domingo, 12 de dezembro de 2010

Mentor do AI-5 Digital ataca Assange e Lula

Se dependesse do senador tucano Eduardo Azeredo, o "ético" que deu origem ao esquema do valerioduto, a internet nem existiria. Ele é autor do AI-5 Digital, projeto de lei que visa castrar o uso da rede - criando um esquema policialesco de vigilância e censura. Agora, ele também faz coro com os governantes dos EUA contra o Wikileaks.

Na última sexta-feira (10), o chefão do PSDB-MG criticou em seu Twitter o presidente Lula por sua manifestação de solidariedade a Julian Assange, criador do sítio. "Só faltava essa. Pres. Lula defende hacker". De imediato, recebeu uma saraivada de críticas dos internautas.

Além de censor, o mentor do AI-5 Digital ainda é bajulador do império que ficou nu com as revelações do Wikileaks.

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5 comentários:

Jorge Stolfi disse...

O Senador Eduardo Azeredo é o representante fiel no legislativo do Ministro Nelson Jobim, para fins de manter a urna eletrônica fraudável.

O voto em papel conferido pelo eleitor (VPCE) é a *unica* medida que se conhece para proteger a urna eletrônica de fraude interna (a urna sendo programada para desviar votos de um candidato para outro) e a única forma efetiva de propiciar o direito de recurso (recontagem) para os candidatos derrotados. O Brasil e a Índia são os dois únicos países que ainda usam urnas eletrônicas sem VPCE --- e na Índia, ao contrário daqui, a discussão sobre isso está braba.

(O Brasil também é o único país onde a identificação do eleitor e o registro do voto são feitos no mesmo equipamento. Portanto, inquestionavelmente, nosso sistema eleitoral é o mais atrasado e inseguro do mundo. Mas não é esse o ponto agora.)

Em matéria de tecnologia de eleições, Brasil saiu na vanguarda em 2001, quando o Congresso aprovou a lei Requião que exigia VPCE em todas as urnas. Na época, se essa decisão tivesse vingado, o Brasil seria um dos primeiros aadotar o VPCE.

Mas o TSE e Jobim eram visceralmente contrários ao VPCE, e através do Azeredo conseguiram em 2003 convencer o Congresso a voltar atrás. Para conseguir isso o TSE inventou um negócio chamado Registro Digital de Voto (RDV) e afirmou que substituía o VPCE. Não só isso era pura mentira, mas o RDV criaria um risco gravíssimo de coação do eleitor --- tanto assim que, depois que eu apontei o problema, o TSE cancelou a divulgação do RDV, contrariando assim a lei que eles mesmos escreveram.

Infelizmente, essa mentira e essa bobeada não foram descobertas em tempo hábil, porque projeto do Azeredo tramitou em regime de urgência, pulando a Comissão de Ciência e Tecnologia.

O VPCE foi re-introduzido pelo Congresso, como artigo 5 da "mini-reforma eleitoral" aprovada naquele ano. O Jobim e o Azeredo tentaram barrar esse artigo, mas tudo o que conseguiram foi adiar a VPCE para 2014. Não satisfeito, o Jobim pediu ao Presidente Lula que vetasse o artigo 5, o que o Lula (há que tirar o chapéu a esse homem!) se recusou a fazer.

Pois não é que o Azeredo já submeteu projeto de lei para anular o artigo 5 e derrubar (de novo) o VPCE?

Porque será que o Jobim e o Azeredo fazem tanta questão assim de manter a urna do TSE fraudável e impossível de periciar?

Infelizmente, eu duvido que venhamos a encontrar essa resposta no Wikileaks...

--stolfi

Mais detalhes sobre a história do VPCE no Brasil podem ser encontrados no site http://www.votoseguro.org

Jorge Stolfi disse...

O Senador Eduardo Azeredo é o representante fiel no legislativo do Ministro Nelson Jobim, para fins de manter a urna eletrônica fraudável.

O voto em papel conferido pelo eleitor (VPCE) é a *unica* medida que se conhece para proteger a urna eletrônica de fraude interna (a urna sendo programada para desviar votos de um candidato para outro) e a única forma efetiva de propiciar o direito de recurso (recontagem) para os candidatos derrotados. O Brasil e a Índia são os dois únicos países que ainda usam urnas eletrônicas sem VPCE --- e na Índia, ao contrário daqui, a discussão sobre isso está braba.

(O Brasil também é o único país onde a identificação do eleitor e o registro do voto são feitos no mesmo equipamento. Portanto, inquestionavelmente, nosso sistema eleitoral é o mais atrasado e inseguro do mundo. Mas não é esse o ponto agora.)

Em matéria de tecnologia de eleições, Brasil saiu na vanguarda em 2001, quando o Congresso aprovou a lei Requião que exigia VPCE em todas as urnas. Na época, se essa decisão tivesse vingado, o Brasil seria um dos primeiros aadotar o VPCE.

Mas o TSE e Jobim eram visceralmente contrários ao VPCE, e através do Azeredo conseguiram em 2003 convencer o Congresso a voltar atrás. Para conseguir isso o TSE inventou um negócio chamado Registro Digital de Voto (RDV) e afirmou que substituía o VPCE. Não só isso era pura mentira, mas o RDV criaria um risco gravíssimo de coação do eleitor --- tanto assim que, depois que eu apontei o problema, o TSE cancelou a divulgação do RDV, contrariando assim a lei que eles mesmos escreveram.

Infelizmente, essa mentira e essa bobeada não foram descobertas em tempo hábil, porque projeto do Azeredo tramitou em regime de urgência, pulando a Comissão de Ciência e Tecnologia.

O VPCE foi re-introduzido pelo Congresso, como artigo 5 da "mini-reforma eleitoral" aprovada naquele ano. O Jobim e o Azeredo tentaram barrar esse artigo, mas tudo o que conseguiram foi adiar a VPCE para 2014. Não satisfeito, o Jobim pediu ao Presidente Lula que vetasse o artigo 5, o que o Lula (há que tirar o chapéu a esse homem!) se recusou a fazer.

Pois não é que o Azeredo já submeteu projeto de lei para anular o artigo 5 e derrubar (de novo) o VPCE?

Porque será que o Jobim e o Azeredo fazem tanta questão assim de manter a urna do TSE fraudável e impossível de periciar?

Infelizmente, eu duvido que venhamos a encontrar essa resposta no Wikileaks...

--stolfi

Mais detalhes sobre a história do VPCE no Brasil podem ser encontrados no site http://www.votoseguro.org

Nilo Cícero disse...

O Eduardo Azeredo e Cia Tucana buscam com essa lei dar de volta a velha mídia o espaço perdido, tá ai as falácias sobre Radio Comunitárias. A liberdade da internet permite a interação assim como o instrumento de informação e critica \a todos os segmentos da sociedade. Caro miro, o espaço vazio no bolso dos donos da Mídia os incomoda, fora Ai-5 digital

Milton Quadros disse...

Penso no Azeredo, penso no mensalão do PSDB, o mensalão mineiro.

Jorge Stolfi disse...

[Mandei um comentário duas vezes mas parece que é longo demais e deu erro. Fica então aqui o link para o texto no meu blog]

Além disso o Senador Azeredo é o eterno e enérgico defensor no Congresso da urna fraudável do TSE.

Veja meu post em
http://www.advivo.com.br/blog/jorge-stolfi/o-senador-azeredo-e-os-dois-lados-da-informatica

Mais detalhes em http://www.votoseguro.org

Porque será que esse Senador faz tanta questão assim de manter a urna do TSE fraudável e impossível de periciar?

Será que a resposta poderia sair pelo Wikileaks?