quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ato contra o golpismo midiático

Reproduzo convite do Centro de Estudos Barão de Itararé:

COMPAREÇA AO ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!

CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!

CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na “presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a “presunção da inocência”.

Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras.

Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil.

A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.

Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar – já mostraram seu desapreço pela democracia.

É por isso que centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e personalidades das mais variadas origens realizarão – com apoio do movimento de blogueiros progressistas - um ato em defesa da democracia.

Participe! Vamos dar um basta às baixarias da direita!

Abaixo o golpismo midiático!

Viva a Democracia!

Data: 23 de setembro, 19 horas

Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).


Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, FS, CTB, CGTB, MST e UNE e de blogueiros progressistas.

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"Fonte" da Folha acabou de sair da cadeia

Reproduzo artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog:

Alguns elementos para tentar entender essa nova denúncia da Folha:

1. Segundo informações da própria Folha, o acusador Rubnei Quícoli já foi condenado duas vezes em São Paulo (por interceptação de carga roubada e por posse de moeda falsificada). E em 2007 passou dez meses preso. O fato de antecipar as denúncias sobre sua fonte não absolve o jornal. Pelo contrário, é agravante. Quando uma pessoa com tal currículo faz uma denúncia, é praxe de qualquer jornalismo sério ouvir as denúncias e exigir a apresentação de provas.

2. A única prova que o tal consultor apresenta é um email marcando audiência na Casa Civil e que tem o nome de Vinicius Oliveira no C/C . Todo o restante são acusações declaratórias. Nenhum juiz do mundo tomaria como verdade acusações desacompanhadas de provas, de um sujeito que acaba de sair da cadeia.

3. O jornal não explica como um sujeito com duas condenações criminais, que passou dez meses na prisão dois anos atrás, pilota um projeto de R$ 9 bilhões. É apostar demais na ignorância dos leitores.

4. O BNDES é um banco técnico, constituído exclusivamente por funcionários de carreira trabalhando de forma colegiada. É impossível a qualquer pessoa – até seu presidente – influenciar a análise do comitê de crédito. Essa informação pode ser facilmente confirmada com qualquer ex-presidente do banco, de qualquer governo. É só conversar com o Luiz Carlos Mendonça de Barros, Pérsio Arida, Antonio Barros de Castro, Márcio Fortes – que foram presidentes durante o governo FHC. A ilação principal da reportagem – a de que o projeto de financiamento foi recusado pelo BNDES depois da empresa ter recusado a assessoria da Capital – não se sustenta. Coloca sob suspeita uma instituição de reconhecimento público fiando-se na palavra de um sujeito que já sofreu três condenações na Justiça e três anos atrás passou dez meses preso.

5. Existem empresas de consultoria que preparam projetos para o BNDES e cobram entre 5 a 7% sobre o valor financiado. É praxe no mercado. Confundir essa taxa com propina é má fé. Segundo o empresário que denunciou, Israel apresentou uma proposta de acompanhamento jurídico de processos da empresa, que acabou não sendo assinado. Tudo em cima de declarações.

Ninguém vai negociar propostas ocultas em reuniões formais na Casa Civil, à luz do dia. Só faltava.

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Condenado se torna "fonte" da Folha

Reproduzo matéria publicada no blog Conversa Afiada:

A Folha de S.Paulo de hoje (16.09) estampa uma foto de meia página (E3) de Rubnei Quícoli, apresentado como “empresário” e representante da empresa EDRB do Brasil S/A, de Campinas (SP). Embaixo da foto dele, em pose de CEO de grupo multinacional, a mesma Folha informa que Quícoli foi condenado em processos movidos pela Justiça de São Paulo pelos crimes de receptação e coação. Uma das penas foi por desvio de uma carga de 10 toneladas, produto de roubo. A outra, por receptação de moeda falsa. Em 2007, informa a FSP, Quícoli passou dez dias na cadeia.

A FSP recorre ao depoimento deste homem – que identifica como “consultor” – para acusar, sem provas, a ministra-chefe da Casa Civil, e seu filho Israel, de terem pedido dinheiro da empresa EDRB para liberar um empréstimo do BNDES e para a campanha da candidata Dilma Rousseff.

O absurdo é que, na entrevista (pág E3) é o próprio Quícoli quem afirma que o dinheiro teria sido pedido por Marco Antonio Oliveira, ex-diretor dos Correios, demitido recentemente, e não por Erenice ou Israel Guerra.

Fala Quícoli: “Ele (Marco Antonio) falou que precisava de R$ 5 milhões para poder pagar a dívida lá que a mulher de ferro tinha”. Acrescenta Quícoli: “O Marco Antonio é que pediu. Eu falei: Eu não vou dar dinheiro nenhum. Eu estou fazendo um negócio que é por dentro e estou me sentindo lesado.”

Segundo o “consultor”, foi Marco Antonio quem afirmou que “Israel bloqueou a operação (no BNDES). Quícoli também afirma que Israel não lhe pediu dinheiro: “O Israel nunca pediu nada, porque eu não dei chance. Eu não sabia que ele era filho da Erenice. Soube pelo Marco Antonio.”

Sobre a ministra, à época secretária-executiva da Casa Civil, o “consultor” afirma: “Ela se colocou num patamar assim: Vou ver onde eu coloco isso”. Ela concordou que a Chesf seria e empresa recomendada (para avaliar o projeto de energia solar) porque está no Nordeste. Nessa condição, ela agiu corretamente.”

A Folha reforça: “Segundo eles, ela ouviu sobre o projeto e se propôs a fazer a ponte entre a EDRB e a Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), estatal geradora de energia. “Nesse dia, ela [Erenice] propôs o quê? Viabilizar o projeto dentro da Chesf. [...]”

Conforme informado à FSP, ontem (15), representantes da empresa KVA Elétrica (e não da EDRB), foram recebidos na Casa Civil, em 10 de novembro de 2009, pelo então assessor especial da Secretaria-Executiva. Segundo a FSP, ambas empresas são representadas por Quícoli. Os empresários apresentaram um perfil da empresa e tecnologias para a produção de energia solar na região Nordeste. Nenhum encaminhamento ou pedido foi derivado desta audiência. Nem Erenice Guerra, nem o ex-assessor da Casa Civil, Vinícius Castro, participaram da audiência.

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Carta de demissão de Erenice Guerra

Excelentíssimo Senhor
Luiz Inácio Lula da Silva
DD Presidente da República
Nesta

Senhor Presidente,

Nos últimos dias fui surpreendida por uma série de matérias veiculadas por alguns órgãos da imprensa contendo acusações que envolvem funcionários e familiares meus.

Tenho respondido uma a uma, buscando esclarecer o que se publica e, principalmente, a verdade dos fatos, defrontando-me com toda sorte de afirmações, ilações ou mentiras que visam desacreditar meu trabalho e atingir o governo ao qual sirvo.

Não posso, não devo e nem quero furtar-me à tarefa de esclarecer todas essas acusações e nem posso deixar qualquer dúvida pairando acerca de minha honradez e da seriedade com a qual me porto no serviço público. Nada fiz ou permiti que se fizesse, ao longo de toda essa trajetória de trinta anos, que não tenha sido no estrito cumprimento de meus deveres.

Agradeço a confiança de Vossa Excelência ao designar-me para a honrosa função de Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República, e solicito em caráter irrevogável que aceite meu pedido de demissão.

Cabe-me, daqui por diante, a missão de lutar para que a verdade dos fatos seja restabelecida.

Brasília (DF), 15 de setembro de 2010.

Erenice Guerra


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O velho filme das denúncias eleitorais

Reproduzo artigo de Urariano Motta, publicado no sítio Direto da Redação:

O roteiro é conhecido, o filme é velho, mas continua a ser exibido a cada quatro anos, quando se anunciam mudanças políticas no Brasil. É um filme B, de candidatos a canastrão, de poucas locações, mas ainda assim caro, muito caro, pelo preço cobrado e pelas repercussões na vida econômica do Brasil.

É uma película grossa, repleta de truques manjados, repetidos à exaustão, sem qualquer voo tecnológico ou design de jornadas nas estrelas, mas ainda assim eficaz como uma armadilha de sexo, cujo final é sempre conhecido, mas ainda assim sedutor.

Os mais maduros já viram. Assim como neste setembro de 2010, quando aparece a denúncia do vazamento do sigilo da pulcra filha de Serra, cuja pulcritude não conseguiu arrancar votos de Dilma, apesar do reforço da pulcríssima candidata Marina... assim como nestes últimos dias, quando surgiu mais um escândalo, desta vez para responsabilizar a Casa Civil do governo Lula, utilizando a ponte do filho da substituta de Dilma, que não está mais do governo, mas “aí tem coisa”, pois os links se fazem com lances de ilusionismo, não custa lembrar a última exibição desse arrasa quarteirão da guerra política.

Em setembro, Lula, que estava próximo a ganhar as eleições no primeiro turno, recebeu um golpe desse filme em 15 de setembro de 2006. O dia desse clássico da velhacaria não é certo. Mas o título, sim. Na sua versão de 2006, ficou conhecido “O escândalo do dossiê”. O certo é que em 16.09.2006 a Folha de São Paulo denunciou:

PF prende petistas acusados de comprar dossiê anti-Serra

A Polícia Federal apreendeu ontem US$ 248,8 mil e R$ 1,168 milhão (R$ 1,7 milhão), em um hotel de São Paulo, em poder do petista Valdebran Carlos Padilha da Silva, empreiteiro mato-grossense, e de Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-agente da PF. Eles estavam intermediando a compra de vídeos, fotos e documentos que mostrariam suposto envolvimento dos candidatos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra com a máfia dos sanguessugas.


A duas semanas do primeiro turno de 2006, um raio de Cecil B. DeMille riscou os céus do Brasil. A hipocrisia e a malandragem se juntaram em uníssono. Com espaço aberto em toda grande imprensa, instigados, como dizem os jovens hoje, vieram as vozes dos varões de Plutarco:

Pega ladrão! (A chantagem eleitoral de Lula)

Jorge Bornhausen

Surpreendido, o ladrão antecipa-se ao alarme e grita: "Ladrão!
Pega ladrão!". Mistura-se aos seus próprios perseguidores e se livra da polícia. (Ou então, numa variável da cena, usada como cortina cômica dos picadeiros de circo de antigamente, o ator que faz o papel do descuidista ou do sedutor apanhado em flagrante de adultério grita "Fogo! Fogo!", e aproveita a confusão pra fugir.)...

Heloísa compara PT a facção criminosa por elo com dossiê

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM GOIÂNIA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A candidata do PSOL à Presidência Heloísa Helena classificou o PT como "organização criminosa" ao comentar, ontem, a participação de membros do partido na compra de dossiê contra tucanos....

É mais prático afastar Lula, diz Alckmin

O candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin, afirmou ontem, quando questionado sobre a série de demissões no PT e no governo provocadas pelas crises políticas, que é ‘mais prático afastar o Lula’.

Cinco ministros afastados, indiciados, denunciados, a direção do PT envolvida em escândalos, agora um novo. Eu acho que tem que afastar o Lula, é mais prático”.


Mas faltava para a televisão a imagem escandalosa do crime. No dia 29 de setembro, pela versão da mídia, uma “pessoa” (o criminoso em off) entrega aos jornalistas um CD com as fotos do dossiê. O Delegado da Polícia Federal de São Paulo, Edmilson Pereira Bruno, declara que foi vítima de furto, ao contar que as fotos vazadas foram roubadas de sua sala. Na verdade, desde 28 de setembro as fotos das pilhas de dinheiro haviam sido tiradas pelo próprio delegado. Em seguida, como se não soubesse de nada, deu entrevista dizendo que abriria investigação para descobrir como as fotos foram parar na imprensa.

Era tudo de que precisava o filme do escândalo. O Jornal Nacional, no dia 29 de setembro, dois dias antes das eleições do primeiro turno, deu o furo, previsível, programado, das pilhas do dinheiro dos “petistas”. E Lula foi para o segundo turno.

Esse é o enredo, o roteiro. Esperamos não ter desta vez, nestes tempos da web livre, mais um campeão de audiência.

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Mídia, poder e os domadores de leões

Reproduzo artigo de Antonio Lassance, publicado no sítio Carta Maior:

Certa vez, um ministro resolveu levar ao Presidente da República seu pedido de exoneração. Diante de uma crise aguda, uma verdadeira “blitzkrieg” (guerra-relâmpago) que assolava o Planalto na tentativa de deixar apenas terra arrasada, o ministro explicou a auxiliares por que achava que estava na hora de “pegar o boné”: “os leões precisam de carne”. Os leões eram os veículos de imprensa.

Esta é uma ótima analogia sobre a relação entre a imprensa e o “poder”. Isenta os leões de serem recriminados por sua ferocidade e apetite. É da sua natureza e instinto serem assim. É mais do que uma circunstância. Pelo menos, desde a Revolução Francesa, desde Jean-Paul Marat e seu jornal insurrecional e maledicente, “O amigo do povo” – recheado por política e fofocas, como os atuais.

Por outro lado, se os leões estão isentos de culpa, os políticos e o público, por obrigação, não podem ter com a imprensa uma relação ingênua. Os leões não estão à espreita para promover espetáculo, para fazer bonito e agradar ao público. Mesmo aqueles que lhes dão carne diariamente não podem ser ingênuos e românticos.

“No Planalto, com a imprensa”, livro em dois volumes, de quase mil páginas, produzido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), sob o comando do ministro Franklin Martins, reúne entrevistas com antigos domadores - responsáveis pela intermediação das relações dos governos com a imprensa. Alguns o foram na condição de secretários de Imprensa; outros, na de porta vozes.

As entrevistas foram feitas pelo professor, jornalista e assessor da Secom, Jorge Duarte, um dos maiores especialistas do país em jornalismo e comunicação. Duarte faz uma cuidadosa reconstituição histórica do aparecimento da figura do jornalista “do presidente”, desde a I República até o golpe de 64.

Duarte demonstra que a imprensa ancestral, liberal, foi nutrida pela República Velha, como no caso do tradicionalíssimo e importante, à época, Jornal do Comércio (do Rio de Janeiro). Os jornais liberais recebiam encomendas, ou incumbências, principalmente a partir do governo Campos Sales (que governou o País de 1898 a 1902). “Há relatos de que a direção do jornal [do Comércio] recebia regularmente bilhetes de Campos Sales com opiniões, sugestões de reportagens e agradecimentos pela veiculação de informações” (pág. 11).

Um parêntesis: trata-se do mesmo Campos Sales que estava entre os 16
que insuflaram a transformação do velho jornal A Província de São Paulo em um “diário republicano”, passando a denominar-se O Estado de S. Paulo. Assim atesta o próprio veículo, em sua página de histórico
http://www.estadao.com.br/historico/resumo/conti1.htm . O jornal se tornaria intimamente associado aos destinos do Partido Republicano Paulista e da oligarquia (da qual fazia parte) que controlava a “República do Café com Leite”.

É bem provável que o conhecido anticlericalismo de Campos Sales tenha influenciado até num detalhe que normalmente passa desapercebido: na troca do nome, o “São” passou a ser grafado sempre abreviado, e A Província de São Paulo passou a ser O Estado de S. Paulo. Ou seja, o velho diário, com seu liberalismo ainda hoje arraigado, nasceu, cresceu e conformou sua identidade sob as asas do Estado, fazendo jus ao apelido carinhoso que faz questão de empunhar: Estadão.

A função de secretário de Imprensa só se estabeleceu formalmente no Governo João Goulart, com o jornalista Raul Ryff. Ryff e Carlos Castello Branco, o Castelinho, são as grandes lacunas do livro, supridas tanto pela introdução de Duarte quanto pelo depoimento do jornalista Carlos Chagas.

Além de Jorge Duarte, o livro teve a organização do diplomata Carlos Villanova, também da Secom, de Mário Hélio Gomes (responsável por um minucioso trabalho de notas) e de André Singer (que foi porta voz e secretário de imprensa de Lula).

Nenhuma declaração bombástica ou segredo que já não tenha sido revelado. Os presidentes parecem ter a prática de não incluir os secretários de Imprensa entre seus confidentes. Certos depoimentos são primorosos e bastante intensos. Um deles (Cláudio Humberto) é visceral. A maioria é repleta de casos elucidativos e saborosos. Alguns, além de terem sido grandes jornalistas, ainda são bons contadores de história. Por exemplo, Carlos Chagas, que fala do “pijânio” (pág. 49), um misto de pijama e roupa indiana, que o presidente Jânio começou a usar, no lugar do terno. A moda fez sucesso apenas entre os puxa-sacos.

São relembrados momentos históricos. O assassinato de Vladimir Herzog,
a bomba do Riocentro, a morte de Tancredo Neves, a Constituinte, o
impeachment de Collor, a crise política que abalou o Governo Lula em 2005, dentre tantos outros acontecimentos de grande importância, são revistos com o olhar de quem estava dentro do Planalto, ao lado dos presidentes e, muitas vezes, com a ingrata função de ser sua trincheira.

Autran Dourado conta da famosa foto de Juscelino, estendendo a mão e fazendo um gesto vago ao secretário de Estado Americano, Foster Dulles, mas estampado nos jornais como um pedido de dinheiro (de fato, o Brasil estava atrás de empréstimo do FMI). “Aquilo foi uma maldade” (pág. 34). A imagem mendicante quase gerou um processo do presidente JK contra o Jornal do Brasil. Carlos Chagas fez um relato detalhado sobre o AI-5, de 1968 (págs. 67-73). Carlos Fehlberg atribuiu ao jornal “O Globo” ter lançado ao estrelato a frase entusiástica de Médici, “ninguém segura este país”, que virou bordão da ditadura (pág. 119).

Humberto Barreto, do período Geisel, lembra que alguns jornalistas “se tornaram meus comensais; notadamente o Merval Pereira” (pág. 135). Alexandre Garcia, secretário de imprensa do período Figueiredo, conta porque escreveu o livro “João Presidente” - num período em que se tentava “humanizar” o general que teria dito preferir o cheiro de cavalo ao cheiro do povo. Garcia diz que sua demissão (pág. 241) teve a ver com o título de uma entrevista concedida: “o porta-voz da abertura”. Na verdade, é notório que a demissão foi motivada, de fato, não pela entrevista, na revista Ele&Ela, mas pela foto que a acompanhava: o jornalista foi fotografado na cama, nu, coberto apenas por uma toalha sobre o corpo (a mesma informação consta do Memória Globo, do portal da própria Rede Globo
http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYP0-5271-259099,00.html). A Ele&Ela era uma revista “masculina”, como se dizia no século passado, e a foto deixava em má situação o presidente que antes havia feito declarações moralistas contundentes, imagine, sobre a nudez... no Carnaval do Rio de Janeiro.

Os únicos que não aceitaram ser entrevistados foram o general José Maria de Toledo Camargo (que serviu ao governo Geisel, de 1977 a 1978), e a secretária de imprensa de FHC, Ana Tavares. Toledo Camargo foi da época de Armando Falcão e do "nada a declarar", mas tem a seu favor o fato de ter escrito um livro, “A espada virgem”. Ele alega já ter dito, neste livro, tudo o que teria a pronunciar. Ana Tavares, secretária de Imprensa de FHC, apenas justificou que não se considera notícia. Nada a declarar mesmo.

Todos os secretários são chapa branca, até hoje. Todos, sem exceção –
com o perdão da ênfase, para destacar que comunicação chapa branca existe e independe de ditadura ou democracia. Fica patente – de novo,
independentemente de regime – que, de todos aqueles que um presidente
pode nomear, os secretários de Imprensa são os que mais valem a pena,
do ponto de vista da imagem: é incrível como continuam atuando como se
ainda fossem secretários de Imprensa, mesmo sem receber o salário a
que fizeram jus. Defendem seus antigos chefes com unhas e dentes.
Mesmo os que não merecem são retratados como mocinhos e vítimas de
injustiças, armações ilimitadas ou de erros cometidos no esforço de
acertar (só não se diz em quem). Vários consideram que a imprensa foi
deliberadamente malvada e até ingrata.

Há quem não se furtou a expor ódios particulares ou rancores especiais aos que lhes proporcionaram percalços e saias justas, ou que disputavam a mesma atenção do presidente. Os ex-secretários descrevem muito bem o jogo bruto a favor e contra o
Planalto, que aí sim variava conforme os interesses em questão e as
relações dos veículos com os regimes.

Ricardo Kotscho proporciona um ótimo relato sobre a relação do presidente Lula com a imprensa, reproduzindo avaliações presentes em seu livro (“Do golpe ao Planalto: uma vida de repórter”). O depoimento de André Singer ficou em parte prejudicado por ter sido feito à época em que estava no cargo de secretário de Imprensa, razão pela qual se deve ler também a entrevista de Fábio Kerche.

Kotscho revela um traço que está presente em muitos dos depoimentos: os secretários de Imprensa em geral são jornalistas bem conhecidos pelos profissionais das redações e editores; costumam ter uma relação direta com os presidentes, ou pelo menos com alguém que seja de sua absoluta confiança e faça a “ponte”. Mas a grande lacuna, o que eles mais sentiram falta, o flanco pelo qual mais apanharam é o da experiência política, algo que normalmente chamam de “Brasília”. Há uma diferença razoável entre a lógica da imprensa e a lógica da política, embora ambas estejam entrelaçadas.

“No Planalto, com a imprensa” é um belo legado do Governo Lula, além
de ser um manual completo para a área de comunicação dos governos e
também aos profissionais da comunicação contra os governos.

O livro é oportuno e esclarecedor. Por exemplo, num momento em que se ouve falar, em editoriais, sobre supostos riscos do Estado à liberdade da imprensa, “No Planalto, com a imprensa” ilustra vivamente como certos interlocutores, editorialistas, comentaristas, articulistas e âncoras de veículos de comunicação de massa foram íntimos e aguerridos defensores do Estado em seus piores momentos. Um tempo quando o Estado estalava o chicote para mostrar quem é que manda, e uns abanavam o rabo atrás de um pedaço de carne.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que Diogo Mainardi fará com o espumante?

Reproduzo texto sarcástico de Renato Rovai, publicado em seu blog na Revista Fórum:

O tuiter agora tem aquele serviço de indicações de seguidores. Até hoje não descobri que cruzamentos são feitos para indicar os que eles consideram que têm algo a ver com você. A coisa é tão estranha que outro dia me deparei com o Diogo Mainardi sendo apresentado a este blogueiro como alguém que eu poderia me interessar em seguir.

Logo depois de bater três vezes na madeira e rezar treze pais nossos, não resisti à curiosidade e fui dar uma espiada no perfil do tão “badalado colunista”.

Pela periodicidade das notas, se percebe que o moço é muito ocupado. Sua última postagem foi às 3h17 do dia 26 de julho. É exatamente esta que segue:

“O que mais? Em outubro, venho passar uns dias no Brasil para celebrar a derrota dos petistas. Eu trago o espumante”.

A pergunta que não quer calar é: o que você vai fazer com o espumante, Diogo Mainardi?

O leitor tem sugestões?

Alerta aos navegantes: não vale sacanagem. Este blogue não é da Veja.

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Serra dá chilique na CNT



Será que a TV Globo vai mostrar a postura "autoritária" de José Serra, que atenta contra a "liberdade de expressão"?

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FHC prega golpe contra Lula

Reproduzo artigo de José Reinaldo Carvalho, publicado no sítio Vermelho:

Demorou. Mas, finalmente, a oposição neoliberal e conservadora liderada pelo PSDB e a mídia, diante da evidência de que os escândalos fabricados não repercutem a seu favor no eleitorado, que continua manifestando a tendência de votar em Dilma Rousseff e dar-lhe a vitória já no primeiro turno, apresentou as suas armas e desvelou seu discurso.

Através de ninguém menos do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pretenso líder da facção declinante da aliança PSDB-DEM, a oposição propôs com todas as letras um golpe político-jurídico, invocando a defesa da democracia e o combate ao “autoritarismo” do presidente Lula.

FHC não teve pejo de instar a suprema corte do país, o STF: “Acho até que caberia uma consulta ao STF porque, se você não tiver instrumentos para conter essa vontade política, fica perigoso”. FHC foi mais além: “Alguma instância tem de dizer que o presidente está extrapolando e abusando do poder político de maneira contrária aos fundamentos da democracia”.

O ex-presidente reagia, numa entrevista à Rede Mobiliza, portal de internet da facção de que faz parte, o PSDB, a uma elementar declaração de Lula em comício eleitoral, no qual o presidente conclamou o povo a “extirpar o DEM” da vida política brasileira. Para FHC, Lula agiu como “chefe de facção” e lançou contra o presidente o anátema de “autoritário”, que “quer o poder absoluto”. Comparou-o com o ex-líder fascista italiano Benito Mussolini, no que foi acompanhado por Rodrigo Maia, chefete do DEM, que insinuou uma identidade de Lula com Hitler.

Nada mais natural que na luta político-eleitoral o presidente da República, que é também o líder de uma grande corrente política vitoriosa, de esquerda e centro-esquerda, exorte a população a “extirpar” pelo voto o partido que encarnou como nenhum outro o conservadorismo, o direitismo e o reacionarismo das classes dominantes brasileiras - o DEM, ex-PFL, herdeiro da Arena, sustentáculo da ditadura militar, e da UDN da oposição a Getúlio Vargas e do golpe contra João Goulart.

Não é segredo para ninguém, no Brasil e mesmo além fronteiras, que se fosse constitucionalmente permitido, Lula venceria com folga uma terceira eleição. E que se não fosse tão estrito no respeito à Carta Magna e ao equilíbrio do processo político, ele teria, com respaldo popular, alterado a seu favor a norma. Porém, agiu com autenticidade democrática, rigor legal e apostou na evolução natural do curso político.

Contudo, não se pode exigir de Lula que dessa postura passasse à de um dirigente político omisso. A popularidade e a autoridade política que adquiriu impuseram-lhe a responsabilidade de conduzir o processo, o que envolveu a escolha da candidata, a articulação da aliança e obrigatoriamente envolve a participação direta da campanha, imprimindo-lhe tom, rumo e orientação.

Nada há de ilegal nem autoritário nisso. O estrebucho de FHC tem outro sentido. Primeiramente, está reagindo à derrota eleitoral do seu candidato, José Serra. Para isso mostra-se disposto a qualquer tipo de aventura, factoide, mentira, fraude e até mesmo golpe. A 15 dias do final da campanha está difícil, pois formou-se uma praticamente irreversível tendência no país de continuidade para seguir mudando, resultante do êxito do governo Lula, tanto mais evidente quando comparado ao desastre a que ele, FHC, levou o país durante o seu (des) governo (1995-2002). E em situações como esta é da natureza humana que se manifestem também patologias nos atores políticos, no caso em tela a inveja.

Mas não é apenas nem principalmente disso que se trata. A pregação golpista de FHC é a reação a uma derrota política estratégica da facção das classes dominantes e do imperialismo que ele representa. O rumo que adotaram, sob sua liderança, sofreu contundente derrota, fracassou por completo e inevitavelmente a resultante política disto é o ocaso dos partidos que concretizaram no parlamento e no governo semelhante orientação.

Passadas as eleições, com a provável vitória de Dilma, haverá ampla reorganização do quadro político, à direita e à esquerda. Protagonistas pessoais e legendas partidárias obrigatoriamente se reciclarão e assumirão novos papeis. É algo a conferir. O que parece certo é que o tempo de FHC, Serra, Bornhausen et caterva acabou. Daí a pregação do golpe via STF.

O Brasil, como qualquer outro país, tem suas peculiaridades políticas e as lideranças e partidos, suas idiossincrasias. Fatos de outras latitudes não vão obrigatoriamente se repetir no país. Mas nunca se deve subestimar que a tentação golpista tem sido frequente nas formas de reagir das classes dominantes e do imperialismo no atual quadro político na América Latina, em que predomina a tendência democrática, popular, progressista e anti-imperialista.

Para citar apenas alguns emblemáticos exemplos, em 2002, na Venezuela, tentaram tirar do poder o presidente Chávez, legitimamente eleito com esmagadora maioria, alegando combater seu “estilo autoritário”; em 2008, o imperialismo e a elite racista e neocolonial boliviana tentaram o “golpe cívico”, contra o indígena Evo Morales e em 2009 consumou-se um “golpe constitucional” em Honduras, em que se mancomunaram o Legislativo e o Judiciário para interditar uma consulta popular sobre emendar ou não a Constituição.

A eleição de Dilma Rousseff abre caminho para a consolidação da democracia, para um maior protagonismo das forças populares e de esquerda, para acumular forças no combate às classes dominantes retrógradas e ao imperialismo. E para sepultar políticos e partidos reacionários, como FHC e seus liderados, o PSDB e o DEM.

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O setembro da direita ainda não terminou

Reproduzo artigo de Marcelo Salles, publicado no blog Escrevinhador:

A direita brasileira, cujo ícone maior são as corporações de mídia e os partidos PSDB e DEM, tem uma estratégia bem traçada para setembro: atacar o PT, o governo e Dilma. Se pudéssemos dividir o mês em três partes, diria que os dez primeiros dias foram dedicados a atacar o PT (acusação quebra de sigilos), os dez dias seguintes para atacar a Casa Civil (acusação tráfico de influência) e, no último terço do mês, o ciclo deve se fechar com ataques centrados diretamente na figura da candidata Dilma (acusação de terrorismo e, quiçá, assassinato enquanto resistia à ditadura de 1964).

Nos vinte primeiros dias de setembro, busca-se atingir a imagem do governo e do PT. A acusação de quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas a José Serra e o suposto tráfico de influência na Casa Civil servem para questionar a capacidade de gestão do Partido dos Trabalhadores, bem como a de sua candidata. Seria o aparelhamento do Estado. A mensagem está na esfera do racional. Pode não derrubar votos de imediato, mas produz um estoque que será usado mais adiante, pouco importando se as acusações são caluniosas. O que importa é que o fato político está criado e presente no horário nobre dos telejornais.

No terceiro momento, as acusações deverão se voltar diretamente à Dilma. Não haverá tempo para construir pontes entre o filho de uma ex-assessora e Dilma. Ela será o alvo primário, pouco importando, novamente, se as denúncias serão consistentes ou não. O corajoso passado de Dilma, que enfrentou ao lado de milhares de brasileiros uma ditadura sanguinária, sustentada pelas corporações capitalistas e pelo governo dos Estados Unidos, será transformado pela direita brasileira em ato criminoso. Dilma será apresentada ao povo como uma mulher impiedosa, capaz até de matar para transformar o Brasil numa ditadura comunista. Ela seria, por este raciocínio, a chefe suprema do Estado aparelhado. Os impactos eleitorais de uma mensagem como essa são imprevisíveis.

O terceiro momento, ao contrário dos anteriores, é marcado por forte carga emocional. É aí que a direita espera conseguir os votos necessários para chegar ao segundo turno. E quando o eleitor está diante da urna, sozinho, a emoção fala mais alto. Se essa estratégia será bem sucedida ou não, só o tempo dirá. Mas o fato concreto é que a vitória de Dilma no primeiro turno não está assegurada, como muitos estão dizendo. O setembro da direita ainda não terminou.

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A quem interessa esconder a CartaCapital?

Reproduzo artigo de Leandro Fortes, publicado no blog "Brasília, eu Vi":

Desde o fim de semana passado, tenho recebido uma dezena de e-mails por dia que, invariavelmente, me perguntam sobre a razão de ninguém repercutir, na chamada “grande imprensa”, a matéria da CartaCapital sobre a monumental quebra de sigilo bancário promovida, em 2001, pela empresa Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal).

Juntas, as Verônicas quebraram o sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, sob os auspícios do Banco Central. Nada foi feito, desde então, para se apurar esse fato gravíssimo, apesar de o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), ter oficiado o BC a respeito. Nada, nenhuma providência. Impunidade total.

Temer, atualmente, é candidato da vice na chapa da petista Dilma Rousseff, candidata do mesmo governo que, nos últimos dias, mobilizou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para investigar uma outra denúncia, feita contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, publicada na revista Veja no mesmíssimo dia em que a Carta trazia a incrível história das Verônicas e a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.

Justíssima a preocupação do governo em responder à denúncia da Veja, até porque faz parte da rotina do Planalto fazer isso toda semana, desde 1º de janeiro de 2003. É quase um vício, por assim dizer. Mas por que não se moveu uma palha para se investigar as responsabilidades sobre, provavelmente, a maior quebra de sigilo do mundo ocorrida, vejam vocês, no Brasil de FHC? Que a mídia hegemônica não repercuta o caso é, para nós, da Carta, uma piada velha.

Os muitos amigos que tenho em diversos veículos de comunicação Brasil afora me contam, entre constrangidos e divertidos, que é, simplesmente, proibido citar o nome da revista em qualquer um dos noticiários, assim como levantar a possibilidade, nas reuniões de pauta, de se repercutir quaisquer notícias publicadas no semanário do incontrolável Mino Carta. Então, vivemos essa situação surreal em que as matérias da CartaCapital têm enorme repercussão na internet e na blogosfera – onde a velha mídia, por sinal, é tratada como uma entidade golpista –, mas inexistem como notícias repercutíveis, definitivamente (e felizmente) excluídas do roteirinho Veja na sexta, Jornal Nacional no sábado e o resto de domingo a domingo, como se faz agora no caso de Erenice Guerra e a propina de 5 milhões de reais que, desaparecida do noticiário, pela impossibilidade de ser provada, transmutou-se num escândalo tardio de nepotismo.

Enquanto o governo mete-se em mais uma guerra de informações com a Veja e seus veículos co-irmãos, nem uma palha foi mexida para se averiguar a história das Verônicas S. e D., metidas que estão numa cabeludíssima denúncia de quebra de sigilo bancário, justamente quando uma delas, a filha de Serra, posava de vítima de quebra de sigilo fiscal por funcionários da Receita acusados de estar a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal, nem a CGU, nem Banco Central tomaram qualquer providência a respeito. Nenhum líder governista no Congresso deu as caras para convocar os suspeitos de terem facilitado a vida das Verônicas – os tucanos Pedro Malan e Armínio Fraga, por exemplo. Nada, nada.

Então, quando me perguntam o porquê de não haver repercussão das matérias da CartaCapital na velha mídia, eu respondo com facilidade: é proibido. Ponto final. Agora, se me perguntarem por que o governo, aliás, sistematicamente acusado de ter na Carta um veículo de apoio servil, não faz nada para apurar a história da quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, eu digo: não faço a menor ideia.

Talvez fosse melhor vocês mandarem e-mails para o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a CGU e o Banco Central.

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Serra, Lula e o fim do DEM

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador

Lula declarou em Santa Catarina que é preciso “extirpar o DEM” da política nacional. Não gosto dessas metáforas que apontam para a liquidação do adversário. Melhor do que “extirpar” é derrotar. Mas, vá lá, o palanque e a campanha não são o lugar nem a hora da moderação.

Impossível negar o fato de que Lula escolheu o Estado certo para lançar a campanha contra o DEM. Santa Catarina é a terra de Bornhausen – o sujeito que queria “acabar com essa raça” (ele se referia aos petistas). Parece que o PT é que vai acabar com a raça dos demos.

O curioso é que, nesse ponto, Serra e Lula estão irmanados.

Lula quer a derrota acachapante de seus adversários. Tem a oferecer ao eleitor a singela comparação: o que fizeram os demos no poder (nos tempos de FHC) e o que fizeram Lula e o PT. A comparação provoca uma surra eleitoral que beira a covardia.

Serra também ajuda. A campanha errante, sem discurso – que apela ora para a falsidade (tentou pegar carona na popularidade de Lula, fingindo que não era oposição), ora para o golpismo (quando foi aos militares pregar contra Lula e o PT) – é também uma forma de colaborar para a extinção do DEM.

Graças a Serra e Lula – irmanados na campanha – o DEM corre o risco de ver extintas as carreiras de Heráclito Fortes (PI), Marco Maciel (PE), Cesar Maia. Todos eles correm risco de não se eleger. Agripino Maia (RN), que parecia ter uma reeleição tranquila, agora já tem Vilma (do PSB) em seus calcanhares. E Kassab fala em abandonar o partido e ir para o PMDB.

Para completar, Serra brindou os eleitores com a brilhante reflexão sobre o papel dos vices. Quem me envia o texto é o Mirabeau Leal:

“José Serra deve ter perdido hoje até o voto do seu vice. Em palestra na Ordem dos Advogados do Brasil, em Brasília, contou ter feito uma emenda para não ter vice, que considera “uma coisa que vem do passado”.

O tucano não devia se preocupar muito com isso pela irrelevância do seu vice, mas com sua “sutileza” e desprezo aos aliados atingiu diretamente seu companheiro de chapa e também ao DEM, responsável pela indicação.

“O vice hoje é para composição política. Muitas vezes soma ao contrário”, afirmou Serra, certamente querendo jogar nas costas do Da Costa a culpa pela seu inexorável despencar.

Coitado do Da Costa, nem bem pôs as asinhas de fora e já foi atingido por flecha amiga. Muy amiga.


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