domingo, 25 de julho de 2021

Duelo de Bolsonaro com Alexandre de Moraes

Por Moisés Mendes, no site Brasil-247:


Alguns episódios nem tão recentes ajudam a entender como Alexandre de Moraes se transformou na figura com poder institucional que mais afronta e atemoriza Bolsonaro e o entorno que o protege, incluindo os militares.

No dia 19 de junho de 2020, uma sexta-feira, os jornalões divulgaram com certa candura essa informação.

Três ministros de Bolsonaro bateram na porta da casa do ministro Alexandre de Moraes em São Paulo.

Os jornais informaram que os quatro trataram, entre outros assuntos, de um processo sobre a indenização da União à indústria sucroalcooleira por perdas com os preços controlados do setor.

Quem quisesse que acreditasse que os ministros André Mendonça (Justiça e Segurança Pública), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e José Levi Mello do Amaral Júnior (Advocacia-Geral da União) teriam ido a São Paulo, numa sexta-feira, para tratar das controvérsias jurídicas de danos do tabelamento dos preços do açúcar e do etanol.

Nem os escravos de coronéis dos canaviais acreditariam.

Os três foram ao encontro de Moraes 18 dias depois de outra visita.

No dia 1º de junho, uma segunda-feira, o então ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo e Silva, também esteve na casa de Moraes.

A imprensa noticiou vagamente que trataram da melhoria da interlocução do governo com o Supremo. Ninguém apresentou, ao contrário do que ocorreu quando da visita dos três ministros civis, uma motivação esdrúxula.

A verdade nem tão encoberta é que Bolsonaro estava tentando dar um bafo no ministro.

As duas reuniões são decisivas para que se compreenda o que acontece na sequência e que acaba por transformar Alexandre de Moraes no mais bravo integrante do Supremo no enfrentamento das estruturas de poder que sustentam Bolsonaro, dentro e fora do governo.

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