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| Charge: Dave Granlunds/Political Cartoons |
É inegável que sofremos um golpe muito duro com a agressão assassina feita pelo governo nazitrumpista dos Estados Unidos contra a Venezuela. Além da quase uma centena de mortes causadas a valorosos defensores da soberania latino-americana, as forças nazitrumpistas também sequestraram o legítimo presidente da nação, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
Entretanto, sem pretensão de pintar uma catástrofe com cores alegres, acredito que podemos, sim, detectar um saldo positivo para o campo popular a partir desta agressão infame e vil. Para extrair esta conclusão, basta observar que as instituições de poder se mantiveram intactas, todas sob o comando dos bolivarianos, e enquanto as ruas e praças eram tomadas pelas massas leais ao presidente sequestrado, os opositores pró-imperialistas não tiveram a audácia de colocar a cabeça para fora, ninguém deles teve coragem de se manifestar em público.
Isto simplesmente reconfirma que o chavismo não é um movimento dependente exclusivamente de um líder pessoal para existir. Sua penetração entre as maiorias populares é tão intensa que sequer o sequestro de seu dirigente máximo foi capaz de levá-las à prostração e desespero. Na verdade, para quem as andava procurando, aí estão as tão decantadas atas do pleito eleitoral passado.
Não é à toa que o nazitrumpismo foi obrigado a reconhecer que seus aliados internos, por mais nobéis da paz que lhes fossem concedidos, são totalmente incapazes de angariar algum apoio significativo entre o povo venezuelano. Mesmo que seu paizão Trump tenha vindo prestar-lhes uma ajuda criminosa, a força do bolivarianismo é tanta que eles andam todos escondidos por lá, calados ou assobiando para o lado, quando o assunto entre em pauta de conversa.
Assim, para disfarçar seu inegável fracasso em botar abaixo um governo que não lhes era palatável, os nazitrumpistas necessitam imperiosamente que se consolide a interpretação de que seus objetivos foram alcançados. É isso o que explica a inexplicável sinalização do governo nazitrumpista de reconhecer a vice-presidente Delcy Rodríguez como a nova mandatária. É como querer fazer consolidar-se a ideia de que todo o problema era representado por Nicolás Maduro, independentemente de que todos os que continuam nos postos de comando tenham sempre estado em plena concordância com o mandatário sequestrado.
Como o nazi-imperialismo trumpista não tem mais como colocar suas marias corinas, seus leopoldos lópez ou seus guaidós para exercer o governo da Venezuela em seu nome, é fundamental que eles possam, ao menos, ter uma vitória midiática retumbante nas redes sociais. E, para tal efeito, já estão em ação os grandes conglomerados de desinformação que eles possuem e utilizam ao máximo.
De nossa parte, no Brasil e no restante da América Latina, devemos entender de uma vez por todas a importância do trabalho de base, tanto em relação às formas organizativas como a nível de consciência política. Precisamos nos dedicar com muito mais intensidade às atividades destinadas a forjar em nossas maiorias populares um entendimento dos problemas que enfrentamos e a necessidade de nos prepararmos para a luta com muito mais determinação e clareza sobre o panorama circundante.
Se soubermos reagir adequadamente à flagrante bandidagem do golpe desfechado pelo imperialismo nazitrumpista, é bem possível que consigamos fazer deste limão uma limonada, e, assim, sairmos mais fortes desta situação para continuar encurralando o imperialismo e seus prepostos locais, estejam eles vinculados ao bolsonarismo ou a quaisquer outras linhas políticas adeptas do entreguismo.

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