quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Não era profecia, senão que sabedoria

Fidel Castro e Hugo Chávez. Foto: José Goitia/AP
Por Jair de Souza


Em uma entrevista dada em 2006, o líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chávez, já fazia um alerta sobre o uso do pretexto do combate ao narcotráfico por parte dos Estados Unidos, para pôr fim ao processo de busca de soberania que estava incomodando ao grande capital do centro do império. Vale muito a pena rever o vídeo neste momento e fazer as devidas reflexões.

Fiz a tradução e legendagem do vídeo ao português, e ofereço à continuação sua transcrição completa.

Doutrina Donroe: Mistura de Corleone e Monroe

Sarah Levy retrata Donald Trump com seu sangue menstrual após
comentários sexistas. Nome da obra: "Whatever" (Tanto Faz), 2015.
  
Por Marcelo Zero

O que aconteceu na Venezuela já era esperado há tempos.

O que pode ter causado surpresa aos desavisados (há muitos e são vocais) foi a facilidade com que a operação foi feita e a “franqueza” de Trump.

“Don Trump” deixou claro que agrediu a Venezuela e sequestrou Maduro para ter acesso facilitado ao petróleo e a outros recursos naturais (bauxita, ouro etc.) da Venezuela.

Confessou que a agressão não tem nenhuma relação com defesa da democracia, e dos direitos humanos, escusa esfarrapada que os EUA sempre usaram para derrubar regimes não-alinhados a seus interesses e destruir países.

Trump e os EUA também confessaram que a agressão não tem nada ver com “narcoterrorismo”.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O sequestro de Maduro e a Doutrina Donroe

Charge: Henrique Monteiro/Cartoon Movement
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, no site A terra é redonda:

1. A crônica de um ataque anunciado

A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, vem sendo preparada há muito tempo. Em artigo publicado na Carta Capital em fevereiro de 2019, intitulado “Donald Trump, o fim do globalismo e a crise na Venezuela”, argumentei que o então presidente revelava com franqueza inédita os verdadeiros objetivos do imperialismo estadunidense: não a defesa da democracia ou dos direitos humanos, nem o respeito (seletivo) de tratados internacionais pautados na ideologia liberal, mas o controle sobre recursos com valor estratégico e econômico. Já naquele momento, Trump criticava abertamente seus antecessores por não terem “tomado o petróleo” da Venezuela ou do Iraque, ou as terras raras do Afeganistão, explicitando uma lógica predatória que o discurso liberal tradicionalmente dissimulava.

A Venezuela e a lógica da dominação

Charge: Miguel Paiva/247
Por Theófilo Rodrigues, no site da Fundação Maurício Grabois:

Em 1914, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Karl Kautsky, então principal dirigente da social-democracia alemã e da II Internacional, publicou na Die Neue Zeit o artigo Ultra-imperialismo, que se tornaria referência nos debates da época. Seu argumento era relativamente simples: a rivalidade violenta entre as potências capitalistas tenderia a dar lugar, em um estágio posterior, a uma cooperação entre elas – uma espécie de cartelização da política externa ou “santa aliança dos imperialistas” – capaz de conter a corrida armamentista e estabilizar o sistema internacional.

Lênin discordou frontalmente dessa leitura. Em Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), argumentou que o ultra-imperialismo não passava de uma “consolação arqui-reacionária das massas”, pois ignorava o caráter estrutural da concorrência capitalista. Para ele, a exportação de capitais – traço central do capitalismo financeiro – não atenuaria, mas aprofundaria as contradições entre Estados, tornando as guerras não acidentes históricos, mas expressões da luta pela redistribuição de mercados, territórios e esferas de influência.

Ato condena ação de Trump na Venezuela

Foto: Elineudo Meira, Guilherme Gandolfi e Lucas Martins/Mídia Ninja
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


Mais de mil pessoas se reuniram na tarde desta segunda-feira (5), em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul de São Paulo, em um ato de solidariedade ao povo venezuelano e de repúdio à escalada militar do governo Donald Trump contra a Venezuela e a América Latina.

Convocado por um amplo conjunto de organizações populares, partidos e movimentos sociais, o ato em São Paulo foi marcado pelo caráter unitário entre diversas forças políticas e sociais, reunindo lideranças partidárias, movimentos da juventude, militantes de organizações populares, comunicadores e venezuelanos residentes em São Paulo.

Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, a ação dos Estados Unidos é um grave ataque à Venezuela, à América Latina e também ao Direito internacional. “O sequestro do presidente legítimo Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, representa um assalto à soberania do povo venezuelano e de todos os povos do continente. O que está em jogo é o nosso futuro, o futuro dos nossos recursos naturais”, afirmou. Segundo ele, a ofensiva não se limita à Venezuela: “O recado vale também para o Brasil, para a Colômbia, para o México e para os demais países da região”.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O duelo de Trump com Delcy será dramático

Diosdado Cabello, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez/Reuters
Por Moisés Mendes, em seu blog:

Se fosse possível juntar tudo o que já se disse sobre o sequestro de Nicolás Maduro, teríamos pelo menos uma centena de teorias sobre o que aconteceu e previsões sobre o que vai acontecer.

Temos desde a conclusão mais óbvia e repetitiva, de que Trump quer o petróleo da Venezuela (até porque ele admitiu isso publicamente), até a advertência de que o Brasil é o grande alvo, ao lado de alvos de passagem como Cuba e Colômbia.

Quase todo o resto é chute. O primeiro deles diz respeito ao papel da vice-presidente, Delcy Rodríguez, que já assumiu a presidência e avisou que irá defender os interesses da Venezuela.

Essa é a sua frase mais publicada pelos jornais venezuelanos, mesmo os alinhados com a direita antichavista: “Jamais seremos colônia de nenhum império”.

Os pilares do novo colonialismo dos EUA

Charge: Angel Boligán
Por Bepe Damasco, em seu blog:


O que menos importa no momento é avaliar as convicções democráticas do presidente Maduro e discutir se as últimas eleições venezuelanas foram legítimas ou não. Até porque compromisso com a democracia não é parâmetro para os EUA na hora de decidir quem deve ser atacado.

Podia citar aqui dezenas de exemplos de regimes ditatoriais que não foram e nunca serão alvo dos EUA. Fiquemos com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, onde não há parlamento, nem eleições e tampouco imprensa livre. Há alguns anos, vamos lembrar, um jornalista foi assassinado e esquartejado, tudo indica por sicários a soldo do família imperial.

Então, só idiotice crônica ou má-fé pode levar alguém a achar que os EUA estavam preocupados se o pleito venezuelano foi fraudado ou não.