quinta-feira, 27 de março de 2025

Bolsonaro como réu repercute na mídia mundial

Charge: Zepa
Por Altamiro Borges


A decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou réus Jair Bolsonaro e outros sete milicianos do núcleo central das tramas golpistas no país, está tendo forte repercussão na imprensa internacional. O assunto foi destaque nas capas de vários jornais e nos noticiários de emissoras de televisão no mundo inteiro. Nos EUA, onde o filhote 03 do “capetão”, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conspira contra o Brasil, os principais veículos já dão como certa a condenação do ex-presidente.

O jornal The New York Times aponta que “a decisão marca um esforço significativo para responsabilizar o Sr. Bolsonaro pelas acusações de que ele conseguiu desmantelar a democracia brasileira ao orquestrar um amplo plano para dar um golpe... O julgamento, que ainda não foi marcado, é fruto de uma investigação abrangente de dois anos, na qual a polícia invadiu casas e escritórios, prendeu pessoas próximas ao Sr. Bolsonaro e obteve uma confissão importante de um assessor sênior do ex-presidente”. O diário The Washington Post, também dos EUA, descreveu o ex-presidente como “um ex-oficial militar conhecido por expressar nostalgia pelo período de ditadura militar do País”, que “desafiou abertamente o sistema judicial brasileiro durante seu mandato, entre 2019 e 2022”.

Enfrentar o esquecimento político e a prisão

Já o diário britânico The Guardian afirma que “a decisão deixa o populista de extrema direita, que governou o Brasil de 2019 até o final de 2022, enfrentando o esquecimento político e uma possível pena de prisão de mais de 40 anos”. Ao tratar das ações terroristas do 8 de janeiro em Brasília, o jornal enfatiza que “esses ataques – que muitos acreditam ter sido inspirados pela invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 – foram incitados como parte de uma tentativa desesperada de devolver Bolsonaro à presidência, contra a vontade pública, criando turbulência que justificaria uma intervenção militar”.

Na rede britânica BBC, a tentativa golpista também foi destaque nas suas várias plataformas, com relatos sobre a participação da Polícia Federal nas investigações sobre os recorrentes ataques à democracia que foram detalhados no relatório de 884 páginas entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). Outro canal de notícias, Al Jazeera, do Catar, também descreveu a trajetória do ex-capitão antes do caso chegar ao tribunal. Para a rede árabe, Jair Bolsonaro deposita todas as suas esperanças numa intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, para evitar a prisão.

Conhecimento do plano punhal verde amarelo 

A emissora alemã Deutsche Welle lembra que “é a primeira vez que um ex-presidente eleito é colocado no banco dos réus por crimes contra a ordem democrática estabelecida com a Constituição de 1988”. A reportagem realça que, “conforme a acusação da PGR, Bolsonaro tinha conhecimento do plano intitulado ‘punhal verde amarelo’, que continha o planejamento e a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes”.

O julgamento também foi capa no jornal espanhol El País. “Não é incomum que um ex-presidente seja acusado ou julgado criminalmente no Brasil; o que é inédito é que ele será levado a julgamento por um golpe... A pedra angular da acusação contra Bolsonaro e os demais acusados ​​de planejar o golpe é a confissão do secretário pessoal do ex-presidente. O tenente-coronel Mauro Cid, inicialmente investigado por falsificação do registro de vacinação de seu superior durante a pandemia, decidiu cooperar com os investigadores em 2023 após um período em prisão preventiva”, descreve a reportagem.

Já o jornal francês Le Monde afirma que o julgamento de Jair Bolsonaro resultou em “uma decisão histórica que mina suas esperanças de retornar ao poder”, sendo simbólica pelo fato de o Brasil ser um “país ainda assombrado pela memória da ditadura militar (1964-1985)”. A matéria ainda fuzila: “Autoproclamado nostálgico dos anos de chumbo, o ex-capitão do exército de 70 anos é acusado pela promotoria de ter arquitetado uma conspiração de longos dados para permanecer no poder 'a todo custo'”.

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