quinta-feira, 21 de julho de 2016

Datafolha e o medo da votação no Senado

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Chega a ser um pouco engraçado o tom de surpresa que o laureado jornalista Glenn Greenwald e seu colega Erick Dau imprimiram a denúncia feita no excelente The Intercept – que, a partir de agora, passa a integrar os sites indicados pelo Blog da Cidadania. A matéria em questão, que você confere aqui, é idêntica a centenas de outras que esta página publicou sobre institutos de pesquisa nos últimos onze anos.

Que diriam Grennwald e Dau da investigação na Polícia Federal que este Blog abriu anos atrás contra o Datafolha (entre outros) justamente por falsificação de pesquisas? Confira, abaixo, matéria do IG publicada à época.


Seja como for, os jornalistas do The Intercept arrancaram uma bela informação de funcionária do Datafolha que, previsivelmente, em breve deverá estar engrossando a fila do desemprego.

Segundo eles, a gerente do Datafolha Luciana Schong “reconheceu o aspecto enganoso na afirmação de que [só] 3% dos brasileiros querem novas eleições, ‘já que essa pergunta não foi feita aos entrevistados’.

Luciana Schong também teria contado aos jornalistas que qualquer análise desses dados que alegue que 50% dos brasileiros querem Temer como presidente seriam imprecisos, sem a informação de que as opções de resposta estavam limitadas a apenas duas.

Onde quero chegar? Ora, não é surpresa para ninguém que os institutos de pesquisa ligados aos grandes grupos de mídia ou a partidos políticos ou entidades com interesses políticos claros “ajeitem” suas sondagens.

Bem, mas, então, qual é a novidade na manipulação que o Datafolha alega ter feito sob ordens do Grupo Folha?

Não é pouco um instituto de pesquisa manipular desse jeito uma sondagem. Afirmar que só 3% não querem novas eleições ou que o país mudou diametralmente de opinião sobre Temer sem que nada tenha melhorado – até por falta de tempo – não é pouco para uma empresa como o Datafolha, que vive da própria credibilidade.

O fato é que, ao contrário do que diz o Datafolha, é literalmente impossível que a popularidade de Temer e de seu governo não venham a despencar caso o golpe se torne definitivo. Temer já avisou que pretende tomar medidas “impopulares” que, obviamente, vão tratar de reduzir ainda mais a já baixíssima aprovação do governo interino e de seu titular – que, no momento, é de 14%, praticamente idêntica à de Dilma.

A ousadia do Datafolha ou do Grupo Folha – ou de ambos – provavelmente deveu à percepção de que a aprovação do impeachment pelo Senado corre risco, do contrário o instituto de pesquisa não cometeria uma fraude tão grosseira quanto divulgar a informação falsa de que só 3% querem novas eleições, entre outras falsidades que transparecem da pesquisa.

Muitos petistas, inclusive, dirão que nem é tão bom que Dilma corra “risco” de voltar, pois quem passar os próximos dois anos fazendo o ajuste fiscal e tomando medidas impopulares por certo reabilitará a esquerda e a fará chegar forte a 2018.

Contudo, se Dilma voltar poderá impedir a privataria do pré-sal e a supressão de direitos trabalhistas, medidas temerárias que são o coração do golpe, a grande razão de esse ataque à democracia brasileira ter sido perpetrado.

Para o país será melhor que Dilma volte. Impedirá que todos paguemos pelo desatino da maioria – mas não de todos – que viabilizou o golpe execrando a presidente nas pesquisas, o que permitiu que os golpistas assumissem. Contudo, para a esquerda em geral a volta de Dilma não será boa. A direita continuará sendo pedra e a esquerda, vidraça.

2 comentários:

Ralph Panzutti disse...

Quero entender. A esquerda ou parte dela acha melhor que Dilma não volte porque o Temer terá que necessariamente fazer um política que irá prejudicar os trabalhadores e chanchanchanchan, a esquerda terá condições de ganhar 2018.! Uma pergunta. A 500 anos a direita, tipo temer, ferra os trabalhadores e somente em 2002 que conseguimos chegar ao planalto. Me poupa esquerda.

Ralph de Souza Filho de Souza Filho disse...

Já minha abordagem, em Análise sucinta, propugna, assim, pela realização de um Plebiscito, o qual, proponha à População a indagação de admitirmos se devemos realizar Eleições Gerais, de cabo a rabo, ou seja, de Vereadores à Presidência da República, passando, outrossim e obviamente pela renovação do Congresso Nacional, suplicando e facultando às Urnas, alterarem a composição do Congresso Nacional, em novas eleições para 81 Senadores e 513 deputados Federais, na medida em que, admitindo-se de que Dilma seja aquinhoada pelo Senado com o beneplácito dos seis votos que se revertam agora e dos quais ela necessita para reassumir o Poder, a permanência deste governo de coalizão a desmanchar-se claramente, tornaria impraticável a situação, mantendo tudo como Dantes, no Quartel de Abrantes...