terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mais de mil jornalistas são demitidos em SP

Por Altamiro Borges

A mídia privada, controlada por meia dúzia de famílias, continua exercendo forte influência no Brasil - não há que subestimá-la. Ela foi a principal protagonista do "golpe dos corruptos", que derrubou a presidenta Dilma e alçou o Judas Michel Temer ao poder. Contraditoriamente, porém, o seu modelo de negócios está em profunda crise. Entre outros fatores, ela decorre do crescimento da internet e da própria perda de credibilidade dos veículos partidarizados e manipuladores. O resultado é a queda de tiragem dos jornais e revistas e a perda de audiência das tevês. Outro efeito, mais trágico - inclusive para os jornalistas que ainda insistem em chamar o patrão de companheiro - é a drástica redução do número de profissionais nas redações.

O jornalista Sidney Rezende, que foi demitido da TV Globo por suas posições mais críticas, postou em seu blog na semana passada um levantamento impactante sobre esta tendência. Segundo revela, mais de 1.200 jornalistas perderam o emprego em São Paulo somente neste ano. Além dos fatores apontados acima, ele também explica o aumento do desemprego como resultado do agravamento da crise econômica no país e dos próprios erros de gerenciamento dos barões da mídia. Os números exibidos pelo blog tiveram como fonte as homologações realizadas pelo Sindicato dos Jornalistas.  

Sidney Resende ainda observa: "A tabela desta reportagem aponta a realidade dos sindicalizados ou não (inclui também o profissional que não está associado ao Sindicato. Se ele tiver trabalhado mais de um ano com registro, a homologação ocorre com o acompanhamento da entidade da categoria). No entanto, a planilha não inclui os chamados 'pejotizados', que mantém relação pessoa jurídica com os veículos empregadores. E não são poucos. Eles representam um grande número de profissionais que, infelizmente, sofrem demissões, mas, pela natureza desse tipo de relação de pessoas jurídicas, não há facilidade do Sindicato ter um dado oficial. A estimativa do Sindicato é que o número de demissões seja de 20% a 30% maior do que apontam as planilhas (até 22/12), pois os profissionais com menos de um ano de trabalho numa empresa não são homologados pela entidade".


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