Por Moisés Mendes, em seu blog:
A convocação do general Braga Netto, para depor na Câmara sobre as ameaças de golpe, terá resultados previsíveis. Não foi nada disso, as Forças Armadas são guardiãs da democracia e nosso compromisso é com a normalidade.
É quase certo que a linha de defesa será a da negação categórica, porque não há outra saída e porque o próprio Braga Netto já saltou fora da ameaça e abandonou o emissário do aviso de que, sem voto impresso, não haveria eleição.
Com o governo acossado pelo Supremo e pelo Tribunal Superior Eleitoral, o general não irá à Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, no próximo dia 17, para reafirmar o blefe que já negou.
A irracionalidade também tem limites.
Braga Netto vai dizer que não manda recados por terceiros, que não interfere nas questões do Congresso e que a vida segue como se nada tivesse acontecido.
E o que importa para o Brasil é que esse seja o resultado do depoimento. Que o mais poderoso general de Bolsonaro, o que mais se identifica com suas bravatas, vá à Câmara e diga que não é bem assim, que é um homem submetido à Constituição.
O general deve deixar na Câmara um recibo de legalista, mesmo que tenha feito ensaios para o golpe com Bolsonaro e mesmo que, nas internas, continue disposto a levar o blefe do golpe adiante.
O que interessa é que a Câmara convocou o ministro da Defesa para que dê explicações sobre o recado a Arthur Lira.
A convocação é muito ruim para os militares.
O requerimento, do deputado Rogério Correia (PT-MG), é uma armadilha para Bolsonaro, para Braga Netto, para os demais generais e para toda a extrema direita.
O Brasil vai ouvir à noite no Jornal Nacional que Braga Netto foi à Câmara para dizer que os militares não cometerão o desatino de pensar em golpe.
O general poderá até voltar a defender como legítima a proposta de adoção do voto impresso, como já fez publicamente.
Mas não deveria se meter nesse assunto.
O debate político não deveria envolver generais, mesmo os inativos.
As Forças Armadas não podem ter a pretensão de ser protagonistas de debates políticos.
A dúvida é como o ministro, que é ruim de discurso e tem mais jeito de burocrata do que de general, vai calibrar seus argumentos e sair da arapuca.
O certo é que Braga Netto será, logo depois do depoimento, mais um bolsonarista amordaçado.
Bolsonaro pode continuar dizendo o que bem entende, para tentar escapar da eleição de qualquer jeito, mas seus generais ficam em situação delicada.
Chega de notinhas e recadinhos.
Os blefes serão a partir de agora exclusividade de Bolsonaro e do Clube Militar. Os generais do governo devem apenas fingir, para o próprio Bolsonaro, que cuidam da preparação do golpe.
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