terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Otávio Mesquita e os “ratos” da TV

Por Altamiro Borges

A atual onda conservadora na sociedade tirou do armário várias celebridades – ou mediocridades – midiáticas. No domingo passado (4) foi a vez de Otávio Mesquita, apresentador do STB conhecido nos meios jornalísticos por cobrar jabaculê em troca de publicidade. Na “marcha contra a corrupção” da Avenida Paulista, ele se juntou aos falsos moralistas – que endeusaram o juiz Sergio Moro e pouparam a quadrilha de Michel Temer – para destilar ódio. Em seu discurso no caminhão de som da seita golpista Vem Pra Rua, ele chamou o presidente do Senado, Renan Calheiros, de “rato” e pregou abertamente a violência contra os parlamentares, reforçando o coro fascista da negação da política.

“Se por acaso encontrarmos com alguns deles em restaurantes, eu vou tentar pôr pra fora. Se eu encontrar esse rato do Renan Calheiros em qualquer restaurante que ele frequenta, eu levanto e ponho pra fora”, rosnou o falastrão para o delírio dos fanáticos presentes. O vídeo com o seu discurso histérico circulou nas redes sociais e gerou imediatas críticas. Temendo represálias, o covardão logo se apressou em pedir desculpas. Segundo matéria do site iG nesta terça-feira (6), “o artista [sic], que foi acusado de incitar a violência, resolveu vir a público para pedir desculpas aos fãs. Ele disse que ‘abusou’ ao disparar xingamentos contra o senador.

“Queria dizer para vocês que não sou a favor da agressão física. Acho que a agressão moral pode doer mais. Ficam aqui as minhas desculpas pessoais, mas estou de olhos em todas as atividades dos políticos. Não à violência, mas sim à defesa do nosso país”, retratou-se em vídeo postado no Instagram. O falso arrependimento mostra o caráter do milionário playboy, que coleciona inimigos na televisão brasileira. Até Rafinha Bastos e Adriane Galisteu já detonaram o sujeito. Em meados de novembro passado, o veterano apresentador Raul Gil também desabafou contra o seu rival na emissora de Silvio Santos, conforme relato da jornalista Keila Jimenez, do portal R-7:

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Raul Gil ataca Otávio Mesquita e evita barraco no Jassa

Onde há fumaça, há fogo. O ditado é velho, mas ainda vale. Quem acompanha esse mundo das celebridades deve se lembrar de ter visto, tempos atrás, notícias sobre a vontade de Otávio Mesquita de ocupar um horário aos sábados no SBT, e que isso estaria deixando Raul Gil com várias pulgas atrás da orelha. Na época, houve até desmentidos que Raul pudesse perder o reinado aos sábados na emissora para Mesquita. Mas agora, o fogo da fumaça lá de trás resolveu virar incêndio dos grandes, que tomou conta do SBT Anhanguera.

Irritado com o término de seu contrato (sem renovação) com o SBT, Raul Gil resolveu desabafar. Em uma entrevista surpresa ao programa "Pânico" (Band), Raul deixa claro que Otávio Mesquita puxou o seu tapete e denegriu sua imagem na emissora. O apresentador, que deve ficar no SBT só até fevereiro, não pretende ficar calado e vai queimar sim Mesquita, a quem tem chamado de “traidor” na emissora. Com a saída de Raul, Otávio Mesquita vai ganhar um programa aos sábados no SBT.

Dias atrás, Mesquita chegou a postar em redes sociais que nunca pediu o horário de Raul Gil à Silvio Santos, e que respeita o apresentador. Mas não tem jeito. Raul Gil não atende as ligações de Otávio e não quer encontrar o colega de emissora na sua frente. Já deu o aviso para os que trabalham com ele, e para o filho, Raulzinho. Outro que foi avisado para evitar um encontro é cabeleireiro Jassa. Raul e Mesquita são clientes do mesmo salão de Silvio Santos, tanto que foi Jassa que pediu a SS para dar um chance no SBT à cada um deles. A ordem agora é evitar que Raul e Mesquita se encontrem no salão, para evitar um barraco daqueles.


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Através dos seus sinistros esquemas de publicidade e merchandising, Otávio Mesquita acumulou uma fortuna em sua carreira na tevê. Ele adora exibir a sua luxuosa mansão no Morumbi, bairro “nobre” da capital paulista, e seus carrões. Também é colecionador de produtos das corridas automobilísticas. Quando trocou de emissoras em 2014, ele mesmo se jactou do seu rentável negócio. “O programa na Band faturava R$ 12 milhões por ano, no SBT devo chegar a uns R$ 30 milhões em dois anos... Meu programa é muito barato para ser colocado no ar, mas fico impressionado com a liberdade comercial que tenho. Na Band eu não podia vender meu programa, no SBT eu só comunico o que estou fazendo".

É este falastrão que agora sai às ruas para rosnar contra os “ratos” da política. Com certeza, na mídia mercenária – que explora concessões públicas de rádio e televisão – há também muitos “ratos” – com todo respeito ao estigmatizado animal.

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