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Janeiro de 2015: Greve dos metalúrgicos do ABC reverte 800 demissões na Volks. Foto: Adonis Guerra |
No primeiro semestre de 2024, os dados do Dieese sobre o número de greves no período reforçam um contexto defensivo para os trabalhadores no Brasil, seja no serviço público, seja no privado.
No sentido oposto, o período entre 2004 e 2016 foi marcado por ganhos econômicos dos trabalhadores, conquistados em meio a mobilizações grevistas econômicas. Em 2012, por exemplo, 96% das unidades de negociação sindical haviam tido aumento real. O auge do número de greves se deu em 2016 e logo verificou-se uma série de ataques estruturais promovidos pelos governos de Temer e Bolsonaro.
Se as forças de esquerda sempre defenderam a capacidade de as reformas estruturais politizarem a classe trabalhadora, apontar o poder e atacar os privilégios da classe dominante, devemos reconhecer que, em dez anos, tivemos verdadeiras contrarreformas: trabalhista, da previdência, terceirizações, do ensino, que reforçaram inclusive o atual contexto de ascensão neofascista.
Passado um ano do terceiro governo de Lula, à época do estudo, em um cenário com retomada do emprego, porém com amarras do investimento público, devido ao ajuste fiscal equivocado do governo e também à pressão das frações neoliberais ortodoxas por mais ajustes, percebe-se a movimentação dos trabalhadores ainda limitada.
Em 80% das greves, o Dieese verificou a luta por manutenção de itens, ou seja, com caráter defensivo, sendo 86% das greves defensivas no setor privado. O estudo aponta apenas a realização de uma greve com contexto e eixo nacional, ao passo que 54% das greves por unidades de empresas – mais um dado da fragmentação da luta neste momento.
No caso das terceirizações, no entanto, em que pese o impacto na morfologia e nas dinâmicas do trabalho, prejudicando a organização, a luta da classe trabalhadora reivindicativa vai encontrando caminhos. A contradição entre capital e trabalho não está superada. E boa parte das greves no setor privado foram justamente de empresas terceirizadas, o que merece acompanhamento e apoio das organizações populares.
O índice de greves é um importante item para aferir a disposição das massas à luta. Aliás, é o principal, uma vez que a classe trabalhadora – apesar de teorias equivocadas – é o sujeito central da contradição entre capital e trabalho.
E localizar uma correlação de forças desfavorável está longe de mostrar conformismo da vanguarda, mas sim apontar quais são as tarefas de um momento defensivo, em que ações apenas de agitação e convocatórias seguem surtindo pouco efeito. Não se pode confundir um momento defensivo com um momento sem tarefas organizativas. Tampouco se pode atuar numa conjuntura sem a aferição da real correlação de forças e da disposição da classe trabalhadora à luta.
A paralisia das organizações tampouco ajuda, seja no combate ao neofascismo e ao neoliberalismo, seja na própria defesa do governo contra ameaças golpistas.
Ao lado das necessárias denúncias políticas contra o neofascismo, é preciso a escolha de bandeiras que toquem nas condições de vida da classe trabalhadora, como é o caso da luta pela redução da escala e da jornada de trabalho, mas a própria juventude que encabeça os atos percebeu já a necessidade de, neste contexto, construção, com trabalho anterior de panfletagem, formação, ida na base, etc. Do nada, nada virá. É preciso construir as lutas.
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