segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Pobre no orçamento, rico no imposto de renda

Charge: Moisés
Por Paulo Nogueira Batista Jr.

Posso falar do Lula outra vez? Pergunto e eu mesmo respondo: posso! Afinal, este é o derradeiro artigo do ano de 2022. E quem foi a grande figura deste ano tão difícil que atravessamos? Existe salvador da pátria? Se existe, nós sabemos quem é.

Não pense, leitor, que este parágrafo inicial entusiasmado signifique admiração fervorosa e irrestrita pelo presidente eleito. Não! Tenho minhas reservas, minhas dúvidas. É natural. Ninguém é perfeito e ninguém merece ser poupado de críticas. E o papel de pessoas como eu será não apenas apoiar, mas também criticar, se necessário, o futuro governo brasileiro.

E, em especial, cobrar o cumprimento das promessas de campanha. Por exemplo, o candidato Lula disse diversas vezes que pretendia “colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”. Perfeito. Nada mais justo, nada mais necessário.

Não há mais orçamento secreto

Charge: Kleber
Por Tereza Cruvinel, no site Brasil-247:

Na segunda-feira, quando o STF retomar o julgamento interrompido na quinta-feira à noite, já não existirá orçamento secreto, e sim emendas de relator, as RP-9, que terão os parlamentares requerentes divulgados.

Os recursos deixarão de ser destinados apenas a parlamentares da base governista, como ocorreu durante a era Bolsonaro, e passarão a ser distribuídos segundo um critério de proporcionalidade ao tamanho das bancadas no Senado e na Câmara. E com isso será atendido o mandamento constitucional da impessoalidade.

É o que diz a Resolução 003/2022 aprovada na sexta-feira, depois do impasse criado na quinta, quando o julgamento terminou em 5 a 4 a favor do voto da ministra Rosa Weber, pedindo o fim da prática por atentar contra fundamentos constitucionais como a transparência e a impessoalidade, entre outros. Os quatro divergentes haviam defendido apenas correções das graves distorções, para não dizer imoralidades.

Sim, eu me alegro com o choro de Bolsonaro

Charge: Fernandes
Por Luis Felipe Miguel, no Diário do Centro do Mundo:


Atribuindo a informação a auxiliares do derrotado, a Folha de S. Paulo diz que Bolsonaro “afundou novamente na tristeza com a proximidade de sua saída dos palácios da Alvorada e do Planalto”. Por isso, vai interromper as aparições públicas e voltar a ficar em silêncio (aleluia!).

Do jeito que está escrito, parece que ele vai sentir falta dos imóveis. Chora, talvez, de saudade antecipada da ema.

O jornal diz, em seguida, que ele está “deprimido e inconformado com a derrota”. Imagino que sim. Bolsonaro não parece ser capaz de entender que, se as eleições são minimamente limpas, a derrota é sempre uma possibilidade.

Ou talvez até entenda, mas não se conforma porque, afinal, ele fez de tudo para que as eleições não fossem minimamente limpas.

O homem certo, no lugar certo, na hora certa

Lula e Mercadante. Foto: Ricardo Stuckert
Por Marcelo Zero, no site Viomundo:


Mercadante no BNDES é um caso típico do homem certo, no lugar certo. E também na hora certa.

Mercadante é o homem certo porque ele é um dos melhores quadros que o Brasil tem. Poderia ocupar, com desenvoltura, qualquer cargo da nossa administração pública.

Formado em economia, possui também mestrado e doutorado na área. Ademais, tem uma longa e brilhante trajetória na vida pública brasileira.

Foi deputado federal, senador, presidente da Comissão de Economia da Câmara, Presidente do Parlamento do Mercosul, Líder do Governo no Senado, Ministro da Ciência e Tecnologia, Ministro da Educação, Chefe da Casa Civil etc.

Satisfaz, com sobras, todas as exigências ditadas pelo art.º 17 da Lei das Estatais, inclusive a relativa à quarentena, pois não ocupou cargos de direção partidária recentemente.

Governo Lula: cuidar do povo brasileiro

Foto do site lula.com.br
Por Frei Betto, em seu site:


A TV Globo captou o momento em que Lula, dentro de sua casa em São Paulo, soube que vencera a eleição presidencial. Ao ser abraçado por Janja, sua mulher, ele disse:

- Agora é cuidar do povo brasileiro.

A palavra cuidado deriva do latim “cura” e expressa atitude de desvelo, preocupação e inquietação com a pessoa amada ou um objeto de estimação. Curador ou curadoria é administrar com zelo bens alheios.

Nos quatro anos do governo Bolsonaro, o povo brasileiro foi descuidado, entregue à sua própria sorte, exceto quando foram tomadas medidas paliativas, como o Auxílio Brasil, por razões eleitoreiras. O caso mais evidente foi o descaso em relação à pandemia. É dispensável recordar aqui como Bolsonaro abraçou o negacionismo frente às recomendações da ciência e debochou de enfermos e mortos.

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domingo, 18 de dezembro de 2022

TSE mantém multa ao PL de Bolsonaro

Janio, jornalismo e democracia

Janio de Freitas
Por Cristina Serra, em seu blog:


Poucos jornalistas brasileiros podem ser alçados à categoria de lenda. Janio de Freitas está nesse panteão com honra e glória. Muitos de nós decidiram ser jornalistas por causa dele, inspirados por ele. Querendo ser como ele. Muitos de nós ficaram (e ficam) pelo caminho: porque as dificuldades da profissão são imensas, porque os salários são baixos e as pressões, às vezes, insuportáveis.

A longevidade de Janio no front é um símbolo poderoso de que é possível atuar na profissão com dignidade e altivez. Ele atravessou o século 20 e já adentra a terceira década do 21, tendo inscrito seu nome na história do jornalismo brasileiro ainda muito jovem.

A extrema-direita ainda respira

Guernica, 1937/Pablo Picasso
Por Roberto Amaral, em seu blog:


As reflexões sobre o processo histórico republicano e a hora presente convencem-me de que o fato novo a ser considerado (para que a ele respondam o pensamento e a ação da esquerda) é a emergência de forte movimento de extrema-direita, que se afasta, na sua contundência e periculosidade, das experiências que dominaram o cenário político brasileiro do século passado.

Em recente debate, expostas estas ideias, foi-me objetado que o Brasil “sempre foi conservador e de direita”. Como certificado desta afirmação foram lembrados o integralismo, incidente na primeira metade do século passado, e o udeno-lacerdismo, já depois da reconstitucionalização de 1946. A contestação, porém, desconsidera as distinções entre direita e extrema-direita, ademais de conter, em si, um elemento conservador: quando naturaliza o processo reacionário, está admitindo sua permanência. O “sempre foi assim” (de direita) pode insinuar um “será sempre assim”, e se, desgraçadamente, será sempre assim, nada mais, ou muito pouco, resta ao agente social.

Lula e os urubus ‘muy amigos’

Curitiba, setembro de 2022. Foto: Ricardo Stuckert
Por Fernando Brito, em seu blog:

A elite brasileira – que não tem, faz tempo, nomes para ganhar uma eleição presidencial – adotou o estranho hábito de querer “levar sem ganhar” e tenta fazer que Lula assuma o papel inverso, o de “ganhar, mas não levar”.

Assistimos, desde a semana seguinte eleitoral, a este movimento, com a ânsia desesperada pela indicação formal do ministro da Fazenda, a pretender que, se não fosse possível enxertar ali um neoliberal, que ao menos se fizesse o ungido ajoelhar-se diante deste altar e retomar a cantilena do “corta e vende” da qual, desde Joaquim Levy, passou a ser a única política econômica “aceitável”, ainda que só produza a ruína a que estamos sendo levados, já quase se vai completar uma década.

Bolsonaro foi fiel aos que bancaram seu poder

Charge: Joaquim
Por Jair de Souza

Faltam tão somente duas semanas para a posse do novo governo encabeçado por Luiz Inácio Lula da Silva. Muita gente anda contando nos dedos os dias faltantes numa tentativa desesperada de acelerar a passagem do tempo para que a virada de página se consuma com mais rapidez.

Sim, para a maioria de nosso povo é um grande alívio saber que a experiência nazista-bolsonarista está a poucos dias de chegar ao fim. Nunca antes tínhamos sido submetidos a tantas desgraças e sofrimentos como nos passados quatro anos que estão por terminar.

Há quem afirme que, em vista dos resultados de sua gestão, este é o governo mais incompetente de toda nossa existência como nação. De fato, é quase impossível encontrar algum feito ou medida tomada pelo atual governante, ou por sua equipe, que tenha favorecido os interesses das maiorias populares ou atendido suas necessidades básicas. Neste sentido, não há absolutamente nada de positivo que possa ser mencionado.

Os bolsominions estão fora da realidade?

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