quarta-feira, 16 de outubro de 2019

TV por assinatura despenca no Brasil

Por Altamiro Borges

O jornalista Ricardo Feltrin postou no UOL nesta terça-feira (15) mais uma notinha que confirma a gravidade da crise da TV paga no país. “Ao mesmo tempo em que perde assinantes – e foram mais de 3,5 milhões nos últimos cinco anos –, a TV por assinatura obviamente também está perdendo consumo e público. Os últimos dados da Anatel apontam que há hoje no Brasil 16,3 milhões de domicílios com pontos de TV por assinatura. Cinco anos atrás esse número estava batendo a casa dos 20 milhões. Desde então só houve perda da base”.

Mídia esconde eleições na América Latina

Os militares e o projeto nacional

O "exército" de Bolsonaro no WhatsApp

Por Fred Melo Paiva, na revista CartaCapital:

“BOMBA. Olha aí o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) recebendo propina, ele mesmo que chamou o Ministro Sérgio Moro de ladrão. Divulguem sem dó pra esse bandido safado perder o mandato. Isso a Globo ainda não mostrou é em primeira mão. Divulguem (sic).” A mensagem, sempre esse primor no trato com a língua pátria, foi postada às 8 horas e 22 minutos da terça-feira, 8, no grupo de WhatsApp MG MILITANTES B17, encaminhada de outro grupo ou conversa privada. Seguiu-se então a prova do crime: o vídeo que mostra um senhor de meia-idade, flagrado pela câmera escondida, a enfiar maços de notas em sua farta cueca. 

Neoliberalismo: nova forma do totalitarismo

Por Marilena Chauí, no site A terra é redonda:

Tornou-se corrente nas esquerdas o uso de termos fascismo e neofascismo para descrever criticamente nosso presente.

Estamos acostumados a identificar o fascismo com a presença do líder de massas como autocrata. É verdade que, hoje, embora os governantes, não se alcem à figura do autocrata, operam com um dos instrumentos característico do líder fascista, qual seja, a relação direta com “o povo”, sem mediações institucionais e mesmo contra elas. Também, hoje, se encontram presentes outros elementos próprios do fascismo: o discurso de ódio ao outro – racismo, homofobia, misoginia; o uso das tecnologias de informação que levam a níveis impensáveis as práticas de vigilância, controle e censura; e o cinismo ou a recusa da distinção entre verdade e mentira como forma canônica da arte de governar.

A era da devastação no Brasil pós-golpe

Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

A crise política no Brasil mostra uma democracia comandada pelo capital, para poucos, ou que nunca existiu de uma perspectiva histórica e social? Uma economista (Laura Carvalho), um filósofo (Vladimir Safatle) e um sociólogo (Ricardo Antunes) analisaram as mazelas brasileiras, sob diversos pontos de vista, no primeiro seminário do encontro Democracia em Colapso?, promovido pela editora Boitempo e pelo Sesc São Paulo. O evento, que tem apoio da RBA, começou ontem (15) e vai até sexta-feira (18), na unidade Pinheiros, na zona oeste da capital. Confira aqui a programação.

EUA tentam interferir na eleição da Bolívia

Por Leonardo Wexell Severo, de La Paz, Bolívia:

O presidente da Bolívia, Evo Morales, informou que logo depois de ter “enviado agentes da inteligência” para dar orientações à oposição ao seu governo, em julho deste ano, a Embaixada dos Estados Unidos decidiu apelar, financiando obras em troca de votos contra o Movimento Ao Socialismo (MAS) nas eleições do próximo domingo, 20 de outubro.

“Na semana passada eu convoquei o Encargado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, apresentei os documentos, como este carro da Embaixada tem ido às comunidades dos Yungas de La Paz para oferecer pavimentação e asfalto, sempre e quando não apoiarem Evo”, denunciou o presidente.

Barão de Itararé repudia ataque de Ciro Gomes


Com o país conflagrado entre a extrema-direita e o bloco democrático de centro-esquerda, Ciro Gomes escolheu o oportunismo.

Filiado a um partido que integra o campo progressista, o PDT, Ciro parece cada vez mais prisioneiro da estratégia que traçou para si mesmo, desde o segundo turno da eleição de 2018, quando se refugiou em Paris evitando enfrentar a candidatura neofascista.

Acredita, talvez, que ocupará assim o espaço, entre o centro e a direita, deixado vazio pelo desmoronamento do PSDB.

Laranjal do PSL está pegando fogo!

As mudanças climáticas e as cidades

Guerra no PSL? É o fundo eleitoral, estúpido!

O fascismo na política e na sociedade

Canibalismo no PSL para agitar a matilha

Por Fernando Brito, em seu blog:

A estratégia escolhida por Jair Bolsonaro para enfrentar a crise interna do PSL – ao que parece, a da destituição do grupo de Luciano Bivar – não tem caminho fácil.

Temos seis meses até a data limite da filiação partidária para quem queira concorrer às eleições de 2020 e é impossível que, neste espaço de tempo, se obtenha a inédita ordem para auditar cinco anos de contas partidárias, realizar a tal auditoria, confrontá-la com perícias contrarrequeridas, julgar uma eventual destituição da direção do partido, tentar estendê-la ao diretório que a reporia, provisoriamente, obrigar à convocação de eleições que preparassem uma nova convenção nacional e eleger um comando bolsonarista-raiz para o PSL.

Lula humilha seus algozes

Por Benedito Tadeu César, no jornal Brasil de Fato:

Dando mais uma prova de sua dignidade, Lula se recusa a solicitar a progressão do regime de prisão a que tem direito por já ter cumprido 1/3 da pena a que foi condenado. Assustados com a indignação e a determinação inquebrantável de um homem de 73 anos, condenado, injustamente e sem provas, a 12 anos e um mês de prisão, a totalidade dos 15 procuradores federais que integram a Força Tarefa da Operação Lava Jato, exatamente os que forjaram o processo contra Lula, tomaram a iniciativa, inédita na prática dos agentes persecutórios brasileiros, de solicitar que Lula passe para o regime semiaberto de prisão.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Bolívia, Uruguai e Argentina somem da mídia

Por Altamiro Borges

A mídia brasileira, que andava tão excitada com os revezes das forças de esquerda na América Latina – quase sempre rotuladas pejorativamente de “bolivarianas” –, tem evitado dar maior destaque às eleições na Bolívia (20 de outubro) e na Argentina e no Uruguai (27 de outubro). A razão é simples: todas as pesquisas sinalizam uma reversão do cenário, com a derrota dos candidatos neoliberais, o que desaponta a imprensa burguesa.

A metralhadora giratória de Ciro Gomes

Bolsonaro como capacho da Casa Branca

Editorial do site Vermelho:

A política externa de um país diz muito sobre o seu caráter. No caso em que o governo se dispôs a abrir mão de prerrogativas soberanas na esperança de que os Estados Unidos apoiassem a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficou patente, mais uma vez, sua opção pelo servilismo.

Há um jogo de xadrez na geopolítica, que traduz, antes de tudo, grandes interesses econômicos. Ao abrir mão da sua soberania em favor dos interesses da Casa Branca, o governo Bolsonaro entrega os destinos econômicos do Brasil nas mãos dos seus algozes.

Segurança pública e os limites da democracia

Por Jordana Dias Pereira, na revista Teoria e Debate:

Luiz Eduardo Soares abre seu livro Desmilitarizar: Segurança Pública e Direitos Humanos com uma dedicatória às mães dos jovens mortos pela polícias e às mães dos policiais também mortos nos confrontos pelo país. Para ele, se essas mães compreenderem que o inimigo está em outro lugar “a politização do sofrimento promoverá uma revolução no Brasil”. A frase não poderia ser mais oportuna depois da comovente cena em que um policial consola a mãe de Willian Augusto da Silva, sequestrador de um ônibus em Niterói que foi alvejado pela polícia do Rio de Janeiro em agosto passado. William levava consigo uma arma de brinquedo e tinha desequilíbrio mental. A morte dele foi comemorada aos pulos pelo governador Wilson Witzel. O mesmo que menos de um mês depois afirmou que a política de segurança pública do estado está no caminho certo. A declaração veio após o assassinato, também pela própria polícia, da menina Ágatha Felix, de 8 anos, no Complexo do Alemão.

Equador: bastidores e sentidos da vitória

Foto: David Díaz Arcos
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Passava das nove e meia da noite, quando as multidões começaram a celebrar e bailar nas ruas de Quito ontem. Nas barricadas montadas para deter a selvageria da polícia e do exército, e nos bloqueios de ruas e estradas, espalhados em todo o país, os manifestantes se felicitavam. Recebiam, aqui e ali, o cumprimento de um soldado. Minutos antes, em negociações transmitidas pela TV, por exigência do movimento indígena, a delegação do presidente Lênin Moreno aceitara o que ele havia dito ser impossível, desde que os protestos de rua começaram, em 2/10. O Decreto 883 – que elimina os subsídios à gasolina e provocou aumento de 123% nos preços dos combustível – seria revogado. Uma comissão de negociação, da qual participará o movimento indígena, discutirá alternativas. Até o momento, porém, as demais medidas ultracapitalistas impostas por Moreno e FMI continuam de pé.

Quimeras de Guedes não resistem aos fatos

Por Umberto Martins

Jair Bolsonaro já disse e reiterou que não entende nada de economia e parece se orgulhar da própria ignorância, que o fez ceder com fé cega o comando da política econômica ao rentista e banqueiro Paulo Guedes, um fiel representante do mercado ou, em outras palavras, do capital financeiro.

O superministro não demonstra maior preocupação com o desemprego em massa, a degradação dos serviços públicos, a penúria da Ciência ou da Educação, problemas agravados ou provocados pela política de restauração neoliberal do governo Michel Temer, que conforme o próprio reconheceu recentemente veio à luz através de um golpe de Estado.


Enfim, STF começa a julgar a Lava-Jato

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Ao colocar na pauta desta quinta-feira o julgamento sobre prisão após segunda instância, o Supremo Tribunal Federal abre o caminho que poderá colocar Lula em liberdade e, mais adiante, anular os seus processos.

“Trata-se de garantir a vitória da Constituição”, disse um dos ministros do Supremo ao Globo.

Até o final do ano, o plenário do tribunal deverá definir também uma tese sobre a anulação de condenações nos processos em que réus delatados não puderam falar depois dos réus delatores.

Procurador tucano persegue Lula

Por Jeferson Miola, em seu blog:

O vice-procurador-geral da República José Bonifácio de Andrada entregou ao STF parecer contrário ao pedido de anulação dos atos adotados pela Lava Jato a partir das conversas telefônicas entre Lula e Dilma que foram interceptadas ilegalmente e vazadas criminosamente por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol para a Rede Globo em 16 de março de 2016.

Sabe-se hoje, por meio das revelações do Intercept, que além do atentado terrorista contra a ordem política e social caracterizado na espionagem da Presidência da República para fins conspirativos, Moro e Dallagnol também perpetraram outras graves barbaridades:

Os desgastes sucessivos de Bolsonaro

Os conflitos do presidente Bolsonaro

Por André Singer, no site A terra é redonda:

Estamos chegando perto do final do primeiro ano de mandato do presidente Jair Bolsonaro. Nesse período houve muitos conflitos entre ele e seu partido, o PSL. Logo no início do ano, o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebiano, foi demitido. Bebiano dirigiu o PSL, em 2018, durante a campanha eleitoral e era uma figura-chave do governo.

Apagar o professor é apagar o futuro

Por Maria Clotilde Lemos Petta

A data comemorativa do Dia do Professor - 15 de outubro -, neste final da segunda década do século XXI, deve ser oportunidade para uma reflexão sobre o papel deste profissional na sociedade glorificada como sendo do “conhecimento”. Se, por um lado, ao nível do discurso, a educação, e em decorrência o professor, são considerados como decisivos para o futuro das novas gerações e nações, paradoxalmente as condições de trabalho dos professores é marcada pela instabilidade, a precariedade, a intensificação do trabalho docente com tendência inclusive de desprofissionalização.

O Equador saindo do beco. Será?

Foto: Reuters
Por Eric Nepomuceno

Foi tudo muito tenso e muito rápido.

No finalzinho da tarde do domingo 13 de outubro um grupo de indígenas liderados por Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), se reuniu com o presidente Lenín Moreno e outros integrantes do governo nos arredores de Quito.

A reunião começou por volta das seis da tarde.

E quando faltavam quinze para as dez da noite, chegou-se a um acordo.

Ou melhor dizendo: Moreno aceitou a principal reivindicação de Jaime Vargas e anulou o decreto 883, cuja consequência principal foi um aumento de mais de 120% no preço da gasolina e do diesel e, com isso, desencadeou uma tormenta que sacudiu e paralisou o país ao longo de longuíssimos treze dias.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Lava-Jato e o espetáculo midiático

Showzinho do Deltan não era só powerpoint

Ciro Gomes parece biruta de aeroporto

Por Altamiro Borges

Talvez ainda abatido com o resultado das eleições presidenciais do ano passado, Ciro Gomes segue dando tiros para todos os lados, parecendo biruta de aeroporto. Em entrevista ao site UOL neste domingo (13), ele decidiu destilar seu veneno contra dois renomados jornalistas da mídia alternativa, Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira, e seus respectivos sites – o Brasil-247 e o Diário do Centro do Mundo.

Ciro segue o caminho que devorou Marina

Por Fernando Brito, em seu blog:

Não posso deixar passar sem registro as ofensas proferidas por Ciro Gomes a Paulo Moreira Lima e a Kiko Nogueira, do 247 e do Diário do Centro do Mundo.

Críticas políticas são livres, a eles, a qualquer um e a mim, quando jornalistas saem do manto tantas vezes hipócrita da neutralidade ou até mesmo embuçados por ele.

Acusar de venais e “picaretas” exige, porém, fatos concretos. Que não foram apontados.

É preciso separar Ciro do PDT, ainda que o PDT de hoje sofra todas as vicissitudes de 15 anos sem Brizola, que fazem a ele muita falta, como falta faz à toda a cena politica brasileira.

E faz a mim, depois de duas décadas de convívio diário.

A vitória da resistência popular no Equador

Da Rede Brasil Atual:

O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou neste domingo (13) a revogação do decreto 883, que eliminou os subsídios aos combustíveis. A medida tenta pôr fim a 11 dias de protestos liderados por comunidades indígenas e acompanhados por movimentos de trabalhadores, estudantes e organizações civis contra as medidas econômicas anunciadas para atender a um acordo assinado com o FMI. A decisão é considerada uma vitória parcial da resistência popular, uma vez que os protesto evoluíam para exigir a renúncia de Moreno e a convocação de novas eleições .

Ciro Gomes deve explicações aos brasileiros

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

No permanente esforço para tentar fugir do esquecimento em que foi colocado pelo povo brasileiro através de sucessivas derrotas eleitorais, Ciro Gomes decidiu me colocar como alvo de seu esgoto verbal divulgado em recente entrevista ao UOL.

"Moreira Leite foi demitido do grupo Abril, onde fazia picaretagem a serviço da pior direita corrupta do Brasil", disse ele. É uma calúnia, recurso clássico de quem não se conforma com a liberdade devida a todo profissional de imprensa interessado em acompanhar nossa vida política com espírito crítico.

O bolsonarista escalado para atacar a mídia


Por Sérgio Lírio e Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:

A crise no laranjal do PSL, além de reforçar as suspeitas sobre as ilegalidades eleitorais de Jair Bolsonaro e ameaçar de implosão o partido de aluguel, serviu para jogar luz sobre uma figura influente nos bastidores do governo. De carreira inexpressiva no mercado publicitário paulista, Fabio Wajngarten, de 43 anos, foi premiado com o comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República pelo empenho na campanha do ex-capitão. A maneira entusiasmada e ligeira com que aderiu ao bolsonarismo não só lhe garantiu o controle de uma verba estimada em 450 milhões de reais como o papel de principal negociador com os meios de comunicação e de censor do Palácio do Planalto. Em nove meses, Wajngarten notabilizou-se por reclamar de jornalistas críticos e pedir cabeças nas redações.

DCM processará Ciro Gomes por calúnias

Por Joaquim de Carvalho, no Diário do Centro do Mundo:

Na entrevista ao UOL, Ciro Gomes voltou sua metralhadora para dois sites progressistas, o DCM e o Brasil 247, e ofendeu, nominalmente, dois jornalistas, com declarações que não encontram amparo mínimo em fatos.

Os jornalistas do UOL perguntaram se a oposição falhava em não mostrar os fatos que ligam Bolsonaro ao esquema de uso abusivo do WhatsApp na sua campanha eleitoral em 2018.

“Claramente, por causa dessa fração da oposição, que é o PT, a burocracia do PT. O PT fez a mesma coisa. O PT continua fazendo a mesma coisa. Se você olhar os sites 247, Diário do Centro do Mundo, é tudo picareta que o PT contrata nas piores escolas do jornalismo brasileiro e traz para servi-lo, fazendo a prática corrupta que fazia a serviço da direita bandida do Brasil para eles”, respondeu Ciro.

A verdadeira base de apoio de Trump

Por Jesse Jackson, no site Vermelho:

No mês passado, por exemplo, Trump se apresentou em comícios na Carolina do Norte e no Novo México. Ele divertia multidões extasiadas, que usavam bonés e camisetas MAGA de Trump. Os comícios foram exibidos na Fox e em outras emissoras.

Em seguida, Trump voou para a Califórnia e foi a uma série de angariadores de fundos de alto valor que foram fechados ao público, embolsando o que sua campanha ostentou como mais de US$ 15 milhões de financiamento de campanha, principalmente de doadores ricos e anônimos.

Esta é apenas uma pequena parte do fundo recorde de campanha que os ricos estão construindo para a reeleição de Trump.

A educação sob fortes ameaças

A metralhadora giratória vesga de Ciro Gomes

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Não sei onde Ciro Gomes pretende chegar com suas incontinências verbais e sua absoluta intolerância às críticas que recebe.

Ciro torna-se um paradoxo ambulante. Seu estilo é o de promover polêmicas.

Logo, provocar adesões e críticas. A cada crítica, responde com mão pesada.

Todos os críticos são corruptos, diz ele, em uma mesma entrevista em que define o seu estilo como racional, baseado nos fatos e na razão. Ou seja, Ciro não mente, não chuta, não faz críticas irresponsáveis e todas suas denúncias são fundamentadas, é este o seu bordão.

Luciano Huck tem lado na política

Foto: Reprodução
Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Parece que a candidatura de Luciano Huck à presidência da República é mesmo pra valer. O apresentador vem conversando com lideranças partidárias, participando de palestras e dando entrevistas com frequência. Na última eleição, ele esteve muito perto de concorrer, mas desistiu após a revelação de que comprou um avião com milhões emprestados do BNDES com juros subsidiados. Não foi fácil abandonar o sonho de ser presidente. “Vou ali chorar um pouquinho e já volto”, disse para amigos ao anunciar a desistência. Huck só adiou o seu projeto político de conquistar o Planalto.

Finanças: antes da tempestade, o mormaço

Por Eric Toussaint, no site Outras Palavras:

Num cenário de pânico, em 17/9 o Fed [Federal Reserve, banco central dos EUA] injetou, em poucas horas, 53,2 bilhões de dólares nos grandes bancos norte-americanos. Estes não conseguiam cumprir suas obrigações financeiras diárias, nem no mercado interbancário de dinheiro, nem nos money market funds (ver «O que são os money market funds?»). O Fed voltou a fazer o mesmo nos dias 18 e 19 de setembro. Além disso, sob pressão de Trump, dos grandes bancos e das grandes empresas, baixou a taxa de juros oficial, pela primeira vez em 3 meses.

Sindicalismo, o trigo e o joio

Por João Guilherme Vargas Netto

Tanto o deputado Marcelo Ramos autor da PEC 161 (que deverá ser renumerada) quanto o deputado Paulo Pereira da Silva, seu propagandista, enfatizaram em entrevista e postagem pelo menos dois aspectos defensáveis desta proposição.

O primeiro deles é a separação do Estado das atividades sindicais e o segundo é o estabelecimento de critérios aferíveis e controlados ao longo do tempo de representatividade através do CNOS – Conselho Nacional de Organização Sindical.

Afirmo que ambos os objetivos elogiados não precisariam de uma PEC para sua efetivação. A PEC 161 (que deverá ser renumerada) continua sendo uma armação contra a estrutura sindical, disfarçada pela relevância e atratividade de seus aspectos modernizantes e moralizadores; a isca no anzol.

domingo, 13 de outubro de 2019

Ciro Gomes e a liberdade de expressão


Nota de solidariedade aos jornalistas Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam os ataques do ex-candidato à Presidência Ciro Gomes aos jornalistas Paulo Moreira Leite e Kiko Nogueira.

Numa sociedade democrática, qualquer cidadão tem o direito de criticar a imprensa e de se posicionar em relação a reportagens ou à linha editorial de veículos de comunicação. O que Ciro Gomes faz, em entrevista divulgada neste domingo (13), porém, é partir para agressões verbais sem fundamento e para acusações sem provas. Passa, assim, a atacar a liberdade de imprensa e a prática do jornalismo.

O significado da reeleição de Evo Morales

Por Leonardo Wexell Severo, de Santa Cruz, Bolívia:

A presidenta do Senado da Bolívia, a jovem Adriana Salvatierra, de 29 anos, afirmou que mais do que uma disputa eleitoral, as eleições do próximo dia 20 de outubro em seu país serão “um marco”, “refletindo as tensões vividas nos processos da América Latina entre o aprofundamento da democracia política e econômica ou as limitações que pode deixar a administração de um novo modelo”. Em entrevista exclusiva dada à nossa reportagem em Santa Cruz de la Sierra, a líder boliviana lembrou que o “período neoliberal, de 1985 a 2005, largou o Produto Interno Bruto com US$ 9,5 bilhões, enquanto este ano, sob o comando do presidente Evo Morales, será encerrado com um PIB de US$ 43 bilhões.

A irresponsabilidade do ministro aventureiro

Por Marcelo Manzano, no site da Fundação Perseu Abramo:

O incansável Paulo Guedes anunciou que o governo Bolsonaro pretende flexibilizar ainda mais a política cambial brasileira. Segundo o ministro da Economia, a ideia é autorizar a abertura de contas em moeda estrangeira no Brasil e também liberar residentes do país a manter contas em reais no exterior. Com isso, os homens de mercado que comandam o Estado brasileiro dizem pretender transformar o real em uma moeda plenamente conversível, o que simplificaria os negócios de investidores estrangeiros que atuam ou pretendem atuar no Brasil.

Laranjão Bolsonaro no país é saqueado

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

No papel de laranjão-mor do pomar, Bolsonaro é imbatível.

Dia sim, e no outro também, ele arruma alguma confusão, bate o bumbo contra inimigos imaginários, briga com seu próprio partido, roda a baiana, faz cara feia e, assim, vai distraindo a platéia que ainda grita “Mito!”.

Ninguém poderá negar que ele está cumprindo à risca sua missão de entregar o país, na senda aberta pela Lava Jato, seguindo disciplinadamente o cronograma golpista de 2016.

Pode parecer coisa de maluco, mas quem bancou sua candidatura está muito satisfeito e não rasga dinheiro.

O bolsonarismo em ação no Rio Grande do Sul

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

Os lucros dos 4 maiores bancos do país subiram 21,3 por cento no segundo trimestre de 2019. Nos últimos 12 meses, os bancos lucraram 109 bilhões, o maior valor em 25 anos, segundo informa o distinto Banco Central. Impossível deixar de ligar estes fatos “financeiros”, no bojo do que Piketty chamou de “hiper-financeirização” da economia (combinada com “perda de soberania), com dois outros acontecimentos recentes: a vitória do Governo moderado de Antonio Costa, nas eleições portuguesas, e as reformas propostas pelo Governador Leite, aqui no Rio Grande.

Algumas consequências da Lava-Jato

Por Fábio Konder Comparato, no site A terra é redonda:

Até hoje, praticamente em todos os países, o controlador de uma empresa privada é considerado como seu dono ou proprietário. Nessa condição, ele pode usá-la ou dela dispor como um bem integrante de seu patrimônio, independentemente da dimensão da empresa, seja ela unipessoal ou multinacional. E de acordo com o dogma básico do sistema capitalista, a supressão dessa propriedade é inadmissível.

Mas em que consiste realmente uma empresa? Entra ela na classificação das diferentes espécies de bens, constante do Livro II da Parte Geral do Código Civil Brasileiro? Certamente não, pois toda empresa é integrada também pelos trabalhadores, seus empregados; pelo menos enquanto os avanços da robótica não os fizerem totalmente dispensáveis…

Bolsonarismo prova a inocência de Lula

Por Ivan Hegenberg, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

O apoio consolidado a Moro e Dallagnol, mesmo após os vazamentos do The Intercept Brasil, mostra que uma grande parte da população não se deixa perturbar por um processo jurídico viciado. É cada vez mais difícil sustentar a versão que teria havido alteração nas mensagens expostas por Glenn Greenwald, considerando que até mesmo membros do MPF já passaram recibo sobre a veracidade do conteúdo. Contudo, se a própria realidade parece desfocada em tempos de bombardeios de fake news, não são poucos os que ainda se aferram ao lavajatismo.

A mortal 'fantasiepolitik' de Bolsonaro

Por Marcelo Zero

A política externa norte-americana é guiada (pasmem!) pelos interesses maiores dos EUA. O que vale, o único que vale, nessa política são as necessidades e os interesses econômicos, geopolíticos e geoestratégicos do Império.

Interesses de outros países são eventualmente atendidos apenas na medida em que isso convenha aos interesses nacionais.

De forma singular, a atual política externa do Brasil também é determinada exclusivamente pelos interesses dos EUA. Coisas do amor.

Sob Bolsonaro e seu chanceler pré-iluminista, o Itamaraty, outrora bastião sólido do interesse nacional, transformou-se em mero puxadinho do Departamento de Estado.

Privatização: desinvestimento ou desmonte?

O 'Dia da Criança Armada' de Bolsonaro

Por Fernando Brito, em seu blog:

Temos perto de 20 mil procuradores no Brasil, entre estaduais e federais, que têm a atribuição de fiscalizar o cumprimento da lei.

Há uma, em vigor, chamada “Estatuto do Desarmamento, a 10.826/03, que diz expressamente, no seu artigo 26, que é proibida “a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir.”

Será que nenhum deles lê jornal ou acessa a internet?

A "banalização da exploração" do trabalho

Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

Para a ministra Kátia Magalhães Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Brasil vive um período de “banalização da exploração do trabalhador”, marcado pela terceirização sem limites, pela possibilidade de dispensas coletivas, pela prevalência de negociações sobre a lei, trabalho infantil, escravo e informal, o enfraquecimento da Justiça especializada e a própria “reforma” trabalhista, implementada há dois anos. Isso em um país em que a maioria dos trabalhadores, conforme observou, tem baixa escolaridade, ganha pouco (mais de 90% da força de trabalho recebe até cinco salários mínimos, conforme dados do IBGE) e realiza jornadas extensas.

A tortura na era das escolas militarizadas

Por Ana Luiza Basílio, na revista CartaCapital:

“Mas o que é isso, Filipe? É a escola cívico-militar.” Em mais uma demonstração de seus dotes teatrais e publicitários, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, participou de um jogral com o deputado federal Filipe Barros, do PSL do Paraná. Pretendia promover o mais recente projeto do governo e uma das promessas de campanha de Jair Bolsonaro. “Filipe”, diz Weintraub no vídeo, “você acredita que teve estado que não quis?” Como uma espécie de Laurel da dupla O Gordo e o Magro, o parlamentar comenta: “O governador não pensa no seu povo”. Até agora, 16 unidades da federação, mais o Distrito Federal, “pensaram no seu povo” e demonstraram interesse no programa, que basicamente pagará o salário de militares para colocar “ordem” e eliminar a balbúrdia nas escolas. Em entrevista, o ministro discorreu sobre as maravilhas do modelo: “Eu digo que conheci como funciona e, toda vez que visito uma escola, fico encantado com o que vejo. A gente imagina que é uma coisa rígida, severa, dura. Pelo contrário, as crianças têm um sentimento de coleguismo, amizade. É muito fraternal”.

A namorada de Lula e as fake news da IstoÉ

Por Joaquim de Carvalho, no Diário do Centro do Mundo:

O jornalista que fez a reportagem de capa desta semana para a IstoÉ, Germano de Oliveira, fez de Lula a pauta da sua vida.

Desta vez, ele escreve que a namorada do ex-presidente, Rosângela Silva, a Janja, manda no PT.

Se a pauta que cumpre atendesse aos requisitos mínimos do jornalismo, como a verdade factual, até seria aceitável, ainda que o limitasse — o que, naturalmente, seria um problema dele.

Mas o que Germano publica relacionado a Lula, pelo menos desde 2014, é fake news.

Quando trabalhava em O Globo, Germano escreveu que Lula e Marisa passariam o Reveillon no triplex do Guarujá.

Cartas marcadas prejudicaram Lula no Nobel

Foto: Ricardo Stuckert
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Quaisquer que sejam os méritos apontados no desempenho de Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia e Premio Nobel da Paz 2019, a verdade é que sua escolha está sendo comparada a vitória de Barack Obama - premiado quando era um presidente calouro, menos de um ano à frente da Casa Branca, e sua mais notável obra política consistia no slogan "Yes, we Can".

(Muitas pessoas acreditam que o slogan foi, de fato, a melhor herança de Obama, e que o presidente americano no máximo poderia ter sido um mau candidato ao Nobel de Literatura, mas isso é outra conversa).

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A guerra no bolsonarismo e a oposição

Brasil, EUA e o gosto amargo da humilhação

Por Haroldo Lima, no site Vermelho:

O governo de Trump acaba de mostrar que governante que não se dá ao respeito não é respeitado. Tratou Bolsonaro com o maior desprezo, desconsiderando olimpicamente as promessas que publicamente lhe fizera há poucos meses, e que provocara saltinhos de contentamento do presidente brasileiro.

O Brasil, sob Bolsonaro, inaugurou a diplomacia da subalternidade explícita, da bajulação escancarada e das continências ridículas dos lambe-botas. Frente aos Estados Unidos, não faz qualquer esforço para demonstrar sentimento nacional, aspirações próprias, postura independente. Ao contrário, esforça-se por não deixar qualquer dúvida que é um capacho assumido.

Resistir à censura é preciso

Por Pedro Gorki, no site Carta Maior:

A censura às artes, à literatura e à cultura em geral, é uma das características mais marcantes dos regimes autoritários e fascistas. Não são poucos os momentos na história em que peças de teatro foram proibidas, livros foram queimados, ou “recolhidos”, filmes deixaram de ser exibidos. No Brasil, vivemos um desses momentos de obscurantismo. Precisamos ter consciência dele para que possamos somar forças e dizer não à censura. É preciso resistir às trevas neomedievais.

Equador: componentes da rebeldia andina

Foto: Henry Romero/Reuters
Por Almir Felitte, no site Outras Palavras:

O Equador entrou em chamas nas últimas semanas. Revoltado com as políticas liberais e imperialistas impostas ao país pelo FMI, o povo equatoriano saiu às ruas em uma movimentação massiva que pode culminar com a queda de seu Presidente, Lenin Moreno. Mas a agitação política do país não vem de hoje.

Lenin fora eleito como sucessor de Rafael Correa para continuar a chamada “Revolução Cidadã”, como é conhecido o momento político iniciado pelo ex-Presidente, mais um ligado à corrente bolivariana que ditou os ritmos de boa parte da política sul-americana desde os anos 2000. Porém, desde o início de seu mandato, Lenin Moreno mostrou sua verdadeira face, traindo Correa, seu partido e todos aqueles que acreditaram estar votando na continuidade da “Revolução”.

Bolsonaro é cabo eleitoral na Argentina

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Alvo de desprezo e repulsa no mundo inteiro, Bolsonaro é do tipo que permite que o fracasso lhe suba à cabeça. Com zero de noção do ridículo, protagoniza palhaçadas em série.

A última - pelo menos até o momento em que escrevia este texto – foi ter dito que não permitirá que a Argentina eleja o candidato kirchnerista Alberto Fernández para a presidência. Bolsonaro fez essa promessa durante palestra a pretensos investidores internacionais.

Antes de entrar no mérito do assunto, uma pergunta: merece ser levado a sério como investidor estrangeiro no Brasil alguém que comparece a uma palestra do capitão imbecil?

Bolsonaro está cada vez mais perdido

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

De nada adiantou rastejar diante de Donald Trump como um gandula diante do ídolo.

Até agora, Bolsonaro, ou melhor, o Brasil só perdeu com essa paixão pelos Estados Unidos.

Escanteado na prometida entrada do país na OCDE, o capitão-presidente só tem colecionado derrotas em seus nove meses de desgoverno alucinado.

Ao rifar seu próprio partido alugado para fazer a campanha, Bolsonaro corre o risco de ficar isolado no Congresso nas mãos do Centrão de Rodrigo Maia.

Na política exterior, o governo é um completo desastre, errou todas as fichas.

Preta Ferreira deixa prisão após 109 dias

Neoliberalismo fracassa na América Latina

Bolsonaro quer sair do laranjal do PSL

Trump "dá o cano" no "Mito"

Por Fernando Brito, em seu blog:



Samy Adghirni e Justin Sink, da Bloomberg, dizem que tiveram acesso a uma carta do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, ao secretário-geral da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, José Angel Gurria, na qual apoia o ingresso apenas da Argentina e da Romênia, sugerindo que a análise de outros pedidos de admissão seria deixada para o futuro.

Sonegação no país chega a R$ 600 bilhões


Números do governo sustentam que a Previdência Social no país terá este ano um rombo de R$ 290 bilhões. E, por isso, a “reforma” da Previdência seria urgente, sem o que a seguridade social corre riscos e pode perder o equilíbrio financeiro, deixando pessoas sem aposentadoria nos próximos anos. Essa é uma ladainha ouvida à exaustão nos grandes meios de comunicação no país, empenhados em promover a reforma. Enquanto esse discurso prolifera, o setor financeiro se apropria de recursos públicos por meio dos títulos da dívida e permanece incólume frente a uma dívida pública que tem sua legitimidade questionada. E dívidas bilionárias resultantes de sonegação de contribuições à Previdência seguem intocadas.

A derrota da diplomacia da bajulação

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Com a experiência de quem passou oito anos entre o Fundo Monetário Internacional e o banco de desenvolvimento criado pelos BRICS, o bloco econômico-diplomático formado por Brasil, Russia, Índia, China e Africa do Sul, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. deixou um registro sob medida para se prever o fiasco produzido pela diplomacia subserviente de Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo , que nos últimos meses alimentou a ilusão de que o país estava com ingresso garantido na OCDE, a organização que desde a Guerra Fria reúne as economias dos país alinhados com Washington.