sábado, 14 de abril de 2018

Síria: Mas míssil não mata igual?

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

John Reed, em seu fantástico “Mexico Rebelde” conta que Pancho Villa, durante a Revolução Mexicana, no início do século 20, foi informado por um oficial norte-americano de que convenções internacionais proibiam o uso de balas de ponta oca (as dum-dum, criadas pelos ingleses para conter rebeliões na Índia) . Villa, espantado, perguntou: mas qual é a diferença, se as outras matam do mesmo jeito?

O “ataque humanitário” dos EUA a Síria, conquanto tenha casusado menos danos do que seria de esperar, dada a presença de baterias antimísseis russas ao redor de damasco e outras cidades, lembra essa perplexidade de Villa.

Não se viram ataques nem sequer parecido quando a Síria tinha se tornado quase “quintal” do Exército Islamico (apoiado pela Arábia Saudita, aliada dos EUA) ou de rebeldes financiados e armados pelo Ocidente. Agora, que o Governo de Bashar al Assad retomou o controle do país, invoca-se um misterioso uso de armas químicas para justificar o disparo de 103 misseis de cruzeiro e toneladas de bombas de fragmentação sobre território sírio.

Antes de tudo, como reconheceu, mesmo antes o insuspeito comentarista internacional da Globonews, Guga Chacra, “não tem lógica” que Assad, a um passo de ganhar a guerra, apelaria para algo que, por óbvio, traria uma crise com potências ocidentais:

Para quê, aos 45 do segundo tempo, o líder sírio ordenaria um ataque químico cujo único resultado seria provocar os EUA, correndo o risco de ser bombardeado? Não tem lógica.
Depois, a ação dos EUA, diante do sucesso obtido pelos sírios – e também pelos iraquianos – contra os grupos terroristas do Isis, representa um “respiro” para o fundamentalismo e, portanto, uma possibilidade de retorno dos atentados que, até alguns meses atrás, se sucediam na Europa.

Não parece que, em condições normais, Donald Trumb queira fazer mais que uma “demonstração de força” e sair, com a velha fórmula do patriotismo bélico, das sinucas políticas em que anda metido, desde a demisssão barulhenta de colaboradores aos supostos escândalos sexuais.

O “inimigo exótico”, árabe ou oriental, sempre foi uma bendita saída para governantes desgastados, cmo o foi com Nixon, com Bush e, agora, com Trump.

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