sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Os 25 anos do MST e o ódio da Folha

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemora nesta semana os seus 25 anos de existência. Lideranças políticas, artistas e intelectuais de renome já saudaram a data como um feito histórico, destacando a militância aguerrida do movimento, sua organicidade, seu papel pedagógico e civilizador e sua importante contribuição à luta por mudanças no país e na América Latina. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, por exemplo, enviou uma nota singela e carinhosa: “Eu suplico aos deuses e aos demônios que protejam o MST e a toda sua linda gente que comete a loucura de querer trabalhar, neste mundo onde o trabalho merece castigo”.

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, destacou o papel do MST na luta pela reforma agrária, num país que “apresenta forte predomínio do monopólio da terra, de grandes áreas improdutivas e de gigantescas empresas monopolistas nacionais e estrangeiras”. Já Ricardo Berzoini, dirigente do PT, frisou a contribuição do MST na “reconstrução da democracia brasileira, tarefa ainda em curso que exige sempre a unidade na diversidade daqueles que lutam por um país democrático e justo”. E Roberto Amaral, vice-presidente do PSB, opinou que “o MST é o mais profundo e, por isso, o mais importante movimento social brasileiro”. PSOL, PSTU e PCB também deram apoio.

A teimosia e as conquistas

Artistas conscientes, como o dramaturgo Augusto Boal, a sambista Leci Brandão, a atriz Lucélia Santos e os atores Osmar Prado e Paulo Betti, enviaram suas mensagens de “parabéns”. Outras palavras de reconhecimento e de apoio devem chegar nestes próximos dias, inclusive do exterior – já que o MST possui núcleos de apoiadores em vários continentes e goza de prestígio junto aos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Raul Castro (Cuba). As comemorações que se realizam em Sarandi, interior gaúcho, local da primeira ocupação de terras do MST, deverão ter intensa carga emocional, “mística”.

Esse reconhecimento, como aponta João Pedro Stedile, integrante da sua coordenação nacional, deve-se “aos 25 anos de teimosia do MST”. Ele lembra que movimento surgiu no embalo da luta contra a ditadura e teve forte inspiração da Teologia da Libertação. Os lutadores pela terra de 16 estados, reunidos em janeiro de 1984 em Cascavel, “estimulados pelo trabalho pastoral da CPT”, davam início a um movimento que ocupou terras ociosas, que garantiu assentamentos produtivos – evitando que centenas de milhares de lavradores vegetassem no desemprego e marginalidade nos centros urbanos –, que construiu centenas de escolas no campo, formando camponeses.

A violência das oligarquias rurais

Neste percurso, o MST “pagou caro pela teimosia” e enfrentou a violência das oligarquias rurais, formadas com a mentalidade dos senhores de escravos. Segundo balanço da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre 1985/2007 foram assassinados 1.508 trabalhadores em conflitos agrários. Destes, 31 eram dirigentes do MST, que também sofreu mais de 600 processos judiciais contra 1.500 militantes. No ano passado, o Ministério Público gaúcho determinou, de forma arbitrária, a “dissolução” do movimento e sentenciou: “Cabe agora quebrar a espinha dorsal do MST”.

Além da violência do latifúndio e dos barões do agronegócio, com suas milícias de jagunços, o MST também enfrentou governos na luta pela reforma agrária e por justiça. “No governo Collor, fomos duramente reprimidos, com a instalação, inclusive, de um departamento especializado na Polícia Federal de combate aos sem-terra. Depois, a vitória do neoliberalismo do governo FHC foi o sinal verde aos latifundiários e as suas policiais estaduais. Tivemos em pouco tempo dois massacres: Corumbiara e Carajás... Mas seguimos na luta. Brecamos o neoliberalismo elegendo Lula”. Mas, lamentavelmente, “não houve a reforma agrária no governo Lula”, relata Stedile.

Parcialidade e rancor da mídia

Esta rica trajetória, que recolocou a reforma agrária na agenda política, conquistou terras em centenas de assentamentos e foi manchada de sangue de seus mártires, deveria ter, no mínimo, o respeito da imprensa nativa. Mas, a exemplo dos latifundiários, os barões da mídia nunca deram trégua ao MST. É só lembrar as capas e reportagens abjetas da revista Veja, a maneira pejorativa que a TV Globo trata os “invasores”, a cara de asco do fascistóide Boris Casoy ou os editorais rancorosos do jornal O Estado de S.Paulo, fundado pela família escravocrata dos Mesquitas.

A Folha de S.Paulo, que ainda engana os ingênuos com o seu falso ecletismo – mas que clamou pelo golpe militar contra o “perigo comunista” e a reforma agrária –, não esconde seu ódio nem na semana do aniversário. Publicou editorial raivoso e várias reportagens marotas. Na primeira delas, ate faz um rico levantamento sobre os fundadores do MST, mas a edição refinada procura mostrar sua “decadência”, priorizando os que se “afastaram”. Outro texto, que poderia estar nas páginas policiais, é intitulado “MST foi processado mais de 600 vezes”; outro estimula a cizânia entre os sem-terra e o governo Lula; outro realça que o “MST perde adeptos e recursos”.

O “jornalismo canalha” dos Frias

Todos os textos seguem a linha traçada no título do editorial: “Decadente aos 25”. Nele, a senil família Frias afirma que “o MST completa 25 anos de existência, mas não amadurece. Ameaça, agora, ‘invadir’ cidades, ou seja, intensificar a sua atuação nos centros urbanos”. A manipulação é gritante: participar das mobilizações urbanas não significa “invadir”. O ataque é brutal, quase reforçando o coro da “dissolução” dos juízes gaúchos. “Encurralado pela própria decadência, o MST reage a seu modo... Enfrentará, além de mais processos judiciais, apenas a indiferença da maioria da população”. Haja arrogância desde jornal elitista ao falar em nome da sociedade.

O ódio da Folha ao MST é antigo. No livro “O jornalismo canalha”, o professor José Arbex Jr. cita um caso emblemático, ocorrido em maio/2000, quando o servil Josias de Souza “denunciou a cobrança de ‘pedágios’ pelo MST, prática posteriormente qualificada de ‘mafiosa’ em editorial do próprio jornal, em resposta a uma denúncia comprovada e admitida de que Josias, para fazer a sua ‘reportagem’, utilizou recursos e orientação da Incra”, como pau-mandado do governo FHC. Arbex relembra outros editoriais na mesma linha, taxando as “invasões” do MST como prática “criminosa, estúpida e afrontadora” (20 de março de 2002). Como se observa, a Folha realmente deve estar triste com a “teimosia” e as comemorações dos 25 anos do MST.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Os temas do Fórum Social Mundial

Inaugurado no sul do Brasil, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial retorna às terras nativas na sua nona edição, desta vez no norte do país, em plena região Amazônica, em Belém do Pará. De 27 de janeiro a 1 de fevereiro, cerca de 120 mil lutadores sociais do mundo inteiro participarão de centenas de debates, assembléias, marchas e protestos, num fervilhante caldeirão de luta de idéias e de manifestações dos que acreditam que “um outro mundo é possível”.

Desde a sua primeira edição, em 2001, o mundo passou por intensas mudanças. O capitalismo, vendido como “fim da história”, afunda numa grave crise. O socialismo, que os apologistas do capital consideravam “morto”, ressurge como perspectiva. O imperialismo estadunidense, que se considerava imbatível, entrou em forte declínio. A resistência dos povos ganhou força, seja na insurgência no Iraque ou nas vitórias progressistas na América Latina. O mundo hoje, com seus ziguezagues e armadilhas, não vive mais a “paz de cemitério” do pensamento único neoliberal.

Contribuições e avanços sensíveis

Com suas limitações e dilemas, o Fórum Social Mundial deu sua contribuição nesta alteração da correlação de forças. Ele ajudou a amplificar as críticas ao neoliberalismo, a denunciar a política imperialista dos EUA, com suas guerras e seus tratados neocoloniais, a desmascarar a ditadura midiática. Além de reforçar a resistência dos povos, ele contribuiu na busca de alternativas. A cada edição, o Fórum Social Mundial também enfrentou seus próprios equívocos, como o que tentava separar a luta social da luta política, excluindo partidos e governantes progressistas.

Como observa Ricardo Abreu, o Alemão, dirigente nacional do PCdoB, ocorreram importantes avanços desde a nascimento do fórum. “O evento está mais aberto à participação das fundações vinculadas aos partidos políticos. Diminuiu o preconceito que havia em relação às organizações partidárias e aos movimentos sociais ‘tradicionais’. Além disso, nas primeiras edições era vetada a presença de chefes de Estado, numa negação à luta pelo poder político. Isto agora não acontece mais”. Ele lembra que Lula, Chávez, Morales e Lugo serão destaques nesta nona edição.

Os novos desafios do fórum

Na sua nona edição, novos desafios se impõem ao FSM. Além de abordar as várias iniciativas atomizadas, todas com sua importância, ele necessita concentrar as energias nos temas centrais, totalizantes, que ajudem na unificação da resistência mundial e na busca de alternativa à barbárie capitalista. O enfrentamento à grave crise do capitalismo, evitando que seu ônus seja jogado nas costas dos trabalhadores; a luta contra a guerra imperialista, seja a patrocinada pelos sionistas em Gaza ou pelos ianques no Iraque e Afeganistão; a jornada contra a devastação e pela soberania da Amazônia, entre outros temas, poderão alavancar e dar novo realce ao Fórum Social Mundial.

Para o sociólogo Emir Sader, a nona edição do fórum, “significativamente realizada na América Latina, elo mais fraco da cadeia neoliberal, tem a possibilidade de superar os descompassos e de redefinir sua esfera de atuação – tanto em relação a restabelecer as relações entre a esfera social e a política, única forma de disputar uma nova hegemonia e de lutar realmente pela construção de ‘outro mundo possível’, como na luta contra as guerras imperiais... É o momento da construção de alternativas concretas ao neoliberalismo a nível mundial, regional e local. É a oportunidade do fórum se reciclar e se colocar à altura do maior desafio colocado à esquerda neste novo século”.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Operação-Serra e a demissão de Nassif

É bom ficar esperto. Está em curso uma ardilosa orquestração na mídia de blindagem do tucano José Serra, governador de São Paulo e candidato do bloco neoliberal-conservador à sucessão do presidente Lula em 2010. A mais nova vítima da “operação-Serra” é o jornalista Luis Nassif, que teve seu contrato de trabalho suspenso na semana passada pela TV Cultura, emissora controlada pelo governo de São Paulo. Numa entrevista exclusiva à jornalista Priscila Lobregatte, do Portal Vermelho, Nassif não vacilou em fazer o alerta: “2010 já começou, este é o ponto”.

O abrupto rompimento do seu contrato não teve qualquer explicação. E nem podia. Afinal, por suas posições críticas e independentes, ele é um dos mais respeitados colunista da mídia, já tendo recebido vários prêmios. No último prêmio Comunique-se, ele foi um dos três jornalistas da TV Cultura indicados para a categoria televisão. O motivo, então, não foi profissional. Nassif insinua que sua demissão se deve à proximidade da sucessão presidencial. “A maluquice das eleições de 2006 voltou antecipadamente”, afirma, referindo-se à brutal manipulação no pleito passado.

Silenciando as opiniões críticas

Ele lembra que recentemente criticou a publicidade da Sabesp, empresa paulista de água. “Como pode uma empresa com atuação estadual patrocinar eventos de televisão no Brasil inteiro?”. Este e outros comentários críticos, atestando que a campanha presidencial de Serra é ostensiva e usa recursos públicos, devem ter irritado o truculento governador. Para Nassif, há indícios de que a ordem para sua demissão veio de cima. “O Paulo Markun [presidente da Fundação Anchieta, a mantenedora da TV Cultura] não tomaria sozinho essa decisão... Se em dezembro ele acertava ampliar minha participação, é evidente que a mudança de orientação se deve a outros fatos”.

A suspensão do contrato de Nassif é um fato grave. Mostra a total falta de independência de uma emissora que deveria ser pública e que hoje serve abertamente ao projeto presidencial de Serra. Mas não é um fato isolado. Além de manietar a TV Cultura, o governador tucano conta hoje com o apoio ostensivo da maioria das emissoras privadas e dos jornalões e revistas do país, fechando o cerco midiático para sua campanha. Está em curso uma operação de limpeza nas redações para aplainar a sua decolagem eleitoral, evitando críticas a sua administração e bajulando o tucano.

Demissão na CBN e clima de medo

Em outubro passado, a Rede Globo demitiu o jornalista Sidney Rezende da rádio CBN. Segundo Rodrigo Viana, que deixou a emissora por discordar das suas manipulações na sucessão de 2006, “Sidney era tido por colegas e ouvintes como jornalista que exercia a sua independência... Na sua demissão se percebem os preparativos para a cobertura das eleições de 2010. O ‘moto-serra’ dos tucanos vai passar sobre várias cabeças do jornalismo global. Na CBN, conheço um outro âncora (não darei nome porque ele me pediu sigilo) que teve a sua cabeça pedida pelo governador”.

Após estranhar outro facão recente, de Luiz Carlos Braga da sucursal de Brasília, Rodrigo afirma que o clima na Rede Globo “lembra muito a operação-2006. Há dois anos, às vésperas da eleição presidencial, ela se livrou do comentarista Franklin Martins porque este não fechava com a linha oficial de ‘sentar a pancada’ em Lula e dar uma ‘mãozinha’ aos tucanos. Depois, foram limados outros jornalistas que se indispuseram com a emissora na cobertura das eleições (entre eles, eu, Luiz Carlos Azenha, Carlos Dornelles e o editor de política Marco Aurélio Mello)”.

A generosidade da mídia privada

Rodrigo Viana, que há muito tempo trabalha em veículos privados, garante que presidenciável tucano conta com o total apoio dos barões da mídia. Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo – também apelidado por quem o conhece bem de Ratzinger ou “senhor das trevas” –, não permite que saia uma linha sobre o atual governador paulista sem o seu aval prévio. A mesma rigorosa orientação é imposta pela famíglia Frias, que mantém sólidas e sinistras relações com o tucano-mor desde os tempos em que este foi editorialista da Folha de S.Paulo.

Este conluio explica a generosidade da mídia hegemônica até nos casos mais chocantes – como na “guerra das polícias” no ano passado, quando ela simplesmente isentou o governador paulista de qualquer culpa, ou na desastrosa operação policial do seqüestro e morte de Eloá Pimentel, em Santo André. Ainda segundo Rodrigo Viana, que conhece os bastidores da mídia, “a ordem era proteger o governador. Conversei com três colegas que trabalham na TV Globo de São Paulo e que pedem anonimato. A orientação aos editores era botar no ar trechos imensos da entrevista chapa-branca com o Serra”, na qual ele culpou as centrais sindicais pela greve na Polícia Civil.

Coberturas parciais e manipuladas

A “operação-Serra” também fica patente na forma como a mídia trata as obras do governo Lula, sempre tão vigilante, e na total omissão diante dos descalabros da administração paulista. Na semana passada, Folha e Estadão fizeram rasgados elogios às obras do Rodoanel, sem publicar uma crítica ao seu monumental atraso e altos custos. Já as TVs nada falaram sobre a interrupção da concessão das rodovias Ayrton Senna e Marechal Rondon devido às falcatruas nas licitações, ou da suspensão, pelo TCE, das obras na Marginal do Tietê porque o edital estava irregular.

Também é impressionante a bondade da mídia venal diante das graves denúncias do Ministério Público, que investiga quatro contratos no valor de R$ 1 bilhão da Siemens com o governo paulista para construção de três linhas do Metrô. Há suspeitas de superfaturamento e de que a multinacional alemã teria subornado políticos do PSDB. As apurações começaram no rastro de outro inquérito, o que investiga a multinacional francesa Alstom, que teria dado propina para obter contratos com estatais paulistas nos últimos 14 anos de reinado tucano em São Paulo.

Censura chega ao ciberespaço

Sem trabalho na TV Cultura, Luiz Nassif afirma que agora se dedicará ao seu blog, apostando na internet como arma de democratização da informação. Mas também neste campo a fúria de Serra já se faz sentir. Recentemente, a Justiça mandou tirar do ar o blog “Flit paralisante”, postado pelo delegado da polícia civil Roberto Conde Guerra. O delegado é famoso por suas críticas à política de segurança do tucanato, sendo fonte alternativa de jornalistas. Durante a greve da categoria, ele usou seu blog para convocar protestos e teve 130 mil acessos. Agora, foi censurado pelo “moto-serra”. A mídia, que sempre ataca o “autoritarismo” do governo Lula, não alardeou esta censura.

A demissão de Nassif até agora não indignou os jornalistas – alguns que tiveram papel de relevo na luta contra a ditadura e que hoje parecem dóceis serviçais das empresas, preocupados apenas com suas carreiras. Também não houve reação das entidades da categoria – o que é lamentável. Paulo Henrique Amorin, outra vítima de perseguição dos “amigos de Serra” quando foi retirado do ar, sem aviso prévio, do Portal IG, protestou solitariamente. “A TV Cultura de Serrágio (vem do pedágio mais alto do Brasil) não agüentava a independência de Nassif”, escreveu no seu blog.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Demissões na GM e subsídios estatais

Na semana passada, a General Motors comunicou à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) a demissão de 744 operários contratados por tempo determinado. Poucos dias antes, ela já havia dispensado 58 temporários. O facão na GM criou forte temor nas bases sindicais e no governo Lula. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acusou a multinacional estadunidense de se aproveitar da crise mundial para demitir brasileiros e anunciou que qualquer novo subsídio à empresa será condicionado a cláusulas rigorosas de manutenção dos empregos.

A bronca do ministro é plenamente justificada – por isso gerou raivosa gritaria dos empresários e de sua mídia. Afinal, as montadoras de automóveis auferiram lucros recordes nos últimos anos e ainda mamaram nas tetas do governo, com empréstimos e redução de tributos. Agora, diante da grave crise capitalista mundial, elas jogam o seu ônus nas costas do trabalhador e chantageiam o governo para obter mais vantagens. Apesar do discurso falacioso da “responsabilidade social”, as multinacionais não têm qualquer compromisso com a sociedade nem com o Brasil.

Lucro recorde e socorro à matriz

Em novembro último, o jornal empresarial DCI publicou uma nota que revela toda a ganância e a desfaçatez desta multinacional. “O alto desempenho do setor automobilístico até setembro deve garantir a General Motors do Brasil o melhor ano de sua história, mesmo com a revisão negativa do faturamento, que deve ficar em US$ 9,5 bilhões ante a previsão de US$ 11 bilhões, com 575 mil unidades vendidas, um crescimento de 15% sobre 2007. Com isso, ela aumentará seus lucros e, conseqüentemente, o socorro à matriz que passa por dificuldades nos EUA”, relatou o artigo, que já dava uma pista sobre a atual sacanagem da empresa estadunidense – a remessa de lucros.

“Se o nosso lucro aumenta, o valor repassado à matriz naturalmente aumenta”, justificou Jaime Ardilla, presidente da GM brasileira. Animado, ele ainda se jactou dos novos investimentos da empresa no país, apesar da crise já ter estourado nos EUA. Seria mantida “a construção de uma nova fábrica de motores em Joinville (SC), a ampliação da capacidade de produção [maior intensidade do trabalho] nas unidades de São Caetano e São José dos Campos e a conclusão de um centro de engenharia e design, que juntos somam US$ 1,5 bilhão de investimentos”. Ardilla também elogiou os governos federal e paulista, que liberaram R$ 8 bilhões em linhas de crédito.

A estratégia perversa das montadoras

A notinha do DCI ajuda a desmascarar a estratégia da poderosa multinacional: elevar a remessa de lucros para matriz falida nos EUA, transferir parte da produção para regiões onde o valor da força de trabalho é menor, intensificar a produção nas unidades já existentes e, ainda, chantagear governos para assaltar os cofres públicos. Na fase da bonança, as multinacionais pressionam pela desregulamentação, numa orgia de lucros e transferência de riquezas. Na fase da crise, elas usam a ameaça de falências e demissões para exigir mais subsídios e isenções. Elas nunca perdem.

Após transferir os lucros obtidos na produção para a especulação financeira, atolando-se na crise, as dez maiores montadoras de automóveis do mundo já demitiram 35 mil operários. Para se safar do colapso, elas agora chantageiam os governos. Nos EUA, o governo já desembolsou US$ 17,4 bilhões para salvar a GM e a Chrysler. O Canadá seguiu o exemplo e doou mais US$ 3,3 bilhões. Já na Europa, a alemã Opel, braço da GM, foi a primeira montadora a pedir socorro, seguida pela Volkswagen. O “estado mínimo”, tão decantado pelos neoliberais, agora é a salvação do capital.

Redução de impostos e créditos

No caso brasileiro, a mamata se repete. Após superarem todas as estimativas de lucro até outubro passado, as montadoras começaram a dar sinais de retração nas vendas. De imediato, avançaram sobre as tetas do Estado. Como chantagem, elas anunciaram férias coletivas e programas de demissões voluntárias. Depois, começaram a aplicar o facão, sem dó nem piedade. O terrorismo, como sempre, teve sucesso. Além de liberarem R$ 8 bilhões ao setor, os governos Lula e Serra estudam ampliar os incentivos fiscais já existentes, reduzindo o ICMS estadual e o IPI federal.

Já em agosto passado, temendo os efeitos da crise mundial, o presidente Lula baixou o decreto nº 6.556 ampliando o uso do crédito do Imposto sobre a Produção Industrial (IPI) para compensar outros tributos num período posterior. Por sua vez, o governador José Serra elevou os benefícios fiscais às montadoras, concedendo R$ 6,8 bilhões em subsídios – mais da metade dos R$ 11,8 bilhões de investimentos programados pelas multinacionais no Estado. Através do chamado Pró-Veículo, elas poderão usar os créditos fiscais para pagar fornecedoras e reduzir impostos.

Unidade e luta contra as demissões

Está certo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao afirmar que porá fim a esta mamata e exigirá compensação das montadoras para qualquer outro tipo de socorro. Estão certos os metalúrgicos de São José dos Campos, que realizaram uma paralisação de protesto na GM, exigem a redução da jornada de trabalho sem perda salarial e pressionam o governo por medidas mais duras contra as multinacionais. “Não dá para aceitar que o governo Lula dê bilhões de reais às montadoras e deixe os trabalhadores pagarem pela crise com demissões. Mais do que palavras, precisamos de ações do governo federal”, explicou Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário-geral do sindicato.

Na luta contra as demissões, será necessária muita unidade e luta. Qualquer sectarismo cobrará o preço do isolamento; qualquer omissão terá efeito reverso – hoje a GM de São José dos Campos, amanhã a Volkswagen de São Bernardo do Campo ou a GM de São Caetano do Sul. No combate à ganância e à chantagem das multinacionais, a disputa entre as centrais deve ficar à margem. Respeitando as leituras distintas sobre o caráter do atual governo, é preciso pressioná-lo para que ele endureça com as montadoras, no rumo proposto pelo ministro Lupi – não por acaso alvo de raivosa campanha do capital e da mídia para derrubá-lo. Nada de socorro aos abutres capitalistas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Empresários e mídia detonam Lupi

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é o novo alvo dos poderosos empresários e de sua mídia. Quase todo dia, âncoras da televisão, como Carlos Nascimento, o tucano enrustido da SBT, Boris Casoy, o ex-militante do Comando de Caça aos Comunistas hoje hospedado na TV Bandeirantes, para não falar do casal global do Jornal Nacional, procuram desqualificá-lo. Diante de suas justas críticas às empresas, que se aproveitam da crise mundial para demitir trabalhadores, a campanha contra o ministro se intensificou. A intenção evidente é derrubá-lo ou, no mínimo, domesticá-lo.

Segundo fontes seguras, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), liderada por Paulo Skaf – bastante ativo no uso dos recursos do Sesi/Senai para a sua futura campanha eleitoral – já teria pedido a cabeça do trabalhista ao presidente Lula. A campanha de desgaste parece orquestrada. Nesta semana, Luis Carlos Mendonça de Barros, economista-chefe da Quest Investimentos e ex-ministro de FHC, escreveu artigo na Folha de S.Paulo, intitulado “O governo precisa ter juízo”, acusando Lupi de atiçar “o confronto com empresas”, o que pode causar “resultados desastrosos” na economia. Na sua lógica, o capital seria racional e bonzinho; já o ministro seria um tresloucado.

Tucano se diverte com a crise

Numa linguagem rancorosa, típica dos tucanos enxotados do poder, o atual rentista disse que foi “muito divertido” ver os ministros do governo Lula anunciando o corte de 600 mil empregos no ano passado. “Gaguejando, [Lupi] disse que os empresários são os verdadeiros responsáveis pelas demissões e reviveu a marolinha de Lula na imagem da ‘espuma’. Seguia o padrão petista de sempre arranjar, fora do governo, um responsável pelos problemas”, atacou o tucano.

Mendonção, como era chamado no reinado de FHC, até se soma aos que lutam pela redução da taxa de juros, mas acha que o governo Lula deve promover outros ajustes na economia. Adepto do neoliberalismo, o ex-ministro talvez pretenda jogar o ônus da crise do capitalismo nas costas dos trabalhadores, com novas ondas de demissões e novas medidas de precarizaçao do trabalho. Como cupincha de FHC, ainda carrega a culpa pelo desmonte e privatização do Estado brasileiro e pelos recordes seguidos de desemprego no país. Ele deveria ser mais comedido em sua língua.

Noblat, adorador do deus-mercado

No mesmo diapasão, o jornalista Ricardo Noblat, no seu blog no site da Globo, também atacou o ministro, esquecendo-se de sua condição de classe, de instável empregado da famíglia Marinho. Adorador do deus-mercado, afirmou que “o ministro Lupi quer acabar com o capitalismo... No capitalismo, as empresas demitem e contratam a seu gosto. Não devem satisfação aos governos... Lupi está empenhado numa guerrilha verbal contra as empresas atingidas pela ‘marolinha’ que começaram a demitir. Defende que o governo puna de alguma forma... Lupi é um dos políticos mais deslumbrados com o fato de ser ministro. Imagina que é levado a sério”.

Bem que o veterano jornalista Argemiro Ferreira já havia alertado para as mudanças de posições do badalado colunista global. Ele lembra que “o blog de Ricardo Noblat teve sucesso ao nascer independente, depois dele deixar o Correio Braziliense e ser cooptado pelo portal do Estadão e, depois, por O Globo. Hoje o vínculo explícito (coluna no jornal e tudo) nega a independência, como escancararam sua adesão à campanha anti-Lula em 2006 e no caso Gilmar Mendes/Daniel Dantas”. Ao atacar com tanta veemência o ministro Carlos Lupi, Noblat dá inestimável ajuda à ofensiva do capital para lançar nas costas dos trabalhadores todo o ônus da atual crise capitalista.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Dedicado a Robert Kurz

Disidentes

Los abruptos
pueden ser violentos
tozudos
y hasta sectarios
pero los
exabruptos
son siempre
resentidos.

Mario Benedetti

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

EUA bancam o terrorismo de Israel

O jornal Folha de S.Paulo reproduziu nesta semana, sem chamada de capa ou qualquer destaque, um elucidativo artigo da agência Reuters. Ele informava que “os EUA estão contratando um navio mercantil para levar centenas de toneladas de armas da Grécia a Israel ainda neste mês” de janeiro. Entre outros “materiais perigosos”, estariam novos tipos de explosivos e detonadores. Ainda segundo a agência de notícias, “o pedido de envio foi feito em 31 de dezembro” (o genocídio na Faixa de Gaza começou no dia 27), e o serviço sujo, quase clandestino, seria feito por uma transportadora privada alemã.

O Pentágono negou o envio, mas “um comando da Marinha americana confirmou que o carregamento de 325 contêineres de seis metros cada deve ser levado em duas viagens do porto grego de Ashdod, que fica a 38 quilômetros da Faixa de Gaza”. O armamento saiu do porto de Sunny Point, na Carolina do Norte e “os documentos estipulam que a embarcação deve ser capaz de ‘carregar 5,8 milhões de libras (2,6 milhões de quilos) de peso de explosivo líquido’”. A notícia, sem alarde na mídia, veio à tona no mesmo dia em que a inoperante ONU criticou Israel por “crimes de guerra” na agressão em Gaza.

US$ 84,9 bilhões em financiamento

Além de vetar qualquer resolução da ONU contrária ao terrorismo de Estado de Israel, os EUA ainda bancam seu belicismo genocida. Isto não é de hoje. Há décadas que Israel é a cabeça de ponte do imperialismo para suas ambições geopolíticas e econômicas no Oriente Médio – uma região rica em petróleo e nevrálgica na “contenção das potências rivais”, como a China e Rússia. No passado, quando alguns países da região tentaram romper a dependência colonial, os sionistas serviram de aríete aos EUA. Quem paga exige retorno. O imperialismo financia os sionistas e garante seus interesses na região.

O jornalista Argemiro Ferreira, autor do livro “O império contra-ataca”, prova em seu blog que os EUA financiam o terrorismo sionista. “Nos últimos 60 anos, transferiu-se à responsabilidade do contribuinte americano o ônus de sustentar o estado de Israel e sua devastadora máquina de guerra. Dados conservadores do Washington Report sobre o período de 1947-1997 são assustadores. Benefícios recebidos por Israel: em concessões e empréstimos, US$ 74,1 bilhões; outras, US$ 9,05 bilhões; juros de pagamentos adiantados, US$ 1,65 bilhão. Total: US$ 84,9 bilhões (14,6 mil dólares por israelense)”.

O poderoso lobby sionista

Para ele e outros jornalistas de renome, esta relação promíscua e assassina entre EUA e Israel também decorre da influência do lobby sionista nos bastidores da política ianque. “A opção do apoio a Israel, adotada pelos governantes dos EUA desde Harry Truman, resulta menos da tendência geral da população do que do trabalho liderado pelo milionário lobby israelense – o American Israel Public Affairs Commitee (Aipac) De quatro em quatro anos, todo candidato presidencial submete-se no Aipac ao ritual de purificação e declara seu apoio formal a Israel”, afirma Argemiro Ferreira, que posta em seu blog uma foto do presidente eleito Barack Obama em recente visita ao Aipac.

O renomado intelectual James Petras também compartilha desta visão. Ele lembra que a Aipac tem 100 mil filiados e 150 lobistas, que atuam em tempo integral nos corredores da Casa Branca e do Congresso. “Mais de 20 deputados e uma dúzia de senadores são sionistas, que apóiam automaticamente as políticas de Israel e pressionam por mais financiamento e armamento dos EUA para sua máquina militar... A Aipac tem pessoas em posições chaves no Tesouro, no Comércio e no Conselho de Segurança Nacional, funcionários no Pentágono e conselheiros no topo sobre assuntos do Oriente Médio”.

A “cobertura ideológica” da mídia

Petras observa, ainda, que a influência israelense se estende além dos poderes públicos. “A maioria da indústria do cinema, dos jornais e da mídia eletrônica é de propriedade ou é influenciada por magnatas judeu-sionistas”. Na fase que precedeu a invasão de Gaza, a mídia venal reforçou a campanha de que Israel é vítima e de que o Hamas é terrorista. Segundo Petras, o lobby sionista “criou a cobertura ideológica para a ‘guerra total’ de Israel” – curiosamente, esta foi a manchete da principal revista ianque no Brasil, a Veja.

Após afirmar que o New York Times e o Washington Post são controlados por notórios sionistas, Petras também revela um fato familiar aos brasileiros. Lembra que “escritores, jornalistas e editores estadunidenses louvam e defendem a ‘guerra total’ de Israel sem identificar sua antiga filiação e identificação com organizações sionistas”. Ali Kamel diretor-executivo de jornalismo da TV Globo, deve ter copiado esta fórmula ao enviar como correspondente à Faixa de Gaza a jornalista Renata Malkes, uma antiga sionista.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Repórter da Globo é do exército de Israel?

Uma informação bombástica circula na globosfera: a jornalista Renata Malkes, correspondente da Globo News e do jornal O Globo em Gaza, seria uma sionista militante. A denúncia foi feita pelo blog Cloaca, que monitora as práticas do “jornalismo esgoto”. Ele vasculhou e descobriu alguns textos da repórter da Globo, postados no seu blog pessoal Balagan – que, curiosamente, já foi deletado. No topo da página, a imagem de um palestino, associado à figura de um terrorista, e a chamada: “Não lhes dê um estado”. Os textos revelam o mais abjeto preconceito racista.

Entre outras sandices, Malkes escreveu: “Parece piada! Eles querem criar um Estado Palestino independente e ainda entupir Israel com seus milhares de refugiados mortos de fome. Faça-me o favor”. Noutra postagem, considera “patética” até uma declaração de FHC favorável à criação do Estado Palestino. “Tupiniquim tem mais é que cuidar de dengue”. Ele também ataca o MST, que enviara uma delegação de solidariedade à região, e ridiculariza a Venezuela por ser “amiga dos brimos”. Vários artigos tratam os árabes e os palestinos como “burros” e “mentirosos”.

O “sonho” de ingressar no exército

O Balagan cumpriu um papel tão pernicioso que recebeu do jornal israelense Yediot Aharonot o epíteto de “warblog” por sua “excelência na propaganda sionista”. Cloaca também traz a tona outras duas histórias sinistras da atual jornalista da TV Globo. Numa de suas postagens, ela se mostra exultante com a possibilidade de realizar o seu “sonho” de ingressar no Exército de Israel – mas não há registros oficiais sobre o seu recrutamento. Cloaca revela ainda que a repórter foi presa por autoridades libanesas, em julho de 2007, por “falsidade ideológica e espionagem”.

Com dupla cidadania, israelense e brasileira, ela teria ingressado no Líbano de maneira ilegal, sendo alvo de “perseguição” do Hezbollah. No seu próprio blog, ela se vangloria da peripécia e por ter sido citada em inúmeros veículos, como o jornal Daily Star, a TV Al Jazeera e em várias emissoras israelenses. “Foi uma jornada longa e posso dizer que a mais difícil dos meus nove anos como jornalista. Mentir sobre a origem, evitar detalhes de vida em conversas informais e enganar pessoas que me ajudaram tanto foram tarefas terríveis”, confessa a repórter.

“Vergonha de determinadas posições”

Alvejada em cheio pelas denúncias, a jornalista logo postou um esclarecimento público no seu blog, “O outro lado da Terra Santa”, também hospedado nas páginas da Rede Globo. Segundo garantiu, ela nunca pertenceu ao Exército de Israel. “Ao chegar a Israel, tive sim vontade de ingressar nas Forças Armadas para compreender melhor o funcionamento desta complexa máquina de guerra”, mas desistiu. Com relação ao Balagan, explicou que o deletou, em meados de 2007, “por motivos de segurança”. Quando ao seu conteúdo, afirma que eram “textos escritos num espaço pessoal, entre os anos 2001 e 2006... antes de atuar como repórter de O Globo”.

Ela deixa implícito que teria se arrependido das coisas que escreveu no seu antigo blog. “Quem pensa muda... Sempre admiti ter vergonha de determinadas posições que tive no passado. A vivência diária do conflito me fez abrir os olhos e ampliar minha percepção acerca dos fatos e do significado do sentimento de humanismo... Eu fazia parte desse mesmo grupo de pessoas que vêem a realidade com olhos maniqueístas e reagem com intensidade brutal... Por sorte, aprendi em seis anos de vivência aqui que a realidade do conflito israelo-palestino não é preta e branca”.

O maquiavélico Ali Kamel

Diante do exposto, a magoada Malkes diz que tem “sido vítima constante deste tipo de ataques. Quando trabalhei como produtora de uma tevê israelense, acusaram-se de ‘trabalhar no governo israelense’”. Na sequência, em 2007, um após o ataque israelense ao Hezbollah, “mais uma vez fui difamada, já que os mesmos grupos acusaram-me de ter sido presa no Líbano por falsidade ideológica. Nunca trabalhei no governo de Israel, tampouco servi no exército israelense ou mesmo fui presa no Líbano”, jura a repórter.

Dadas as explicações, o mais crédulo dos humanos ainda achará muito estranho que a direção da TV Globo tenha enviado como correspondente da carnificina em Gaza uma jornalista com esta sinistra trajetória. É evidente que o maquiavélico diretor-executivo de jornalismo da emissora, Ali Kamel, batizado de Ratzinger pelos jornalistas que o conhecem, sabia deste passado militante e que ele interferiria na cobertura do atual genocídio. Uma repórter com este histórico sionista estaria talhada para manipular a cobertura da maior emissora privada de televisão do Brasil.