terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Master: os fatos e a manipulação midiática

Por Bepe Damasco, em seu blog:

Os fatos:

1) Quem instaurou um inquérito para investigar as fraudes do Banco Master foi a Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, quando tinha à frente o ministro Ricardo Lewandowski.

2) Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso pela PF. Depois, teve sua prisão relaxada por um juiz federal. Mas hoje ainda cumpre uma série de medidas cautelares, como a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica.

3) O Banco Central liquidou o Master, diante da situação de descalabro financeiro da instituição, que não tinha liquidez para honrar seus compromissos com os investidores, fruto especialmente do oferecimento de taxas de retorno estratosféricas para seus CDBs, que atraiam os incautos.

4) O Rioprevidência e seu presidente Deivis Marcon Antunes foram alvos de uma ação de busca e apreensão da PF. O instituto de previdência do estado fez aporte de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Vorcaro, em operação que põe em risco os pagamentos de aposentadorias e pensões dos servidores do Rio.

5) O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já iniciou o pagamentos dos investidores lesados em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Essa cobertura inclui saldo em conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.

6) O ministro Dias Toffoli, responsável pelo processo no STF, vem se portando de forma errática e confusa à frente do caso, abrindo o flanco do tribunal para toda sorte de ataque.

A manipulação midiática

1) Todo o mundo político sabe das estreitas ligações de Vorcaro com figuras da oposição ao governo federal. Mesmo assim, a mídia comercial, a partir dos artigos da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, passou a fazer das tripas coração para tentar vincular o Master ao governo Lula.

2) Essa linha de ação passa ao largo de um mínimo de sofisticação e apela para o senso comum mais rudimentar. Exemplo: já que ministros do Supremo como Toffoli e Alexandre de Moraes são vistos como próximos ao governo, atacá-los significa atingir por tabela o PT e Lula.

3) Por óbvio, não pega bem a esposa de Alexandre Moraes e a família de Lewandowski advogarem para o Master. Isso é uma questão que deve ser resolvida não só pelo STF, mas também por outros tribunais cujos magistrados possuem parentes que exercem a advocacia. Contudo, no caso específico do Master, a pergunta crucial é: o fato de haver parentes de juízes do Supremo advogando para o Master ajudou a livrar a cara de Vorcaro e seu banco? A resposta é não. O Master foi liquidado e Vorcaro cumpre medidas judiciais restritivas.

4) Nas redes sociais, circulam imagens de convescotes e reuniões entre Vorcaro e governadores e parlamentares bolsonaristas. No entanto, esse acervo virtual vem sendo ignorado pela imprensa corporativa nas reportagens sobre as implicações políticas da crise do Master. Nem mesmo a prisão de um sócio de Vorcaro, tido e havido como maior doador para as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, mereceu o destaque adequado.

5) Quando da operacão da PF no Rioprevidência, as notícias sobre o assunto veiculadas pelo Grupo Globo sequer citaram o nome do governador Cláudio Castro. Imagina se fosse um governador do PT?

6) Um presidente da República que efetivamente trabalhe, como Lula, recebe um sem número de pessoas em seu gabinete. São lideranças de trabalhadores e empresários, políticos, intelectuais, artistas, estudantes, militantes de ONGs, integrantes de entidades da sociedade civil, delegações do exterior e gente do mercado financeiro. Usar a audiência que Lula concedeu a Vorcaro, bem antes do banco ser liquidado, como prova da relação entre ambos chega a ser ridículo. Principalmente porque as mesmas notícias dão conta de que Lula avisou ao dono do Master que o caso do seu banco demandaria uma solução técnica por parte do Banco Central.

7) Paulo Gala é um professor da Fundação Getúlio Vargas que já trabalhou como economista no Master. Pois bem, bastou Gala ter feito uma palestra na Fundação Perseu Abramo para a mídia apontar a existência de laços entre o banco de o PT. Acredite se quiser.

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