sábado, 14 de fevereiro de 2026

México reduz jornada; Argentina corta direitos

Por Altamiro Borges

Na quarta-feira passada (11), o Senado do México aprovou o projeto de lei da presidenta Cláudia Sheinbaum que reduz a jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais. Esse importante avanço civilizatório será gradual – duas horas por ano até 2030 – e beneficiará cerca de 13,4 milhões de trabalhadores. Após intensa pressão e negociação, a proposta foi aprovada por unanimidade com 121 votos e agora segue para análise e votação na Câmara dos Deputados.

Conforme lembra reportagem da agência Reuters, “após anos de discussões entre o Congresso e o setor privado, a presidente Claudia Sheinbaum apresentou formalmente em dezembro passado um projeto de lei para implementar gradualmente a semana de trabalho de 40 horas... O México lidera o ranking da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em horas de trabalho mais longas, com 2.226 horas por pessoa anualmente. O país também tem a menor produtividade laboral e os salários mais baixos entre os 38 Estados-membros”.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Bezos demite 300 jornalistas do Washington Post

Foto: Mark Schiefelbein/AP
Por Altamiro Borges


O bilionário trumpista Jeff Bezos, dono da Amazon, demitiu na semana passada cerca de 300 profissionais do jornal The Washington Post, um dos veículos mais tradicionais da imprensa dos EUA. O corte repentino e brutal afetou um terço da equipe do jornal, o que provocou protestos de trabalhadores, sindicatos, leitores e lideranças políticas ianques.

As dispensas foram formalizadas através de um e-mail lacônico de uma linha, descrevendo quem poderia “ficar” e quem deveria deixar a empresa. Seções tradicionais do jornal foram eliminadas, como Esportes, Estilo e Livros. Na editoria internacional, o facão foi ainda mais profundo: toda a equipe do Oriente Médio foi demitida. Repórteres responsáveis por cobrir a guerra entre Rússia e Ucrânia e outros conflitos globais também foram dispensados.

Ratinho Jr. queimou a largada no Paraná

Por João Guilherme Vargas Netto


É uma grave afronta à vigência democrática a repressão violenta, pela polícia, de uma manifestação de trabalhadores ou de uma greve.

Os 300 trabalhadores de uma empresa metalúrgica multinacional moderna e avançada tecnologicamente em São José dos Pinhais, no Paraná, em seu empenho de negociar um acordo coletivo de trabalho com reivindicações próprias, foram obrigados devido a intransigência patronal a entrarem em greve nos últimos dias de janeiro.

Greve que persistia até a quarta-feira da semana passada, quando uma delegação do sindicato dos metalúrgicos da Grande Curitiba presente para auxiliar os trabalhadores foi violentamente agredida pela PM que patrulhava o local; um dirigente chegou a ser derrubado, imobilizado e escarmentado.

Os três porquinhos e o sucesso do filho ungido

Charge: Carol Cospe Fogo
Por Moisés Mendes, em seu blog:


A direita das antigas está de novo diante de uma escolha difícil. É furado o projeto que Gilberto Kassab leva adiante como gesto desesperado da direita, na tentativa de evitar a sobrevida do bolsonarismo e o quarto mandato de Lula. Os três porquinhos não funcionaram.

Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite são fracos, como mostram as pesquisas. O nome para enfrentar Lula é Flávio Bolsonaro. A velha direita está mais uma vez perdendo a guerra, como perde desde a eleição de Lula em 2002.

Flávio é o candidato. O eleitor anti-Lula não confia em mais ninguém que não seja da raiz do bolsonarismo, com certificado e alvará do seu criador. As últimas pesquisas Quaest e Folha encerraram a conversa.

Flávio se firmou como nome da direita, desde que Tarcísio de Freitas foi alijado da disputa por decisão de Bolsonaro. Só um desastre ou a aparição milagrosa de um candidato até agora inexistente tiram o filho do duelo com Lula em outubro.

Galípolo recita direitinho a 'lição de casa'

Charge: Fraga
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:


Um dos bordões prediletos do mercado financeiro é a “lição de casa”. Pedro Malan, Antonio Palocci repetiam a todo instante: para crescer o país tinha que fazer a “lição de casa”. Que consistia, geralmente, em contenção dos salários, reforma da Previdência, redução dos gastos sociais, cortes na educação, na pesquisa científico-tecnológica.

Fazia-se o que o mercado queria. Não apareciam resultados. No final do ano, o diagnóstico invariável era que a lição de casa não havia sido suficiente.

São décadas nesse jogo retórico, endossado por apenas dois tipos de especialistas:

- os papagaios, cabeças-de-planilha, incapazes de análise mínima sobre a realidade;

- os cínicos.