quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Marta Suplicy: de vítima a "oportunista"

Foto: José Cruz/ABr
Por Altamiro Borges

O Globo: “Dilma dá Cultura a Marta para ajudar PT em SP”. Folha: “Marta ganha ministério após dar apoio a Haddad”. Estadão: “Dilma dá ministério a Marta e abre caminho para PR apoiar Haddad”. Estas foram as manchetes garrafais de hoje dos três principais jornalões do país. A mídia insiste na cobertura partidarizada. Da mesma forma como agiu com o ministro Joaquim Barbosa, que já foi tachado de “marionete” e agora é exibido como “herói” no julgamento do chamado mensalão, a velha imprensa não perdoa Marta Suplicy.

Até algumas semanas atrás, a ex-prefeita de São Paulo era paparicada pela mídia. Ela teria sido “vítima” do autoritarismo de Lula, que impôs Fernando Haddad como candidato às eleições paulistanas. Ela foi até elogiada por sua “coerência” ao boicotar a campanha do seu companheiro de partido. A mídia, inclusive, esqueceu as críticas raivosas que sempre fez à sua gestão inovadora na capital paulista. Ela fez questão, apenas, de estimular as intrigas entre a ex-prefeita e a direção do PT.

A escandalização da política

Agora, com seu ingresso na campanha de Haddad e, principalmente, com a sua nomeação para o Ministério da Cultura, os jornalões voltam à carga contra Marta. Ela seria uma oportunista, que trocou o seu apoio ao candidato por um carginho no governo. É sempre a mesma técnica de desqualificar e escandalizar a política. Os jornais até registraram que o tucano Geraldo Alckmin e o ex-demo Gilberto Kassab fizeram mudanças em seus governos em função da disputa eleitoral. Mas não houve estardalhaço, não houve manchete!

Os jornalões também sabiam que havia uma crise no Ministério da Cultura e que a troca no comando já estava prevista. A ministra Ana de Hollanda há muito era criticada por sua inabilidade e os retrocessos nas políticas públicas. Ela conseguiu desagradar áreas da cultura e, principalmente, inúmeras lideranças petistas de prestígio. A sua saída já era dada como certa. Para complicar ainda mais a sua situação, a ex-ministra andou criticando, com razão, a falta de verbas para o seu ministério, o que precipitou o anúncio da troca.

A mídia partidarizada, porém, deixou de lado todas estas nuances. Ana de Hollanda, que antes era atacada, agora virou vítima. Marta Suplicy, que até foi paparicada, agora virou vilã! Um chargista, nada inocente, até relembrou a sua frase do “relaxa e goza”. O anúncio da troca de comando no Ministério da Cultura pode até ter ocorrido num momento inapropriado, servindo de pretexto para a imprensa destilar mais veneno na batalha eleitoral. Mas não há como disfarçar o comportamento oportunista e tendencioso da velha mídia.

5 comentários:

Anônimo disse...


Vambora Dona Marta!
Vamos pra tarefa!

Alexfig disse...

Miro, veja este texto. A McDonalds vai adaptar os alimentos no Brasil segundo o padrão da matriz norte-americana. Agora só falta adaptar também o padrão de trabalho para seus funcionários no Brasil, que é uma vergonha:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6150083-EI294,00-McDonalds+indicara+calorias+de+seus+produtos+em+cardapios+da+rede+nos+EUA.html

Luis disse...

Ainda bem que Arte nada tem a ver com Cultura.

Guilherme Scalzilli disse...

Mudança no MinC

Terminou um tanto melancolicamente a passagem de Ana de Hollanda pelo Ministério da Cultura. Sua gestão viveu à sombra do excelente trabalho dos predecessores Gilberto Gil e Juca Ferreira, incapaz de substituí-lo por um novo modelo administrativo. Sob ataques intermitentes de certas alas da militância cultural, nem sempre justos e desinteressados, a ex-ministra falhou em organizar uma base de apoio junto aos setores representativos que poderiam defendê-la na crise derradeira.
Questionar as simplificações que embasaram algumas dessas críticas não significa ignorar os equívocos do ministério. Polêmicas menores (Creative Commons) e distorções inaceitáveis (blog de Maria Bethania) serviram para conturbar debates profundos sobre as questões pendentes na área. O tema dos direitos autorais, por exemplo, foi reduzido a briguinha ideológica rasteira.
As carências no setor são tamanhas, porém, que suplantam a elaboração de qualquer política cultural ampla, embasada e coerente. Edifícios e acervos arruinados, filmes brasileiros ignorados pelo circuito exibidor, literatura desprestigiada, monopolização corporativa dos incentivos fiscais, cada imenso nó estrutural pede ações específicas que dispensam os exercícios teóricos desejáveis em circunstâncias mais positivas. A festejada habilidade política de Marta Suplicy talvez ajude a criar condições para que essas medidas pontuais sobrevivam às intrigas de gabinete.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br

Anita Kairuz disse...

A Marta eh boa, gosto dela!