terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Governo, mídia e fake news da Previdência

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

Se para Nelson Rodrigues "toda unanimidade é burra", caberia então questionar o circulo de ferro atualmente armado nos meios de comunicação para reproduzir, insistente e convergentemente, por comentaristas e porta-vozes do dinheiro, que no Brasil a Previdência social seria fiscalmente insustentável e promotor da desigualdade social. A começar pelo fato de que o país, desde a Constituição Federal de 1988, implementou outro regime de aposentadoria e pensão que não poderia ser simplificado no conceito de Previdência Social, como predominou entre os anos de 1923 e 1987.

A quem interessa a intervenção na Venezuela?

Por Gleisi Hoffmann, no site da Fundação Perseu Abramo:

Acabo de voltar da Venezuela, onde participei, como presidenta do PT e a convite do governo eleito, das solenidades de posse do presidente Nicolás Maduro. Não me surpreendi com os ataques e reações por parte de quem não compreende princípios como autodeterminação e soberania popular; quem não reconhece que partidos e governos de diferentes países possam dialogar respeitosamente.

Por várias razões, os problemas internos da Venezuela, econômicos, sociais e políticos, têm sido motivo de pressões externas indevidas, que só agravam a situação interna. Mas a posse de Maduro em seu segundo mandato desatou um movimento coordenado de intervenção sobre a Venezuela, patrocinado pelo governo dos Estados Unidos e referendado por governos de direita na América Latina, entre os quais se destaca, pela vergonhosa subserviência a Donald Trump, o de Jair Bolsonaro.

Firehosing: arte de mentir dos bolsonaristas

Por Renan Borges Simão, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

No fim de novembro, as visualizações do vídeo “Por que mentiras óbvias geram ótima propaganda”, do site Vox, passaram de 1 milhão. Baseando-se no artigo “The Russian ‘Firehose of Falsehood’ Propaganda Model” (2016), do think tanknorte-americano Rand Corporation, a peça aponta quatro aspectos principais da propaganda russa: 1) alto volume de conteúdo; 2) produção rápida, contínua e repetitiva; 3) sem comprometimento com a realidade; e 4) sem consistência entre o que se diz entre um discurso e outro. Essencialmente, isso é o firehosing (fluxo de uma mangueira de incêndio).

O jornalismo independente na era Bolsonaro

Do blog Socialista Morena:

Estamos começando 2019 e, como todos os anos, o site publica um texto falando sobre suas previsões e planos para o ano que se inicia. Bem, pelo menos costumava ser assim até o extremista de direita Jair Bolsonaro se tornar presidente. Ao contrário dos anos anteriores, iniciamos este com mais angústias do que certezas. Sabemos que uma ditadura militar, desta vez eleita pelo povo, tomou o poder. Os jornalistas sofreram censura, perseguições, torturas, mortes e exílio na outra ditadura. Sobreviveremos incólumes a esta?

Os militares e a reforma da Previdência

Por Miguel Enriquez, no blog Diário do Centro do Mundo:

“Farinha pouca, meu pirão primeiro”, reza um velho dito popular. Pouco utilizado hoje em dia, o ditado ganha vida nova para definir à perfeição a postura dos militares brasileiros diante da polêmica proposta de reforma da Previdência, definida por 10 entre 10 integrantes do novo governo e seus apoiadores da mídia corporativa e do chamado mercado, como o fator decisivo para recuperar a economia e recolocar o País na rota do crescimento.

Crise na fronteira dos EUA. Muro só complica!

Por John Washington, no site The Intercept-Brasil:

Na noite de terça-feira (8), o presidente dos EUA, Donald Trump, usou seu primeiro pronunciamento na Salão Oval para falar à nação sobre uma “crise do coração, uma crise da alma” na fronteira do sul do país. A solução que Trump propõe é um “muro”, e ele está ameaçando manter o governo paralisado até obter os mais de 5 bilhões de dólares necessários para construí-lo. Ele talvez esteja certo quando diz que há uma crise. Só que não é a da sua imaginação delirante, mas o oposto: o problema são as políticas do sistema de imigração americano e os poderosos – inclusive o próprio Trump – que pressionam para aprofundar os piores excessos da legislação. Nunca se resolveu uma “crise do coração” com barras de aço. O “muro” só irá piorar a situação.

A era da manipulação escancarada

Por George Monbiot, no site Outras Palavras:

Até que ponto decidimos com autonomia? Pensamos escolher o sentido de nossa própria vida – mas será que isso é verdade? Se você ou eu tivéssemos vivido 500 anos atrás, nossa visão de mundo, e as decisões tomadas em decorrência dela, seriam totalmente diferentes. Nossas mentes são formadas pelo ambiente social, particularmente pelos sistemas de crenças projetados por aqueles que estão no poder: antes, reis, aristocratas e teólogos; agora, corporações, bilionários e a mídia.

CNN Brasil é o cavalo de troia contra Globo?

Edir Macedo e Douglas Tavolaro
Por Renato Rovai, em seu blog:

A notícia de ontem que passou despercebida por muita gente foi o anúncio de que a CNN terá uma operação brasileira. O empresário Rubens Menin, fundador e presidente do conselho da construtora MRV, é apontado como o grande investidor. Mas a empresa terá Douglas Tavolaro, ex-vice presidente de jornalismo da Rede Record, como presidente.

Tavolaro é jornalista, tem 42 anos, mas o que importa para entender melhor essa notícia é que ele é o autor da biografia de Edir Macedo, e também sobrinho dele.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Coletânea de pérolas de Olavo de Carvalho

Bolsonaro humilha jornalistas; pode piorar

Por Gustavo Freire Barbosa, na revista CartaCapital:

Em novembro do ano passado, Mario Magalhães avisou: está claro que Jair Bolsonaro iniciará uma cruzada contra a imprensa [1]. A hostilidade com que tratou os meios de comunicação durante e após a campanha seria uma preliminar da relação do seu governo com as redações. “Preservar o espírito crítico onde ele não se apagou será um dos maiores desafios do jornalismo e da democracia daqui por diante”, concluiu o autor da biografia “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo”.

Toffoli avaliza o “liberou geral” às armas

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O dócil presidente do STF, Dias Toffoli, sugere hoje em O Globo que não vai acolher ações contra a liberação da posse de armas de fogo.

Está “fora de moda” o artigo da Lei Orgânica da Magistratura que proibia os magistrados de "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem”.

Neste caso específico, o fato de a lei prever que o aspirante a ter uma arma deverá “declarar a efetiva necessidade” já leva a ideia que esta necessidade será algo a ser judicialmente determinado e não apenas uma formalidade declaratória.

Aula prática de como fazer uma fake news

Do blog Nocaute:

Passo 1:

Recorte uma foto do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica andando no modesto sítio em que vive em Montevidéu:



Passo 2:

Escolha ao acaso uma foto de pessoas anônimas andando nas ruas de Nova York:


Plágio e paranoia no Inep de Bolsonaro

Murilo Resende Ferreira
Do Jornal GGN:

Uma das fontes de inspiração do novo diretor de Avaliação de Ensino Básico do Inep, Murilo Resende Ferreira, foi também referência intelectual de Anders Breivik, terrorista que, em julho de 2011, foi o autor do maior ataque em solo norueguês desde a Segunda Guerra Mundial.

Breivik planejou a explosão de um carro-bomba, em Oslo, e um atentado contra jovens do Partido Trabalhista norueguês, que participavam de um encontro na ilha de Utoya, matando 77 pessoas e ferindo mais de cinquenta. Um dos mentores intelectuais do terrorista é Michael Minnicino, norte-americano de extrema-direita autor da teoria conspiratória 'Marxismo cultural', o mesmo escritor que o novo coordenador do Enem é acusado de plagiar.

Antipetismo como ideologia de poder

Por Jeferson Miola, em seu blog:

“Nós não podemos errar. Se nós errarmos, os senhores bem sabem quem poderá voltar. E as pessoas de bem, que foi a maioria que acreditou naquilo que nós pregamos nos últimos anos [racismo, violência, ódio, autoritarismo e preconceitos] não poderá se decepcionar conosco” - Bolsonaro, em 7/1/2019, na posse dos presidentes do BNDES, BB e CEF.

“Se eu errar, o PT volta” - Bolsonaro, em 2/11/2018, em entrevista.


“Nós ainda só somos uma democracia e um país com liberdade graças às Forças Armadas. Nós somos o último obstáculo para o socialismo. Se envergarem a nossa coluna, tristeza virá sobre todos nós e nós não queremos isso” - Bolsonaro, em 25/12/2018, em entrevista.

Ao discursar na cerimônia de transmissão do comando do Exército que Bolsonaro “libertou” o país “das amarras ideológicas”, Villas Bôas não pretendeu anunciar o fim das ideologias.

Venezuela: Maduro, até o fim

Por Leandro Fortes, em sua página no Facebook:

Eu juro que queria ter essas certezas absolutas que leio em toda parte sobre a tal ditadura de Nicolás Maduro, mas não tenho. E por uma razão bem simples: são todas enviesadas, tanto pela direita que o odeia como pela esquerda que o inveja.

O fato é que Maduro, apesar de ser atacado pelos Estados Unidos sem intermediários, está de pé. A Venezuela não se dobrou, nem mesmo fustigada por uma crise econômica devastadora, com as consequências sociais que todos testemunhamos.

Os perigos da capitalização da Previdência

Por Sergio Luiz Leite (Serginho), no site Vermelho:

Após tomar posse, o governo de Jair Bolsonaro está empenhado agora em conseguir que o Congresso vote as reformas consideradas prioritárias para a economia, como a da Previdência. De acordo com informações que têm sido amplamente divulgadas, o texto, que deve ser enviado até fevereiro ao Congresso, inclui mudanças como um regime de capitalização, proposta que pode retirar de R$ 689 bilhões a 1,47 trilhões dos trabalhadores, aposentados e pensionistas, e transferir – parte ou a totalidade do montante – para o sistema financeiro!

Oposições projetam a resistência em 2019

Parlamentares contrários à censura na sala de aula (dir.) protestam
durante sessão do projeto "Escola Sem Partido"
Foto: Lula Marques/PT na Câmara
Por Cristiane Sampaio, no jornal Brasil de Fato:

Parlamentares de oposição no Congresso Nacional e organizações do campo popular se preparam para lidar com o conjunto de pautas que vem a reboque do governo de Jair Bolsonaro (PSL), eleito em outubro de 2018.

Uma das promessas para o primeiro semestre é o resgate do Projeto de Lei (PL) 7180/2014, conhecido como “Escola sem Partido”. A proposta é fortemente criticada por professores, especialistas e entidades da sociedade civil porque impõe restrições aos educadores, impedindo, por exemplo, conteúdos sobre questões de gênero e educação sexual em sala de aula. Por esse motivo, ela foi apelidada pelos opositores de “Lei da Mordaça”.

Bolsonaro banaliza agressão contra mulher

Por Débora Fogliatto, no site Sul-21:

Na primeira semana de 2019, foram registrados pelo menos 21 casos e 11 tentativas de feminicídio no Brasil. Como geralmente ocorre nesse tipo de crime, na maioria deles o agressor mantinha alguma relação com a vítima, seja como marido, namorado ou ex-namorado. Apenas em dezembro do ano passado, o Ligue 180 registrou denúncias de 391 mulheres agredidas por dia no Brasil.

Ao mesmo tempo em que os números são alarmantes, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta quarta-feira (9) que retiraria a pauta da igualdade entre homens e mulheres e do combate à violência contra a mulher dos livros didáticos. Após pressão popular, o Ministério da Educação voltou atrás e cancelou a portaria que determinava as alterações nas regras para o material.

Bolsonaro e o sono da razão

Por Liszt Vieira, no site Carta Maior:

A quadrilha de ministros mega corruptos do governo Temer cedeu lugar a um bando de doidos de extrema direita, com mentalidade pré-moderna e anti-científica. São fundamentalistas que preferem a crença à razão. Mas não se trata de um hospício com doidos do tipo maluco beleza. Sabem o que fazem e a quem vão servir.

Há, portanto, um método nessa loucura, como dizia o personagem Polonius a respeito de Hamlet, na famosa peça de Shakespeare. Antes, porém, de examinar os beneficiários do novo governo, vale a pena repassar as demonstrações de loucura já alardeadas para todo o país.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Caixa corta apoio ao futebol. Chora babaca!

Charge: Dorinho
Por Altamiro Borges

Uma cena lamentável que marcou o futebol brasileiro no final do ano passado foi a presença de Jair Bolsonaro na entrega do título de campeão da Série A à Sociedade Esportiva Palmeiras. O oportunista, que já trajou as camisetas de vários times, foi bajulado por atletas que são sua imagem e semelhança – como o violento Felipe Melo e o autoritário Luiz Felipe Scolari. Estes e outros ricaços do futebol nativo, que fizeram campanha do fascista repetindo o gesto de arma, agora devem estar preocupados. Na semana passada, a direção privatista da Caixa Econômica Federal confirmou que cortará os patrocínios para os times do Brasileirão.

Mídia acoberta contas de Serra na Suíça

Por Altamiro Borges

Na quinta-feira passada (10), a Justiça da Suíça finalmente autorizou o envio de informações bancárias ao Brasil para compor a investigação sobre os repasses às campanhas do PSDB e do senador José Serra por meio de instituições financeiras locais. A decisão ocorre após os suíços rejeitarem recurso que pedia a suspensão da cooperação entre as procuradorias dos dois países sob a desculpa da “prescrição das denúncias”. O envio dos dados pode complicar de vez a vida do grão-tucano, que anda meio desaparecido do noticiário, e do seu decadente partido. O curioso é que a mídia falsamente moralista, que adora promover a escandalização da política, preferiu acobertar a decisão. O assunto não foi destaque, por exemplo, no Jornal Nacional da TV Globo.

Battisti e a tática manjada de Bolsonaro

Por Altamiro Borges

A tática diversionista de Jair Bolsonaro, dos seus filhotes mimados e dos fanáticos bolsonaristas que envenenam as redes sociais já está ficando manjada. Sempre que surgem notícias ruins sobre o capetão-presidente e o seu desgoverno, que mais se parece uma zorra total, eles saem disparando tuítes com outros assuntos para enganar os otários e para manter a moral da tropa fascistoide elevada. Neste sábado (12), a malandragem voltou a se repetir. Jair Bolsonaro e seu exército de guerrilheiros virtuais tomaram a internet para festejar a prisão de Cesare Battisti, ocorrida na Bolívia. Em tom belicoso e provocador, eles atacaram as forças de esquerda e o ex-presidente Lula, que concedeu refúgio político ao italiano.

Joly Júnior, o bolsonarista ameaçador

Por Juca Kfoury, em seu blog:

O valentão abaixo escreve para o blog com o pseudônimo “JConselheiro” e usa o email da esposa.

Seu nome é José Emílio Joly Júnior.

Mora em Curitiba e é corretor de imóveis da “Executivo Imobiliário”.



Bolsonaro tem espécie de amor pela guerra

Do Blog do Renato:

Empossado para mais quatro anos como governador Maranhão, Flávio Dino (PC do B) prevê um ciclo de baixo crescimento econômico e dificuldades para os estados.

À frente de um dos estados mais pobre do país, diz que buscará uma relação institucional respeitosa com o presidente Jair Bolsonaro, mesmo lhe fazendo oposição.

Por outro lado, critica a “lógica de confrontos eternos” de Bolsonaro e seus ministros: “É como se fosse um amor pela guerra”.

Caso Queiroz respinga na imagem do Einstein

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O caso Queiroz respingou na reputação do Einstein, um dos hospitais mais respeitados - e caros - do Brasil.

Em novo vídeo divulgado pela família, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro diz que a gravação da dancinha aconteceu porque ele quis dar “cinco segundos de alegria a uma tristeza que se tomava (sic) dentro da enfermaria”.

Para um convalescente, aparece com a voz firme, forte, sem qualquer sinal de debilidade.

Declara-se revoltado com a circulação das imagens.

Encontramos os carros do Queiroz

Por Cecília Olliveira e Tatiana Dias, no site The Intercept-Brasil:

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, se define como “um cara de negócios”. Além de seu salário de R$ 23 mil, ele diz que faz dinheiro comprando e revendendo carros. “Sempre fui assim. Comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia”, corado e bem humorado, em entrevista bastante dócil ao SBT em dezembro – a primeira desde que estourou o escândalo sobre uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, que incluiu um cheque de R$ 24 mil à primeira dama Michelle Bolsonaro.

OK, Google: deflagre a III Guerra Mundial

Por Michal T. Klare, no site Outras Palavras:

Nada é mais certo de que o lançamento de armas atômicas poderia provocar um holocausto nuclear. O presidente norte-americano John F. Kennedy deparou-se com tal momento durante a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962. Depois de pressentir o resultado catastrófico de um confronto nuclear entre EUA e União Soviética, ele chegou à conclusão que as potências atômicas deveriam impor barreiras ao uso precipitado uso de tal armamento. Entre as medidas, ele e outros líderes globais adotaram diretrizes, requerendo que funcionários de alto nível, não apenas militares, tivessem um papel em qualquer decisão de lançamento de armas atômicas.

Dança de Queiroz custará caro a Bolsonaro

Por Renato Rovai, em seu blog:

Em política, como na vida, os mais experientes não abusam da sorte quando tudo parece estar dando certo. Porque sabem, em primeiro lugar, que o vento muda. Que as coisas são mais complexas do que parecem. E que aquilo que você gasta ou de capital econômico ou político nos tempos gordos, pode fazer falta nas vacas magras.

Como estamos num momento muito cristão da sociedade, vou recorrer à bíblia. Mais precisamente ao velho testamento.

Brasil: o desenvolvimento interditado

Por João P. Romero, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

O reconhecimento da importância da atividade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e da inovação para o desenvolvimento é um dos raros consensos em economia. Embora haja discordância a respeito dos fatores que determinam o nível de P&D em cada país, há evidências robustas a respeito do impacto positivo da intensidade de pesquisa (P&D em relação ao PIB) sobre o crescimento da produtividade. Além disso, há também amplas evidências a respeito do papel crucial da competitividade tecnológica na performance de cada país no comércio internacional. Dessa forma, o que se observa é que países desenvolvidos em geral têm maior intensidade de pesquisa que países subdesenvolvidos, apresentando também melhor desempenho comercial. Enquanto países como EUA, Alemanha e Japão investem em torno de 3% do PIB em P&D, Argentina, Índia e África do Sul, por outro lado, investem menos de 1%.



O "amigo" de Bolsonaro na Petrobras

Por Thais Reis Oliveira, na revista CartaCapital:

Em meio às polêmicas em torno da promoção do filho de seu vice no Banco do Brasil e de uma nomeação desastrada na Apex, o presidente Jair Bolsonaro vem sustentando outra ascensão controversa. Dessa vez, ele indicou um amigo pessoal para um cargo de alta gerência na Petrobras.

O problema é que seu apadrinhado não atende aos critérios internos da empresa para ocupar o posto, que paga um salário mensal na casa dos 50 mil reais.

Conforme o próprio Bolsonaro anunciou na quinta-feira 10, seu amigo Carlos Victor Guerra Nagem foi indicado por ele à gerência-executiva de Inteligência e Segurança Corporativa (ISC), setor ligado diretamente à Presidência da empresa.

O dilema do 'bobo' da corte da direita

Charge: Aroeira
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Oito dias “fora do ar”, olhando de longe as notícias, escapei de comentar as presepadas da semana do – vá lá o exercício de boa-vontade – governo Jair Bolsonaro.

A nítida impressão que se tem é a de que dois núcleos se esforçam para manter o presidente “dentro da casinha” e fazê-lo (e aos filhos e siderados que acompanham a família) se convencerem que podem tudo, menos arranjar problemas para o processo de liquidação da soberania nacional e dos direitos sociais.

Terras indígenas nas mãos dos ruralistas

Charge: Stephff/Tailândia
Por Alexandre Guerra, no site da Fundação Perseu Abramo:

Ao assumir a Presidência da República, Jair Bolsonaro assinou uma Medida Provisória (MP) no primeiro dia de 2019. No que se refere aos povos indígenas e quilombolas, o artigo 21 da MP traz mudanças relevantes ao alocar as funções de demarcação de terras indígenas e titulação de quilombos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Anteriormente, a demarcação era responsabilidade do Ministério da Justiça, e a titulação de quilombolas era função da Casa Civil.

sábado, 12 de janeiro de 2019

O filho de Mourão e a meritocracia fascista

Por Altamiro Borges

Os fanáticos seguidores de Jair Bolsonaro, que adoram berrar “em defesa da família” e da “meritocracia”, entraram em pane nesta semana. Em meio à zorra total que tomou conta do bordel governista, com muito fogo amigo sendo disparado, vazou a notícia de que o filho do general Hamilton Mourão, vice-presidente da República Bolsonazista, foi promovido para uma “assessoria especial” no Banco do Brasil e teve o seu salário triplicado – pulando para R$ 36,3 mil. Até os fascistinhas mirins do Movimento Brasil Livre (MBL) ficaram preocupados com a revelação, que arranha a popularidade de Jair Bolsonaro e coloca em risco o seu programa ultraliberal de governo. Em vídeo postado na internet, Renan Santos, coordenador da seita, sugeriu que a medida fosse suspensa.

General Villas Bôas, o nome do golpe

Por Manuel Domingos Neto

Quem pensa em poder, ou pensa na força ou devaneia. Estado é força que se exerce sobre a sociedade.

O militar sempre foi peça chave aqui ou em qualquer lugar.

No Brasil, a força está essencialmente no Exército. O restante do aparato o acompanha, nem sempre concordando com tudo.

Assim, na República, o cargo decisivo é o de comandante do Exército.

A hipocrisia dos jornalistas golpistas

Por Lula Marques, no site Jornalistas Livres:

1. Achei que vocês começariam a fazer jornalismo depois do cárcere privado e da ameaça de levar tiro se não respeitassem as regras impostas pelo governo ditador no dia da posse, além da falta de respeito dos amadores que assumiram a comunicação do Palácio do Planalto.

2. Um bando de despreparados e arrogantes com discurso de que uma nova era começava. Mais de uma semana de governo e o que vemos é o jornalismo “copia-e-cola” reproduzindo as mídias sociais dos novos donos do poder e o jornalismo declaratório sem matérias investigativas.

Entrega da Embraer e a submissão aos EUA

Editorial do site Vermelho:

A Embraer, que foi fundada em 19 de agosto de 1969, corre o risco de completar seu primeiro meio século de existência sob a bandeira estrelada e listrada dos Estados Unidos e não mais sob a bandeira verde-amarela do Brasil. Sob a qual nasceu para atender à segurança nacional. E tornou-se símbolo da capacidade técnica, científica, militar e produtiva dos brasileiros, vindo a ser a terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais, executivos (é líder na produção de jatos com até 130 lugares), agrícolas, e também militares, além de peças para espaçonaves. Nesta quinta-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que seu governo não vai se opor à entrega da Embraer pois - acredita - ela não fere a soberania nacional e os interesses do país.

Os (novos) donos do poder no Brasil

"Beija-mão", cerimônia tradicional no Brasil Colônia
Imagem: A.P.D.G/Domínio Público
Por Patrícia Valim, no jornal Brasil de Fato:

No auge das manifestações contra o governo da presidenta Dilma Rousseff, Henrique Meirelles - ex-presidente do Banco Central nos dois mandatos do presidente Lula e ex-ministro da Fazenda de Michel Temer - publicou o editorial “Raízes do (novo) Brasil”, na "Folha de S. Paulo", em 22 de março de 2015, em uma explícita referência à paradigmática obra de Sérgio Buarque de Holanda - publicada em 1936.

As políticas de emprego de Bolsonaro

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Há que se discutir uma política pública de emprego, mas para o governo que sucederá Bolsonaro. Não há a menor esperança que o atual governo tenha um mínimo de objetividade para temas estruturantes.

Há uma crise conjuntural na economia, e uma crise sistêmica no capitalismo, com as novas ferramentas da Indústria 4.0 – inteligência artificial, automação, impressora 3D etc.

Esses movimentos provocam terremotos no sistema produtivo, com a eliminação de empregos em muitos setores, e a criação de empregos em novos setores.

A cilada bolsonarista na economia

Por Bruno Santos de Moraes, no site Carta Maior:

Os efeitos sociais negativos do neoliberalismo em países subdesenvolvidos são conhecidos, e a “tempestade perfeita” seguida de recessão econômica mundial está sendo fundamentada na mídia internacional por analistas importantes. O que desejo expor aqui, então, é que não estou vendo nenhum alarde no Brasil sobre a relação catastrófica para a população das duas coisas acontecendo simultaneamente – neoliberalismo e recessão. No atual estágio de globalização que as nações compartilham, nosso país não pode se prender a uma “expectativa sem lastro” baseada em uma onda populista, restringindo os olhares somente aos problemas internos do nosso país sem verificar as questões externas que nos influenciam. É direito do cidadão brasileiro saber os riscos que corre.

O patrimônio de ministro do Meio Ambiente

Por Cida de Oliveira, na Rede Brasil Atual:

O ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PSL), Ricardo Salles (Novo), viveu seu período mais próspero a partir da entrada no governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo. Em março de 2013, o tucano nomeou Salles como seu secretário particular. E em julho de 2016, passou a ser o secretário estadual de Meio Ambiente. O período coincide com a multiplicação por seis de seu patrimônio. Passou de R$ 1.456.173,56, em 2012, para R$ 8.859.414,45 em 2018, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um crescimento na ordem de 500%.

Um panorama inicial do governo Bolsonaro

Por Pedro Breier, no blog Cafezinho:

Começo este panorama inicial pela posse de Bolsonaro, a qual acompanhei por mais ou menos uma hora. Peguei o emocionante trecho em que Bolsonaro deu um estrondoso chá de cadeira no público, na imprensa e nos que acompanhavam pela televisão ou pela internet. O presidente tomava um café com os presidentes da Câmara e do Senado enquanto todos lhe esperavam, apalermados.

Golpe da previdência para roubar os pobres

Por Bepe Damasco, em seu blog: 

Como é de domínio público, os banqueiros têm verdadeira obsessão pela reforma da previdência. O motivo mais conhecido é também o mais óbvio: abocanhar o verdadeiro filão que é o mercado da previdência privada, o qual, do ponto de vista do interesse da banca, não deslancha no Brasil devido ao regime geral da previdência social. Destruí-lo, então, é preciso.

Overdose de bolsonarismo em marcha

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Tudo o que podia acontecer de pior já aconteceu, como se podia prever, mas sempre dá para piorar.

Foram só 11 dias até agora, e a rebordosa foi tão grande, que mais parece final do que início de governo.

Nas redes sociais, multiplicam-se mensagens de gente que não consegue mais dormir com medo do amanhã.

É até difícil catalogar todas as atrocidades e barbaridades já cometidas pelo novo governo, em marcha acelerada de insanidade.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Maduro e as alternativas na Venezuela

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Gleisi Hoffmann fez muito bem em comparecer à posse de Nicolás Maduro, que inicia o segundo mandato de presidente na Venezuela.

Não é preciso, aqui, lembrar as dificuldades de toda natureza - social, econômica, humanitária - que a população daquele país tem enfrentado em anos recentes.

Basta recordar que na origem destes sacrifícios imensos se encontra a guerra sem limites nem intervalos de Washington e aliados contra Hugo Chávez e sua herança desde 2002, quando a população foi às ruas de Caracas para reverter um golpe de Estado encenado pelos magnatas locais - com apoio integral da Casa Branca de George W Bush.

Genro de Léo Pinheiro e a farsa do triplex

Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Sem Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, o processo que levou à condenação e, consequentemente, à prisão do ex-presidente Lula não ficaria de pé.

No processo, o que sustenta a condenação é a declaração de Leo Pinheiro de que haveria um caixa geral da propina na OAS e que, nesse caixa, foi debitado o triplex do Guarujá como propina a Lula.

Não existe nenhuma prova de que Lula fosse o dono do imóvel ou que tivesse usufruído do bem. A família dele não tinha chave e nunca passou uma noite sequer no imóvel.

Não há método na burrice

Por Marcelo Zero

O grande Goethe já nos advertia que “não há nada mais terrível que uma ignorância ativa” (Es ist nichts schreklicher als eine tätige Unwissenheit).

Obviamente, Goethe não teve o prazer de conhecer Bolsonaro e sua preclara equipe de fundamentalistas cristãos e sumidades emergidas das redes sociais.

Se tivesse, teria acrescentado que não há nada mais desastroso que a ignorância ativa que chega ao poder.

Com efeito, mal começou e o governo do capitão exibe a um mundo estarrecido um festival tragicômico de declarações brutais e estapafúrdias e de decisões beócias e cretinas, seguidas invariavelmente por apressados e canhestros desmentidos. Ornamenta esse festival de obtusidades as seguidas desautorizações dos zurros presidenciais.

Qual o modelo de governo de Bolsonaro?

Por Luiz Carlos Bresser-Pereira, em seu site:

É muito cedo para uma interpretação segura do que será o governo Bolsonaro, mas seus primeiros dias no posto, em especial com as questões da redução da idade mínima para a aposentadoria e da extensão das novas privatizações (rejeitadas pela população, segundo o Datafolha), confirmam minhas dúvidas. Que talvez possam ser mais bem entendidas se considerarmos as possíveis formas de governo.

No Brasil as alternativas são ou governos neoliberais, como foram os governos Temer, Cardoso e Collor, ou governos desenvolvimentistas, que defendem uma intervenção moderada do Estado na economia e o nacionalismo econômico, como foram os governos populistas de centro-esquerda do PT.

Maduro e quem faz coro com a direita

Por Gilberto Maringoni

Nicolás Maduro toma posse hoje em seu segundo mandato na presidência da Venezuela. O país vive uma gravíssima crise econômica e humanitária. Dos 32 milhões de habitantes, cerca de 1,9 milhão teriam saído do país desde 2015.

O desemprego atinge quase um terço da população economicamente ativa e a inflação pode alcançar 1 milhão por cento neste ano.

Apesar de indicadores para lá de preocupantes, não há neles motivos para se contestar a legitimidade de Maduro ou para chama-lo de ditador.

Damares Alves, bode expiatório de Bolsonaro

Por Olívia Santana, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

A ideologia machista e misógina, que o movimento feminista e o público mais consciente vêm combatendo ao longo da história, foi elevada ao patamar de bandeira na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Seu ministério tem apenas três mulheres. Uma delas, a ministra Damares Alves, tornou-se o bode expiatório do Planalto, a mais achincalhada entre todos da equipe, por suas declarações bizarras no campo dos costumes.

Fake news fazem (muito) mal para a saúde

Da revista CartaCapital:

A especialista em marketing digital francesa Caroline Faillet, autora do livro “Décoder l’info – Comment Décrypter les fake news?” (“Decodificando as informações, como destrinchar as fake news?”, em tradução livre), explica como artigos científicos pouco embasados e algumas vezes publicados em sites renomados, podem representar um risco para a saúde dos pacientes.