sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Motim no Ceará: acabou a brincadeira!

Por Charles Alcantara

O endosso maldisfarçado à tentativa de homicídio contra o senador Cid Gomes e ao motim de policiais no Ceará não são atos irrefletidos ou irresponsáveis do clã Bolsonaro. São um movimento calculado para avançar num projeto cada vez mais evidente: o de instaurar um governo autocrático.

Acontece que esse projeto não se viabiliza sem o engajamento efetivo das forças armadas e do seu braço auxiliar e mais numeroso e capilarizado: as polícias militares.

Bolsonaro, seus filhos e militares do núcleo duro do governo já colocaram em marcha esse projeto.

Os sinais estão aí, todos os dias e noites, evidentes, gritantes.

Bolsonaro bate às portas de nova ditadura

Por José Dirceu, no site Metrópoles:

A militarização do governo Bolsonaro com as últimas indicações para a Casa Civil e a Secretaria de Assuntos Estratégicos tem raízes em nossa historia recente e no passado.

O general Braga Netto era chefe do Estado-Maior do Exército, o mesmo que no julgamento do habeas corpus de Lula publicou uma foto da reunião de emergência convocada pelo comandante do Exército Eduardo Villas Bôas para, numa aberta e flagrante violação da Constituição, ordenar – isso mesmo – ao STF que não ousasse conceder HC a Lula. Villas Bôas fez a mesma ameaça via Twitter, o que levaria a sua prisão imediata em qualquer democracia.

Bolsonaro destrói imagem do Brasil no mundo

Da Rede Brasil Atual:

Correspondente internacional há mais de duas décadas, o jornalista Jamil Chade afirma que o governo de Jair Bolsonaro destruiu a reputação do Brasil no cenário internacional. Em pouco mais de um ano, acrescenta, ele colocou em risco a imagem do país construída ao longo de mais de um século.

“Nunca vi o que está acontecendo hoje. É um desmonte de qualquer capital que o país tinha em termos de credibilidade. É impressionante como foi rápido”, afirmou Jamil aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (21). “No caso da opinião pública europeia, vai levar muito tempo para reverter essa imagem”, afirmou.

Filas do INSS são o novo corredor da morte

Por Alexandre Padilha, no jornal Brasil de Fato:

É abominável a disposição do governo em destruir o que existe de eficiente no serviço público brasileiro. O INSS era um órgão desamparado, que tinha um histórico de filas enormes e mal garantia atendimento à população. Porém, durante o governo Lula foi transformado, tornando-se uma estrutura eficiente e capilarizada em todo o país, com distribuição de agências em pequenos municípios e nas periferias das grandes cidades.

Motim no Ceará serve de palanque político

Por Cecília Olliveira, no site The Intercept-Brasil:

“O governador acha que que manda na polícia. Mas se a polícia cisma de botar fogo nessa cidade, não há quem impeça. Ninguém controla o guarda da esquina”. Ouvi essa frase de um delegado das antigas, “da época em que policial era tira”, como ele dizia.

Apesar do diagnóstico ser sobre o Rio de Janeiro, há pontos comuns com a situação vivida no Ceará, que está em chamas e não é de agora. E o modo como são tratadas – ou melhor, não são tratadas – as greves e motins de policiais faz com que o bolo cresça. Agora, com novos ingredientes: bolsonarismo e WhatsApp. O ministro da Justiça Sergio Moro se manifestou de forma protocolar, avisando que a situação está sendo monitorada. Jair Bolsonaro disse apenas uma frase: “A democracia nunca esteve tão forte”.

Bolsonaro e as jornalistas de direita

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

O mundo dá voltas, e não é porque agora existe gente que acredita ser a Terra plana que ele irá parar de girar.

Há um aspecto convenientemente pouco comentado no golpe jurídico-midiático que derrubou Dilma Rousseff em 2016: a misoginia. Dilma se tornara, em 2010, a primeira mulher presidenta do Brasil, após uma campanha suja em que chegou a ser chamada de “assassina de criancinhas” pela mulher do rival, José Serra. Digo presidenta? Pois: o primeiro ato de machismo contra Dilma na imprensa comercial foi se recusarem a reconhecer o termo, perfeitamente dicionarizado tanto em língua portuguesa quanto em língua espanhola.

Reações da Globo aos ataques de Bolsonaro

Por Jeferson Miola, em seu blog: 

No caso da agressão sexista e criminosa do Bolsonaro contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, o jornalismo da Globo agiu com o rigor e a dignidade que deveria ter adotado – mas não adotou – para defender o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept-Brasil.

A Globo repercutiu a agressão de Bolsonaro com a veemência devida no Jornal Nacional, no noticiário da Globo News e de todas emissoras e rádios associadas ou repetidoras; nos sites do G1 e do Globo.com.

Glenn Greenwald, assim como Patrícia Campos Mello, foi vítima de uma incriminação fascista.

Processo contra Lula prova estupidez de Moro

Por Fernando Brito, em seu blog:

Lula depôs hoje em um inquérito manado abrir por Sérgio Moro, alegadamente com base na Lei de Segurança Nacional.

Ele quer enquadrar o ex-presidente no artigo 26 da lei (caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação).

Por que?

Porque Lula disse – e transcrevo a Veja , com grifo meu – que:

Quem apertou o gatilho no Ceará?

Por Maister F. da Silva, no blog Viomundo:

Para além da família miliciana, que por ora governa o país, o gatilho da pistola que atingiu o Senador Cid Gomes foi puxado por mãos poderosas, que estranhamente passam incólumes ao julgamento e que deveriam ser defenestradas diariamente para que não seja esquecida a sua falta de compromisso e responsabilidade pelos ataques ao Estado Democrático de Direito e com a escalada fascista que grassa no país.

As federações empresariais (aquele time dos patos amarelos), os meios de comunicação hegemônicos (que agora apresentam-se como estupefatos) foram os primeiros a embarcar e estimular a onda ultraconservadora.

Policiais-milicianos levam terror ao Ceará

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

“O apatifamento de uma nação começa pela degradação do discurso público” (Luiz Fernando Veríssimo, em sua coluna de hoje sob o título “Apatifaram-nos”).

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Fala-se muito em militarização do governo, o que é fato, mas a ameaça maior à democracia vem da milicianização das Polícias Militares fora de controle em todo o país.

O que era um fenômeno carioca, onde as milícias formadas por ex-policiais e ex-militares progressivamente assumiram o papel do Estado, foi se alastrando por toda parte, a ponto de já não se saber quem é quem nesta crescente onda de violência promovida por agentes públicos fora da lei.

Não, não é nada normal que policiais militares, encapuzados e armados como milicianos, levem o terror às ruas do Ceará, ordenando o fechamento do comércio e atirando para matar no ex-governador Cid Gomes.

Sanders sacode a política nos EUA

Por Slavoj Zizek, no site da Fundação Maurício Grabois:

Duas semanas atrás, quando promovia seu novo filme na Cidade do México, Harrison Ford disse que “A América perdeu sua liderança moral e credibilidade” [1]. Será mesmo? Mas afinal, quando foi que os EUA exerceram liderança moral sobre o mundo? Na gestão Reagan, na gestão Bush? Os Estados Unidos perderam o que nunca tiveram. Ou seja, perderam a ilusão (daí o termo “credibilidade” na colocação do ator) de que detinham essa liderança moral. Com Trump, só se tornou visível aquilo que desde sempre já era verdadeiro. Em 1948, logo no início da Guerra Fria, essa verdade foi formulada com um brutal franqueza por George Kennan:

Dupla motivação no Ceará: milícias e eleição

Por Jordana Pereira, no site da Fundação Perseu Abramo:

O governo do Ceará negocia desde o final de 2019 uma proposta de reestruturação salarial para policiais no estado. Na última sexta-feira, 14 de fevereiro, chegaram, a partir de negociações com parlamentares e representantes da categoria, em uma proposta final: de 3,4 mil reais para 4,5 mil reais para soldados e até vinte mil para coronel – além de gratificações. O ajuste seria em parcelas até 2022. O pacote inclui, além de militares, policiais civis, bombeiros e peritos forenses.

Greve dos petroleiros: rosas e espinhos

EDISE - Edificio Sede da Petrobras. Foto: FUP
Por João Guilherme Vargas Netto

No mesmo dia em que os jornalões anunciaram em suas primeiras páginas que a Petrobras havia tido o maior lucro de sua história os ativistas da FUP reuniram-se em assembleias para aprovar a suspensão de seu movimento grevista de quase três semanas de duração.

Com efeito, decretada a greve em 1º de fevereiro e crescente ao longo dos dias, a paralisação chegou a contar com a adesão de mais de um terço dos efetivos da empresa e embora não tenha afetado a produção nem arriscado o desabastecimento conseguiu furar o silêncio da mídia grande e suscitar adesões em um amplo espectro do movimento sindical, da oposição e da esquerda.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Petardo: Ataque misógino repercute no mundo

Por Altamiro Borges

O ataque misógino do "capetão" contra a jornalista Patrícia Campos Mello segue repercutindo na mídia internacional. O "chefe de bando", como foi rotulado em duro editorial da Folha, foi alvo de críticas do jornal espanhol El País: “Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher”.

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Já a Associated Press, que tem seus textos reproduzidos em 2.830 veículos noticiosos no mundo, afirma que Bolsonaro repetiu “acusação desmascarada contra uma das jornalistas mais importantes do país”, gerando “críticas de defensores da liberdade de imprensa e até de aliados”.

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No duro editorial intitulado “Sob ataque aos 99”, a Folha golpista finalmente descobre que Bolsonaro é um fascista perigoso. “O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando”, acusa o jornal. “Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária".

O cara da TV Record e o mundo do espetáculo

Por Lenio Luiz Streck, no site Consultor Jurídico:

1. O fracasso da civilização


Li e vi o “espetáculo” que o jovem rapaz apresentador da TV Record (ver aqui) fez ao vivo. Quem tiver estômago, veja. A notícia é autoexplicativa. Em nome do “ibope” e da espetacularização, informou ao vivo, com fones no ouvido e tudo, que a filha da senhora havia sido assassinada. Sim, ele fez isso.

Acabou. Vamos devolver a chave. A luz se apaga. E o que dizer do lamentável episódio envolvendo a premiada jornalista Patrícia Campos Mello, execrada, injuriada e difamada — primeiro, por um anônimo, e depois, pelo presidente da República — à luz dos holofotes e sob os aplausos de claques que compõem esse simulacro todo? Disse-se o que se disse — foi absolutamente cruel a insinuação sexual — e, no parlamento, alguns deputados apoiaram a difamação. Fracassamos ou não? Até Sardenberg, da GloboNews e CBN, sempre defensor do establishment, diz que houve quebra de decoro. Até tu, Sardenberg?


Cai falso manto da moralidade de Bolsonaro

Editorial do site Vermelho:

O arquivamento pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República da denúncia sobre possível conflito de interesses envolvendo o chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten, sem instaurar investigação, se inscreve como mais um absurdo na galeria de absurdos desse governo. É mais um caso que despe Bolsonaro do falso manto da moralidade.

Ao não apurar as fortes evidências de ilicitudes, a tal Comissão deixa no ar a certeza de que nesse governo vale a velha máxima de que aos amigos tudo, aos inimigos o que seria o rigor da lei. A condicionalidade se aplica porque, num Estado Democrático de Direito, a lei é uma virtude, coisa distante de ser regra no governo Bolsonaro.

Militares, milicianos e o governo Bolsonaro

Por William Nozaki

Na última semana observamos alguns acontecimentos conjunturais de grande relevância que foram pouco ou mal-interpretados pela maior parte dos conjunturalistas:

(i) a divulgação dos cenários para a política nacional de defesa até 2040,

(ii) a nomeação do general Mourão para o Conselho da Amazônia,

(iii) a morte do miliciano carioca que chefiava o Escritório do Crime,

Pibinho menor que o de Temer: culpa de quem?

Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

No primeiro ano do governo de Bolsonaro a economia cresceu menos que no último ano de Temer. A prévia do Banco Central (Índice de Atividade Econômica-IBC-BR) divulgada hoje previu um “pibinho” de apenas 0,89% em 2019, contra 1,34% de 2018, derrubando as previsões do governo e do mercado, de algo em torno de 1,12%.

Agora acabou a conversa de colocar a culpa no PT, fora do governo desde 2016.

É de Guedes, mas também de Bolsonaro, a fatura do encolhimento da economia em relação ao último resultado de Temer.

Tivemos uma recessão em novembro em relação a outubro. Uma queda de 0,11% contra a previsão de alta de 0,18%. No começo do culpou-se o rompimento da barragem de Brumadinho, que reduziu as exportações de minérios, pela contração econômica.

O que significa um militar na Casa Civil?

A relação de Bolsonaro com Adriano