domingo, 10 de setembro de 2017

Fascistas do MBL abortam exposição de arte

Por Altamiro Borges

Os fedelhos do Movimento Brasil Livre (MBL) dizem que não são fascistas, mas apenas defensores do receituário ultraliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Mas, na verdade, eles são fascistas da pior espécie, como demonstraram nas marchas golpistas pelo impeachment de Dilma Rousseff, aliando-se a torturadores e saudosos da ditadura, ou nas várias provocações realizadas nas escolas ocupadas por secundaristas. Nos últimos dias, estes fascistas mirins deram mais uma prova da sua intolerância e agressividade. Eles promoveram uma campanha de ataques a uma exposição de arte que estava em cartaz desde meados de agosto no Santander Cultural, em Porto Alegre.

O ataque foi tão virulento que acovardou o banco. Segundo reportagem do jornal gaúcho Zero Hora postada neste domingo (10), o Santander decidiu suspender a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que ficaria em cartaz até 8 de outubro. “Foi a reação da instituição ao movimento de protesto de entidades e pessoas que avaliaram a mostra como ofensiva, por razões que vão de ‘blasfêmia’ no uso de símbolos católicos à difusão de ‘pedofilia’ e ‘zoofilia’ em alguns dos trabalhos expostos. As reações contrárias à Queermuseu ganharam corpo nos últimos dias, com manifestações nas redes sociais de grupos como o MBL e constrangimentos presenciais dirigidos aos visitantes”.

Em sua página no Facebook, o MBL chegou a reproduzir um texto com o título “Santander Cultural promove pornografia e até pedofilia com base na Lei de Incentivo à Cultura”. Ao longo do feriadão, diferentes perfis de pessoas e entidades alinhadas ao sinistro movimento e às seitas religiosas engrossaram o protesto virtual, que pediu o fechamento da mostra e até pregou um boicote ao banco. Os gestos de intolerância fascista não cessaram. “Os frequentadores do Santander Cultural relataram nas redes sociais que foram alvo no sábado de agressões verbais dirigidas por pessoas que faziam registros em vídeo da exposição e criticavam seu conteúdo. Pelo menos uma agência do banco nas imediações do prédio que abrigava a exposição, na Praça da Alfândega, foi pichada com frases como ‘Banco Santander apoia a pedofilia’ e "são anticristãos [sic]", descreve o jornal.

A pressão fascista surtiu efeito. “Diante do acirramento dos ânimos, que exigiu intervenções pontuais dos seguranças do local, o Santander optou pelo prematuro encerramento da exposição. A nota oficial do Santander diz: ‘Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra”. A suspensão, porém, gerou protestos. O responsável pela curadoria da exposição Queermuseu, Gaudêncio Fidelis, criticou a covardia do banco. “A decisão foi unilateral do Santander. Não fui consultado em nenhum momento sobre isso, e ninguém do Santander entrou em contato comigo. Fiquei sabendo do cancelamento por um grupo de Whatsapp”.

Um dos artistas com obra na exposição, o porto-alegrense Sandro Ka, também ficou indignado. “É lamentável que essa onda conservadora, motivada por posições equivocadas e ignorantes, tenha forçado uma instituição cultural a tomar essa posição de fechamento de uma exposição que traz uma temática importante para se pensar o mundo hoje. É nas relações de poder entre grupos hegemônicos e grupos vulneráveis que a heteronorma se afirma da pior forma possível. Todos perdemos com isso”, afirmou ao Zero Hora. Já entidades ligadas ao movimento LGBT convocaram um protesto contra a censura na próxima terça-feira (12), em frente ao Santander Cultural, "em defesa da liberdade de expressão artística, das liberdades democráticas e contra os retrocessos políticos que limitam o exercício de cidadania da população LGBT”.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Em 2014, o próprio presidente mundial do Conselho de Administração do Santander, Emilio Botín, demitiu sua analista-chefe no Brasil, Synara Figueiredo, atendendo pedido direto de Lula, Dilma, PT e os sindicatos dos bancários atrelados ao lulopetismo. Synara produziu a recomendação ao lado, advertindo para o desastre que ocorreria na economia durante o governo Dilma, caso ela fosse eleita. Dilma foi eleita e o desastre ocorreu.

Darcy Brasil Rodrigues da Silva disse...

Deveria chamar a atenção o fato do Kim Katagari ter vivido nos EUA, regressando ao Brasil em momento oportuno para a implementação de um golpe. Esse fato sugere uma plausível articulação com a CIA (o que converte o fascista do MBL em uma importante fonte futura de informações sobre o modus operandi da CIA no Brasil e na América Latina, caso se possa submetê-lo a tratamento idêntico ao que os condutores da Lava Jato submeteram Palloci). Não tenho a menor dúvida de que não estamos apenas a enfrentar um golpe dado contra uma presidenta legitimamente eleita, mas algo bem mais complexo, que constitui um maquiavélico projeto de dominação da América Latina, valendo-se de novos meios (se não tão novos, pelos menos reciclados e jogando um papel mais vigoroso do ponto de vista do objetivo da conquista da hegemonia política ideológica). O vínculo mais evidente entre todos os elementos que se envolveram no golpe é precisamente a forte ligação com os EUA. Igrejas pentecostais suspeitas de serem elas próprias projetos de dominação político-ideológico articulado à CIA (Igrejas desse mesmo tipo vem fazendo igual estrago no México), que vivem trocando visitas com Igrejas e pastores ianques, que nos EUA inspiraram o Tea Party. As ligações do PSDB com a potência imperialista são por demais conhecida, dispensando-nos o trabalho de pormenoriza-las. A Globo fundou-se no Brasil com o apoio e patrocínio da CIA. Sérgio Moro, quando não está em Curitiba perseguindo o Lula e o PT, viaja para os EUA (suspeitamos que seja para receber instruções da CIA). Michel Temer foi acusado de ter sido informante da CIA. Deltan Dallagnol estudou em Harvard, e por aí vai.