terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quem são os vândalos da USP?

Por Altamiro Borges

A invasão da USP pela Tropa de Choque do governador Geraldo Alckmin tem gerado reações histéricas nas redes sociais. Talvez insuflados por alguns “calunistas” da mídia, que parecem “indigentes mimados”, tipo Gilberto Dimenstein, internautas festejam a repressão e exigem maior rigor contra os “vândalos, maconheiros e agitadores” que ocuparam a universidade. Eles babam ódio!



Talvez valesse a pena os mais equilibrados lerem a corajosa e lúcida nota oficial da Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Ao que se sabe, ela não é formada por estudantes “mimados” ou por vândalos:

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Nota da Congregação da FFLCH

A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, reunida em sessão extraordinária, no dia 31 de outubro de 2011, na sala 8, do Conjunto de Filosofia e Ciências Sociais, à vista da gravidade dos acontecimentos que resultaram na ocupação do prédio da Administração, vem declarar sua disposição para o encaminhamento de soluções mediante negociação com as partes envolvidas no conflito.

A Congregação reconhece que os termos do convênio firmado entre a USP e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo são vagos, imprecisos e não preenchem as expectativas da comunidade uspiana por segurança adequada. Reconhece igualmente que a intervenção da Polícia Militar extrapolou os propósitos originalmente concebidos com o convênio.

Como é tradicional em suas manifestações, a Congregação repudia com veemência o recurso a todas as formas de violência. É oportuno lembrar que a intervenção da PM ocorreu em um espaço social sensível à presença de forças coercitivas, face ao histórico, ainda recente na memória coletiva da comunidade acadêmica, de intervenções policiais violentas durante a ditadura militar.

As reações de alunos, embora previsíveis, não teriam tido o desdobramento que tiveram caso houvesse prevalecido o bom entendimento entre as partes envolvidas, sem apelo à violência. A Congregação envidará todos seus esforços para desarmar o conflito e conduzir seu desfecho à mesa de negociações.

Para tanto, se propõe a realizar gestões junto à superior administração visando reavaliação do protocolo entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de S. Paulo. É preciso que haja clareza quanto aos exatos fins e alcance da política de segurança nos campi. Uma moderna política de segurança pública prescinde da criminalização de comportamentos.

Nessa medida, a Congregação acolhe as sugestões dos alunos relativas a medidas que podem contribuir para o aperfeiçoamento da segurança na USP, entre as quais: melhoria da iluminação, aumento da frequência de ônibus de linha e circulares, guarda universitária, constituída por funcionários de carreira, desempenhando preferencialmente funções preventivas e com formação compatível com direitos humanos, criação de um corpo de guardas femininas, capacitadas para o atendimento de vítimas de assédio sexual e estupro.

A Congregação da FFLCH também se compromete a desencadear discussão ampla e aberta a toda a comunidade acadêmica para a formulação e execução de política interna de prevenção de drogas. Com o propósito de reduzir oportunidades de conflitos com desfechos violentos, igualmente se compromete a promover estudos que fundamentem proposta ao Conselho Universitário de revisão e modernização dos regulamentos que disciplinam processos administrativos movidos contra estudantes.

A Congregação reconhece que as discussões e debates a respeito da estrutura de poder na USP tem caráter de urgência e não podem mais ser postergadas sob quaisquer razões ou pretextos. Por fim, convém destacar que a Diretora da FFLCH da USP esteve presente no momento dos acontecimentos e fez a negociação visando a proteção dos direitos dos três alunos envolvidos, acompanhando‐os à Delegacia de Polícia. Além disso, garantiu que não teriam nenhum tipo de punição. Portanto, não é verdadeira a afirmação veiculada na comunidade de que a Diretora apoiou a ação da PM. Nesse sentido, a Congregação manifesta‐se pelo desagravo à injusta acusação que lhe foi imputada em documentos de circulação pública.


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A face autoritária do reitor da USP

Já para os que têm apoiado a postura autoritária e retrógrada do reitor da USP, maior responsável pela ação repressiva da PM na madrugada de hoje, vale a pena ler o artigo de Ana Paula Salviatti, publicado no sítio Outras Palavras:

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Ao resgatarmos a Memória da ditadura militar brasileira (1964-1985) encontramos no meio da história o nome do atual reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas. Entre 1995 e 2002, Rodas integrou a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos e esteve diretamente ligado à apuração da morte de alguns militantes de esquerda, dentre eles a estilista Zuzu Angel, caso em que os militares foram inocentados.

Enquanto diretor da Faculdade de Direito, Rodas foi primeiro administrador do Largo São Francisco a utilizar o aparato policial, ao requisitar, ainda na madrugada do dia 22 de agosto de 2007, a entrada de 120 homens da Polícia Militar, inclusive da tropa de choque, para a expulsão de manifestantes que participavam da Jornada em Defesa da Educação, na qual estavam presentes representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de estudantes e membros de diretórios acadêmicos, os quais foram fichados e levados à delegacia, com um tratamento ofensivo em especial aos militantes dos movimentos populares.

Também foi Grandino Rodas que, ainda na gestão do governador José Serra (2006-2010), lavrou o documento que viabilizava a entrada da PM no campus da USP, em 2009. Durante sua administração na Faculdade de Direito, tentou sem sucesso a implementação de catracas para impedir o acesso de gente “estranha” ao prédio da instituição. Em seu último dia na direção da Faculdade de Direito, Rodas assinou a transferência do acervo da biblioteca para um prédio próximo à Faculdade, o qual não possuía perícia para tanto, apresentava problemas com a parte elétrica, hidráulica e inclusive com os elevadores. Tudo isso feito sem consultar sequer o corpo burocrático da Faculdade.

Ainda durante a gestão de José Serra, Grandino Rodas foi escolhido reitor da USP através de um decreto publicado no dia 13 de novembro de 2009. Seu nome era o segundo colocado numa lista de três indicações. Ou seja, Rodas não foi eleito pela comunidade acadêmica. A última vez que o governador do Estado impôs um reitor à Universidade — utilizando-se de um dispositivo legal criado no período militar e que está presente na legislação do Estado de São Paulo até hoje — foi durante a gestão do governador biônico Paulo Maluf, que indicou Miguel Reale para assumir a Reitoria da USP entre 1969 e 1973.

Na gestão de Rodas, estudantes têm sido processados administrativamente pela Universidade com base em dispositivos instituídos no período militar. Num dos processos, consta que uma aluna — cujo nome ficará em sigilo — agiu contra a moral e os bons costumes. Dispositivos como estes foram resgatados pela USP.

Em agosto de 2011, João Grandino Rodas assinou um convênio com a Polícia Militar para que esta pudesse entrar na Universidade. O reitor também recebeu o título de persona non grata por unanimidade na Faculdade de Direito, que apresenta uma série de denúncias contra a gestão do ex-diretor, acusando-o de improbidade administrativa, entre outros crimes. Recentemente, um novo ocorrido, a princípio um incidente, podia ser visto no campus ao ser lido na placa do monumento que está sendo construído na Praça do Relógio uma referencia à “Revolução de 64”, forma como os setores militares e demais apoiadores do golpe militar se remetem à ditadura vivida no Brasil.

Rodas também é atualmente investigado pelo Ministério Público de São Paulo por haver contratado sem concurso público dois funcionários ligados ao gabinete da Reitoria, sendo um deles filho da ex-reitora Suely Vilela. Contra Rodas também pesam denúncias de mau uso do dinheiro público. E, por último mas não menos importante, Grandino recebeu a medalha de Mérito Marechal Castello Branco, concedido pela Associação Campineira de Oficiais da Reserva do Exército (R/2) do NPOR do 28° BIB. O Marechal que dá nome à honraria, não custa lembrar, foi o primeiro presidente do Estado de Exceção vivido no país a partir de 1964.

Todas estas informações foram lembradas. No entanto, muitas outras lotam o Estado em todas as suas instituições, todos os dias, graças ao processo de abertura democrática do país, que não cumpriu o seu papel de resgatar a Memória e produzir uma História que reconfigurasse e restabelecesse os acontecimentos do regime, possibilitando a rearticulação das inúmeras ramificações do Estado, como foi feito no Chile, Argentina e mais recentemente Uruguai. A consciência dos cidadãos passa pelo tribunal da História que, ao abrir as cicatrizes não fechadas, limpa as feridas ao falar sobre as mesmas dando a cada um o que é lhe de direito.

As diversas vozes que exclamam a apatia nacional frente às condutas políticas sofrem deste mesmo mal ao não relembrarem que a história do país conduzida por “cima” não expulsou de si seus fósseis, e sim os transferiu de cargo, realocou-os em outras funções. Os resgates da imprensa são limitados às Diretas Já e ao Impeachment de 1992. Se a memória que a mídia repõe é a mesma que se debate no cotidiano, então nosso país sofre de perda de memória e, junto disso, de uma profunda inaptidão crítica de suas experiências, dando assim todo o respaldo ao comumente infundado senso comum.

Ao levantarmos o passado, constata-se que o anacronismo não está só nas inúmeras manifestações que acontecem no meio universitário, no caso a USP, mas em todas as vezes em que não são cobertas pelo noticiário as inúmeras reintegrações de posse feitas em comunidades carentes, nas manifestações que exigem a reforma agrária, nas reivindicações que exigem moradia aos sem-teto. O anacronismo está presente nas inúmeras invasões sem mandado judicial que ocorrem em todos os lugares onde a classe média não está, no uso comum de tortura pelas Polícias Militares em um Estado que se reivindica democrático, nos criminalizados por serem pobres e negros, naqueles que são executados como Auto de Resistência pelas Polícias Militares, e a lista segue. Vive-se a modernização do atraso nas mais diversas formas e matizes.

O tempo se abre novamente e aguarda o resgate da Memória e a reconstrução da História. O país tem uma dívida a ser paga com seu passado, e eis que, finalmente, a Comissão da Verdade vazia de sentido ao ser apresentada pelos inábeis veículos de informação ressurge agora preenchida e repleta de sentido. Afinal, a História dos vencedores nega o passado dos vencidos, assim como seu presente e, consequentemente, seu futuro.

33 comentários:

Mario Jordão disse...

Miro, uma coisa é compreender o autoritarismo da Reitoria da USP e do Governador paulista. A nota da Congragação é bastante equilibrada e eu já a havia lido. Mas o que uma facção - que muitos consideram não ser representativa - dos estudantes da USP fizeram só queimou o filme do movimento. Veja a diferença para o movimento recente na UNB, que conseguiu até derrubar um reitor.

Anônimo disse...

Todos que nao concordarem com isso, são reacionários e fascistas?

Anônimo disse...

Os estudantes da USP nã entenderam a "política" do governo paulista...Por que não criaram uma cracolândia/ Aí, a PM ficaria quieta...

Guilherme Scalzilli disse...

A pauta da ocupação

As abordagens negativas que a imprensa dedica ao protesto na USP tentam ocultar os debates que permeiam suas causas diretas.
Na prisão dos estudantes que fumavam maconha, a estupidez repressiva contra a erva demoníaca.
No assassinato do aluno, os desserviços terceirizados no campus. Nos rostos encapuzados, o clima de repressão e vingança que borbulha sob a imagem bondosa das autoridades. No teatro ineficaz do policiamento ostensivo, o colapso da segurança pública demotucana. Nas ações truculentas da Polícia Militar (“vocês não queriam segurança?”), a criminalização da discórdia.

Mas o que amedronta realmente a intelectualidade conservadora paulista é a mensagem política oferecida pelo episódio. A ocupação de prédios administrativos precisa ser vilanizada antes que se transforme em gesto desesperado para vencer a obstrução do diálogo e em resposta razoável para a arrogância despótica de funcionários públicos. Se não forem descritos como baderneiros, os jovens revelam-se futuros historiadores, filósofos e jornalistas levando safanões dos cossacos no berço do cosmopolitismo nacional. E a maior universidade do país não terá sido capaz de nomear alguém com recursos pedagógicos para ouvir um punhado de rapazes bravios.

O modelo de gestão universitária imposto pelo governo estadual perdeu os últimos resquícios de legitimidade. As reitorias e os departamentos viraram feudos loteados por vassalos do governador, que espalham suas próprias redes de influência e forjam essa casca de segurança institucional que a ocupação ajuda a rachar. A falta de mecanismos representativos que atendam às demandas estudantis (leia-se: eleições diretas para reitor e diretores) pode soar desimportante a observadores externos, mas é bastante valorizada por seus privilegiados beneficiários.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

João Ricardo disse...

Uma pergunta:

O que esta sendo repreendido na USP além do uso de drogas ilícitas?

@AntonioVeras disse...

Não há motivo para eles terem invadido a reitoria, uma vez que, depois de duas assembléias, foi decidido pela MAIORIA, que FFLCH deveria ser desocupada.
Por isso os “vândalos, maconheiros e agitadores” tiveram o que merecem, mesmo depois de irem contra uma decisão tomada DEMOCRATICAMENTE entre eles e contra a decisão judicial de desocupação da reitoria.

Anônimo disse...

"Polícia Militar extrapolou os propósitos originalmente concebidos com o convênio."

O que você quer dizer com isso ? Que não podem deter usuários de drogas no campus ? Que drogas são legais dentro da USP ? ou que a Polícia tem menos autoridade dentro da USP do que em relação ao restante do território nacional ?

"Como é tradicional em suas manifestações, a Congregação repudia com veemência o recurso a todas as formas de violência"

De que forma então você diz que os alunos que "lutam" não são vândalos ?

Anônimo disse...

Nada justifica caro blogueiro, que os mesmos estavam fumando maconha, isso não se justifica, é mau exemplo, é inadmissível, tem de ser evitado sim, isso não é liberdade é bagunça, e em se considerando que a droga por mais que se fale que é só um cigarrinho de nada alimenta essa cadeia de falso moralismo, são maconheiros sim e devem ser evitados e reprendidos de acordo com a a LEI.

Anônimo disse...

Bla bla bla.... muita conversa fiada, tudo para encobrir a pratica de um ilícito penal comum entre os estudantes usuários de drogas dessas faculdades, os filhinhos de papai que querem que as autoridades apenas sirvam a seu propósito e não ao estabelecido constitucionalmente... e ainda aparece pessoas coniventes com isso qual a razão?! sera que compartilham as mesmas práticas?

Erasmo disse...

Caro Altamiro, talvez eles não fossem chamados de vândalos e maconheiros se não curtissem maconha no intervalo das aulas e se não tivessem arrebentado o prédio da reitoria.
É preciso que se compreenda que quebrar o que é publico e usar drogas indiscriminadamente não é o modo mais correto de se resolver um conflito como esse.
Compreendo e concordo com a opinião acerca do reitor da usp, concordo que, aos que nos parece a postura da PM na universidade precisa ser revista. Contudo nenhum desses problemas justifica a quebradeira feita por lá.
Detalhe interessante é que essa ocupação foi feita depois de uma assembléia onde a maioria decidiu pela desocupação.
Não sou contra a ocupação de prédios públicos como sinal de protesto ou reivindicação.
Você viu como ficou a reitoria depois de desocupada?
É assim que nossa juventude pretende lutar por dias melhores? Destruindo o que é público?

Sou comunista, compreendo a gravidade dos conflitos que estão acontecendo na USP. Mas pondero que não estamos, pelo menos sob alguns aspectos, vivendo a barbárie. É possível que se conquiste muita coisa sem que seja necessário destruir o patrimônio do povo.

Abraços!

joselitus_maximus disse...

http://maierovitch.blog.terra.com.br/2011/11/08/campus-da-usp-quem-ganhou-e-quem-perdeu/

Juarez Silva (Manaus) disse...

Caro Miro,
Uma causa justa, defendida por motivos e com meios errados, perde a razoabilidade e o apoio geral.

Por mais que sejam razoáveis e justas as intenções demonstradas na carta da congregação, não parecem serem os mesmos, os motivos dos que realizaram a invasão da reitoria..., nem são aceitáveis os meios por eles utilizados, em um estado democrático de direito, é a Justiça quem por fim "bate o martelo" na solução de conflitos, e em tese a "manu militari" existe para garantir o cumprimento da lei e da ordem (coisa que não estava sendo feita), quem sabe "do jeito certo" o desejável ocorra ? .

Vanessa disse...

eu acho que os estudantes estão errados sim...,porque o que eles estão reiinvidicando?o direito de ser maconheiro?não entendi?Ai quando os assaltos,estupros,assassinatos ocorrerem dentro da USP,quem eles vão procurar?se eles não estivessem errados,nada disso teria acontecido.

Marisa Barbosa disse...

Alguns acontecimentos ocorridos na reiteração da USP tem me incomodado profundamente:1) Por que 5h15? Por que a mídia se vale de filmagem da PM para nos informar? Houve pagamento da fiança? e quem de fato pagou? Por que os estudantes optaram em ficar no ônibus? Este acontecimento é de um período dito democrático? E o pior:o Sarney(Maranhão) dando lição de democracia ao Geraldo(São Paulo)?

Loullaby disse...

A. conflito VIOLENTO em prol de causa ignóbia B. mover serviço de segurança pública para conter conflito violento de causa ignóbia C."a Diretora da FFLCH da USP esteve presente no momento dos acontecimentos e fez a negociação visando a proteção dos direitos dos três alunos envolvidos, acompanhando‐os à Delegacia de Polícia. Além disso, garantiu que não teriam nenhum tipo de punição."..hipocrisia e protecionismo de jovens de educação duvidosa disfarçada de bom senso D.Alusão à Ditadura só reforça o caráter hipócrita e faz o desserviço de mostrar as consequências aos vândalos mimados que não tiveram a devida educação em casa.

Anônimo disse...

Entedam uma coisa, todo e qualquer protesto para melhorias dentro de um campos ou contra uma reitoria autoritária será bem vista desde que sejá um protesto fundamentado nesses fatos, mais o que aconteceu na USP é que os organizadores do protesto e invasores da reitoria não fizeram por razões fundamentas nos problemas descritos neste texto, eles iniciaram os protestos depois da prisão de 3 alunos que estavam fumando maconha dentro do Campos onde se vai para estudar e não pratica atos ilícitos.

carlínio frança disse...

È camarada miro... E as nossas UNE e UJS? caladas? ambas tem como bandeira a discriminalização da maconha, entre outras. Suas origens foram as lutas anti ditatoriais e pela democratização. Onde estão essas bandeiras agora?
Apoiar om governo heterodoxo de centro esquerda é uma coisa, outra coisa é sentar na democracia em troca de cargos como sos conselhos de política para a juventude, etc... a cooptação branda pode ser o início da aceitação da tese da dita branda!

carlíniop frança disse...

Erasmo, realmente, já não se faz comunistas como antigamente. seu texto é legalista, anti revolucionário na essência, portanto, anti comunista.

carlinio frança disse...

Um reitor autoritário e supeito de corrupção, persona non grata segundo algus da's. Um governador membro da opus dei e representante maior do conservadorismo. Uma polícia reconhecida por seus maus hábitos repressivos, oriunda do militarismo. Uma mídia golpista e ávida por fatos que justifiquem sua postura clerical e absurdamente conservadora. Blogueiros "sujos" que não opinam para não contrariar seus patrões religiosos. Fogo amigo... Justificarão em breve a desocupação dos imóveis invadidos pelos sem teto também em São Paulo, querem apostar?

Anônimo disse...

O fato é simples, estamos esquecendo de como tudo isso começou... o início foi pq a PM pegou estudantes fumando maconha e quis prende-los. 1º é proibido por lei e ponto! não concordo, mas é a lei! 2º os caras pediram para que a PM saísse do campus depois disso, se não me falhe a memória quando houve um assassinato no campus os alunos é que pediram a PM, correto?

Anônimo disse...

Cara, é sem noção defender este episódio... o que foi postado como "defesa" dos invasores não justifica nada, só fala da ação repressora da polícia com base em... ditadura??? Fala sério... e a manifestação do pessoal da Filosofia filosofa muito, mas não diz nada... quanto à questão do reitor, ninguém que está em cargo de mando é santinho neste país... e ninguém sabia disso antes? Ah, tá bom...

M4gr1nh0 disse...

O que vocês comentaristas de plantão deveriam primeiramente se informar, em diversas fontes antes de postar comentários estúpidos como estes, o caso dos 3 alunos que foram pegos fumando maconha NÃO foi o motivo para toda a mobilização e sim um estopim, gostaria de pedir que se informassem mais antes de postarem um pré-conceito sobre o assunto.
Nota feita por alunos da ECA-USP: http://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739

Livia Mantovani disse...

Obrigada, Miro, por nos ajudar (sou aluna da USP) a esclarescer as reais reivindicações dos estudantes. Realmente houve um erro de estratégia por parte dos estudantes que ocuparam o prédio da reitoria sem antes fortalecer o movimento. Mas isso não justifica o fato de a mídia ter deslocado completamente a atenção e a opinião pública para a ocupação em si, ignorando completamente os fatores que a provocaram. Rodas é corrupto e autoritário e eu espero que a comunidade acadêmica consiga derrubá-lo e conquistar eleições diretas para reitor. E a USP merece uma guarda universitária preparada para lidar com a criminalidade sem intimidar os estudantes. A sociedade deveria aprender um pouco com a nossa falta de comodismo ao invés de nos apedrejar desta maneira. Talvez ajudasse o país a se rebelar contra a corrupção e os desmandos dos governantes.

Livia Mantovani disse...

Obrigada, Miro, por nos (sou aluna da USP) ajudar a esclarescer os fatos. Realmente houve um erro de estratégia por parte dos estudantes que ocuparam a reitoria numa ação afoita, sem antes fortalecer o movimento. Mas isso não justifica a manipulação da opinião pública pela mídia, que jogou os holofotes na ocupação em si, ignorando completamente os fatores que a provocaram. Rodas é corrupto, mau administrador, persona non grata na Faculdade de Direito e esteve ligado à ditadura. O último lugar onde ele deveria estar é na reitoria da USP. Vamos lutar para que a comunidade acadêmica consiga derrubá-lo e conquistar eleições diretas para reitor. E a USP merece uma guarda universitária preparada para lidar com a criminalidade sem intimidar os estudantes. A sociedade deveria aprender um pouco com a nossa falta de comodismo antes de nos apedrejar. Quem sabe assim o povo abaixaria menos a cabeça para a corrupção, os desmandos dos governantes e a má qualidade dos serviços públicos.

Anônimo disse...

Somos alunos da ECA-USP e Visto a falta de imparcialidade da mídia com referência aos últimos acontecimentos ocorridos dentro da Universidade de São Paulo, cremos ser importante divulgar o cenário real do que realmente se passa na USP. Alguns fatos importantes que gostaríamos de mostrar:
- O incidente do dia 27/10/11, quando 3 alunos foram pegos portando maconha, NÃO foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes.
- Portanto, gostaríamos de explicitar que a legalização da maconha, seja dentro da Cidade Universitária ou em qualquer espaço público, não é uma reivindicação estudantil. Alguns grupos até estão discutindo essa questão, mas ela NÃO entra na pauta de discussões que estamos tendo na USP.
- Os alunos da USP NÃO são uma unidade. Dentro da Universidade há diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e, dentro de cada unidade, grupos com diferentes opiniões. Por isso não se deve generalizar atitudes de minorias para uma universidade inteira. O que estamos fazendo, isso no geral, é sim discutir a situação atual em que se encontra a Universidade.

Anônimo disse...

- O Movimento Estudantil, responsável pelos eventos recentes, NÃO é uma organização e tampouco possui membros fixos. Cada ação é deliberada em assembleia por alunos cuja presença é facultativa. O que há é uma liderança desse movimento, composta principalmente por membros do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e dos CAs (Centros Acadêmicos) de cada unidade. Alguns são ligados a partidos políticos, outros não.
- Portanto, os meios pelos quais o Movimento Estudantil se mostra (invasões, pixações, etc.) não são decisão de maiorias e, portanto, são passíveis de reprovação. Seus fins (ou seja, os pontos reais que são discutidos), no entanto, têm adesão muito maior, com 3000 alunos na assembleia do dia 08/11.
- Apesar de reprovar os meio usados pelo Movimento Estudantil (invasões, depredação), não podemos desligitimar as reivindicações feitas por esses 3000 alunos. Os fatos não podem ser resumidos a uma atitude de uma parcela muito pequena dos universitários.
Sabendo do que esse movimento NÃO se trata, seguem suas reinvidicações:
DISCUSSÃO DO CONVÊNIO PM-USP / MODELOS DE SEGURANÇA NA USP
A reivindicação estudantil não é: PM FORA DO CAMPUS, mas antes SEGURANÇA DENTRO DO CAMPUS. Os estudantes crêem na relação dessas reivindicações por três motivos:
A PM não é o melhor instrumento para aumentar a segurança, pois a falta de segurança da Cidade Universitária se deve, entre outros fatores, a um planejamento urbanístico antiquado, gerando grandes vazios. Iluminação apropriada, política preventiva de segurança e abertura do campus à populacão (gerando maior circulação de pessoas) seriam mais efetivas. Mas, acima de tudo...
A Guarda Universitária deve ser responsável pela segurança da universidade. Essa guarda já existe, mas está completamente sucateada. Falta contingente, treinamento, equipamento e uma legislação amparando sua atuação. Seria muito mais razoável aprimorá-la a permitir a PM no campus, principalmente porque...
A PM é instrumento de poder do Estado de São Paulo sobre a USP, que é uma autarquia e, como tal, deveria ter autonomia administrativa. O conceito de Universidade pressupõe a supremacia da ciência, sem submissão a interesses políticos e econômicos. A eleição indireta para reitor, com seleção pessoal por parte do governador do Estado, ilustra essa submissão. O atual reitor João Grandino Rodas, por exemplo, era homem forte do governo Serra antes de assumir o cargo.

Anônimo disse...

POSTURA MAIS TRANSPARENTE DO REITOR RODAS / FIM DA PERSEGUIÇÃO AOS ALUNOS
Antes de tudo, independentemente de questões ideológicas, Rodas está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção, sob acusação de envolvimento em escândalos como nomeação a cargos públicos sem concurso (inclusive do filho de Suely Vilela, reitora anterior a Rodas), criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto sem previsão orçamentária e autorização legal, e outros.
No mais, suas decisões são contrárias à autonomia administrativa que é direito de toda universidade. Depois de declarar-se a favor da privatização da universidade pública, suspendeu salários em ocasiões de greve, anunciou a demissão em massa de 270 funcionários e, principalmente, moveu processos contra alunos e funcionários envolvidos em protestos políticos.
Rodas, em suma: foi eleito indiretamente, faz uma gestão corrupta e destrói a autonomia universitária.
Você pode estar pensando…
MAS E O ALUNO MORTO NO ESTACIONAMENTO DA FEA-USP, ENTRE OUTRAS OCORRÊNCIAS?
Sobre o caso específico, a PM fazia blitz dentro da Cidade Universitária na noite do assassinato. Ainda é bom lembrar que a presença da PM já vinha se intensificando desde sua primeira entrada na USP, em Junho/2009 (entrada permitida por Rodas, então braço-direito de Serra). Mesmo assim, ela não alterou o número de ocorrências nesse período comparado com o período anterior a 2009. Ao contrário, iniciou um policiamento ostensivo, regularmente enquadrando alunos, mesmo em unidades nas quais mais estudantes apoiam sua presença, como Poli e FEA.
MAS E A DIMINUIÇÃO DE 60% NA CRIMINALIDADE APÓS O CONVÊNIO USP-PM?
São dados corretos. Porém a estatística mostra que esta variação não está fora da variação anual na taxa de ocorrências dentro do campus ( http://bit.ly/sXlp0U ). A PM, portanto, não causou diminuição real da criminalidade na USP antes ou depois do convênio. Lembre-se: ela já estava presente no início do ano, quando a criminalidade disparou.
MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A TAL AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA?
Serve para que a Universidade possa cumprir suas funções da melhor maneira possível. De maneira simplista, são elas:
- Melhorar a sociedade com pesquisas científicas, sem depender de retorno financeiro imediato.
- Formar cidadãos com um verdadeiro senso crítico, pois mera especialização profissional é papel de cursos técnicos e de tecnologia.
Importante: autonomia universitária total não existe. O dinheiro vem sim do Governo, do contribuinte, porém a autonomia universitária não serve para tirar responsabilidades da Universidade, mas sim para que ela possa cumprir essas responsabilidades melhor.
COMO ISSO ME AFETA? POR QUE EU DEVERIA APOIA-LOS?
As lutas que estão ocorrendo na USP são localizadas, mas tratam de temas GLOBAIS. São duas bandeiras: SEGURANÇA e CORRUPÇÃO, e acreditamos que opiniões sobre elas não sejam tão divergentes. Alguém apoia a corrupção? Alguem é contra segurança?
O que você acha mais sensato:
- Rechaçar reivindicações justas por conta de depredações e atos reprováveis de uma minoria, ou;
- Aderir a essas mesmas reivindicações, propondo ações mais efetivas?
Você tem a liberdade de escolher, contra-argumentar ou mesmo ignorar.
Mas lembre-se de que liberdade só existe com esclarecimento.

Luis R disse...

O texto é eprfeito em sua abrangência e profundidade, uma pena ver a quantidade de moralistinhas de merda fazendo comentários reacionários neste blog.

Anônimo disse...

Neste episódio, a verdade é que todos estão errados. Eis as causas:

1. Está errado o convênio USP-PM, pois a segurança interna daquela Universidade deve ser por ela garantida;
2. Estão errados os estudantes, pois exageraram e não protestaram de melhor maneira;
3. Está errada a mídia, pois noticia os fatos sem aprofundar nos verdadeiros anseios estudantis;
4. Estão errados aqueles que criticam os jovens por eles serem maconheiros. Ora, eles fumam maconha, mas são eles os estudantes que fazem da USP a melhor conceituada do Brasil. Até FHC é maconheiro!

Carine disse...

Cara, eu gostaria tanto se pudesse curtir o comentário do Erasmo! Mandou muito bem! Conseguiu falar tudo que eu penso!

Erasmo disse...

Caro Carlíniop França, até onde eu sei os comunistas não defendem a barbárie. O fato de ser comunista não quer dizer que tenhamos que defender a liberação na maconha.
Que a ação da polícia é reprovável não discuto.Contudo quebradeira e pichação do que é público, realizadas por estudantes que contrariaram a decisão de uma assembléia não merecem respeito.

Anônimo disse...

Vocês ainda não entederam que a questão não é se os alunos estão certos ou errados por fumar maconha, mas sim a atitude tomada pela PM e pelo reitor João Grandino Rodas.

Anônimo disse...

As pessoas confiam muito na midia e somente no que ela transmite, maconheiros e vandalos não é a questão, mas a policia usar de armas contra estudantes desarmados é covardia. E é muito estranho o fato de que a policia não deixou gravar nada durante a desocupação, e ha relatos de que uma aluna que tentou gravar a hora em que os policiais estavam quebrando computadores e impressores, foi espancada e amordaçada em uma sala.
O fato é que tudo nesse nosso Brasil tem influencia do governo, o poder manda ate mesmo em nosso subconciente!!!