quinta-feira, 20 de julho de 2017

Kim Kataguiri e a “bandidolatria” do MP

Por Altamiro Borges

Setores do Ministério Público não escondem mais sua opção escancarada pela ação política, deixando de lado a necessária imparcialidade da Justiça e transformando-se em palanque da extrema-direita no Brasil. Nesta quarta-feira (19), uma notícia grotesca bombou na internet. O Ministério Público do Rio de Janeiro convidou um dos fundadores do sinistro Movimento Brasil Livre (MBL), o fascista mirim Kim Kataguiri – também já apelidado de Kinta Katiguria – para ministrar uma palestra com o tema “Segurança pública como direito fundamental”.

Segundo o site Justificando, o evento do MP-RJ está agendado para 15 de setembro e “contará com procuradores, promotores e juízes, incluindo o Procurador-Geral de Justiça do MPRJ, Eduardo Gussem, o procurador Marcelo Rocha Monteiro e a juíza de Direito do TJRJ, Yedda Cristina Assunção. No mesmo dia, também será lançado o livro ‘Bandidolatria e Domocídio, Ensaios sobre o Garantismo Penal e Criminalidade no Brasil’, de Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza”. O site, que reúne jovens juristas e advogados preocupados com a acelerada deterioração da Justiça no país, questionou a iniciativa patética.

“Justificando entrou em contato com a assessoria de imprensa do MP-RJ ao longo desta quarta-feira (19) para questionar a veracidade do evento. Logo, foi informado que o órgão ‘estava aguardando mais informações e entraria em contato via e-mail’. Ao final do dia, no entanto, a página do MP foi atualizada com a informação do evento, mas sem detalhes sobre quais serão os palestrantes. O evento foi recebido negativamente. A professora da UFRJ, Luciana Boiteux, questionou o convidado. “Há gente conservadora e séria debatendo o tema, não precisavam baixar tanto o nível teórico do debate em assunto tão importante. Minha solidariedade aos promotores cariocas comprometidos com a Constituição, a segurança pública e os direitos humanos no RJ que ainda honram o MP”.

Kim Kataguiri ganhou os holofotes da mídia golpista com as marchas pelo impeachment de Dilma Rousseff. Ele até virou “colunista” da Folha, explicitando semanalmente suas posições fascistoides contra as esquerdas, os direitos humanos e qualquer avanço civilizatório. Como ídolo dos “coxinhas”, que adoram ser ludibriados, ele sempre criticou os partidos e a ação política. Nas eleições municipais de 2016, porém, o MBL lançou vários candidatos e até elegeu sete vereadores – alguns deles já denunciados por corrupção. Recentemente, uma notinha da Folha informou que Kim Kataguiri pretende ser candidato em 2018 e que já estaria em plena campanha para deputado federal. A mídia privada até hoje evita investigar a origem da grana deste sinistro movimento, que nasceu com apoio de organizações bilionárias dos EUA.

Como insinuou a professora Luciana Boitex, o convite ao líder do MBL desonra o Ministério Público do Rio de Janeiro. Serve para demonstrar o nível de degradação e partidarização destes aparelhos do Estado. Lamentável!

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