sexta-feira, 26 de outubro de 2018

'Ditadura de 1964 não soava tão ameaçadora'

Por Mino Carta e Sergio Lirio, na revista CartaCapital:

Desde a última entrevista a CartaCapital de Celso Amorim, ex-chanceler e ex-ministro da Defesa, as circunstâncias mudaram radicalmente. Não se discute mais a vitória de um candidato progressista, mas a preservação das bases mínimas da civilização. Embora reconheça a cegueira coletiva e a ignorância reinante, Amorim ainda acredita haver tempo de despertar consciências. “O mais importante neste momento é salvar a democracia.”


Com quem anda o Doria?

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Não adianta pedir perdão daqui a 50 anos

Por Eleonora de Lucena, no site Tutaméia:

Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação - com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

Bolsonaro e falanges anunciam o que farão

Como seria o Brasil de Bolsonaro

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Com a Câmara Federal presidida por um dos filhos do presidente da República e o Senado pelo outro filho, o Brasil virou uma dinastia militar-civil-teocrática desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder. A expressão “estado policial” é a exata tradução do que vivemos: violência, repressão e banhos de sangue se tornaram parte do cotidiano do brasileiro.

Depois que o presidente Jair liberou as armas de fogo para toda a população, os atentados a bala, antes raros no país, tornaram-se frequentes. A exemplo do que acontecia nos Estados Unidos de Donald Trump, que não foi reeleito, pelo menos um massacre por mês é perpetrado. O número de pessoas, muitas delas crianças, atingidas por tiros acidentais dentro de casa se multiplicou em 3000%.

"Neutralidade" é o último refúgio do canalha

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O “manifesto” de Eduardo Jorge anunciando seu voto nulo é a pá de cal numa carreira que nunca decolou por motivos que vão ficando mais óbvios a cada vez que ele reaparece, de quatro em quatro anos.

Intitulada “Asterix”, sabe Deus por quê, é um amontoado de equívocos, clichês e desculpas para ser covarde diante do fascismo.

Na miopia de Eduardo, as eleições de 2010 e 2014 foram entre “dois partidos de orientação socialista”.

Bolsonaro e as instituições humilhadas

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

Apesar do pedido de desculpas de papai Bolsonaro pela ameaça de fechar o STF proferida pelo “garoto”, seu filho deputado reeleito Eduardo, o STF sofreu nova e torpe humilhação.

A pedido do ministro Gilmar Mendes, a segunda turma do STF pedirá abertura de investigação sobre os insultos que, em vídeo, o coronel da reserva Carlos Alves de Lima Filho, apoiador de Bolsonaro, dirigiu ao STF, ao TSE e especialmente à ministra Rosa Weber, que chamou de vagabunda, salafrária, corrupta e incompetente.

Postado no Youtube, o vídeo viralizou nas redes.

Bolsonaristas já ensaiam uma nova ditadura

Por Mário Magalhães, no site The Intercept-Brasil:

Nos idos de março de 1964, o horário de verão adotado no dia 1º foi uma pegadinha da história. Enquanto os ponteiros dos relógios eram adiantados, o país vivia a iminência de andar para trás. Em 2018, a ironia é mais mordaz. No domingo, por erro das operadoras de telefonia, os celulares pularam uma hora, sem esperar a data correta, 4 de novembro. Pareciam caçoar de uma declaração de Jair Bolsonaro. O candidato dissera que o objetivo de seu governo seria modelar “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos”.

Apertem os cintos, pois o TSE sumiu

Por Patrícia Valim, no jornal Brasil de Fato:

Ainda há tempo de evitar que o Brasil faça a sua marcha da insensatez e escolha a autodestruição no próximo domingo. “A marcha da insensatez: de Troia ao Vietnã”, da historiadora norte-americana, Bárbara Tuchman, foi publicado no Brasil em 1984, tornando-se, desde então, um dos principais livros de cabeceira de toda uma geração de progressistas e humanistas.

O sucesso se deve ao argumento central da obra: por meio de alguns episódios históricos e um mitológico – o cavalo de Troia: uma armadilha dos gregos – a autora demonstra que a história da humanidade é também a história das escolhas insensatas e insanas, com as populações e seus líderes flertando com alguma frequência com a derrota e a autodestruição. Mas, como é possível que seres humanos escolham a sua própria destruição se um dos pilares da razão moderna é a preservação da vida? Vejamos a situação do Brasil na última semana.

As três vitórias de Gramsci sobre o fascismo

Por Juarez Guimarães, no site Carta Maior:

A primeira resposta de Gramsci à ascensão do fascismo italiano foi entendê-lo como o resultado catastrófico de uma situação de impasse prolongado entre uma ordem liberal em crise e uma esquerda expressiva de um movimento operário no norte em radicalização e de um movimento camponês em processo de sublevação no sul. Esta seria, de fato, uma resposta leninista: um empate na correlação de forças em meio a uma grave crise nacional teria sido resolvido por uma contra-revolução. O momento regressivo da força impôs-se em meio a uma crise de legitimidade do Estado.

Notícias falsas e a ameaça à democracia

Por André Matheus, Diogo Flora e Rodrigo Mangabeira, no site Brasil Debate:

A eleição de 2018 foi a primeira em que o uso da internet foi decisivo. Ganhando com passadas largas da televisão, rádio e escritos, as redes sociais conseguiram não apenas novos receptores como converteram um grande número de multiplicadores de conteúdo eleitoral. Grupos antes fechados passaram a compartilhar entre si mensagens por um sem número de diferentes mídias, transportando o debate eleitoral para as telas dos celulares e acelerando a velocidade com que uma informação pode se alastrar. Agora, passado o primeiro turno, podemos avaliar um pouco melhor o que passou.

Reta final: intensificar a mobilização

Editorial do site Vermelho:

A ofensiva autoritária do candidato fascista Jair Bolsonaro e seus apoiadores contra princípios democráticos e contra a liberdade de imprensa, e suas ameaças às forças progressistas e aos movimentos sociais provocaram uma ampla reação de inúmeros segmentos democráticos da sociedade brasileira. A disputa eleitoral tem demonstrado que está em jogo o destino da democracia no Brasil e até mesmo o respeito às instituições, uma vez que até o Supremo Tribunal Federal foi posto na alça de mira dos bolsonaristas – como seu filho Eduardo Bolsonaro, que ameaçou fechar o STF com “um soldado e um cabo”, ameaça que reiterou dizendo que “a gente não vai se dobrar a eles não”.

A overdose de “Bolsonaro”

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Deixou de ser “brincadeirinha”.

Os vídeos de Eduardo Bolsonaro dizendo que bastam um cabo e um soldado para fechar o Supremo e o do pai, dizendo que vai banir do Brasil seus opositores tiveram mais efeito sobre as pessoas, nesta semana final das eleições, do que as toneladas – e ponha toneladas nisso – de barbaridades ditas e gravadas ao longo de duas décadas pelo candidato do PSL.

Carta de Lula sobre o segundo turno

Foto: Ricardo Stuckert
Do site Lula:

“Meus amigos e minhas amigas,

Chegamos ao final das eleições diante da ameaça de um enorme retrocesso para o país, a democracia e nossa gente tão sofrida. É o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Mídia mundial teme caos político e econômico

Se eleito, Bolsonaro enfrentará o STF

Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

A recente polêmica causada pela descoberta de um vídeo em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que bastavam um cabo, um soldado e um jipe para fechar o Supremo Tribunal Federal foi tratada de maneira superficial pela maior parte dos meios de comunicação.

Quem se deu ao trabalho de ver entrevistas e acompanhar o submundo dos grupos de whatsapp da campanha neofascista aos longo dos últimos meses sabe que os temas relativos ao TSE e ao STF provocam forte comoção entre os apoiadores de Bolsonaro.

Desde antes da campanha começar formalmente, Bolsonaro e assessores incentivaram a ideia de que haveria fraude nas urnas eletrônicas.

Pink Floyd e o fascismo nosso de cada dia

Por Cezar Britto, no site Congresso em Foco:

Conheci o rock progressivo de Pink Floyd através do álbum The Wall, lançado em 1979. Eu pertencia à jovem geração universitária que combatia a ditadura civil-militar instalada em nosso país e sonhava com uma sociedade livre, que fugisse da lógica autoritária fascista: excludente e violenta. Não sem razão, em tom de rebelde e alegre protesto, cantávamos a versão Pink Floyd da cantiga popular "Atirei o pau no gato", pedindo que dona Chica deixasse o gato em paz, pois ele era bom demais. O fascismo, estatal ou não, era o adversário a ser vencido e contra ele caminhávamos, “sem lenço e sem documento”, acreditando “nas flores vencendo o canhão”.

Os ataques à liberdade de expressão

Do site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC):

Desde o primeiro turno temos acompanhado e denunciado os casos de remoção arbitrária de conteúdos e o cerceamento à liberdade de expressão que vem ocorrendo nas eleições. E no último sábado, fomos surpreendidos com um fato bastante preocupante, que nos coloca ainda mais alertas diante deste processo.

O juiz eleitoral de Macaé-RJ, Sandro de Araújo Lontra, mandou apreender exemplares do Jornal Brasil de Fato e do Boletim Nascente (periódico semanal do sindicato) que estavam na sede do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF).

Derrota do fascismo será derrota do sistema

Por Jeferson Miola, em seu blog:           

Nesses dias derradeiros que antecedem a eleição de domingo, dissiparam-se todas as indefinições; o sistema está abraçado ao candidato de extrema-direita.

Bolsonaro é o candidato da Globo, da mídia, do TSE, STF, MP, PF, do judiciário; dos bancos, dos empresários, das forças armadas, das oligarquias.

O fascista é o candidato do establishment, é o candidato em quem o sistema aposta todas as fichas, não importa o quão tenebroso seria um eventual governo dele.

General Golbery e a volta da tigrada

Por Marcelo Zero

A possível eleição de Bolsonaro poderá ser mais destrutiva que a ditadura de 1964.

Ele, que defendeu ontem a prisão ou a expulsão de opositores, assumiu sua face mais sinistra.

Bolsonaro é o descendente direto daquilo que o General Golbery denominava de “a tigrada”. Esse era o pessoal militar encarregado diretamente dos órgãos de inteligência e da repressão aos opositores políticos do regime.

Era o pessoal que vigiava, perseguia, torturava, sequestrava e matava. Era gente da direita mais extrema, de menor nível intelectual, que se encarregava de fazer o trabalho sujo para o regime.