quinta-feira, 16 de junho de 2016

Tremem os Cunhas do governo e do Congresso

Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                              

É público e notório que Eduardo Cunha pagou as campanhas de uma centena e meia de deputados nas eleições de 2014. A contrapartida foi o apoio à sua eleição para a presidência da Câmara. Mas chegar ao comando da Casa era apenas a primeira parte do acordo feito à base de dinheiro sujo de corrupção.

Cunha precisava de cumplicidade cega e incondicional para toda sorte de canalhices que planejava implementar assim que ocupasse um dos cargos que mais importantes da República. E Suas Excelências não lhe faltaram, concedendo-lhe uma espécie de salvo contudo para imprimir na presidência da Câmara a marca da delinquência que sempre acompanhou sua carreira de "homem público."

De ações explícitas de sabotagem ao governo Dilma ao atropelo do regimento da Câmara, de projetos obscurantistas e anticivilizatórios ao controle e a censura da TV Câmara, do uso do cargo para apagar impressões digitais de corrupção à tentativa de chantagem de adversários e críticos, sua passagem tenebrosa pela presidência contou com a adesão entusiasmada do monopólio da mídia.

E tome espaços generosos em jornais, telejornais e capas de revistas, chegando a ser apontado por essa mídia desqualificada e pusilânime como forte candidato à presidência da República. A aposta era clara: o monopólio midiático via nele a pessoa certa no lugar certo para executar o golpe de Estado. Dito e feito. Com a ajuda do STF, que o deixou livre para agir, Cunha liderou o processo de impeachment que enlameou para sempre a história do Brasil.

Uma vez consumado o crime, Cunha não interessava mais. Por isso, a linha editorial dos jornalões deu um giro de 180 graus em relação à cobertura envolvendo o deputado. Sem constrangimentos, passam a defender que se atire Cunha ao mar. O que é feito pelo Conselho de Ética da Câmara. Agora, ele dificilmente escapará da degola definitiva pelo plenário.

Mas essa história está longe do último capítulo. Como disse Sérgio Machado, e nos bastidores de Brasília todos sabem, Cunha é Temer, Temer é Cunha. Mesmo afastado pelo STF, Cunha continua dando as cartas no governo golpista, seja indicando pessoas de confiança para cargos estratégicos, seja opinando nas decisões de governo.

O mesmo acontece na Câmara, onde segue desfrutando inclusive das mordomias do cargo de presidente, que custam 500 mil reais por mês aos cofres públicos. Tudo isso vai virar pó depois que ele for cassado. Para início de conversa, perde o foro privilegiado e seu processo será mandado para Curitiba. Restará a Cunha o caminho normalmente seguido pelos covardes: a delação premiada. O envolvimento de sua mulher e filha nas falcatruas é outro forte motivo para ele optar pela delação, buscando protegê-las.

Já imaginou a quantidade de lama e podridão a ser revolvida por essa delação? Virão à tona detalhes do submundo das armações criminosas que levaram ao roubo da cadeira presidencial de Dilma, com o envolvimento de Temer e figuras de destaque de seu governo usurpador. Grande parte dos deputados e deputadas que votaram pelo golpe em nome de Deus e da família também não perdem por esperar. Não lhes invejo nem um pouquinho a sorte.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ver e rever, para crer ... !!!

Anônimo disse...

Ótimo texto. Acho que Cunha, talvez confiando na secular impunidade dos políticos corruptos em nosso país, foi muito esperto (e dizem que esperteza demais acaba matando o esperto) mas não foi sábio ou inteligente por duas razões, pelo menos:

1ª) Se tivesse permanecido nas sombras com o poder que tinha e metendo a mão à vontade, estaria livre, leve e solto. Alguém duvida?

2ª) Não saber, como todo homem público (do bem ou do mal) deveria saber, que o PiG (especialmente a globo) manipula quem for de seu interesse e depois o descarta sem dó nem piedade "em nome da moral e dos bons costumes". Cunha não sabia disso?

Anônimo disse...

O último que tinha tantas informações assim e ameaçou entregá-las foi o PC Farias. Será que teremos a mesma sorte de antes?

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