terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A sentença de Lula e o bordão de Chicó

Por Camilo Vannuchi, na revista CartaCapital:

“Não sei, só sei que foi assim.” A cada causo narrado por Chicó, o anti-herói mitômano criado por Ariano Suassuna no Auto da Compadecida, a lorota da vez é invariavelmente arrematada com esse espirituoso bordão. Na falta de explicação para os devaneios que gosta de contar, o personagem encerra a discussão com um recurso tão fácil quanto ingênuo: o bom e velho “porque sim”. E ponto.

Chicó parece ter passado uma temporada na 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava Jato. Na sentença condenatória expedida pela juíza Gabriela Hardt na última quarta-feira, 6 de fevereiro, é notável a influência de Chicó. Nas mais de 200 páginas que compõem a condenação, o personagem da obra mais famosa de Ariano Suassuna paira como uma espécie de teórico de referência, figura que a ministra Damares chamaria de mestre bíblico.

O ministro, os canibais e as línguas

Por Adrián Pablo Fanjul, no site Outras Palavras:

No final de janeiro, o recentemente empossado ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, deu uma entrevista para o semanário Veja. As repercussões, preocupadas ou indignadas, no meio educacional, não têm sido poucas: o longo depoimento do ministro reafirma perspectivas de perseguição ideológica em todos os níveis da educação nacional e, particularmente, de elitização, redução e/ou abandono do ensino superior. Sem minimizar essas preocupações, que compartilho plenamente e que considero de primeira importância, quero tratar aqui sobre um trecho da entrevista que solicitou particularmente minha atenção devido à minha trajetória como pesquisador nos estudos da linguagem e ao fato de ser hispano-americano naturalizado brasileiro. E a reflexão me levou, como se verá, a outra curiosidade que também indaguei: como soa a fala em português desse ministro que, como eu e muitos que conheço no Brasil, também teve o espanhol como língua primeira? Vamos por partes.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

'Bolsomoro', a mídia e o pacote anticrime

Futuro destruído: Fla rico e meninos pobres

Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

Um incêndio nos alojamentos do Centro de Treinamento do Flamengo no Ninho do Urubu, onde ficam os jogadores das equipes de base, flagrou nesta sexta-feira mais um dramático exemplo da desigualdade social no país, que aumenta a cada dia.

Ao mesmo tempo em que o Flamengo rico, o maior clube do país, torra R$ 85 milhões na contratação de grandes craques, estes meninos estavam alojados em conteineres improvisados nos fundos do Ninho do Urubu, sem laudo de segurança aprovado pelo Corpo de Bombeiros.

Viver sob o fascismo

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

A estratégia de Steve Bannon e da sua trupe de criminosos em rede, mereceu um artigo do magnífico jornalista Joaquin Stefania em “El País” (08.02), pelo qual ele mostra que a direita espanhola opta pela estratégia da “crispação” – a instauração do conflito perpétuo – onde a narrativa política contra as instituições e contra os adversários tornados inimigos – no caso a socialdemocracia –, a denúncia das mazelas do partidos e os defeitos” da política, são apresentados como essência da democracia. Insuperáveis, portanto, pelos métodos democráticos.

Crianças 'sem-terrinha' e o terror da Record


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota na manhã de hoje (11) repudiando matéria de ontem da Rede Record sobre o Primeiro Encontro Nacional de Crianças Sem Terrinha, ocorrido em julho do ano passado. Com olhar criminalizador, sem ouvir nenhum membro do movimento e distorcendo informações, a reportagem acusou o movimento de doutrinação ideológica e de submeter as crianças a condições degradantes e com risco à saúde. “A Record mente sobre Encontro Sem Terrinha do MST para agradar Bolsonaro. Na noite deste domingo (10) muita gente assistiu a uma sequência de mentiras”, afirmou o coordenador nacional do MST João Paulo Rodrigues, nas redes sociais.


Igreja, MST, Cuba e a ditadura Bolsonaro

Por Renato Rovai, em seu blog:

Bolsonaro e sua tropa não querem realizar um governo, desejam implantar um regime. Uma ditadura do tipo Talibã. Uma teocracia militarizada.

Nela, a igreja neopetencostal garante a fé da população pobre de que tudo está sendo feito em defesa da família e dos bons costumes, para que todos possam ter uma melhor “vida” no céu. E para aqueles que não estiverem de acordo, resta a perseguição do Estado, tanto pelo esquema Moro, Dallagnol, PF etc., como pelas Forças Armadas, via Abin e outros bichos.

MST repudia ataque mentiroso da Record

Do site do MST:

Na noite deste domingo, 10, o MST recebeu com repúdio as informações veiculadas no Programa Domingo Espetacular da Rede Record de Televisão. A reportagem envolveu o Encontro das Crianças Sem Terrinha e foi totalmente manipulada para "fortalecer o processo de criminalização de organizações populares, que lutam pela defesa de seus direitos".

Tem mais laranja no laranjal de Bolsonaro

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Não há mistério algum na maracutaia dos R$ 400 mil dados à candidata “laranja” Lourdes Paixão pelo PSL.

É parte do “acerto” feito com Luciano Bivar, “dono” da sigla até a entrada, em cima do prazo, de Jair Bolsonaro no “partido”.

A terrível desculpa de Bivar, de que “mulher não tem vocação para a política” esbarra na própria prestação de contas do PSL, onde 90% das candidaturas que receberam dinheiro do Fundo Eleitoral eram femininas, inclusive a laranja pernambucana que se juntou às laranjas mineiras do Ministro do Turismo.

Guedes extermina setor leiteiro do Brasil

Por Marcelo Zero

Por ordem do Ministério da Fazenda, o Brasil extinguiu as tarifas antidumping que impunha à importação de leite da UE e da Nova Zelândia.

Essas tarifas existem desde 2001 e tinham de ser renovadas agora, até o dia 6 de fevereiro.

O Brasil impôs essas medidas antidumping, com o aval da OMC, porque o setor leiteiro recebe uma montanha de subsídios governamentais na União Europeia e, em menor grau, na Nova Zelândia.

Essas tarifas antidumping eram de 3,9% para a Nova Zelândia e de 14,8% para a União Europeia. Ao se somar essas tarifas compensatórias de dumping ao imposto de importação de 28%, a alíquota total para se importar leite da Europa era de 42,8% de imposto e, para a Nova Zelândia, de 31,9%.

Por que eles temem imaginar Lula solto?

Arte: Jota Camelo
Por Bepe Damasco, em seu blog:

1) Porque livre e voltando a falar diretamente ao coração do povo, Lula em pouco tempo jogaria por terra a gigantesca farsa da Lava Jato, desmoralizaria em definitivo a Globo e dinamitaria os pilares do nazi-bolsonarismo.

2) Porque algumas caravanas de Lula pelo país bastam para que Moro perca o cargo de ministro.

3) Porque saltará aos olhos de um número bem maior de brasileiros e brasileiras que instituições do Estado, como Judiciário, MP e PF, se corromperam politicamente e traíram suas funções republicanas.

A reforma trabalhista e a informalidade

Por Juliane Furno, no jornal Brasil de Fato:

“Vamos gerar mais empregos”; “a reforma trabalhista vai modernizar as relações de trabalho”. Diversas foram as justificativas da mídia, dos patrões, do governo e dos seus “técnicos” para a aprovação da mudança na lei. Uma delas era a que pregava a importância da reforma trabalhista para reduzir as desigualdades entre os trabalhadores formais e informais, contribuindo na formalização do trabalho através da redução do custo do registro em carteira de trabalho.

Guedes, as estatais e os filhos drogados

Por Vilma Bokany, no site da Fundação Perseu Abramo:

Durante evento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nessa 6ª feira, dia 8, no Rio de Janeiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a privatização de estatais. Para Guedes, a desestatização do setor elétrico, em especial de distribuidoras da Eletrobras, é um caso que deve ser referência para os próximos programas de privatizações. Além da Eletrobras, o programa de privatizações do governo ainda tem no radar a negociação de aeroportos e outros equipamentos.
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Cresce o laranjal dos Bolsonaro

Do blog Viomundo:

Milla Fernandes, Debora Gomes, Naftali Tamar, Lilian Bernardino e Cleuzenir Barbosa, candidatas laranja em Minas Gerais pelo PSL, receberam R$ 279 mil do fundo partidário e repassaram parte do dinheiro a empresas ligadas ao deputado e hoje ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio (PSL-MG).

A filha Nathalia, a enteada Evelyn, a mulher Márcia e o ex-marido dela, Márcio, todos indicados por Fabrício Queiroz, amigo da família Bolsonaro há 30 anos, ganharam sem trabalhar nos gabinetes de Flávio e Jair Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e na Câmara dos Deputados.

Brexit, Trump, Bolsonaro e a democracia

Por Liszt Vieira, no site Carta Maior:

"O poder é uma relação... lá onde há poder, há resistência". (Michel Foucault, História da Sexualidade, vol. 1, A Vontade de Saber)

O filme/documentário Brexit mostra os bastidores da campanha da retirada da Grã Bretanha da União Européia (U.E.) comandada por profissionais ligados aos meios eletrônicos de comunicação que desprezavam as relações políticas tradicionais. Por detrás, a mesma empresa que financiou em seguida a campanha de Trump nos EUA: a Cambridge Analytica. E o mesmo método de conseguir um poderoso banco de dados com informações pessoais para inundar o mercado de opiniões com fake news.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Mídia respalda ‘licença para matar’ de Moro

Por Altamiro Borges

Por sua obsessão contra Lula e às forças de esquerda e sua adoração ao deus-mercado, a imprensa burguesa transformou o juiz Sergio Moro – chamado por muitos magistrados de juizeco inexpressivo do interior do Paraná – em herói nacional.

Na mídia falsamente moralista, ele virou capa das revistonas, manchete quase diária dos jornalões e destaque nos telejornais. Foi inclusive agraciado com vários prêmios pelos ‘éticos’ e bilionários herdeiros de Roberto Marinho, o imperador da Globo.

Governo Bolsonaro espiona igreja católica

Da revista Fórum:

O governo de Jair Bolsonaro tem um novo inimigo: a igreja católica. De acordo com reportagem do Estadão publicada neste domingo (10), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem espionado cardeais brasileiros pois eles estariam articulando junto ao Vaticano debates em torno de uma “agenda progressista” que podem fazem forte oposição ao governo.

“Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

França: Quando tudo sobe à superfície

Por Serge Halimi, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Em Paris, em 15 de dezembro de 2018, três “coletes amarelos” se revezavam na Casa da Ópera para ler uma mensagem dirigida “ao povo francês e ao presidente da República, Emmanuel Macron”. Já de início, o texto anunciava: “Este movimento não pertence a ninguém nem a todos. Ele é a expressão de um povo que, há quarenta anos, se vê despojado de tudo que lhe permitia acreditar em seu futuro e em sua grandeza”.

As milícias virtuais usam "Vovô da Slime"

Vovô da Slime
Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

“Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, contou Nilson Papinho, 72 anos, em um vídeo que viralizou e fez dele o grande youtuber do momento. Nilson finalmente havia conseguido fazer a sua slime — uma massa que estica e puxa adorada pela criançada. Papinho mora no interior de São Paulo com esposa e filho, leva uma vida simples. Há 11 meses, ele grava vídeos para o seu canal, onde costuma mostrar o seu café da manhã, as árvores do seu quintal, as plantas do seu jardim, os passarinhos que o visitam. São altas doses de fofura por vídeo. Não tinha como o vovô youtuber não cair nas graças do país.

Internautas criticam racismo no BBB da Globo

Da revista CartaCapital:

A hashtag #bastaderacismonoBBB está entre as mais comentadas no Brasil, com cerca de 22 mil tweets neste domingo, 10. A maioria das reações refere-se a uma atitude do participante Maycon, de 27 anos, barman na cidade de Piuhmi, Minas Gerais.

O brother disse que sentiu uma energia negativa após ver uma cena entre os participantes Rodrigo, 40 anos, cientista social especializado em direitos humanos, do Rio de Janeiro, e Gabriela, 32 anos, designer gráfica e percussionista de Ribeirão Preto, São Paulo.