele tem mais a fazer.

Fascismo, teu novo nome é Consumismo

Por Fran Alavina, no site Outras Palavras:

Mesmo após sua morte atroz, em novembro de 1975, Pasolini não deixou de incomodar. Uma de suas últimas polêmicas, expressa nos seus textos (Scritti Corsari e Letterre Luterane), bem como no seu último filme Salò, era a afirmação do nascimento de um novo tipo de fascismo. Desta nova forma de totalitarismo disfarçado, o pensador italiano estava bem certo. Exatamente por isso, ocupava uma posição de deslocamento entre os intelectuais de seu tempo. Os contemporâneos viam seu diagnóstico do presente como algo exagerado. Uma visão que, segundo eles, diria muito mais sobre a personalidade de Pasolini, do que sobre seu próprio tempo.

O ‘topa tudo por dinheiro’ de Silvio Santos

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Já saíram do ar, tão subitamente como entraram, as esdrúxulas vinhetas do SBT com evocações aos tempos da ditadura militar.

Montagens grotescas, feitas em cima da perna, desenterrando Don & Ravel, “O Cisne Branco” e o que a gurizada traduzia como “Japonês tem Quatro Filhos”, mandadas fazer pessoalmente por Sílvio Santos e sugerindo o tradicional “ame-o ou deixe-o”.

Sílvio, como se sabe, já nos deixou e mora na Flórida.

A mídia e a imbecilização da nação

Por Adilson Filho, no blog Viomundo:

Cultivar a ignorância como valor social, será essa a contribuição do Brasil recém-saído das urnas para o mundo?

Pior do que a inclinação para se manter afastado do conhecimento e de ostentar a própria burrice por aí, crente que ‘tá abafando’, é a impossibilidade crônica que esse novo perfil nacional tem de pensar por si mesmo.

O nosso tipo de burrice não encontra paralelo.

Não toquem nas reservas internacionais

Por Mauro Santayana, em seu blog:

Depois de o governo Temer ter detonado com mais de 200 bilhões de reais deixados pelo governo Dilma nos cofres do BNDES, criminosamente esterilizados com sua devolução “antecipada” ao Tesouro - quando havia um prazo de 30 anos para serem pagos - no lugar de tê-los
investido em infraestrutura para a a geração de renda e emprego e a retomada de obras paralisadas - muitas dela pela justiça- chegou a hora do Presidente do Itaú, banco que lucrou mais de 20 bilhões de reais neste ano, propor a “saudável” diminuição das reservas internacionais do país - também economizadas pelo PT - para “diminuir” a dívida pública brasileira, que já é das mais baixas entre as 10 maiores economias do mundo.

O purgatório bolsonariano

Por Wanderley Guilherme dos Santos, no blog Cafezinho:

Transpondo a linguagem truculenta de ideias do século XIX para o reacionarismo megalomaníaco do século XXI, o candidato eleito projeta um governo de ocupação em guerra contra o século XX.

Depois da Segunda Guerra Mundial começou a derrubada de preconceitos contra o voto feminino, a proteção ao trabalho, organizações sindicais, o pluralismo político-partidário, a laicidade do Estado.

Pelo fim do século, a crescente participação extraparlamentar de movimentos em defesa de minorias raciais, religiosas, do meio ambiente, da universalização dos direitos civis, da equiparação profissional entre mulheres e homens, conquistaram legitimidade e proteção constitucional.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Mulheres ganham espaço na Câmara dos EUA

Ilhan Omar. eleita pelo Partido Democrata. EFE/Archivo
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

A eleição para o Congresso dos EUA é mais um indício do protagonismo que as mulheres terão na luta contra o fascismo em ascensão no mundo. As novas vozes progressistas ganharam espaço sobretudo na Câmara dos Deputados, como ocorreu no Brasil em 2018: negras, indígenas, latinas e muçulmanas foram eleitas, e a imprensa norte-americana já fala em uma vitória histórica das minorias. Haverá mais mulheres na Câmara (mais de 100) na próxima legislatura do que nunca. Pelo menos 87 delas são democratas.

Fake News seguirão pautando as eleições

Por Victor Amatucci, no blog Diário do Centro do Mundo:

Metade dos eleitores que usam o WhatsApp dizem acreditar nas notícias que recebem pelo aplicativo, segundo pesquisa do Datafolha. O levantamento foi feito nos dias 24 e 25 de outubro de 2018, véspera do 2º turno das eleições no Brasil.

O fenômeno das Fake News – notícias falsas com linguagem jornalística – ficou amplamente conhecido com a eleição de Donald Trump em 2016 .

O uso dos metadados pela Cambridge Analytica para construir o perfil dos eleitores americanos foi a base para a produção das notícias falsas. A construção baseada num perfil psicossocial tem muito mais poder de convencimento que qualquer credibilidade de um veículo de imprensa.

Ódio e Humanidade real: fascismo em alta

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

O Presidente FHC disse esta semana que findou, em Portugal, que “ainda não sabe” se Bolsonaro é de extrema direita. Ciro Gomes manifestou, logo depois do resultado eleitoral, que não admite mais “fazer campanhas eleitorais ao lado do PT”. Magno Malta pode ser “Ministro da Família” e Moro estará ao lado do Presidente eleito como Super ministro. Até aqui são contingências da política – más ou boas – que podem ser criticadas ou apoiadas, dentro de uma certa relação com a democracia e que permitem que os seus protagonistas possam mudar ou não de posição, no curso dos contenciosos ordinários da democracia e assim serem julgados, politicamente, pelos seus aliados ou adversários.

Werneck Sodré e o povo brasileiro

Nelson Werneck Sodré
Por Augusto C. Buonicore, no site da Fundação Mauricio Grabois:

Neste artigo não pretendemos fazer uma exaustiva análise da rica obra do historiador comunista Nelson Werneck Sodré, e sim analisar um único texto: Quem é o povo no Brasil? Essa escolha nos parece óbvia, pois nele o autor expõe de maneira mais clara, até didática, o seu conceito de povo brasileiro. Dentro da velha e respeitável tradição marxista e leninista, abordada no artigo anterior, ele escreveu o seu pequeno ensaio, publicado na coleção Cadernos do Povo Brasileiro, da Editora Civilização Brasileira. Posteriormente, o texto foi incorporado à segunda edição de Introdução à Revolução Brasileira (1963).


Moro cospe na Constituição e STF se cala

Por Jeferson Miola, em seu blog:

O artigo 95 da Constituição do Brasil é claro: juiz é juiz – e ponto. Mesmo em férias, juiz continua sendo juiz. Juiz só deixa de ser juiz depois de exonerado do cargo.

Ninguém pode ser juiz e agente político-partidário ao mesmo tempo. A Constituição não deixa nenhuma sombra de dúvida: para o bem da República, da democracia e do Estado de Direito, justiça e política não se misturam e não se confundem:

“Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:

[…]

A sobrevivência da democracia

Por Jandira Feghali

Em 5 de outubro de 1988, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães proferiu histórico discurso em sessão de promulgação da Carta Magna. Naquele dia, ele afirmou que “a Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa, ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito: rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio, o cemitério. A persistência da Constituição é a sobrevivência da democracia”. Nada mais emblemático.

Edir Macedo e as demissões na TV Gazeta

Por Altamiro Borges

Nesta segunda-feira (5), a Fundação Cásper Líbero demitiu cerca de 80 funcionários, metade deles da TV Gazeta. Em uma nota lacônica, ela afirmou tratar-se de “reestruturação interna com o objetivo de equalizar as despesas à realidade das receitas do momento”, e culpou “a situação macroeconômica, com forte retração no mercado publicitário” pelo doloroso facão. É certo que a recessão – e a própria crise do modelo de negócios da mídia tradicional – contribuiu para os cortes. Mas há boatos de que as dispensas também já refletem as trevas de Jair Bolsonaro. O bispo “charlatão” Edir Macedo, dono da Record, poderia estar por traz das demissões.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ronaldinho não será ministro dos Esportes

Por Altamiro Borges

Com forte exposição midiática e muita grana e ostentação, alguns atletas têm se arriscado no mundo da política, geralmente com posições de direita. Nas eleições de 2014, por exemplo, o “fenômeno” Ronaldo – o “Ronalducho”, segundo o apelido cunhado pelo corrosivo José Simão – foi o destaque. Ele apoiou ativamente o cambaleante Aécio Neves. Após a carreira do tucano ter virado pó, o ex-craque da seleção brasileira se disse decepcionado e sumiu de campo. Quem o substituiu no pleito deste ano foi Ronaldinho Gaúcho, que chegou a anunciar sua candidatura ao Senado e o apoio a Jair Bolsonaro. Na véspera da eleição, o jogador postou nas redes sociais uma foto vestindo a camiseta amarela da “ética” CBF com o número 17 em alusão ao postulante neofascista.

O governo errante de Jair Bolsonaro

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Com recuos e declarações contraditórias, a cada dia como presidente eleito Jair Bolsonaro faz aumentar as dúvidas sobre o que de fato pensa acerca de questões fundamentais e sobre como vai realmente governar o Brasil.

A maior delas é sobre como será construída a governabilidade, a maioria parlamentar, tendo o PSL conquistado apenas 10% das cadeiras na Câmara.

O futuro superministro Paulo Guedes defendeu ontem “uma prensa” no atual Congresso para aprovar a reforma previdenciária de Temer ainda este ano.

'Musa do veneno' será ministra da Agricultura

Por Cida de Oliveira, na Rede Brasil Atual:

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) anunciou na noite de ontem (7) a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura. Primeira mulher escolhida para compor o primeiro escalão do governo que toma posse em 1º de janeiro, ela recebeu o apelido de Musa do Veneno pelos próprios ruralistas quando em maio promoveu festa para comemorar a aprovação, em comissão especial, do chamado Pacote do Veneno, projeto que revoga a atual Lei dos Agrotóxicos.

Somos muitos, podemos ser fortes

Por Silvio Caccia Bava, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Cinquenta e oito milhões de brasileiros e brasileiras elegeram Jair Bolsonaro presidente da República. Isso representa 39% do total de 147 milhões de pessoas aptas a votar. Temos então que 89 milhões de brasileiros e brasileiras, ou 61% dos eleitores, não votaram nele. Destes que não votaram em Bolsonaro, 47 milhões votaram em Haddad; quase 30 milhões não compareceram às urnas; votos brancos e nulos somaram 14 milhões de eleitores. Está dada uma ampla base potencial para a organização de um bloco de defesa da democracia e dos direitos sociais, configurando a possibilidade de criação de uma forte oposição política ao governante eleito.