segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mídia esconde a Bolívia e "enquadra" Lula

Lula livre e a unidade contra os fascistas

Nova rota na política externa de Bolsonaro?

Quem fatura com a dívida de 4 trilhões?

Brasil perde credibilidade no mundo

Lula obriga Bolsonaro a mudar tudo

A volta da fome no Brasil

domingo, 17 de novembro de 2019

As recentes turbulências na América Latina

Por Luiza Dulci, na revista Teoria e Debate:

"Desta vez tudo passou muito rápido. Como se, em apenas uma noite, a América Latina tivesse dormido de direita e acordado de esquerda. Depois da avassaladora vitória de López Obrador no México, em 2018, em apenas um mês, outubro de 2019, as forças progressistas venceram as eleições presidenciais na Bolívia, no Uruguai [ainda haverá o segundo turno] e na Argentina, elegeram um jovem economista de esquerda para o governo de Buenos Aires e ganharam as eleições na Colômbia, para o governo de suas principais cidades, como Bogotá e Medellín. E quase simultaneamente, uma sucessão de revoltas populares derrubou ou colocou de joelhos os governos direitistas de Haiti e Honduras, impondo pesadas derrotas aos presidentes de direita, do Equador e do Chile". Assim começa o artigo do economista e professor José Luís Fiori, “O ‘outubro vermelho’ e a esclerose brasileira”, publicado em 31 de outubro no portal Carta Maior.

Bolívia: Como derrubaram Evo?

Por Pablo Stefanoni e Fernando Molina, no site Carta Maior:

Comecemos pelo final (ou pelo final provisório desta história): nas últimas horas da noite de domingo, o líder cruceño [1] Luis Fernando Camacho desfilou sobre um carro da polícia pelas ruas de La Paz, escoltado por polícias amotinados e aplaudido por setores da população opositores a Evo Morales. Encenava-se assim uma contra-revolução cívico-policial que tirou do poder o presidente boliviano. Morales entrincheirou-se no seu território, a região cocalera de Chapare que o viu nascer para a vida política e onde se refugiou dos riscos revanchistas [2]. É uma parábola – pelo menos transitória – na sua vida política. Deste modo, o que começou como um movimento para exigir uma segunda volta a seguir às polémicas e confusas eleições de 20 de outubro, acabou com o chefe das Forças Armadas “sugerindo” a renúncia do presidente.

A Internacional da extrema-direita

Por Otávio Dias de Souza Ferreira, no site A terra é redonda:

Em 14 de agosto de 2019, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, anunciou em rede social que a cidade de São Paulo seria sede, em cerca de dois meses, da Conservative Political Action Conference (CPAC), segundo ele, o “maior evento conservador do mundo”.

Cumprindo a promessa, o evento realizou-se em um hotel da capital paulista em 11 e 12 de outubro de 2019, contando com a presença de público significativo e com a transmissão simultânea pela rede mundial de computadores. Em que pesem tantas referências pejorativas aos inimigos e governos antecessores e a seu terrível legado, o ambiente predominante foi de otimismo e de euforia, com a perspectiva do futuro do Brasil sob as diretrizes conservadoras.

Chile e Bolívia são logo ali

Por Selvino Heck, no site Sul-21:

“Ha vuelto a entrar la Biblia al Palacio. Nunca más la Pachamama.” A frase é de um dos acompanhantes do empresário golpista boliviano Luiz Fernando Camacho, junto com uma foto ‘entronizando’ a Bíblia no Palacio Quemado, o palácio do governo em La Paz. “Com a Bíblia, o rosário e a carta de renúncia nas mãos, pedimos a Deus uma Bolívia nova e restaurada na democracia. Nossa luta é com armas, é com fé”: Mensagem de Luis Fernando Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz. “Sueño com una Bolivia libre de ritos satànicos indígenas. La ciudad no es para los índios. Que se vayan al altiplano o al chaco!!!”, nas inacreditáveis palavras Jeanine Añez Chavez, nova presidente, golpista, da Bolívia.

Racismo vai de mal a pior em São Paulo

Da Rede Brasil Atual:

Sete em cada 10 pessoas acreditam que o racismo se manteve no mesmo patamar ou aumentou nos últimos 10 anos na capital paulista. O dado faz parte de um levantamento feito pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo. A pesquisa mostra que para quase 70% dos entrevistados, shoppings e supermercados são os locais onde mais se percebe a diferença de tratamento para brancos e negros.

A aposentada Jussara de Souza, estudante de Psicologia, já percebeu esse racismo na maneira de atender e de olhar, relata reportagem de Jô Miyagui, da TVT. “Dentro do shopping, se é um menino negro uma menina negra, já tem um olhar diferente. A gente nota isso.”

Ideal republicano em tempos de bolsonarismo

Editorial do site Vermelho:

Os 130 anos de vida republicana no Brasil, assinalados nesta sexta-feira (15), representam as marchas e contramarchas de uma história ao mesmo tempo rica em conquistas e trágica em ações contra as aspirações populares. O ideal proclamado em 15 de novembro de 1889 tem como marco principal a construção nacional, com um Estado laico e representativo da diversidade do povo brasileiro.

A história mostra que a República é vista pela ampla maioria da sociedade como sinônimo de independência nacional. Sua trajetória traz as marcas de choques e confrontos entre dois projetos antagônicos: o de um Brasil soberano, desenvolvido e democrático, e o de um país sem autonomia, autoritário, com desenvolvimento truncado e subalterno. O governo Bolsonaro é a expressão radicalizada desse segundo projeto.

O previsível fracasso do Império

Por Marcelo Zero

A Cúpula do BRICS em Brasília sinalizou uma clara mudança de rumo na recente geopolítica do Brasil.

Em vez das declarações altissonantes olavistas em defesa da Civilização Ocidental e do Messias Trump e contra o “globalismo” e o “marxismo cultural”, o que se viu foi o reconhecimento pragmático das lideranças da China, da Rússia e do próprio BRICS.

Bolsonaro, o enamorado de Trump, teve de curvar-se à realidade e chegou até mesmo a pedir desculpas à China.

Pode tê-lo feito a contragosto, com sentimento de culpa pela traição ao ídolo.

Mas o fez. Melhor: foi obrigado a fazê-lo.

Temer e MBL, o encontro dos golpistas

Reprodução do Facebook
Por Fernando Brito, em seu blog:

Não sei se é mais melancólico para Michel Temer, o homem que deu o golpe e alcançou a Presidência para desaparecer como um inseto, fazer sua rentrée no congresso do decadente MBL ou se, para este, ter Michel Temer como grande convidado é o sinal adequado de seu estado de pré-extinção, depois de ter perdido para Jair Bolsonaro a turba fanática que ajudou a formar durante o impeachment que preparou as trevas atuais.

Seja como for, é um encontro simbólico da decadência de ambos: um perdeu sua máquina, que fazia voto; o outro, perdeu sua boiada, que fazia barulho.

América Latina: a ultradireita contra-ataca

Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Última lição do dia: os homens, eles voltam sempre. É preciso estar sempre de olhos abertos… Na peça Os Saltimbancos, recriada por Chico Buarque, o aviso é dado pelo Jumento, personagem de fina inteligência. Os Bichos espantaram os Barões e têm, enfim, onde dormir. Mas ainda não podem descansar em paz, porque prepara-se a revanche. Na América Latina, um Outubro Rebelde abalou os governos neoliberais do Chile e do Equador, destronou Maurício Macri na Argentina e continua a sacudir o Haiti. Novembro, porém, começou em refrega.

Afinal, quem deu o golpe na Bolívia?

Por Eric Nepomuceno

A presidente provisória, que logo deve convocar eleições, se chama Jeanine Árñez.

Como na cerimônia de posse ela teve o senador direitista Álvaro Murillo sussurrando junto ao seu ouvido o que deveria dizer, é fácil entender qual será sua autonomia como presidente interina.

Essa senhora insignificante teria força para chegar onde chegou? Não. Era um zero à esquerda até anteontem, continua sendo hoje e continuará amanhã. Chegou onde chegou graças ao golpe desfechado depois que Evo Morales conquistou mais um mandato ao derrotar no primeiro turno o ex-presidente Carlos Mesa.

Inconformado com o resultado, Mesa fez uma denúncia de fraude. Foi essa denúncia que derrubou Evo Morales?

Não: foi só o primeiro estopim.

Bolsonaro reage com cautela a Lula

Foto: Ricardo Stuckert
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

A soltura do ex-presidente Lula criou a expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro se daria bem, ao tirar proveito do antipetismo que o ajudou a eleger-se no ano passado.

As reações iniciais do ex-capitão mostram-no cauteloso, no entanto, apesar de ele ter invocado a Lei de Segurança Nacional contra o petista e de tê-lo chamado de “canalha”.

Após inaugurar casas na Paraíba dia 11, Bolsonaro comentou: “Não vou polemizar com esse cara, que continua condenado”.

Na antevéspera, tinha tuitado que não responderia “a criminosos que por ora estão soltos”. E pedia aos apoiadores para não brigarem entre si nem cometerem erros.

“Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”, escreveu.

sábado, 16 de novembro de 2019

Folha de S.Paulo na mira do "capetão"

Bolsonaro no dia do assassinato de Marielle

Novos ventos sopram sobre o Judiciário

Crise na América Latina e os Brics

Tirem suas próprias conclusões!

Bolsonaro recuou na invasão da embaixada

As movimentações financeiras dos Bolsonaro

A influência dos EUA no golpe na Bolívia

República da desigualdade completa 130 anos

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Lula livre, monstros à solta

Por Emiliano José, na revista Teoria e Debate:

A libertação de Lula é um acontecimento de repercussão mundial. Aqueceu os corações de milhões de brasileiros. Despertou novas esperanças na esquerda de todo o mundo. O significado dessa saída da prisão não será apreendida tão rapidamente. Registro: Lula provou estar certo. Não cabia, como tantos propuseram, asilar-se numa embaixada, como não era acertado resistir em São Bernardo no dia 7 de abril de 2018, provocando, quem sabe, um morticínio. Lula sabia: falaria de um jeito ou outro ao povo brasileiro e ao mundo, lutando por sua inocência, e um dia a verdade surgiria, transparente, seus algozes desmascarados, pequenos mentirosos, incapazes de apresentar quaisquer provas, até porque não existiam.

De golpe em golpe, a República estrebucha

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Sexta-feira, 15 de novembro de 2019, feriado da Proclamação da República.

Para mim, que trabalho de domingo a domingo, hoje é um dia como outro qualquer, nada vejo para comemorar, 130 anos depois.

Se não me falha a memória dos tempos de escola, o que houve no dia 15 de novembro de 1889 foi um golpe militar para destituir o imperador D. Pedro II, seguido de muitos outros golpes até chegarmos aos tenebrosos dias atuais com um ex-militar no poder.

Muita gente não deve lembrar, mas nossos dois primeiros presidentes republicanos foram marechais do Exército.

América Latina na mira dos milicianos

Por Luís Fernando Vitagliano, no site Brasil Debate:

Ao que tudo indica, o que está acontecendo na Bolívia de hoje não é um levante popular. Foram as milícias as responsáveis pelos atos que geraram a total desestabilização do sistema político boliviano. Nos dias que sucederam as eleições, inúmeros representantes do governo, do judiciário e dos parlamentares eleitos foram atacados em suas casas, com suas famílias, por milicianos e renunciaram aos seus mandatos. Não por pressão política, mas por violência explícita. O caso mais escandaloso noticiado pela imprensa brasileira é o da prefeita Patrícia Arce, da pequena cidade de Vinto, próxima a Cochabamba, que foi arrastada pelas ruas, agredida, humilhada e teve seu cabelo cortado. Considerou-se a sua renúncia, mas como se pode discutir renúncia nesse contexto de violência?

Mídia e instrumentalização do direito penal

Por Natália Pinto Costa, no site da Fundação Maurício Grabois:

A atual conjectura política tem corroborado ainda mais com a instrumentalização do direito penal, explica-se melhor, a institucionalização da insegurança, o descrédito em outras instancias de proteção, entre outros motivos que podem ser listados, elevam o direito penal como um instrumento para a solução dos problemas, muitas vezes de cunho social para então criar uma simbolismo penal, perpassando a ideia de que a criação ou o endurecimento das leis penais são a solução para todas as demandas.

A exploração midiática, caracterizada pelo senso comum, por meio de um discurso, sobretudo, hiperpunitivista, contribui para a criação de um inimigo em comum, criando no imaginário social indivíduos que são estereotipados como os responsáveis pela violência e a desordem social, além da exploração do crime como um produto altamente rentável.

O adereço de Guedes e o sentido do governo

Por Sonia Fleury, no site Outras Palavras:

Ao encaminhar ao Senado novas propostas de revisão constitucional – PEC 186 Emergencial e PEC 188 do Pacto Federativo – o ministro Paulo Guedes usava um curioso adereço, bastante estranho a seu perfil de homem do mercado financeiro, cujos padrões estéticos indicadores do sucesso pessoal são bastante conhecidos. Tratava-se de uma pulseira artesanal, tipo as que homenageiam o Senhor do Bonfim na Bahia, na qual se lia APOCALIPSE e o número de um versículo do livro bíblico. Chamou atenção o uso do inusitado adorno, já que o ministro, até então, não fazia parte da ala governamental conhecida pelo fanatismo religioso, situando-se na ala do fanatismo neoliberal.

As figuras que deram o golpe na Bolívia

Por Victor Farinelli, no site Carta Maior:

O golpe de Estado ocorrido na Bolívia no último domingo (10/11) mostrou clara características de racismo e intolerância política. E isso não é um acaso.

O professor José Luis Fiori, um dos maiores intelectuais brasileiros, fez um relato de alguns dos fatos que marcaram aquele início de golpe, e que mostram o tipo atitude que está por trás da avançada golpista:

“Assim como outras tantas, a residência presidencial de Evo foi invadida, depredada e vandalizada. Na parede da sala, uma grande pichação: `Hijo de Puta´. Transmitido pelas TVs um vídeo amador mostrava o ato. Dentro da casa dezenas de jovens de classe média, incluindo muitas meninas adolescentes com casacos do Mickey Mouse. Quem vandalizou a casa de Evo inacreditavelmente foram estudantes de classe média. Mas algo grandioso se revela no próprio vídeo. Se a intenção era depredar a casa de algum político magnata, a surpresa foi geral. Uma casa austera, simples, sem luxo algum. Nenhuma ostentação de nada, nem uma única banheira de hidromassagem, nada. O box onde Evo tomava seus banhos é metade do meu. Ao lado de seu quarto uma salinha minúscula com uma esteira rolante e dois aparelhos de exercício. A mini-academia mais simples que já vi na vida. E é aí que o vídeo acaba mordendo o próprio rabo. Pois ao não encontrarem o luxo que esperavam só restou aqueles jovens mediocrizados pela vida a ridicularização do gosto simplório de seu ex-presidente indígena. E assim ao mirar um par de tênis numa pequena estante um jovem comenta sorrindo: "olha o mal gosto do índio". Eles bem que tentaram. Depredaram, vandalizaram, violentaram. Mas quem saiu digno e erguido, livre de todo aquele lixo que tentaram jogar-lhe, foi um homem nobre e digno chamado Juan Evo Morales Ayma”.

O "Por amor" de Bolsonaro

Por Fernando Brito, em seu blog:

A live presidencial de ontem, na qual Jair Bolsonaro “explica” sua saída do PSL e a criação do tal “Aliança pelo Brasil” é algo que, olhado com um mínimo de seriedade, desvela toda a miséria da política brasileira.

Nenhuma palavra sobre programa de governo, sobre ideias, sobre opiniões.

É só uma questão de “amor”. A ele, é claro:

“Vou começar um partido pobre, sem dinheiro, sem televisão. Quem for para lá vai por amor. É igual casamento, a gente casa por amor”, disse aos repórteres na volta ao Palácio da Alvorada.

Não há como dialogar com Bolsonaro

Por Vinícius Mendes, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Quem assistir a Bacurau, codirigido pelos pernambucanos Kleber Mendonça Filho (Recife frio, O som ao redor, Aquarius) e Juliano Dornelles (O ateliê da Rua do Brum), vai ser levado quase obrigatoriamente a fuçar as próprias influências para interpretar o filme.

No exterior, a maior parte da crítica foi estética: Peter Bradshaw, do The Guardian, escreveu que a obra – em cartaz nos cinemas brasileiros desde 29 de agosto – o remeteu ao chileno Alejandro Jodorowsky (El topo e A sagrada montanha), enquanto Manohla Dargis, do New York Times, disse que Bacurau tem algo do norte-americano John Carpenter (Eles vivem) e de um clássico do cinema mundial: Os sete samurais (1954), do japonês Akira Kurosawa. No Brasil, Luiz Carlos Merten, do Estadão, afirmou que o filme continua o estilo western ideológico do baiano Glauber Rocha (Deus e o diabo na terra do sol, O dragão da maldade contra o santo guerreiro). Em julho, Kleber escreveu em seu perfil no Twitter que quer atrair também o público de Jumanji (1996).

Bolsonaro age para destruir o jornalismo

Do site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj):

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados em todo o país denunciam a inconstitucionalidade da Medida Provisória 905/2019, que revoga a obrigatoriedade de registro para atuação profissional de jornalistas (artigos do Decreto-Lei 972/1969) e de outras 13 profissões. A Medida Provisória mantém o registro de classe somente para as profissões em que existem conselhos profissionais atuando (como advocacia, medicina, engenharias, serviço social, educação física, entre outros).

Consórcio Nordeste lança programa de rádio

Por Rafael Duarte, no site Saiba Mais:

O Consórcio Nordeste estreou segunda-feira (12) um programa de rádio com informações sobre os nove estados da região. O Giro Nordeste terá 15 minutos de duração, vai ao ar de segunda a sexta-feira e será retransmitido, inicialmente, por 11 emissoras públicas. A articulação via Consórcio está sendo feita junto às rádios públicas dos estados. A coordenação geral é da Rádio Nova 1290 Timbira AM, do Maranhão.

Pacote do governo é um "bolsa-patrão"

Da Rede Brasil Atual:

Sob o pretexto de estimular o primeiro emprego dos jovens, o governo decreta nova reforma trabalhista, afirma o Dieese, que em nota técnica lista uma série de itens contidos na Medida Provisória (MP) 905: criação de modalidade de trabalho precário, intensificação da jornada, enfraquecimento da fiscalização, redução do papel da negociação coletiva. Por fim, aponta o instituto, “beneficia os empresários com uma grande desoneração em um cenário de crise fiscal, impondo aos trabalhadores desempregados o custo dessa ‘bolsa-patrão'”.

A cúpula dos Brics em Brasília

Foto: Pavel Golovkin/Reuters
Por Paulo Nogueira Batista Jr., na revista CartaCapital:

A recém-concluída cúpula dos líderes dos Brics, realizada em Brasília, foi recebida com ceticismo em alguns meios. Jim O´Neill, o economista que criou o acrônimo Brics, questionou a relevância do grupo e chegou a dizer que ninguém notaria se não acontecesse a reunião.

Exagero manifesto do economista. Um encontro desses países no mais alto nível político sempre se reveste de importância. Não se deve esquecer que o grupo reúne quatro dos cinco gigantes do mundo. Apenas cinco países, leitor, fazem parte ao mesmo tempo das listas dos dez maiores PIBs, territórios e populações. Esses cinco são os Estados Unidos e os quatro Brics originais – Brasil, Rússia, Índia e China. Por isso, aliás, batizei o livro que lancei há pouco de “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

Uma Constituição alvejada

Editorial do site Vermelho:

Mal terminou a polêmica sobre a constitucionalidade das adequações do Código de Processo Penal no Supremo Tribunal Federal (STF) e a sanha autoritária se transferiu para a ala governista do Congresso Nacional. As discussões sobre emendas à Constituição provam que há um projeto de poder e um programa de governo incompatíveis com o pacto que selou, do ponto de vista institucional, o fim de um dos períodos mais tenebrosos da história – a ditadura militar.

Os agredidos que se manifestem

Por João Guilherme Vargas Netto

Os dirigentes do movimento sindical têm se acostumado a levar porradas (por enquanto metafóricas, felizmente) desde a paralisia da economia, o disparo do desemprego, a deforma trabalhista de Rogério Marinho e as agressões do bolsonarismo.

Mas, nunca como agora nos últimos episódios com o pacotaço de Guedes e a medida provisória 905.

A pressão é tanta que mal se começa a avaliar o alcance de uma medida, outra se sucede e novos aspectos deletérios são descobertos em cada uma delas. E o que é pior, a confusão aduba o caminho de mais medidas nefastas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

OEA de Almagro viabilizou golpe na Bolívia

Por Jeferson Miola, em seu blog:

Especialistas de instituições acadêmicas dos EUA e da Europa concluíram que a OEA sob Luis Almagro fraudou informações e manipulou dados para viabilizar o golpe contra Evo Morales na Bolívia [informe OEA].

Reportagem de Nicolás Lantos no portal eldestape [aqui] sobre 2 investigações internacionais independentes diz que os informes dessas instituições “não somente confirmam o triunfo de Morales nas eleições, como também avivam as suspeitas sobre a premeditação do golpe de Estado e a participação do organismo encabeçado pelo uruguaio Luis Almagro nos planos para tirar o Movimento ao Socialismo [MAS] do poder sem se importar com o resultado do voto popular”.

“Macho” Camacho e os amigos brasileiros

Por Marcelo Zero

O Brasil bolsonarista já tem um exemplo civilizatório a seguir: a Bolívia.

Com efeito, assiste-se lá a uma típica e sangrenta quartelada, que honra a tradição democrática da antiga Bolívia de oligarquias fascistas e racistas.

Nada de golpes brancos, travestidos com a diáfana legitimidade de sistemas jurídicos partidarizados, como o que aconteceu no Brasil.

Não, lá as coisas são mais cruas e mais “verdadeiras”. Não há máscaras jurídicas e políticas.

A força bruta, justificada pela religiosidade neopentecostal, se revela em toda a sua aberrante violência.

Lula Livre e a América Latina

Óleo no Nordeste e o "secretário" imbecil

Augusto Nunes e a "imprensa isenta"

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Alguns jornalistas brasileiros entraram em parafuso após as primeiras publicações da Vaza Jato. De repente, um veículo pequeno e independente revelou ao país não apenas um conluio político entre parte do judiciário e do Ministério Público, mas a vassalagem de parte do jornalismo mainstream brasileiro. Ficou escancarado que as arbitrariedades da Lava Jato e os seus sucessivos ataques à Constituição não seriam possíveis sem a cobertura dócil dos grandes meios de comunicação, que ajudaram a impulsioná-la e acabaram se tornando reféns da sua popularidade. Os jornalistas lavajatistas passaram anos comprando acriticamente as versões oficiais, tolerando ilegalidades flagrantes e transformando maus funcionários públicos em heróis nacionais. Prestaram um serviço de assessoria de imprensa que foi fundamental para transformar uma operação policial na maior força política do país. A Vaza Jato jogou luz sobre esse mau jornalismo.

Golpe da Previdência: a luta continua!

Por Daniel Almeida

O ano de 2019 foi perdido. Os resultados do governo Bolsonaro levam o Brasil a andar para trás. A promulgação da Reforma da Previdência, nesta terça-feira (12), representa um dos maiores retrocessos nacionais num dos piores momentos da história brasileira.

Como a Oposição havia denunciado, a reforma deforma direitos dos trabalhadores e dificulta o acesso à aposentadoria. Todos terão que trabalhar mais para garantir os seus direitos básicos.

Evitou-se alguns danos, mas infelizmente o que foi promulgado ainda traz grandes prejuízos para os direitos previdenciários dos mais pobres. Surpreendentemente, o presidente da República caminha em sentido contrário aos interesses de quem o elegeu e implementa políticas que empobrecerão ainda mais a população. As mudanças previdenciárias na Constituição retirarão R$ 1 trilhão dos mais pobres em 10 anos.

Brasil sumiu do mapa da América Latina

Por Eric Nepomuceno

O Chile continua em chamas, o Equador continua sendo palco de tensas negociações, a Bolívia enfrenta um novo golpe de Estado e a ameaça palpável de uma tragédia de proporções incalculáveis.

O presidente Evo Morales e seu vice, Álvaro García Linera, saíram escorraçados pelas milícias racistas e brutais, e ainda tiveram que suportar a humilhação de serem forçados a ficar ao léu enquanto o avião do governo mexicano enviado para resgatá-los ouvia sucessivas recusas de entrar no espaço aéreo colombiano e peruano.

E o que fez o Brasil de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo, seu ministro de Aberrações Exteriores? Aplaudiu o golpe.

Carteira "Verde Amarela" retira direitos

Bolsonaro ameaça Lula com LSN

Bolsonaro vive sob a lógica do medo

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Golpe na Bolívia é racista e fundamentalista

O avanço das milícias na Bolívia

Lula-Livre, o golpe na Bolívia e a mídia

O sequestro que antecedeu o golpe na Bolívia

Por Leonardo Severo, no site Correio da Cidadania:

Mi­lí­cias dos cha­mados “Co­mitês Cí­vicos” da re­gião de Co­cha­bamba, na Bo­lívia – em sin­tonia com o fas­cista Luis Fer­nando Ca­macho, de Santa Cruz –, se­ques­traram e es­pan­caram a pre­feita Pa­tricia Arce, do mu­ni­cípio de Vinto, du­rante quatro horas na úl­tima quarta-feira até ser res­ga­tada pela polícia.

Apesar de sur­rada, obri­gada a ca­mi­nhar por três quilô­me­tros de pés des­calços, ter os ca­belos cor­tados e o corpo pin­tado de tinta ver­melha pela fa­lange “Re­sis­tência Co­chala”, a pre­feita, do Mo­vi­mento Ao So­ci­a­lismo (MAS), par­tido de Evo, se man­teve al­tiva. Mesmo di­ante das cres­centes ame­aças de uma turba com paus e pe­dras, Pa­tricia Arce não re­nun­ciou ao man­dato e rei­terou, di­ante das câ­meras, que daria a pró­pria vida pelas trans­for­ma­ções em curso no país an­dino.

'Nova' ultradireita, filha dos neoliberais

Por Daniel Zamora e Niklas Olsen, no site Outras Palavras:

No turbulento ano de 1968, o economista de Chicago e vencedor do Prêmio Nobel George J. Stigler apontou algumas idéias sobre como introduzir o “sistema de preços” no processo da democracia. Stigler era um dos amigos mais próximos de Milton Friedman e fazia parte de seu “pensamento coletivo” neoliberal desde o início. Os dois homens participaram do primeiro encontro da sociedade Mont Pèlerin em 1947, um dos eventos fundadores do movimento neoliberal. Nas décadas seguintes, os dois economistas de Chicago fizeram contribuições vitais para o que, segundo a cientista política Wendy Brown, tornou-se o objetivo principal da agenda neoliberal mundial: “a economização de todas as características da vida”, um projeto que buscava substituir, pelo sistema de preços, as formas mais políticas de tomada de decisão coletiva.

Para manter a valorização do salário mínimo

Por Clemente Ganz Lúcio, no site Brasil Debate:

O salário mínimo (SM) foi instituído no Brasil na Constituição de 1934; a de 1946 determinou que o SM deveria atender também à família do trabalhador; e a de 1988 renovou esse direito a todos os trabalhadores urbanos e rurais, definindo no artigo 7º, parágrafo IV: um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.

O Dieese estima que o valor do salário mínimo necessário deveria ser de cerca de R$ 4 mil para atender a uma família de dois adultos e duas crianças.

O Estado diante da revolução tecnológica

Por Antônio Augusto de Queiroz, na revista Teoria e Debate:

A revolução tecnológica em curso, para além da regulamentação dos aspectos éticos e de privacidade, requer, de um lado, um choque de formação e qualificação, e, de outro, políticas públicas que distribuam os benefícios da inovação, como forma de evitar a concentração de riqueza e de renda, sob pena de aprofundamento da desigualdade, da miséria e da exclusão social.

O desenvolvimento científico e tecnológico - com a automação, o uso de sensores, a robótica e a digitalização - é uma tendência inexorável do processo evolutivo e seus frutos devem proporcionar conforto e prosperidade a todos e não apenas ao mercado, representado pelos proprietários de patentes, pelos donos dos robôs e pelos investidores ou acionistas.

Guedes e mídia: unidos pelo fundamentalismo

Por Felipe Calabrez, no site da Fundação Maurício Grabois:

Arrefecido o clima de tensão entre o governo Bolsonaro e os velhos jornais, que encontrou seu auge semana passada, quando o presidente disparou ofensas excessivas – até para seus padrões – aos principais veículos de comunicação, sobretudo aos jornalismos da Globo e da Folha de São Paulo, um forte clima de boa vontade com o governo chamou a atenção nessa terça-feira. O motivo: a “agenda econômica” de Paulo Guedes.

O governo enviou três Propostas de Emenda Constitucional (PECs) ao Senado nesta terça-feira, 5/11. A PEC “Mais Brasil”, que Guedes chama de Pacto Federativo, altera novamente o regime fiscal e propõe, entre outras coisas, a soma do mínimo obrigatório de recursos destinados a educação e saúde. A PEC da Emergência Fiscal institui gatilhos de contenção de gastos públicos. Uma terceira PEC visa rever – na prática, eliminar – diversos fundos públicos, com o objetivo de direcionar esses recursos para um suposto abatimento da dívida pública [1].

O golpe na Bolívia: cinco lições

Por Atilio A. Boron, no Jornal GGN:

A tragédia boliviana ensina, eloquentemente, várias lições que nossos povos e nossas forças políticas e sociais populares devem aprender e registrar em suas consciências para sempre. Aqui, uma breve enumeração, em tempo real, e como um prelúdio para um tratamento mais detalhado no futuro.

Primeiro, não importa o quanto a economia seja administrada de maneira exemplar, como o fez o governo de Evo, o crescimento, a redistribuição, os fluxos de investimentos são garantidos e todos os indicadores macro e microeconômicos são aprimorados, a direita e o imperialismo nunca aceitarão um governo que não serve a seus interesses.

Medo de Lula é medo da democracia

Por Marcelo Zero

Steve Bannon, o líder da ultradireita mundial, deu a senha: Lula é a grande liderança da “esquerda globalista” e provocará “grande perturbação”.

Por aqui, os meios de comunicação já se perfilaram e começam a criminalizar Lula livre.

A tese é de um tal ridículo que provoca espanto, mesmo levando em consideração os padrões de indigência mental da nossa grande imprensa.

Segundo ela, Lula solto vai radicalizar a política brasileira e contribuir para definhar o “centro político”. Equiparam, assim, Lula a Bolsonaro. Acredite, se quiser.

Nada mais grotesco e equivocado. As diferenças entre os dois são abissais.

Golpe na Bolívia e o capitalismo neoliberal

Por Jeferson Miola, em seu blog:                     

O golpe na Bolívia atesta que o capitalismo neoliberal não aceita e não tolera a soberania popular. O golpe confirma que o neoliberalismo é incompatível com a democracia e com a manifestação da vontade majoritária do povo.

Evo Morales foi eleito no primeiro turno na eleição de 20 de outubro com uma vantagem de mais de 640 mil votos em relação ao 2º colocado, Carlos Mesa.

Evo fez 47,06% dos votos contra 36,52% do opositor – ou seja, 10,54% a mais. De acordo com a legislação do país, com esse desempenho Evo deveria ser sagrado vitorioso já no 1º turno da eleição.

A genialidade da oratória de Lula

São Bernardo do Campo, 9/11/19
Por Bepe Damasco, em seu blog:

Estou diante do computador para escrever sobre o discurso de Lula em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo terminado há pouco. Mas há cerca de quinze minutos não sai nada. O problema é que Lula descarrega em suas falas uma overdose de assuntos relevantes, muitos deles de importância crucial, tornando difícil a missão do escriba de selecionar os principais pontos.

Mas o que foi esse discurso de Lula deste sábado, gente! Quem imaginou que o ex-presidente, reconhecido orador natural e brilhante, pudesse estar meio enferrujado depois de 580 dias preso e sem falar em público, se enganou redondamente. Até adversários reconhecem que Lula tem o dom da oratória e é um comunicador político de primeiríssima linha. Essas qualidades em muito contribuíram inclusive para catapultar sua vitoriosa carreira política.

O que está acontecendo na Bolívia?

Por Ana Prestes, no site Vermelho:

Golpe. A onda de restauração conservadora chegou na Bolívia. Não de forma muito diferente de como tem se manifestado na América Latina desde o Golpe em Honduras em 2009, mas com um componente de violência acentuado. Não se trata de um golpe jurídico parlamentar como se deu no Paraguai e no Brasil, tem mais semelhança com a onda de violência e desestabilização que abalou a Nicarágua em 2018 ou com a tentativa de sequestro de Correa, no Equador em 2012 ou ainda com o golpe de 2002 na Venezuela, quando os opositores tomaram meios de comunicação e incendiaram as ruas.

Lula livre, lawfare também

Celso Amorim analisa o golpe na Bolívia

Na Bolívia, o grande mudo falou!

Por Manuel Domingos Neto

Consumado o golpe, eis que aparecem as críticas ao presidente Evo Morales: “não devia ter sido candidato”, “devia ter resistido”, “apostou no apaziguamento de forças inconciliáveis”... Apressadamente, sem maiores informações, imputando tibieza ao grande líder boliviano, alguns dizem “não devia ter saído do país!”.

A primeira análise sólida que leio após a tragédia de ontem à noite é a de Atílio Borón, que mostrou como os Estados Unidos procederam neste país e pediu que os latino-americanos aprendam a lição.

Mas Atílio escorregou ao mencionar um pretenso “golpe por omissão”: o Exército teria lavado as mãos diante dos policiais truculentos e dos baderneiros fascistas.

domingo, 10 de novembro de 2019

Bolsonaro e a esquizofrenia da Folha

O pronunciamento de Lula na íntegra

O que muda com Lula-Livre

Melhores momentos de Lula em São Bernardo

Os desdobramentos da saída de Lula

Os impactos da gestão ruralista da Funai

Por Oswaldo Braga de Souza, no site do Instituto Socioambiental (ISA):

A semana passada foi tumultuada na área mais estratégica e sensível da Fundação Nacional do Índio (Funai). A diretora de Proteção Territorial, Silmara Veiga de Souza, e o coordenador-geral de Identificação e Delimitação, Adriano Quost, foram exonerados no período de apenas dois dias, entre quarta e quinta. Os dois eram os responsáveis diretos pela demarcação de Terras Indígenas (TI). Ambos foram nomeados e exonerados por Marcelo Augusto Xavier da Silva, que chegou à presidência do órgão no final de julho, há pouco mais de cem dias.

A nomeação de Silmara foi criticada por organizações indígenas por ela ter atuado como advogada contestando administrativamente a demarcação da TI Ka’aguy Hovy, em Iguape (SP).

Guedes e o 'pacotaço' de novembro

Por Roberto Amaral, em seu blog:

O pacotaço de novembro, materialização da Agenda Guedes, é um verdadeiro ato institucional, pois altera o caráter do Estado brasileiro, impõe a ditadura do capital sobre o trabalho e, na continuidade dos atentados à nossa Carta, revoga dois dos fundamentos da República (art. 1º da Constituição), quais sejam, a promoção da dignidade da pessoa humana e a relevância do valor social do trabalho. Neste sentido aprofunda ainda mais o viés ideológico que presidiu as reformas trabalhista e previdenciária. O regressivismo neoliberal tem um só mote, a regulação das contas públicas (o tal do “ajuste fiscal”), elevado a valor que se sobrepõe ao interesse nacional e ao bem-estar do povo, elemento que não cabe nas planilhas dos tecnocratas.

A jararaca voltou com sangue nos olhos

Por Renato Rovai, em seu blog:

Da mesma forma que entrou naquele lugar que não lhe pertencia, a sede da Polícia Federal no Paraná, Lula saiu após 580 dias, de cabeça erguida e com a dignidade intacta.

Lula é uma força da natureza. Impressionante, impressionante, impressionante.

Ao invés de sair de lá direto para um carro, caminhou até a vigília para agradecer a cada um que ficou do lado de fora organizando a resistência.

Mas não é só isso que ele fez.

Ele já fez um acerto de contas com a Lava Jato e a Globo, que considera a verdadeira culpada pela sua prisão.

Acabou a farra da Lava-Jato

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

O dia 7 de novembro de 2019 será lembrando no futuro como o marco em que o STF deu um basta à impunidade dos juízes e procuradores da República de Curitiba, e resgatou a Constituição cidadã de Ulysses Guimarães, 31 anos depois.

Com o voto de minerva de Dias Toffoli, do qual muitos duvidavam, mas eu tinha certeza, acabou a farra da Lava Jato e o Brasil retorna ao Estado de Direito no qual todos devem ser iguais perante a lei e só podem ser presos após o trânsito em julgado.

Mais do que permitir a imediata libertação de Lula, essa decisão histórica reconciliou a nação com a democracia, tão ameaçada desde a chegada do bolsonarismo miliciano ao poder.

Lula livre do cárcere infame

Editorial do site Vermelho:

A liberdade do ex-presidente Lula é uma vitória da democracia. Foi a vitória de uma jornada que transcende o processo que atentou contra o ordenamento legal do Estado por representar um ideal, um projeto de país que vem da tradição democrática e patriótica brasileira, que busca abrir caminhos para o seu desenvolvimento.

A prisão de Lula se deu nos parâmetros de um movimento político de cores nítidas. O país havia passado pelo trauma do impeachment fraudulento e golpista da presidenta Dilma Rousseff, depois de um marcha que desfilou pelas ruas com bandeiras contrárias aos interesses nacionais e populares. Nas eleições de 2018, ele poderia interromper a progressão desse projeto. O encarceramento do ex-presidente ocorreu no memento exato para tirá-lo do páreo.

Lula, Bolsonaro e a relação com os militares

São Bernardo do Campo, 9/11/19
Paulo Pinto/Fotos Públicas
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

A libertação do ex-presidente Lula e a disposição dele de correr o País a encarnar a oposição ao governo coincidem com o pior momento da relação de Jair Bolsonaro com as Forças Armadas, aliados desde a eleição. Há um distanciamento crescente entre o presidente e os militares, sobretudo os da ativa, por motivos como a personalidade do ex-capitão, degola de generais e milícias. A volta à cena de um inimigo comum promoverá uma reaproximação?

Voz de Lula restaura democracia brasileira

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Engana-se quem diz que a soltura de Lula irá aumentar a polarização política. No país que ruma ao Estado Mínimo, completamos dez meses de Discurso Único. Não há confronto de ideias nem debate. 

Desde 1 de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro atua em posição de monopólio da fala. Diz o que quer, como quer, sem confronto a altura. "Bolsonaro dá 1 declaração falsa ou imprecisa a cada 4 dias," calculou a Folha (6/11/2019).

As redes sociais gritam, denunciam, protestos. O levantamentos de audiência indicam que a máquina de propaganda bolsonarista tem força também aí.

O porteiro e a banalidade do mal

Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

Como foi que o mundo das fake news avassalou o discernimento de nossa época, a ponto de instaurar uma espécie de servidão mental na qual o senso comum se submete à afirmação e a sua negativa com a mesma passividade, não raro, guiado pelo malabarismo cínico do mesmo emissor?

O papel da mentira na política assumiu um espaço proeminente, como bem sabe a sociedade brasileira, graças ao novo arsenal tecnológico capaz de adorna-la com atributos da verdade manipulando friamente o discernimento social, sobretudo nos escrutínios eleitorais.

O ambiente de relativização factual criou assim uma espécie de poder emergente a impor sua supremacia aos demais.

Uma nova onda rosa na América Latina?

Por Wagner Iglecias, no site A terra é redonda:

Incorporada à nascente economia capitalista, no início do século XVI, de forma subalterna, a América Latina viveu, até o início do século XX, um longo ciclo de integração à economia mundial. Nos 300 primeiros anos de sua existência na condição de colônia, obviamente. E depois, durante o século XIX, ainda como um continente prioritariamente voltado ao exterior, com suas nações, recém independentes, competindo entre si pelo acesso privilegiado aos mercados da Europeu e dos EUA.