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domingo, 3 de maio de 2026

A política de juros do BC é um desastre

Charge: Cícero
Por Paulo Nogueira Batista Jr

Os juros altos se encarregam de manter intactas e até reforçar a bolsa-banqueiro e a bolsa-rentista, varrendo do mapa os efeitos distributivos da bolsa-família e de outros programas sociais.

“Gabriel Galípolo é um traidor”, disparou Bresser-Pereira há poucos dias.

Não iria tão longe, ainda tenho uma esperança (minguante) de que Galípolo possa reorientar a política monetária. Mas não há dúvida de que é imensa a frustração com o presidente e os diretores do Banco Central – tanto mais que todos eles foram nomeadas pelo presidente Lula.

Que diferença fez a nova diretoria do Banco Central até agora?

Pode ser que estejam preparando coisas importantíssimas nos bastidores, mas não se nota por enquanto nenhuma mudança expressiva em comparação com a gestão Roberto Campos Neto. Os juros continuam na lua, produzindo estragos consideráveis no país.

Antes de entrar no assunto, faço duas ressalvas rápidas.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Mídia quer que o povo se afunde em dívidas

Divulgação
Por Bepe Damasco, em seu blog:


Uma enxurrada de notícias nas últimas semanas, que culminou com a divulgação de uma pesquisa do Datafolha, vem chamando a atenção para o problema do endividamento dos brasileiros.

Embora vários fatores combinados expliquem a dificuldade que muitas famílias encontram para pagar seus boletos, o papel deletério das bets raramente é destacado pela imprensa comercial.

Na certa, são poupados porque são grandes anunciantes dos veículos de comunicação. Mas especialistas já apontam o vício em apostas, a ludopatia, como uma questão de saúde pública.

O jogo compulsivo faz estragos em todas as faixas etárias e em diferentes estratos sociais.

Mas o truque é simples e conhecido: em ano eleitoral, é preciso fazer com que o distinto público acredite que o endividamento é uma mazela econômica causada pelo governo Lula. Como pode um governo ser culpado pelas dívidas contraídas pelas pessoas, quando se sabe que, entre suas realizações, estão o maior rendimento médio da história por parte dos trabalhadores, o maior número de pessoas ocupadas, o mais baixo índice de desemprego, a menor inflação em quatro anos?

Governo Lula 'bate cabeça' sobre terras raras

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Pix incomoda o imperialismo financeiro

Charge: Thiago
Por Jair de Souza

Mais uma vez, num vídeo com poucos minutos de duração, o apresentador Mirko Casale faz um suscinto relato que consegue evidenciar para o público de língua espanhola a essência de uma questão que está na pauta do dia, tanto no Brasil como no poderosíssimo centro financeiro mundial.

Conforme fica bem relembrado, o projeto que desembocou no pix teve início no interior do Banco Central em 2013, ou seja, em pleno exercício de Dilma Rousseff na presidência de nossa nação. Embora possa ser tido como um detalhe secundário, isto convém ser mencionado, posto que, vira e mexe, os bolsonaristas gostam de dizer: “Ah, quem criou o pix foi o Bolsonaro.”

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Fracasso anunciado, sucesso previsto

Fora do trabalho/Mark Weber
Por Marcelo Zero, no site Viomundo:

A “política industrial” de Trump consiste na mera imposição aleatória, frequentemente motivada politicamente, de tarifas de importação altíssimas, como fez, em passado muito distante e em circunstâncias muito diferentes, o presidente McKinley.

Trump prometeu que esses tarifaços irracionais, que se parecem muito mais a sanções comerciais que a qualquer outra coisa, criariam uma avassaladora onda de criação de empregos.

Pois bem, passado pouco mais de um ano do Liberation Day, o dia do grande tarifaço inicial, o número de empregos na indústria manufatureira diminuiu no período, com 98.000 vagas a menos, em comparação com o ano anterior, segundo os dados mais recentes do Departamento do Trabalho dos EUA.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Lula, o voto e os endividados

Foto: Ricardo Stuckert
Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:


Faltando apenas seis meses para o primeiro turno da eleição, o governo prepara às pressas medidas para enfrentar um problema que subestimou ou não identificou em tempo: o sufoco das famílias endividadas, em grande parte responsável pelo mau humor político captado pelas pesquisas.

O ministro Dario Durigan está concluindo, com a equipe técnica da Fazenda, uma medida que seria mais eficiente que o Desenrola, mas, para incidir eleitoralmente, ela terá de ser capaz de produzir resultados de muito curto prazo. E isso vai requerer o mínimo de burocracia e a boa vontade dos bancos e financeiras.

A meta agora é favorecer a renegociação das dívidas mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e o refinanciamento do restante.

A União seria a fiadora junto aos bancos privados, por meio de um fundo a ser criado com parte daquela dinheirama nunca procurada pelos donos, gerida pelo Banco Central, que soma mais de R$ 10 bilhões.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Galípolo recita direitinho a 'lição de casa'

Charge: Fraga
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:


Um dos bordões prediletos do mercado financeiro é a “lição de casa”. Pedro Malan, Antonio Palocci repetiam a todo instante: para crescer o país tinha que fazer a “lição de casa”. Que consistia, geralmente, em contenção dos salários, reforma da Previdência, redução dos gastos sociais, cortes na educação, na pesquisa científico-tecnológica.

Fazia-se o que o mercado queria. Não apareciam resultados. No final do ano, o diagnóstico invariável era que a lição de casa não havia sido suficiente.

São décadas nesse jogo retórico, endossado por apenas dois tipos de especialistas:

- os papagaios, cabeças-de-planilha, incapazes de análise mínima sobre a realidade;

- os cínicos.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Banco Master e o véu do sistema financeiro

Charge: Fraga/GZH
Por Paulo Cannabrava Filho, no site Diálogos do Sul Global:


É impressionante como a polêmica em torno do Banco Master passou a ocupar, diariamente, páginas inteiras dos jornais e longos minutos do noticiário televisivo. O entusiasmo da mídia hegemônica com o tema não é casual. O caso acabou funcionando como uma fresta por onde se pode enxergar, ainda que parcialmente, o modo como o sistema financeiro brasileiro opera: marcado por baixa transparência, forte blindagem institucional e intensa influência política.

A intervenção do Banco Central do Brasil, que resultou no fechamento da instituição, confirmou a gravidade das irregularidades acumuladas e desmontou qualquer tentativa de tratar o episódio como mera controvérsia midiática. Quando o órgão regulador é levado a adotar uma medida extrema dessa natureza, fica evidente que não se trata de um desvio pontual, mas de falhas estruturais de supervisão toleradas ao longo do tempo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

BC atenta contra o desenvolvimento nacional

Editorial do site Vermelho:


A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter, pela quinta vez consecutiva, a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano expressa um problema estrutural da política macroeconômica do Brasil. A taxa de juros real é a mais alta em 20 anos e a segunda maior do mundo. O comunicado sobre a decisão informa que “o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”.

O documento afirma que “o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”, uma referência à taxa de desemprego que fechou o ano de 2025 abaixo dos 6% da força de trabalho, em termos dessazonalizados, considerada pelo mercado financeiro insustentável.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Banco Master: economia ou polícia?

Charge: Fred/Humor com rumor
Por Paulo Kliass, no site Vermelho:


Vira e mexe a gente aqui no Brasil passa a conviver com alguma instituição financeira ocupando com destaque as páginas policiais da grande imprensa. Os escândalos envolvendo bancos ou empresas assemelhadas são muito mais frequentes do que deveriam, principalmente se partirmos do princípio de que existe um sistema de fiscalização e regulação bastante aprimorado para evitar esse tipo de crime ou desvio de comportamento no mercado. A questão é que, na maior parte dos casos, o poder econômico exercido por estas grandes corporações caminha junto com forte esquema de poder político, com surpreendente capacidade de exercer pressão sobre os órgãos de Estado encarregados de evitar e/ou punir esse tipo de situação.