quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Golpe consumado. Agora é #ForaTemer

Por Altamiro Borges

O "golpe dos corruptos" foi consumado no início da tarde desta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. O usurpador Michel Temer - sem voto, sem legitimidade e rejeitado pelos brasileiros, segundo todas as pesquisas - será o novo "presidente" imposto pelo colégio eleitoral do Senado, que também exerceu a função de tribunal de exceção ao afastar uma presidenta democraticamente eleita e que não cometeu nenhum crime de responsabilidade.

Uma nova fase de luta se inicia no Brasil, na qual a principal bandeira será a do "Fora Temer" - numa reedição da memorável jornada das Diretas-Já, que desgastou a ditadura militar em meados da década de 1980. Alçado ao poder por um golpe midiático-parlamentar-judicial, o Judas tentará impor à nação o programa tucano que foi derrotado nas urnas em outubro de 2014.

Os que festejam hoje vão chorar amanhã!

Por Altamiro Borges

Às 13h30 desta quarta-feira, 31 de agosto de 2016, o tribunal de exceção do Senado aprovou o impeachment da presidenta Dilma, eleita democraticamente por 54,5 milhões de brasileiros. O "golpe dos corruptos" contou com o voto de 61 algozes, a maioria deles mais suja do que pau de galinheiro.

Nas redondezas da Avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, alguns "coxinhas" dispararam as buzinas de seus carrões. Dos prédios, outros fanáticos soltaram rojões e gritaram "Fora Dilma". Mas a vida dá volta e é cruel. Muitos "midiotas" que festejam nesta triste data ainda vão chorar muito num futuro bem próximo do crime que ajudaram a perpetrar contra a jovem democracia brasileira.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O balcão de negócios do impeachment

Por Altamiro Borges

Após inúmeros discursos e muita polêmica, o Senado deverá votar nesta quarta-feira (31) o desfecho final do processo de impeachment da presidenta Dilma. Pelos argumentos jurídicos apresentados no plenário ficou visível, até para o mais ingênuo "midiota", que o pedido de afastamento tem motivação política - o tal "conjunto da obra. Isto apenas confirma que o Brasil vive um golpe de novo tipo, um golpe midiático-parlamentar-judicial. Mas a argumentação jurídica, porém, parece que é o que menos importa entre os "nobres senadores". Apesar da operação abafa da mídia chapa-branca, o que vale de fato nas últimas semanas em Brasília é o balcão de negócios do impeachment.

Tucaninhos são presos. E os chefões?

Por Altamiro Borges

Na última quarta-feira (24), a Polícia Federal prendeu o presidente do PSDB de Goiás, Afrêni Leite. Investigado pela Operação Decantação, ele é acusado de participar do esquema de desvio de R$ 4,5 milhões dos cofres públicos por meio de contratos fraudulentos da Saneago, a empresa de saneamento do Estado. Segundo a PF, os recursos oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal foram desviados para o pagamento de propinas e dívidas das campanhas eleitorais do tucanato. O repasse foi feito através de doações ilegais e alimentou o Caixa-2 do PSDB. Durante a ação, a polícia realizou operação de busca na sede do partido em Goiânia.

A coragem de Dilma e a covardia de Temer

Dilma deu início ao julgamento dos canalhas

Por Jeferson Miola

A consumação do golpe de Estado baseado no processo fraudulento de impeachment da Presidente Dilma é uma questão de horas.

A liturgia que está sendo seguida neste julgamento, com longas sessões no Senado presididas pelo Presidente do STF, é apenas um verniz para aparentar normalidade de funcionamento das instituições que, na verdade, estão sendo destroçadas com o golpe.

A maioria do tribunal de exceção em que se transformou o Senado da República é formada por senadores e senadoras golpistas que já condenaram por antecipação a Presidente Dilma, muito antes do início do processo e independentemente da inexistência de fundamentos jurídicos e legais.

Dilma aniquilou os torturadores de hoje

Impedir o golpe é uma questão de cárater

Foto: Mídia Ninja
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Em três meses fora do Planalto, Dilma Rousseff consumou uma vitória essencial para o futuro de nossa democracia, ao ganhar o debate político sobre a natureza de seu afastamento. Numa virada respeitável, a situação pode ser resumida assim: para além do círculo de políticos, empresários, meios de comunicação e jornalistas diretamente interessados numa derrota histórica do projeto político construído em torno de Luiz Inácio Lula da Silva, pode-se dizer que não há quem não esteja convencido, dentro e fora do país, de que sua saída da presidência representa um golpe de Estado, inaceitável pela própria natureza.

Temer beneficia Globo, Folha e Estadão

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Já que o Governo Temer se mostrou tão zeloso em cortar a publicidade dos blogs e sites progressistas – e não deste aqui, que jamais recebeu um tostão – vou dar minha cota de colaboração para que todos vejam que, quando é para dar publicidade a grande mídia vale tudo, até transformar jornais cariocas e paulistas em gaúchos e usar para isso matéria legal, publicada por determinação judicial.

Defesa histórica inspira a resistência

Por Renato Rovai, em seu blog:

A presidenta Dilma começou a falar no Senado às 9h53 e terminou às 23h47. Quase 14h de uma defesa memorável que vai se tornar uma peça de estudos por muitos e muitos anos.

Uma defesa que já seria histórica se fosse algo mais ou menos razoável, mas não foi só. Foi um show. Um show de coragem, de dignidade e de respeito à biografia e à democracia.

Não é pouco ter dignidade para defender a biografia. No universo da política as pessoas trocam suas biografias por qualquer trocado.

A aula de democracia da presidenta Dilma

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Apesar das negativas dos golpistas de que estão fazendo o que todos veem, a quantidade de pessoas, instituições e até de nações que enxergam que está ocorrendo um golpe de Estado no Brasil desqualifica as tentativas vis, imorais, inaceitáveis de tratar esses questionamentos com desdém.

As multidões que tomaram as ruas e a internet para protestar contra a derrubada da presidente chegam a dezenas de milhares, as figuras públicas que manifestaram repúdio ao processo farsesco mal chamado de “impeachment” são prêmios Nobel, intelectuais, artistas, chefes de governo, líderes religiosos e tantos e tão importantes cidadãos “comuns”, os órgãos de imprensa que opinam que esse processo é viciado são veículos como o francês Le Monde, o inglês The Guardian, o norte-americano The New York Times, o alemão Deutche Welle…

"Temer é coadjuvante, o líder é Cunha"

http://pataxocartoons.blogspot.com.br/
Por Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:

Afastada do poder há mais de cem dias, Dilma Rousseff estava em sua 12ª hora de depoimento no Senado quando Cristovam Buarque assumiu o microfone do plenário para interpelá-la. Decidido a abraçar de vez a aventura do impeachment sem crime de responsabilidade, após meses “indeciso”, o parlamentar ignorou o esgarçado pretexto das pedaladas fiscais e a questionou sobre a escolha do peemedebista Michel Temer como seu vice. “O que ele teve de tão bom que quatro anos depois a senhora repetiu o nome dele como seu companheiro de chapa?"

A consciência tranquila de Dilma

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Com o discurso coerente e a postura mais uma vez altiva, serena e digna diante dos algozes, a presidenta Dilma Rousseff assegura o lugar no panteão das vítimas históricas da injustiça. Caso este golpe se concretize, como tudo indica que irá, Dilma estará ao lado de João Goulart, Salvador Allende, Joana d’Arc, Sacco & Vanzetti e tantos outros grandes homens e mulheres imolados pelas forças reacionárias “em nome do povo”. Como neles, a palavra “honra” cabe como uma luva à biografia de Dilma. Em companhia oposta, na dos covardes e dos traidores, estarão os que a condenaram –e isto inclui os lamentáveis meios de comunicação que dominam nosso país.

Golpe fede mais do que banheiro químico

Por Bepe Damasco, em seu blog:

A "semana da vergonha", como bem a definiu o ex-presidente Lula, começou com a frase histórica da senadora Gleisi Hoffmann, que esfregou na cara dos corruptos do Senado, que querem roubar 54 milhões de votos dos brasileiros, uma verdade corrosiva : "vocês não têm moral para julgar a presidenta Dilma."

Na sequência, um exemplo acabado de moralista sem moral, o presidente do Senado, Renan Calheiros, entrou em cena para pedir moderação, mas acabou se despindo da fantasia da sobriedade ao lançar mão de mentiras e baixarias contra a senadora Gleisi e os adversários do golpe na Casa. Para ele, os senadores da oposição devem ter um comportamento bovino diante do estupro da Constituição.

Dilma sacudiu as consciências

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

É possível que Dilma não tenha virado votos com seu comparecimento ao Senado mas é certo que mexeu com algumas consciências no plenário e com a vastidão do imaginário popular em relação ao processo. O discurso, a firmeza, a disposição para o debate, o preparo intelectual, tudo somou para fazer de sua apresentação um ato de estadista, ainda que seja o último como presidente da República. 

A inarredável caracterização do impeachment como golpe parlamentar, sintonizado com a nova realidade da América Latina, que não comporta mais as velhas quarteladas, pode não ter mudado a correlação de forças, mas semeou desconforto entre seus algozes. Eles sabem que, mesmo ganhando a guerra para tirá-la do cargo, perderam a disputa pela narrativa desta tragédia grega. 

Cunha manda no covil golpista de Temer

Por Altamiro Borges

Bem que a mídia golpista e o seu dispositivo partidário gostariam de esconder o nome do correntista suíço Eduardo Cunha na sessão do Senado desta segunda-feira. Afinal, ele chefiou a “assembleia de bandidos” que deflagrou o processo de impeachment. Após realizar o trabalho sujo, ele foi afastado da presidência da Câmara, mas segue em atividade tentando salvar o seu mandato – contando com o apoio nada discreto de Michel Temer, que morre de medo da sua “delação premiada”. O esforço para esconder o bandido, porém, esbarrou na determinação de Dilma Rousseff de cutucar a ferida. Respondendo a vários senadores, ela fez questão de citar o nome do líder do “golpe dos corruptos”.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Discurso de Dilma repercute no mundo

Por Altamiro Borges

Os golpistas fizeram de tudo para evitar a presença de Dilma Rousseff diante do tribunal de exceção do Senado na manhã desta segunda-feira (29). Espalharam boatos e estimularam a cizânia. Temiam a repercussão do seu pronunciamento - no Brasil e no mundo. A pressão dos covardes, porém, não deu resultado. "Coração valente", a presidenta foi ao plenário - acompanhada de artistas, intelectuais e de lideranças políticas e sociais - e fez um discurso altivo e contundente. Durante horas, Dilma também aguentou as provocações dos falsos moralistas, respondendo com firmeza aos algozes. O efeito foi imediato. Nas redes sociais, a hashtag #Pelademocracia foi a mais acessada no twitter mundial. Na imprensa internacional, o histórico discurso teve ampla repercussão.

Aécio: "o primeiro a ser comido" no Senado

Por Altamiro Borges

Em seu histórico discurso no Senado na manhã desta segunda-feira (29), a presidenta Dilma mandou um recado direto para o cambaleante Aécio Neves, presidente do PSDB. "Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment. Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço".

A grande imprensa e o governo do golpe

Por Paulo Kliass, na revista Caros Amigos:

Um dos aspectos mais importantes que devem ser creditados ao sucesso da “operação golpeachment” refere-se ao papel exercido pelos grandes meios de comunicação ao longo de todo o processo. A participação da grande imprensa foi essencial para ajudar no estabelecimento de uma leitura hegemônica a respeito da inevitabilidade do afastamento da Presidenta.

Muito já foi pesquisado e escrito a respeito das relações incestuosas da tríade estabelecida entre “mídia, poder e dinheiro”. O caso brasileiro ocorrido entre 2014 e 2016 vai se transformar certamente em objeto de um sem-número de dissertações, teses, livros e filmes. A vitória de Dilma em sua campanha pela reeleição só foi possível graças à intensa mobilização popular que se verificou entre o primeiro e o segundo turnos durante o mês de outubro de 2014. A partir dali tem início uma ampla articulação conservadora visando impedir que Rousseff conseguisse chegar ao final de seu segundo mandato.

O contundente discurso de Dilma

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

Diferentemente do senador Álvaro Dias (PV-PR), que, em entrevista, afirmou que o discurso de Dilma Rousseff no Senado foi “bom em retórica”, analistas ouvidos pela RBA consideraram o pronunciamento na manhã de hoje politicamente eficiente. “Eu temia que ela fosse para argumentos muito técnicos, mas ela deu um tom político claro à fala. Deu a base da estrutura do processo de impeachment e marcou uma posição importante. Não foi tímido, foi um discurso quente, que se posicionou, teve lado, e não tentou ir para uma linha tecnicista”, diz o cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC (UFABC).