segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Feliciano é expulso por assédio e corrupção

Por Altamiro Borges

O jornal Estadão dá destaque nesta segunda-feira (9) em seu site: “O Podemos expulsou o deputado Marco Feliciano do partido. A decisão foi tomada pelo comando da legenda em São Paulo por oito votos unânimes... A denúncia que originou a expulsão cita uma série de acusações ao deputado. Entre elas, estão os gastos de R$ 157 mil referentes a tratamento odontológico reembolsados pela Câmara, apoio irrestrito ao presidente Jair Bolsonaro, acusações de assédio sexual no gabinete, recebimento de propina, pagamento a supostos funcionários fantasmas e até comentários sobre o cantor Caetano Veloso”.

TV Globo esconde absolvição de Lula e Dilma

Maia sobe o tom nas críticas a Bolsonaro

Por Fernando Brito, em seu blog:

Tales Faria, hoje, no UOL, relata que Jair Bolsonaro ficou irritado coma as movimentações do Presidente da Câmara – sobretudo com sua visita ao presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández – e estaria mobilizando esforços para atacar Rodrigo Maia.

Na visão de Bolsonaro, os dois filmetes (que quase ninguém viu) de propaganda do Centrão seriam uma “formação de cacife” do grupo de Maia para apoiar um adversário do Planalto em 2022 ou até mesmo uma candidatura do próprio Maia.

O ódio em rede: notas sobre a pós-verdade

Por João Teixeira Lopes, no site Carta Maior:

Ao contrário do que a ciência - incluindo a História e as ciências sociais - vem ensinando, gera-se a ideia de que nada há de conclusivo na evidência factual. Na verdade, deveria ser o inverso: “algumas coisas são verdadeiras independentemente de como sentimos ou pensamos a seu respeito” (Mcintyre, 2018: 11). Contudo, ganha a ideologia do irredutível pluralismo opinativo, uma vez que há sempre outras “versões” e que todo o conflito se resumiria, antes de mais, a uma questão de narrativa e de pontos de vistas, como de resto o desconstrucionismo ensina, qual idealismo textual: nada há fora do texto e as práticas discursivas estão de tal maneira imbuídas de signos e códigos culturais autorreferenciais que se fecha, inatingível desígnio, o acesso à realidade. Os mais ingênuos dos pós-modernos esquecem, ainda, que, quem mais força tem (e como seria crucial perceber a produção social desigual de discursos no capitalismo avançado!), com maior vigor propaga e impõe a sua verdade, universalizando-a. Em questão fica não só a possibilidade de acumular conhecimento sobre a realidade como a própria ideia de realidade.

No país do pós-golpe, desigualdade aumenta

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Já passa do meio dia, e até o momento não houve nenhuma manifestação do governo brasileiro sobre a nova edição do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado pela ONU na manhã desta segunda-feira.

Bolsonaro ainda não deu o ar da sua graça na porta do Alvorada nem nas redes sociais, de onde sumiu desde a quarentena imposta ao filho Carlucho, o O2.

Se estivesse interessado em conhecer o que acontece na vida real dos brasileiros, o presidente ficaria sabendo que no ranking de 189 nações, o Brasil caiu para o 79º lugar, nivelado a países como Bósnia Herzegovina e Macedônia do Norte, atrás de Chile, Argentina e Uruguai.

CPMI das Fake News fecha ano vergonhoso

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Entre tantos absurdos ocorridos no primeiro ano de bolsonarismo no poder, a CPMI das Fake News talvez seja o acontecimento mais bizarro de todos. Os principais protagonistas, tanto acusados quanto acusadores, são políticos neófitos que só se elegeram por estarem associados a Bolsonaro. Portanto, todo político bolsonarista foi favorecido, direta ou indiretamente, pela milionária fábrica de mentiras impulsionada pela campanha do PSL na internet. A turma da nova política que se elegeu às custas de Bolsonaro não pode dizer que dessa água não bebeu. Os conspiracionistas de sempre querem nos fazer acreditar que agora estão zelosos com a informação.

A China e as novas rotas da seda

Por Pepe Escobar, no site Vermelho:

Estamos rodando em uma impecável super-rodovia de quatro pistas, de 380 quilômetros de comprimento, que liga Almaty a Korgos – concluída em 2016 ao custo de 1,25 bilhões de dólares, 85% dos quais cobertos por um empréstimo do Banco Mundial. E de repente, correndo paralela a nós, surge a verdadeira superstar da conectividade das Novas Rotas da Seda.

Defensores da floresta são exterminados

O PM assassino e o governador genocida

O que significa privatizar a Eletrobras?

Bolsonaro uniu a cultura com seus ataques

Arnaldo Antunes e a censura eloquente

As comemorações do movimento sindical

Por João Guilherme Vargas Netto

Com as festas de fim de ano se aproximando as entidades sindicais já organizam suas comemorações, embora em 2019 não haja muito a comemorar.

Para conversar com a população e com os trabalhadores e as trabalhadoras no estado de São Paulo sobre a ameaça da MP 905 de Bolsonaro e Guedes, que acaba com direitos e aumenta o emprego precário, as 10 centrais sindicais unidas definiram uma “Jornada de Lutas por Empregos e Direitos” com panfletagens e mobilizações durante esta semana entre os dias 10 e 13 de dezembro.

Cinco eixos temáticos são importantes:

Déficit ambiental e o planeta saturado

Por Frei Betto, no site Correio da Cidadania:

Se­gundo o doutor em de­mo­grafia José Eus­tá­quio Diniz Alves, da Es­cola Na­ci­onal de Ci­ên­cias Es­ta­tís­ticas (IHU, 31/10/19; Eco­De­bate, 30/10/19), a hu­ma­ni­dade já es­gotou a bi­o­ca­pa­ci­dade da Terra. Em 1961, o mundo tinha su­pe­rávit am­bi­ental de 2,6 bi­lhões de hec­tares glo­bais (gha). De­vido ao cres­ci­mento de­mo­e­conô­mico, o su­pe­rávit se trans­formou em dé­ficit a partir da dé­cada de 1970. Em 2016, a pe­gada eco­ló­gica total, de 20,6 bi­lhões de gha, su­perou a bi­o­ca­pa­ci­dade total de 12,2 bi­lhões de gha. Por­tanto, o dé­ficit eco­ló­gico é de 8,4 bi­lhões de gha. A Terra está so­bre­car­re­gada em 70%.

Ação no Haiti contaminou o Exército

domingo, 8 de dezembro de 2019

O que sustenta Jair Bolsonaro é o tempo

Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

Entramos no décimo segundo mês do governo (?) do ex-capitão Jair Bolsonaro. Daqui a alguns dias, seu primeiro ano estará concluído. Sem foguete, sem retrato e sem bilhete.

Não houve surpresas na política em 2019. O que se podia esperar de ruim aconteceu. Nada de bom fez com que reconsiderássemos as expectativas sombrias do início do ano. Talvez haja nisso exagero. No lado da ruindade houve, sim, imprevistos. Quem conseguiria imaginar que o péssimo ministério do início pudesse piorar? Foi o que aconteceu. Todos os ministros que saíram cederam lugar a gente ainda mais desqualificada. Afundou a abissal qualidade.

Bolsonaro ameaça a economia e o Mercosul

Foto: Alan Santos/PR
Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

A 55ª Cúpula do Mercosul, realizada nos dias 4 e 5 últimos, em Bento Gonçalves (RS), como se esperava, foi marcada por gafes, avaliações políticas equivocadas e provocações gratuitas do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. “Quero continuar presidente, não dá pra dar um golpe, não?’, brincou Bolsonaro, na quinta-feira (5), aparentemente sem saber que o microfone estava “aberto”.

A hegemonia pentecostal no Brasil

Por Magali Cunha, no site Outras Palavras:

Bispo Edir Macedo, missionário R. R. Soares, apóstolo Estevam Hernandes, pastor Silas Malafaia, bispo Valdemiro Santiago, pastora Damares Alves, apóstolo Rina, pastor Marco Feliciano, apóstola Valnice Milhomens, pastora Cassiane. O que essas lideranças religiosas, destacadas por mídias brasileiras, têm em comum? São pentecostais, o segmento religioso cristão que mais se expandiu, numérica e geograficamente, no Brasil nas últimas décadas. Hoje, compreender o pentecostalismo é imprescindível para quem se interessa pelas dinâmicas socioculturais e políticas que envolvem o país.

Datafolha: Bolsonaro não tem o que festejar

Por Renato Rovai, em seu blog:

A pesquisa Datafolha de hoje está meio-copo. O que significa que pode ser olhada pela parte cheia ou vazia. A depender do observador, as notícias são ótimas ou péssimas para o governo Bolsonaro. Nem tanto ao mar e nem tanto à terra.

Não houve mudança na sua avaliação de agosto para cá. A pequena melhora está na margem de erro. Uma queda de 38% para 36% no ruim e péssimo.

Ao mesmo tempo sua avaliação de abril ou de julho, as das outras duas pesquisas Datafolha realizadas neste ano, eram melhores. O ruim e péssimo somados eram de 30% e 33%.

Em relação a outras perguntas segmentadas também as oscilações foram pequenas. Com exceção da percepção de combate à corrupção. Neste quesito, o seu desempenho caiu de 34% para 29%. Enquanto isso, subiu de 44% para 50% a reprovação ao governo nessa área.

Pacote anticrime aprovado. E aí?

Por Jordana Pereira, no site da Fundação Perseu Abramo:

Na última quarta-feira, 4 de dezembro, foi aprovado por 408 votos favoráveis, na Câmara Federal, o projeto de lei 10.372/18, conhecido como pacote anticrime.

A votação foi lida como uma derrota para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, já que os principais pontos do seu projeto foram derrubados. Importante ressaltar que não faltaram esforços do ministro para com o projeto que foi enviado ao Congresso ainda no começo do ano: em outubro, o governo federal lançou uma campanha publicitária no valor de dez milhões de reais que previa divulgação de filmetes nos quais familiares de vítimas relatam experiências com a violência associando-a com a impunidade. O plano não deu certo e o uso das peças publicitárias oficiais foi vetado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no mesmo mês. A Corte entendeu que não era correto o governo patrocinar propagandas de projetos ainda em discussão no parlamento. A estratégia de fazer pressão externa aos parlamentares também foi criticada.

Datafolha revela que Bolsonaro derrete

Por Leonardo Attuch, no site Brasil-247:

Bolsonaro chega ao fim do primeiro ano de seu mandato com a pior avaliação de um presidente eleito desde a redemocratização, como alguém que afeta negativamente a imagem do Brasil no mundo, como um personagem em cuja palavra não se pode confiar e como alguém que não se comporta como exige o decoro presidencial.

Ou seja: mesmo que sua queda tenha sido temporariamente estancada, em razão de algum alívio econômico, os dados revelados neste domingo pelo Datafolha indicam que ele derrete na presidência da República.

Bolsonaro é o "Senhor da Direita"

Por Fernando Brito, em seu blog:

Os números do Datafolha, pressentidos ontem pela obviedade dos dados iniciais divulgados pela Folha de S. Paulo, corroboram o diagnóstico que aqui se fez de que Jair Bolsonaro segue, como planeja, sendo o “Senhor da Direita” e não dando espaço para que outros possam pretender emergir no campo conservador.

E isso inclui Sergio Moro, que sabe que seus apoiadores são, na maioria, os mesmos do ex-capitão.

Se Bolsonaro conseguirá manter esta hegemonia, como até agora, já são outros quinhentos, dependentes de não haver uma perda do patamar de estagnação econômica em que nos encontramos ou, mas aí em menor grau, por algum dos muitos escândalos que, até agora, contam com a tolerância da maioria.

Bolsonaro trai os seus brothers roqueiros

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Sete longos anos atrás, eu publiquei neste site um texto que até hoje faz sucesso sobre o fenômeno dos roqueiros reaças, que tinha em Lobão e em Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, seus expoentes mais ruidosos. Fui xingada pelos dois e virei alvo das hordas de direitistas que os idolatravam.

Lobão era então capaz de dizer coisas como “arrancavam umas unhazinhas”, sobre os torturadores da ditadura militar. Roger, que virou o líder da “banda do Jô” do Danilo Gentili, tentou justificar a tortura de crianças dizendo que era “culpa dos pais” e atribuiu o desaparecimento do deputado federal Rubens Paiva, pai do escritor Marcelo Rubens Paiva, a estar “fazendo merda” na época. Era natural que ambos declarassem voto em Jair Bolsonaro, e assim foi.

A tentação autoritária: um novo patamar?

Por Diogo Cunha, no site Carta Maior:

Pode a democracia brasileira resistir a Bolsonaro? Desde a sua ascensão ao poder no final de 2018, essa pergunta se tornou onipresente. As opiniões divergem. Para uns, a democracia está suficientemente consolidada; logo, as instituições, se não atenuaram o radicalismo e o autoritarismo de Bolsonaro, ao menos o mantém dentro das regras do jogo. Para outros, entre os quais me incluo, desde meados da crise de 2013 e particularmente da destituição da presidente Dilma Rousseff, a democracia vem atravessando um processo de degradação que se acelerou consideravelmente com a ascensão da extrema direita ao poder em fins de 2018. Os danos sociais, ambientais e institucionais da atual administração levarão décadas para serem revertidos.

O país das falcatruas

Por Flávio Aguiar, no site A terra é redonda:

Fake é uma palavra bonita, não? Tem charme, pois é anglo-saxônica. Traduz-se, normalmente, por “falso”, “fictício”, “enganoso”, “artificial”, palavras que não desfrutam da graça do original. Na verdade ela deveria ser traduzida por uma palavra ainda menos bonita: “falcatrua”, que quer dizer “ação enganosa para prejudicar outrem”.

É o que acontece hoje, em vários universos e níveis. O Brasil está virando uma imensa falcatrua, um imenso fake, se quiserem os mais puristas do prestígio anglo-saxônico das palavras.

Quando escrevo o “Brasil” me refiro a uma imagem que temos deste país que equivale a meio-continente, com 215 milhões de habitantes, seis mil quilômetros de comprimento e outros tantos de largura.

Pesquisa para quem precisa de pesquisa

Por Bepe Damasco, em seu blog:

A quem interessa uma pesquisa como essa, feita por telefone e sem registro na justiça eleitoral, o que deixa o levantamento a salvo de questionamentos legais e ações de fiscalização?

O alvoroço causado em alguns setores da banda democrática da sociedade pela divulgação da pesquisa Veja/FSB, na qual Bolsonaro aparece na frente na corrida presidencial de 2022, me trouxe à cabeça o refrão do famoso rock dos Titãs, mas com uma oportuna troca de palavras.

O meu ponto é o seguinte: a quem interessa uma pesquisa como essa, feita por telefone – o que já reduz sensivelmente seu grau de confiabilidade, pois do contrário os grandes institutos não precisariam contratar milhares de pesquisadores de campo - e sem registro na justiça eleitoral, o que deixa o levantamento a salvo de questionamentos legais e ações de fiscalização?

Caminhoneiros e agronegócio insatisfeitos

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“Líder dos caminhoneiros autônomos, Marconi França anunciou que, à zero hora da próxima segunda-feira, dia 16, pelo menos 70% dos cerca de 4,5 milhões de profissionais autônomos e celetistas vão parar em todo o país” (Correio Braziliense).

“Seremos muito mais exigentes no trato com o governo. A bancada dá sustentação política e tem de ter o respeito que merece. Certamente, vamos subir o volume da nossa voz para exigir do governo decisões que defendemos” (deputado Alceu Moreira, presidente da frente parlamentar do agronegócio, também conhecida como a bancada do boi, em entrevista ao Estadão).


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Essas notícias não estão nas manchetes, mas deveriam, porque a ordem unida da imprensa agora é dizer que a economia desencalhou e o pior já passou, o Natal vai ser uma beleza.

Brasil desce a ladeira e atropela o povo

Editorial do site Vermelho:

A economia brasileira vai mal das pernas até em comparação com os “emergentes”, a categoria dos países em desenvolvimento. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) dizem que o Brasil seguirá crescendo abaixo de seus pares nos próximos anos. Suas projeções são de um crescimento, em média, de 2,3% ao ano entre 2021 e 2024. No mesmo período, os “emergentes” como um todo avançariam 4,8% ao ano.

"Centro progressista" não é alternativa

Por Marcelo Zero

Emergindo das brumas higiênicas do quase anonimato, FHC, em seu twitter, afirma que Dória, Huck e Eduardo Leite “expressam o reformismo e a moderação do Centro Progressista. Radicalismos aguçam polarizações e não resolvem os problemas populares do país”.

O recado é claro. Bolsonarismo e petismo seriam “radicalismos” com sinais ideológicos inversos. Ambos comprometeriam, com sua polarização, a democracia e a capacidade do Brasil resolver os “problemas populares”.

A má-fé intelectual da, assim digamos, “tese” é inacreditável, mesmo levando em consideração o padrão extremamente rebaixado do debate político recente.

sábado, 7 de dezembro de 2019

O hino feminista que atravessou continentes

Comunicadores se reúnem na Venezuela

Top 10: Pérolas do bolsonarismo

O que está acontecendo na Colômbia?

Marca da extrema direita é a covardia

Os últimos soluços da República do Paraná

É preciso coragem para reagir

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Conservadores e malucos dominam a Cultura

Por Mauro Donato, no Diário do Centro do Mundo:

A mais nova dupla de integrantes do governo biroliro não desaponta o eleitorado raiz.

Amalucados e com fortes indícios de transtorno mental grave, Rafael Nogueira e Dante Mantovani foram nomeados para os cargos de presidentes da Biblioteca Nacional e da Funarte, respectivamente.

A falta de currículo, como já se sabe desde que Bolsonaro foi eleito, não conta. Os dois novos membros do time são youtubers de pouca expressão.

Na entrega do prêmio Jabuti (um dos mais importantes da literatura) ocorrida a semana passada, absolutamente ninguém nunca tinha ouvido falar em Rafael Nogueira que, na verdade, chama-se Rafael Alves da Silva.

Um processo golpista está em curso

Por Cid Benjamin, na revista Fórum:

“Se as pessoas más fossem mortas, ficariam apenas as boas, não?”. A pergunta foi feita a Mafalda, o genial personagem do cartunista argentino Quino, por Manolito, um amiguinho dela. Mafalda respondeu com uma lucidez cortante: “Não. Ficariam apenas os assassinos”.

Pois a sugestão de Manolito parece estar sendo posta em prática pelos bolsonaristas: matar as pessoas supostamente más. Só que os alvos são os pobres, negros e jovens, moradores de favelas ou periferias das grandes cidades. Entre janeiro e agosto, só no Rio de Janeiro, cinco pessoas foram mortas a cada dia pela polícia. A fonte dessa informação impressionante é a Secretaria de Segurança Pública.

A pressão dos EUA sobre o TRF-4

Por José Reinaldo Carvalho, no site da Fundação Maurício Grabois:

A visita nesta terça-feira (3) do conselheiro para Assuntos Políticos da Embaixada dos EUA em Brasília, Willard Smith, ao Tribunal da Lava Jato, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), onde foi recebido pelo presidente da corte, o desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, é um inadmissível ato intervencionista nos assuntos internos do Brasil.

Insurgências e reações na América Latina

Ilustração: Pedripol
Por Jonnefer Francisco Barbosa, no site Outras Palavras:

Insurgência e contrainsurgência, em tempos de neocolonialismo explícito e da acumulação predatória como prática habitual de governo, deixam de expressar anomalias ou excepcionalidades e passam a ser o cotidiano político de territórios ocupados – como a América Latina conflagrada – dado que o próprio mundo hoje pode ser novamente dividido entre impérios e áreas de ocupação colonial.

Esta hipótese necessitaria de uma digressão histórica mais ampla, que aqui apenas resumirei: se o capitalismo no séc. XIX até a primeira metade do séc. XX estava baseado na mercadoria, e se a partir de 1970 passa a se ancorar na concorrência e no capital humano, vide a interpretação foucaultiana, o capitalismo cibernético contemporâneo, sob o terreno de quatro décadas de prevalência da governamentalidade neoliberal, tem a acumulação predatória ou primitiva (ursprüngliche Akkumulation), tal como chamada por Marx, como vetor principal de sua disseminação e gestão.

Agrotóxicos podem prejudicar exportações

Da Rede Brasil Atual:

A autora do Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, professora Larissa Mies Bombardi, avalia que o governo Bolsonaro pode estar dando “um tiro no pé” com a liberação descontrolada do uso de agrotóxicos no país. Apenas este ano foram autorizados 382, maior quantidade desde o início da série histórica, em 2004. Ela teme que isso possa prejudicar a exportação para países que têm regras rígidas quanto à presença de resíduos de agrotóxicos nos alimentos, caso da União Europeia (UE).

Em vez da bonança prometida, caos e exclusão

Por Vanessa Grazziotin, no jornal Brasil de Fato:

Diante da divulgação do resultado do PIB (Produto Interno Bruto) com um pequeníssimo crescimento neste último trimestre, podemos perceber uma tentativa vigorosa da grande imprensa brasileira e das elites, de passar a ideia e a sensação ao povo brasileiro de que nós estamos encerrando um período de crise e entrando em um período de bonança. Isso, na prática, não corresponde à realidade. 

Se lidos, os próprios dados apontam que este é um crescimento muito momentâneo e que ocorre em determinados setores, porque um dos fatores fundamentais e determinantes, que seria o crescimento nos bens de produção, efetivamente não acontece.

Só Lula pode derrotar o bolsonarismo

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

De todos os números divulgados hoje pela nova pesquisa FSB/Veja, podemos tirar duas conclusões:
- Entre os possíveis candidatos da oposição de esquerda, Lula é o único que pode derrotar o bolsonarismo em 2022.

- O tal “centro”, como é chamada a velha direita envergonhada de FHC, simplesmente não existe. Perde até para “nenhuma das alternativas”.

No primeiro levantamento com o nome de Lula depois de deixar a prisão, o petista está empatado tecnicamente com o candidato do governo no primeiro turno.

'Quadrilhão do PT': outra farsa da Lava-Jato

Por Vilma Bokany, no site da Fundação Perseu Abramo:

A Justiça Federal absolveu no dia 4 de dezembro os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Palocci e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto na ação penal chamada de "quadrilhão do PT". A absolvição de Lula e os demais réus representa outra derrota a força-tarefa da Lava Jato. Segundo o advogado Cristiano Zanin, “perante um juiz imparcial, conseguimos hoje a absolvição sumária de Lula”.

'Coringa' e o medo da burguesia histérica

Por João Paulo Rillo, no blog Viomundo:

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas às margens que o comprimem” - Bertold Brecht

Depois de 10 dias em cartaz, fui assistir ao filme Coringa e notei relativo esvaziamento nas salas de exibição.

Já era recorde de público no mundo inteiro, por isso estranhei a não lotação. Sucessos inferiores de bilheteria lotaram por mais tempo as salas dos shoppings paulistas pelo Estado.

Mas o estranhamento durou pouco, logo fui abduzido pela magia da sétima arte, comi um saco de pipoca e aproveitei cada segundo da obra de arte projetada na tela.

Agente dos EUA se reuniu com juiz do TRF-4

Por Jeferson Miola, em seu blog:

No dia 3/12 o presidente do TRF4 Victor Luiz dos Santos Laus reuniu-se com Willard Tenney Smith, que é um agente de inteligência do Departamento de Defesa dos EUA que usa a camuflagem de “conselheiro político” da embaixada estadunidense em Brasília.

Em 2015, ainda no governo Obama, Willard Smith também havia sido designado como “conselheiro político” da embaixada dos EUA na Venezuela.

A nomeação de Smith para Caracas coincidiu com a retomada, em patamar mais agressivo e provocativo, dos movimentos do Comando Sul dos Estados Unidos na América do Sul e no Caribe. A presença dele em Caracas também coincidiu com o aumento das pressões, do boicote e da agressividade dos EUA em relação ao governo legítimo de Nicolás Maduro.

Mãe de Greenwald e a imundície bolsonarista

Por Fernando Brito, em seu blog:

Morreu Arlene Greenwald, mãe do jornalista Glenn Greenwald.

Seria uma dor pessoal, familiar, digna da solidariedade humana, como a qualquer pessoa se teria nestas horas.

Mas, neste caso, um episódio vergonhoso para quem perdeu todo o respeito aos seres humanos, como parte da matilha bolsonarista que afirmava ou insinuava que a doença terminal de D. Arlene era fantasiosa, simples pretexto para que o jornalista deixasse o Brasil, com os filhos, para visitá-la.

Estaria fugindo do ridículo “Pavão Misterioso”.

Derrota de Moro e vitória da frente ampla

Editorial do site Vermelho:

A derrota do ministro da Justiça Sérgio Moro na aprovação do projeto de lei do “pacote anticrime” na Câmara dos Deputados tem grande dimensão. Na sua origem, o projeto tinha um conjunto de medidas antidemocráticas, que foi rejeitado. Ele representava um instrumento de Estado de exceção, uma arma de repressão ao povo, como o “excludente de ilicitude”, a prisão após a condenação em segunda instância e o “plea bargain” (fala-se "pli bárguein"), uma variação da “delação premiada”, regulamentada pelo texto-base aprovado em outros termos.

Justiça absolve Lula e Dilma; Globo esconde

Por Altamiro Borges

Em decisão assinada pelo juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara do Distrito Federal, a Justiça finalmente fez justiça e absolveu sumariamente os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff no grotesco processo do chamado “quadrilhão do PT”. Como apontou em sua sentença, “a denúncia apresentada traduz tentativa de criminalizar a atividade política”. Ainda de acordo com o juiz, a acusação descreveu “ilícitos penais autônomos sem que revele a existência de estrutura ordenada estável e atuação coordenada dos denunciados, traços característicos de uma organização criminosa. Numa só palavra, não evidencia a subsistência do vínculo associativo imprescindível à constituição do crime”.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Jornal Mutirão na luta contra a ditadura

Por Altamiro Borges

Num momento político sombrio, em que os militares retornam ao poder central – são oito generais vassalos no ministério do capitão Jair Bolsonaro – e uma ditadura híbrida avança no país, a publicação do livro sobre a história do jornal cearense Mutirão (1977-1982) é bastante oportuna. O amigo Benedito Bizerril, advogado e militante das causas populares, acertou em cheio ao se dedicar à pesquisa e à redação da obra. Protagonista dessa empreitada heroica, ele mostra a importância da mídia alternativa em tempos de resistência.

Evo Morales: a história o absolverá

Por Boaventura de Sousa Santos, no site Carta Maior:

Os acontecimentos dramáticos ocorridos na Bolívia seguiram um guião imperial que os latino-americanos começam a conhecer bem: preparar a mudança de regime de um governo considerado hostil aos interesses dos Estados Unidos (ou melhor das multinacionais norte-americanas). Fazem-no orquestrando um plano duplo: anular uma vitória eleitoral “inimiga” e consolidar rapidamente o novo regime que toma medidas que não são próprias de um governo de transição. Certamente que o que aconteceu nos surpreende, mas também o modo imediato como foi comentado, de modo maioritariamente desfavorável ao governo de Evo Morales a partir de quadrantes ideológicos supostamente opostos. Proponho-me contribuir para este debate pois vejo nos recentes acontecimentos na Bolívia as sementes de muito do que se passará no continente e no mundo nas próximas décadas.


A zorra total do bolsonarismo no Congresso

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Metida num discreto terninho preto, a loiríssima Dona Cacilda, supostamente arrependida por ter feito parte da turma do fundão, senta-se ao lado do amado mestre na carteira do professor, pronta a detonar os antigos coleguinhas, hoje desafetos. Seu primeiro alvo é a ex-melhor amiga dona Bela, toda faceira na fila da frente da classe:

- Sua burra! O presidente me perguntou se você tinha sido prostituta na Espanha. Seu ex-marido já confessou publicamente ter problemas com drogas. Você fez uma foto na avenida Paulista com dizeres fofos na barriga e na segunda o aborto já estava marcado. Mentirosa! Manipuladora! Psicopata! Beijinho, beijinho, pau, pau!

Nossa América Latina tão desigual

Por Frei Betto, no site Correio da Cidadania:

A Amé­rica La­tina, com 638 mi­lhões de ha­bi­tantes, é hoje a re­gião de maior de­si­gual­dade no mundo. Após uma dé­cada de re­dução da po­breza e da de­si­gual­dade, os ín­dices voltam a pre­o­cupar, de­vido à so­ne­gação fiscal e o corte de pro­gramas so­ciais. Como as eco­no­mias na­ci­o­nais re­tro­ce­deram, hoje 20% da po­pu­lação são con­si­de­rados vul­ne­rá­veis. E 122 mi­lhões de pes­soas que dei­xaram a po­breza, mas não con­se­guiram se in­cluir na classe média, podem perder o pouco que ob­ti­veram.

Em 2002, 44,5% dos la­tino-ame­ri­canos vi­viam na po­breza, dos quais 11,2% na mi­séria. Hoje, entre a po­breza e a mi­séria vivem 30% da po­pu­lação do Con­ti­nente, ou seja, 210 mi­lhões de pes­soas.

Protesto contra o genocídio em Paraisópolis

Os bolsonaristas arrependidos

Guedes ataca salário de servidores públicos

Joice Hasselmann e a CPMI das Fake News

EUA demandam repressão e prisão de Lula

Quilombo do Campinho em Paraty (RJ). Foto: Ricardo Stuckert
Por Marcelo Zero

Não há dúvida de que há uma crise mais ou menos generalizada dos sistemas democráticos no mundo.

A causa última e fundamental dessa crise tange à crescente desigualdade social, à erosão do Estado de Bem-Estar e à falta de geração de empregos de qualidade, ocasionadas pelas políticas neoliberais e de austeridade, combinadas com uma crise econômica que não dá mostras de ser efetivamente superada.

A eleição de Trump e de outros líderes do chamado “populismo de direita”, o Brexit, a ascensão de forças de extrema direita e uma insatisfação generalizada com os partidos e as instituições democráticas são sintomas claros dessa crise política e democrática.

"Vamos derrotar o golpe na Bolívia"

Por Leonardo Wexell Severo, de La Paz, Bolívia

Nesta entrevista exclusiva, o presidente da Câmara dos Deputados da Bolívia, Sérgio Choque, denuncia o golpe de Estado que afastou o presidente Evo Morales “a partir da pressão dos setores ligados à direita, com a perseguição de dirigentes, queima de residências de deputados e senadores, e mais o sequestro de familiares”; condena o assassinato de manifestantes, “cruelmente alvejados pelas balas do Exército”; defende a libertação dos patriotas que lotam as penitenciárias; repudia a enorme censura à imprensa, pois “qualquer imagem que mostre é apontada como sedição, havendo o fechamento do meio de comunicação e a prisão dos jornalistas”; e alerta para a própria perseguição dos parlamentares, “porque hoje se falamos algo do governo imediatamente querem nos prender”.

Levante a voz contra o machismo

A revolta latino-americana

Por José Luís Fiori, no site A terra é redonda:

Em um primeiro momento, pareceu que a direita retomaria a iniciativa, e se fosse necessário, passaria por cima das forças sociais que se rebelaram, e surpreendeu o mundo durante o “outubro vermelho” da América Latina. No início de novembro, o governo brasileiro procurou reverter o avanço esquerdista adotando uma posição agressiva e de confronto direto com o novo governo peronista da Argentina. Em seguida interveio, de forma direta e pouco diplomática, no processo de derrubada do presidente boliviano, Evo Morales, que havia acabado de obter 47% dos votos nas eleições presidenciais da Bolívia. A chancelaria brasileira não apenas estimulou o movimento cívico-religioso da extrema-direita de Santa Cruz, como foi a primeira a reconhecer o novo governo instalado pelo golpe cívico-militar e dirigido por uma senadora que só havia obtido 4,5% dos votos nas últimas eleições.

Um espectro ronda Bolsonaro: o povo na rua

Por José Dirceu, no site Metrópoles:

Os fatos recentes no Equador, no Peru, no Chile, na Bolívia e na Colômbia nos remetem de novo ao militarismo, e as fotos não mentem: as forças armadas desses países, com exceção da Colômbia, voltaram ou reafirmaram seu papel de tutela sobre o sistema político, com o agravante de mantenedoras da ordem social e econômica mesmo às custas da democracia, apesar de as Constituições proibirem expressamente qualquer papel político para aqueles aos quais a nação entregou sua defesa em armas.

Contundente e ferina reação aos ataques

Por João Guilherme Vargas Netto

No último artigo da MP 905 há um festival de revogações de leis e decretos-lei anteriores cancelando direitos.

Entre estas revogam-se integralmente as regulamentações de diversas profissões e suas normas regulamentadoras relativas, até mesmo os registros profissionais. São prejudicados os corretores de seguros, os publicitários, os atuários, os jornalistas, os guardadores e lavadores de veículos, os arquivistas, os radialistas, os músicos, os estatísticos, os sociólogos e os secretários. Também são revogadas as multas decorrentes do não cumprimento das legislações regulamentadoras.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Joice garante: Eduardo é líder das milícias

Por Altamiro Borges

Em seu tão esperado depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News nesta quarta-feira (4), a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) detonou o filho 03 do “capetão”, o que pode colocar em risco o seu mandato. “Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido” nas milícias digitais, garantiu a ex-líder do laranjal na Câmara Federal, que hoje está em guerra contra o clã fascista, sofrendo ferozes ataques virtuais e correndo até risco de agressões. Ela ainda afirmou que assessores parlamentares, outros deputados federais e estaduais e membros do Palácio do Planalto fazem parte do “gabinete do ódio” montado para atacar opositores.

O punitivismo neoconservador no Brasil

Por Raphael Boldt, na revista CartaCapital:

O final do ano está às portas. E, com isso, chega ao fim também o primeiro ano de um novo (velho) governo. Novo do ponto de vista cronológico, velho com relação a certas práticas e, sobretudo, no que se refere aos discursos que delineiam a atual política criminal no Brasil. Na realidade, uma das principais novidades da atual administração está nos traços marcadamente e escancaradamente neoconservadores do controle penal que, sem qualquer cerimônia, reproduz o que há de pior no modelo norte-americano.

Doria e o genocídio em Paraisópolis

Por Raimundo Bonfim, na revista Fórum:

A Polícia Militar do governador João Doria invadiu um baile funk na madrugada do último domingo (1), na favela Paraisópolis, e assassinou nove jovens; sete ficaram feridos.

A ação ocorreu no Morumbi, um dos bairros mais nobres de São Paulo. Porém, o exato local escolhido foi a favela Paraisópolis, cravada no meio da fina flor da elite paulistana. Policiais dispararam gás lacrimogêneo, balas de borracha, além de garrafas de vidros, coronhadas, tapas, socos e pontapés. O que ocorreu não foi confronto. Foi genocídio mesmo.

Livro radiografa o "reino" de Edir Macedo

Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

Com 61 anos, o jornalista paulistano Gilberto Nascimento passou grande parte de suas quatro décadas de profissional cobrindo assuntos ligados à religião, notadamente a católica, por diversos veículos, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e IstoÉ. Atuou também no jornal O São Paulo, da Arquidiocese paulistana. Desses postos pôde observar diversas transformações e fenômenos, como o enfraquecimento de alas progressistas e a expansão de grupos pentecostais, entre os quais destaca-se a Igreja Universal do Reino de Deus, do midiático Edir Macedo.

Seriam os neoliberais terraplanistas?

Por Marcos Barbosa de Oliveira, no site Outras Palavras:

Em Universidade: por trás do projeto Weintraub, publicado em Outras Palavras em 26/7/2019, discuti o processo de mercantilização da ciência e da Universidade enquanto um aspecto do neoliberalismo, com foco no inovacionismo. Este foi definido como o movimento, no campo das políticas científicas e tecnológicas, que promove a produção de inovações como objetivo primordial da pesquisa científica, sendo uma inovação definida como uma invenção rentável seguramente e a curto prazo. Como a instância que determina o que é e o que não é rentável é o mercado, o inovacionismo faz com que a definição dos rumos da pesquisa – ou, em outras palavras, a decisão sobre quais projetos de pesquisa devem ser financiados – fique nas mãos do mercado. A presente contribuição versa sobre a mesma temática, e divide-se em duas partes: a primeira parte é mais geral, envolve uma interpretação e uma crítica do inovacionismo; a segunda diz respeito à conjuntura, mas precisamente, ao status do inovacionismo nos dias de hoje.

Trump e a vassalagem de Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou o slogan "América em primeiro lugar", ele não deixou margens para dúvidas de que comandaria um jogo comercial de regras brutais. Isso ficou mais definido em sua intervenção no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de 2018. Na ocasião, Trump disse que o livre-comércio “precisa ser justo e recíproco”.