sábado, 6 de março de 2010

Comerciários gaúchos debatem comunicação




Reproduzo artigo de Márcia Carvalho, assessora de imprensa da Federação dos Comerciários do Rio Grande Sul:


O Seminário “construindo a agenda de lutas para 2010” da Federação dos Empregados no Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (Fecosul), realizado nos dias 3, 4 e 5 de março, em Caxias do Sul , apontou a importância estratégica da comunicação na luta dos trabalhadores. Com a participação de 60 dirigentes de sindicatos de todas as regiões do Estado, comerciários, trabalhadores em serviços e outras categorias visitantes, o seminário debateu comunicação e definiu as lutas prioritárias para este ano.

A atual situação política e econômica do Brasil e as perspectivas para 2010 foi o debate inicial apresentado pelo jornalista Altamiro Borges. Miro, como é conhecido, relatou a gravidade da crise econômica que devastou o mundo em 2009, e que atingiu o Brasil gerando desemprego, arrochando os salários e ameaçando os direitos dos trabalhadores. No entanto, explica ele, que o Brasil que estava em ascensão econômica, aplicando políticas não liberais, não privatistas e investindo no aumento real do salário mínimo conseguiu se reerguer mais rápido. “E estas ações foram graças ao movimento sindical”, afirma o jornalista.

Miro acrescenta que a política de investimento no mercado interno e a diversificação do mercado externo, também foram fundamentais para a rápida recuperação. “Se estivéssemos atrelados apenas aos Estados Unidos, por exemplo, nossa situação estaria muito ruim”, explica.

Mídia poder econômico e ideológico

Na quarta-feira, segundo dia de encontro, o debate central foi comunicação. Primeiro a apresentação de um vídeo sobre a manipulação da grande mídia e a importância da realização da Conferência Nacional de Comunicação, convocada para dezembro de 2009, em Brasília.

A jornalista, Sônia Corrêa, descreveu sobre o processo de mais de 20 anos para a realização da Conferência de Comunicação e a importância dos debates para a luta dos trabalhadores e da comunicação como direito humano. Ela também falou das conquistas obtidas como: discriminalização das rádios comunitárias, expansão da banda larga pública (que já esta sendo tratada pelo governo federal), criação do conselho nacional de comunicação, entre outros.

Na sequência, Altamiro Borges, tratou da importância dos meios de comunicação para os trabalhadores como instrumento de defesa dos seus direitos. O jornalista falou do poder econômico e ideológico dos grandes meios de comunicação. Pois os grandes veículos como televisão, rádio, jornais são de propriedade de poucos que fazem parte dos detentores do controle econômico do país. “É uma questão de classe. Eles defendem os interesses da classe deles que é lucrar. Isso explica o estímulo ao consumismo doentio, ao individualismo e a negação às ações coletivas”, acrescentou Miro. Por isso eles batem na questão das 40 horas semanais, do descanso aos domingos, e nos direitos estabelecidos. Porque estas são bandeiras de uma sociedade democrática e igualitária.

Disputa das idéias e do coração

Para explicar a importância da comunicação na disputa das idéias e dos corações dos trabalhadores, Vito Giannotti, coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), voltou no tempo. O palestrante contou que a comunicação sindical surgiu logo após a criação do primeiro sindicato no mundo (1824), justamente para divulgar suas idéias. Giannotti, que é um estudioso da comunicação sindical, disse que os meios dos trabalhadores sempre foram oprimidos. Pois a imprensa dos trabalhadores sempre foi uma ameaça ao poder.

No entanto, segundo ele, os trabalhadores e os lutadores por uma sociedade mais igualitária, sempre davam o jeito de fazer sua comunicação. Ao passar dos anos, a evolução dos meios de comunicação como cinema, rádio e televisão sempre foram usados como meios de dominação. “Atualmente, principalmente na televisão, os programas não têm educação, não têm moral, não respeitam as mulheres, os negros e as crianças”, denuncia Giannotti. “Eles pregam que as pessoas não precisam estudar e nem pensar, basta ter um corpo bonito e trair seus companheiros para se dar bem na vida”, acrescenta.

Para Giannotti os Sindicatos e a Federação têm que disputar as idéias dos trabalhadores e da sociedade com instrumentos de comunicação com qualidade, bem feitos e politizados, linguagem clara e aproveitando todos os meio possíveis e as novas tecnologias.

Planejamento e organização

Para finalizar o tema comunicação, Clomar Porto e Paulo Leônidas, da Agência Ilume, falaram da importância do uso sistemático do planejamento e da organização da comunicação nas entidades sindicais. Conforme Porto, é preciso definir a visão estratégica, a política, a atitude e a ação do sindicato. Isso combinado com profissionalização e investimento. Ele também destacou a utilização das novas tecnologias, como páginas na Internet, blogs, twitter, e outros. Já Leônidas chamou a atenção para a construção de uma marca consolidada. “Uma marca forte é o maior patrimônio da entidade”, afirmou.

No último dia do seminário, sexta-feira, os dirigentes definiram as prioridades das lutas para 2010. Entre elas estão: campanha salarial, piso regional, atividades do 8 de março, 1° de maio, regulamentação da categoria, enfrentamento às grandes redes, 40 horas, fim do fator previdenciário, descanso aos domingos e feriados. Além disso, participação no encontro dos comerciários do sul, no 3° Congresso Nacional dos Comerciários e na Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat).

Avaliação positiva

O seminário teve avaliação positiva dos participantes e apontou novos rumos para a comunicação da entidade. “Certamente a partir de agora a direção da Federação terá a comunicação como política estratégica. Também é necessário organizar e implementar melhorias na comunicação da entidade, da Federação com os seus sindicatos e dos sindicatos com a Fecosul”, resumiu o presidente da Fecosul, Guiomar Vidor.

Almeri Finger de Castro, presidente do Sindicato dos Comerciários de Lagoa Vermelha, achou o seminário importantíssimo. “Se os patrões usam da propaganda, a nossa categoria tem que conhecer a nossa entidade para saber o que estamos fazendo”, avalia a dirigente. Almeri diz também que foi um passo importante da Federação, senão um dos mais importantes, pois comunicação não é gasto é investimento.

Para Ricardo Ewald, presidente do Sindicato de Lajeado, o seminário veio em boa hora. “Para minha surpresa a rede de comunicação da Fecosul não está funcionado. Falta comprometimento dos sindicatos com a Federação. É preciso interagir com a Fecosul”, entende Ricardo. Ele também sugeriu melhorias na estrutura do departamento de comunicação da entidade.

João Auri Garcez, dirigente dos comerciários de Alegrete, disse que o seminário foi fundamental. “A comunicação é essencial para difundir as ações na categoria e o resultado será maior confiança e respeito na entidade”, conclui.

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A miséria moral de ex-esquerdistas

Reproduzo corajoso artigo do sociólogo Emir Sader:


Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida –, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.

Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula e o PT como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.

Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.

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Falácias no argumento dos donos da mídia

Reproduzo artigo do professor Venício A. de Lima, publicado na Agência Carta Maior:


Qual o papel que a televisão e o cinema desempenham na formação do “gosto” cultural do brasileiro (a)? Perguntado de outra forma: quais as chances que uma criança nascida no Brasil – independente de sua origem de classe – tem de desenvolver “gosto”, por exemplo, por desenhos animados brasileiros ou por cinema brasileiro?

Para facilitar a reflexão: pense a mesma questão substituindo “criança nascida no Brasil” por “criança nascida nos Estados Unidos” ou por “criança nascida na França” e desenhos animados ou cinema, respectivamente, de produção “americana” ou francesa.

Como se formam os gostos culturais?

Como se formam, se desenvolvem e se consolidam os hábitos culturais, incluindo aqui os hábitos de assistir determinados canais e/ou programas de TV ou de ler determinadas revistas e/ou jornais?

Este é um fascinante campo da complexa sociologia do gosto e, por óbvio, não se pretende aqui, responder categoricamente a qualquer dessas questões. Elas, no entanto, são pertinentes e atuais em relação à conhecida e repetida falácia no argumento sobre a ausência da necessidade de qualquer forma de regulação da mídia tendo em vista que essa regulação já é feita cotidianamente pelo leitor/espectador/ouvinte que lê/vê/escuta aquilo que quer, podendo, a qualquer momento, simplesmente não ler/ver/escutar aquilo que não quiser ou não gostar.

Em recente debate sobre “controle social” da mídia, Sidnei Basile, vice-presidente de relações institucionais da Editora Abril e vice-presidente do Comitê de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) para o Brasil, afirmou:

“Ela (a mídia) precisa ter um controle. É o controle que o ouvinte, o telespectador, o leitor, o internauta fazem toda hora, é o melhor controle que existe. Você compra sua revista na banca, não gostou, está ruim, está mal feita, não compra mais. Esse controle social é perfeito e não precisa de outro”.

Deslocar a questão da regulação da mídia apenas para o gosto, além de reduzir toda a problemática da comunicação de massa a uma única dimensão – do “consumo” individual no mercado – ignora toda a complexa questão da formação social do gosto e do enorme papel que a própria mídia nela desempenha.

Além disso, o argumento pressupõe um mercado de mídia democratizado, onde estariam representadas a pluralidade e a diversidade da sociedade brasileira que, por óbvio, não existe. Ignora ainda o fato elementar de que não se pode gostar ou não gostar daquilo que não se conhece ou cujas chances de se conhecer são extremamente reduzidas?

A historiadora Amara Rocha (UFRJ), mostra no seu “Nas ondas da modernização: o rádio e a televisão no Brasil de 1950 a 1970” (Aeroplano/FAPESP, 2007), como a adoção do “trusteeship model”, entre nós, respondia a pressões de um programa do governo Roosevelt (1882-1945) cujo objetivo era “estabelecer as bases para as relações econômicas e culturais com a América Latina, priorizando o papel que a proximidade com o american way of life poderia significar para as mudanças consideradas necessárias à sociedade e à cultura dessa região”.

Como ignorar que o Estado brasileiro, ainda na década de 30 do século passado, priorizou a exploração dos serviços públicos de radiodifusão por empresas privadas e, a partir daí, se instalou na sociedade brasileira um modelo de exploração da mídia que trouxe com ele uma determinada visão de mundo que inclui o gosto e os hábitos culturais?

E a noção de serviço público?

Por outro lado, é preciso insistir que, se é verdade que a mídia impressa é uma iniciativa privada que está excluída de qualquer forma de licença e/ou regulação, e pode, por opção, ignorar suas responsabilidades sociais, o mesmo não se aplica ao serviço público de radiodifusão. Concessionários de rádio e televisão são prestadores de um serviço público que se obrigam a um contrato, por tempo determinado e sob prioridades e condições definidas em Lei.

Nunca é demais lembrar a célebre frase do juiz Byron White em sentença da Suprema Corte dos Estados Unidos: “É o direito dos telespectadores e ouvintes, não o direito dos radiodifusores, que é soberano”.

O “controle” do cidadão

De qualquer maneira, o vice presidente da SIP não deixa de ter sua dose de razão. A acentuada tendência de queda nas audiências e na leitura dos veículos da grande mídia tradicional, revelada nos últimos anos, não deixa dúvidas de “que o ouvinte, o telespectador, o leitor, o internauta” estão, de fato, exercendo o seu “controle”. A grande mídia vai aos poucos tendo que conviver com uma nova mídia, alternativa e interativa, e, em alguns casos, construída pelo sistema público.

Novos tempos. Nova mídia. Novos atores. Novos poderes. E muitos ainda acreditam nas falácias de seus próprios argumentos.

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sexta-feira, 5 de março de 2010

Mídia contra Cuba: mártir ou delinqüente?




A morte do Orlando Zapata, ocorrida durante a visita do presidente Lula a Cuba, desencadeou nova onda de terrorismo midiático contra a revolução cubana – e, de quebra, contra a política externa do governo brasileiro.

Boris Casoy, o âncora da TV Bandeirantes que é “uma vergonha do jornalismo nacional”, só faltou chorar o falecimento do “dissidente” e fez histéricos ataques ao “ditador” Raul Castro e ao presidente Lula. Na mesma linha, Willian Waack, da TV Globo, criticou as prisões em Cuba, mas nada falou sobre as torturas na base militar ianque de Guantánamo. Os editoriais dos jornalões tradicionais também estrebucharam.

O vídeo acima, produzido em espanhol, revela que Orlando Zapata não tem nada de mártir ou dissidente político. É um delinqüente comum que a mídia hegemônica tentou transformar em herói. Mais um capítulo da guerra psicológica contra a revolução cubana, fabricada nos laboratórios da CIA nos EUA e difundida pela mídia colonizada no mundo inteiro.

O circo de rua e a palhaçada da mídia