domingo, 5 de junho de 2022

TCU revela gastos de #BolsonaroVagabundo

Charge: Izânio
Por Altamiro Borges


A edição impressa da revista Veja desta semana traz com exclusividade o relatório de uma auditoria sigilosa do Tribunal de Contas da União (TCU) que finalmente mostra os gastos milionários nos cartões corporativos do presidente da República. A revelação ajudou a impulsionar nestes dias no Twitter a hashtag #BolsonaroVagabundo, irritando o neofascista no poder. É muita grana extraída dos cofres públicos para curtir férias, passeios e para dar carona aos amiguinhos do governante.

Conforme enfatiza a reportagem, esses gastos estavam sob forte segredo – “em planilhas sem conexão com a internet. A ordem sempre foi evitar qualquer resquício de transparência sobre o assunto, tanto que, por determinação de Bolsonaro, 99% dos gastos com cartões corporativos carregam o selo de confidencial e, por isso, nunca tinham vindo a público”.

A falsa simplicidade do "capetão"

O levantamento do TCU “mostra que o ex-capitão, apesar de simular simplicidade nos hábitos de consumo, gasta tanto quanto seu antecessor Michel Temer (MDB) com alimentação”. A auditoria revela ainda uma farra aérea e de viagens a passeio bancada com dinheiro do contribuinte.

“Os auditores descobriram que, desde a posse do ex-capitão até março de 2021, foram gastos 2,6 milhões de reais exclusivamente para a compra de alimentos para as residências oficiais de Bolsonaro e do vice Hamilton Mourão, uma média de pouco mais de 96.300 reais por mês... O documento não detalha o tipo de alimento comprado nem as preferências gastronômicas de Bolsonaro, que faz o que pode para vender a imagem de um homem simples, de gente como a gente”.

Segundo os técnicos do TCU, foram desembolsados também R$ 2,59 milhões para alimentar toda a tropa de segurança e o pessoal de apoio administrativo nas viagens do presidente e do vice. Na gestão Temer, o valor foi menor: R$ 1,3 milhão. O mesmo acontece com gastos com combustível, rubrica em que o ex-capitão gastou cerca de R$ 420.500, 170% a mais do que o antecessor.

Gastos em viagem do presidente e caronas

A devassa do TCU também alcançou despesas sinistras, como um reparo pago com cartão corporativo em um jet ski da Marinha que foi usado pela equipe presidencial no Carnaval de 2021. “Chamou a atenção da equipe do TCU o fato de o maior volume de gastos presidenciais sigilosos estar relacionado a viagens do presidente, do vice e de suas comitivas – 16,5 milhões de reais em pagamentos de hospedagem, fornecimento de alimentação e apoio operacional”.

“Puxando o novelo de informações os auditores descobriram uma farra de caronas aéreas pagas com dinheiro público para eventos sem relação alguma com as atividades do governo. Segundo a auditoria do TCU, a bordo do avião presidencial os ministros da Economia, Paulo Guedes, das Comunicações, Fábio Faria, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, viajaram não para agendas públicas ou compromissos oficiais, mas para curtir feriados fora de Brasília ou assistir a partidas de futebol em São Paulo e no Rio de Janeiro. O mesmo expediente foi utilizado por outras dezessete autoridades ou convidados e familiares delas”.

“A utilização da aeronave presidencial para transportar, em viagens de agenda privada, pessoas que não são seus familiares diretos, bem como pagamento de despesa de hospedagem de pessoas que não são autoridades ou dignitários, sinalizam aproveitamento da estrutura administrativa em benefício próprio. Tais situações afrontam os princípios da supremacia do interesse público, moralidade e legalidade”, afirma um trecho da auditoria do TCU.

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