quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Um canalha à porta do Planalto

Por Francisco Assis, no site Jornalistas Livres:

1. Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um dos maiores, senão mesmo o maior torcionário [torturador], no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Em 2008 foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espetáculo do espancamento dos respectivos progenitores. Nunca reconheceu os seus crimes nem manifestou o mais leve arrependimento pelos seus atos desumanos. Era um canalha. Morreu em 2015, em Brasília, na cama de um hospital.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Barcelona ‘expulsa’ Ronaldinho, o direitista

Por Altamiro Borges

Foi postado nesta terça-feira (16) no jornal espanhol Sport: “O FC Barcelona fez uma declaração institucional, através do seu porta-voz, Josep Vives, sobre o apoio que Ronaldinho, embaixador do clube, deu ao candidato ultradireitista à presidência do Brasil, Jair Bolsonaro – um militar da reserva que fez do racismo, da misoginia e da homofobia suas bandeiras. ‘Nossos valores democráticos não coincidem com as palavras que temos escutado desse candidato’, sentenciou Vives, que acresceu: ‘De toda forma, respeitamos a liberdade de expressão, inclusive as palavras de Ronaldinho’”. O porta-voz do time catalão, porém, não descartou a possibilidade de punição do ex-jogador – com a perda do seu posto de embaixador. “Vives deixou no ar se o Barcelona tomará alguma decisão drástica sobre Ronaldinho: ‘Não tomamos uma decisão a respeito. Veremos mais adiante’”.

Tsunami do absurdo quer destruir o Brasil

Por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, no site Tutaméia:

“Estamos numa tsunami do absurdo, surreal. Ela é tão poderosa, violenta e descomunal em termos de tamanho e forma que não para. Não dá ouvidos a nada, não reflete sobre nada. Essa tsunami ameaça engolir o país. Ela ameaça afogar a cultura e a civilização brasileira”. É o que afirma o cientista Miguel Nicolelis em entrevista ao Tutaméia (acompanhe no vídeo).

Para ele, que vota em Fernando Haddad, a eventual vitória de Jair Bolsonaro e o caos interessam “a quem não quer o Brasil sendo um país protagonista”. O país, reforça, “participou [nos governos do PT] da criação de uma multipolaridade geopolítica que incomodou profundamente. Claramente o Brasil tinha que ser removido como protagonista internacional”.

A máquina das mentiras

Por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil:

A vantagem de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad subiu para 18 pontos percentuais (em relação aos 16 apurados na semana passada por Datafolha).

Podia ser até maior, nas circunstâncias: Bolsonaro cresce surfando nova e forte onda antipetista, turbinada pelo mar de mentiras, calúnias e baixarias disseminadas contra o adversário pelo aplicativo whastsapp, através de milhares de grupos fechados, muitos criados a partir do exterior.

O que se diz neste tubo de esgoto só é conhecido por quem lê, não podendo ser desmentido ou combatido.

Democracia e liberdade contra a violência

Do site do FNDC:

Nesta Semana Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação, que vai de 15 a 21 de outubro, o FNDC levanta as bandeiras da democracia e da liberdade contra a violência e o ódio.

Nossa liberdade está em perigo. A liberdade de expressão, de manifestação, de pensamento. A imprensa livre está em perigo. A democracia está em xeque. E quem ameaça nossos direitos fundamentais, hoje, é o candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro.

Ele representa a censura, a violência e o ódio. Ele e seus seguidores querem intimidar jornalistas, artistas e todos os que, segundo sua perspectiva, tenham ideologia de esquerda. Bolsonaro já afirmou que, combater a ideologia de esquerda é mais importante do que combater a corrupção.

Trump e Bolsonaro: sensível diferença

Por Arnóbio Rocha, no blog Diário do Centro do Mundo:

Muitas pessoas comparam as duas eleições como iguais: candidatos absolutamente irracionais conquistam uma manada violenta, furibundos e movidos pelo ódio extremo.

Muitos apostam no efeito Trump, pois lá foi a mesma histeria coletiva, os mesmos avisos desesperados de que ele destruiria os EUA.

Vamos aos fatos:

Não quero te dizer em quem votar

Por Antonio Lassance, no site Carta Maior:

Não quero te dizer em quem votar. Longe de mim. Apenas te peço que vote sabendo das graves consequências do seu voto para pessoas que você ama, gosta, conhece.

Vote para que um pai ou uma mãe, como eu, como você, possa continuar a ter o direito sagrado de abraçar e beijar seu filho ou sua filha, no meio da rua, em um shopping, na saída da faculdade, sem correr o risco de ser linchado por alguém que tenha um ataque violento de homofobia.

Vote para que as pessoas tenham o direito de serem diferentes, de serem o que bem entenderem. Vote para que elas possam andar por todos os cantos livremente, sendo o que são, sem serem hostilizadas, intimidadas, violentadas. Vote para que cada qual possa ter sua integridade garantida sem ter que fingir ser o que não é.

Os trabalhadores e o segundo turno

Por Nivaldo Santana, no Blog do Renato:

No próximo dia 28 de outubro será realizado o segundo turno das eleições para presidente da República e para governadores em treze estados e no Distrito Federal. Na eleição presidencial, 147,3 milhões de eleitores estão aptos para definir quem vai conduzir o país nos próximos quatro anos. A disputa se dará entre dois projetos distintos, um representado pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e outro pela coligação liderada pelo PT/PCdoB, Fernando Haddad e sua vice-presidenta, Manuela D’Ávila.

A economia política do fascismo

Por Luiz Filgueiras, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Nos anos 1930, década da maior crise econômico-social já ocorrida no capitalismo, o mundo se viu às voltas com o surgimento e crescimento do nazismo na Alemanha e de ideias e movimentos fascistas, que acabaram por assumir o poder em diversos países – principalmente na Europa, mas não exclusivamente.

A sua consequência mais imediata foi a instalação nesses países de regimes ditatoriais (Estados policiais), que destruíram o Estado de direito típico das democracias liberais: fechamento ou controle dos parlamentos, subordinação do judiciário às necessidades do regime de exceção, extinção da liberdade de imprensa e de opinião, suspensão das garantias individuais do cidadão, proibição de reunião e associação sindical e partidária e, no limite, prisões arbitrárias, torturas e assassinatos.

Marum, 'brucutu' de Temer, apoia Bolsonaro

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Como já se disse aqui, faz tempo, Temer é Bolsonaro e Bolsonaro é Temer.

Leia o que diz a reportagem de O Dia, ouvindo o mais incondicional “brucutu” de Michel Temer, como antes de Eduardo Cunha, o tal Carlos Marum, ministro-chefe da Secretaria de Governo do atual Presidente:

Um programa contra o fascismo

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

As violências de rua que se abriram a partir de 2013, que já denunciávamos como uma emergência fascista – tivesse a coloração aparente que tivesse – em Porto Alegre se expressaram claramente em vários momentos: nos ataques ao Museu Julio de Castilhos, ao pequeno comércio ao longo da Borges de Medeiros e da Avenida João Pessoa; apareceram no apedrejamento de policiais que simplesmente estavam fazendo guarda em locais públicos; nas ações apoiadas por helicóptero locado, que sobrevoava os locais das manifestações incensadas pela maioria da mídia tradicional.

Neutralidade na eleição é erro político

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Um debate que tem surgido entre cidadãos que aguardam pelo 28 de outubro diz respeito aos votos nulos e brancos. Insatisfeitos com a chance de escolher entre duas opções - Haddad ou Bolsonaro - um número considerável de eleitores cogita assumir uma postura imaginária de neutralidade. Pensam em votar em branco, opção possível na urna eletrônica, ou mesmo anular seu voto, insistindo na digitação de um número inválido.

Mesmo pessoas que compreendem a necessidade de barrar a ascensão de Jair Bolsonaro costumam dizer que o voto nulo e o branco "pelo menos evitam um voto no candidato pior". É uma forma de conformismo, que ajuda a apaziguar a consciência. Mas só contribui para a vitória do concorrente mais indesejável.

O ódio como força motriz

Por Bruno De Conti, no site Brasil Debate:

A Máscara do Mal

Em minha parede há uma escultura
de madeira japonesa.
Máscara de um demônio mau,
coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mau.

Bertold Brecht


A indignação é uma poderosa força de transformação. É impossível, em sã consciência, olhar para esse mundo e conformar-se. Nem mesmo os calos da alma, forjados pela visão cotidiana de determinadas atrocidades, podem apagar a indignação. Afinal, ninguém que guarde um mínimo de humanidade pode olhar para moradores de rua sem sentir-se indignado; pensar em crianças com fome, sem sentir-se indignado; ver as imagens do assassinato de um rio, por parte de uma empresa pretensamente útil ao desenvolvimento nacional, sem sentir-se indignado; saber que a corrupção desvia valores imensos de dinheiro público em um país tão carente quanto o nosso, sem sentir-se indignado. A indignação em relação à nossa sociedade deve constituir-nos como seres políticos, como seres capazes de lutar por mudanças, como seres humanos insatisfeitos com tanta desumanidade.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Caetano Veloso e a lógica da destruição

Cambridge Analytica e Bolsonaro

Eleição e a guerra da Globo com a Record

Por Jeferson Miola, em seu blog:

No último debate do primeiro turno, em 4 de outubro, Bolsonaro reafirmou seu profundo desprezo pela democracia e pelas regras do jogo eleitoral.

Escudado num atestado médico, fugiu do debate na Globo com todos os candidatos mas, curiosamente, encontrou condições físicas e de saúde para participar de uma longa e amistosa entrevista na TV Record do “fundamentalista charlatão” Edir Macedo, como Haddad definiu o dono da Igreja Universal do Reino de Deus.

Bolsonaro quer jogar pobres contra pobres

Por Mino Carta, na revista CartaCapital:

Espanta-me o fato de que sejam tão poucos os cidadãos capazes de entender a unicidade do Brasil no confronto com quaisquer países há muitos séculos saídos da Idade Média.

Aqui, casa-grande e senzala continuam de pé. Conservo a esperança de que Bolsonaro não confirme o assombroso resultado do primeiro turno, prova implacável da nossa medievalidade.

Consta que os fiéis do deus mercado estão em festa, o que não há de surpreender. Não nos força a espremer as meninges perceber que o capitão cabe no papel de capataz da casa-grande.

Bolsonaro contra os trabalhadores

Editorial do site Vermelho:

A proposta de uma carteira de trabalho verde e amarela é a concretização da falsidade do nacionalismo de araque do ex-capitão de extrema-direita Jair Bolsonaro, que concorre à Presidência da República. A ideia enganosa tem o único objetivo de atender à ganância patronal sobre os direitos trabalhistas. Essa proposta infame, se fosse efetivada, criaria duas categorias de trabalhadores. A daqueles que têm a carteira profissional normal, a azul, que lhes garante os direitos que ainda restam na CLT. E, abaixo deles, os trabalhadores de segunda, sem direitos nem reconhecimento que, portadores daquela carteira discriminatória, ficarão à margem da lei e sujeitos às arbitrariedades patronais.

Minha declaração de voto no segundo turno

Por Henrique Matthiesen

A democracia é um regime de conquistas onde a força da maioria se impõe de forma soberana e inconteste; e também um espaço onde reafirmamos nossos valores e nossas concepções de sociedade.

Somente em um sistema democrático é possível este exercício e, para os que o praticam a democracia, torna-se um valor inegociável, inarredável.

Nestas eleições de 2018 comunguei do Projeto Nacional de Desenvolvimento - apresentado por Ciro Gomes -, o qual apoiei por sua experiência como prefeito, governador e ministro, entre outros.

Eleição no Brasil e a lição de Lênin

Por Marcos Dantas, no Jornal GGN:

No início do século XX, os partidos social-democratas revolucionários europeus propunham-se a "nacionalizar a terra" quando chegassem ao poder. Coerentemente com o projeto de acabar com a propriedade privada dos meios de produção, tratava-se de tornar o solo agrícola um bem comum, a ser coletivamente aproveitado pelo conjunto dos trabalhadores rurais, ou camponeses.

O líder revolucionário russo Vladimir Lênin percebeu, no entanto, que essa palavra de ordem não era entendida e aceita pelo campesinato de seu país. Embora, na sua imensa maioria, não fossem proprietários, os camponeses sonhavam, algum dia, possuírem um pedaço de terra. Além do mais, eram quase todos analfabetos, incultos (no sentido iluminista da palavra), fervorosos religiosos, submissos à palavra dos padres de aldeia e à imagem quase divina do Czar. Não lhes era difícil acreditar que os "bolcheviques", por baixo daquela palavra de ordem, queriam, na verdade, tomar ou roubar suas terras...