sexta-feira, 9 de abril de 2010

TV Globo manda no futebol e no Kassab

Como já era esperado, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vetou ao projeto de lei 564/06, que restringia o horário do término dos jogos de futebol nos estádios da capital paulista até as 23h15. Numa nota lacônica, o demo alegou que “a limitação não parece razoável”. O projeto, de autoria dos vereadores Antonio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PR), foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo em 10 de março. Mas, novamente, o prefeito cedeu à TV Globo.

Com mais esta decisão antipopular, o demo revela todo o seu servilismo diante da Rede Globo e prejudica os amantes do futebol, impondo horários inviáveis aos paulistanos que gostam de ir aos estádios. Já a poderosa emissora, que se coloca acima dos anseios da sociedade na defesa de seus lucrativos negócios, demonstra todo o seu desrespeito aos torcedores e ao futebol brasileiro – que é encarado como mais uma mercadoria e não como um entretenimento popular.

“Televisão não pode regulamentar a vida”

Durante os intensos e tensos debates na Câmara de Vereadores, a prepotente a TV Globo sequer enviou seus representantes para discutir o tema. Apostou suas fichas no medo dos parlamentares e, como último recurso, no veto do prefeito. Mas, pressionados por vários setores da sociedade, os vereadores surpreenderam a emissora ao aprovar o projeto. Além da crítica dos torcedores, os vereadores sentiram a pressão de outros setores descontentes com o horário de transmissão das partidas. A Rádio Jovem Pan, por exemplo, fez campanha explícita pela aprovação do projeto.

Em editorial veiculado diariamente, ela atacou a TV Globo pela “forma primária e leviana como se pretendeu manipular a opinião pública e a consciência dos nossos vereadores e deputados”. Ainda segundo o editorial, “a grade de uma televisão não pode regulamentar a vida, a ponto de prejudicar a paz, o sono e a segurança dos cidadãos, o descanso de todos, de quem vai ao estádio e de quem assiste TV em casa. Essa não é uma briga do bem contra o mal. É um movimento que coloca o apelo popular, as pessoas pedindo o fim dos jogos às 10 da noite, o bom senso, enfim”.

Rebelião das outras emissoras

A pressão, porém, não foi suficiente. A Rede Globo contou com a fidelidade do prefeito Kassab, que deve favores à emissora por sua projeção política. Na prática, ela continuará mandando no futebol brasileiro, impondo horários absurdos para os jogos. Ela detém o direito de transmissão do campeonato nacional e de vários torneios estaduais, o que já provoca distorções, obrigando os torcedores de determinados estados a assistirem partidas de outras localidades. Este monopólio também prejudica outras emissoras de televisão, que se submetem à grade da TV Globo.

Antonio Carlos Teixeira, em artigo no Observatório da Imprensa, chega a fazer um apelo para que as outras redes de televisão se rebelem. “Essa postura, que revela a crueldade do monopólio da transmissão esportiva, tem passado dos limites. Por isso, a necessidade das demais emissoras se unirem para tentar quebrar o monopólio do TV Globo. O torcedor não tem mais opção aos domingos e às quartas-feiras. Engole-se aquilo que lhe enfia goela abaixo. No seco. Sem choro”.

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

O acelerado declínio da mídia golpista

O jornal Valor publicou recentemente matéria que deve ter irritado os filhos de Otávio Frias – os donos da Folha, do Datafolha e do próprio Valor – em parceria com as Organizações Globo. Ela informa que, de 1996 a 2009, a Folha perdeu 43% de seus leitores. No mesmo período, O Globo, dos filhos do Marinho, teve queda de 36%; e o Estadão caiu 23%. Os herdeiros estão afundando os impérios dos seus pais, que tiveram a sua fase áurea nos tempos da ditadura militar no Brasil.

O artigo é até razoavelmente honesto e consistente. Ele tenta apontar as causas da decadência dos jornais impressos. Mostra que a internet causou a migração de milhões de leitores; que a recente crise capitalista afetou as empresas tradicionais, que cortaram gastos e pioraram a qualidade dos conteúdos; e que, na contracorrente, há um crescimento dos jornais populares e gratuitos. Estas causas são reais e geram fortes abalos na mídia impressa do mundo todo.

A crise mundial da indústria de jornal

Há poucos dias foi divulgado o relatório “Estado da Imprensa”, publicado anualmente pelo Pew Project for Excellence in Journalism. Ele comprova que a situação da mídia impressa mundial é dramática. Como apontou Carlos Castilho, num artigo no Observatório da Imprensa, “o relatório de 2010 está carregado de pessimismo, a ponto de prever que os jornais norte-americanos têm um prazo até 2013 para achar um novo modelo de negócios”. O risco é de se tornaram inúteis!

Já o Instituto Poynter, da Flórida, estima que a indústria de jornal perdeu 30% de sua capacidade produtiva, avaliada em US$ 1,6 bilhão, desde 2000. E a firma Veronis Suhler Stevenson calcula que, em 2013, a mídia dos EUA deve faturar 43% a menos do que em 2006. “É uma queda assustadora e que fica ainda mais preocupante quando se leva em conta que a tiragem média dos jornais norte-americanos caiu 25,6% desde o ano 2000 e que aproximadamente 14 mil jornalistas ficaram desempregados desde 2007”, conclui Castilho.

A perda de credibilidade dos jornais

Neste sentido, a grave crise da mídia impressa tem fortes razões objetivas. Mas o artigo do Valor peca ao não tratar também das causas subjetivas. Ele isenta os barões da mídia de qualquer culpa pelo vertiginoso declínio. Nem daria para esperar outra atitude do jornalista, que poderia colocar o seu emprego em risco. Vários estudos, porém, têm demonstrado que há uma sensível perda de credibilidade dos jornais tradicionais. O próprio êxodo para a internet deriva da queda dos meios unidirecionais, com os leitores procurando fontes alternativas de informação e entretenimento.

Pascual Serrano, um dos criadores do sítio Rebelión, não vacila em afirmar que a atual declínio decorre de quatro fatores essenciais: “crise de identidade” (o público já não confia nos veículos, tendo constatado que eles mentem e ocultam a realidade); “crise de objetividade” (o mito da neutralidade sucumbe e a confiança no jornalismo despenca); “crise de autoridade” (a internet revela a capacidade das mídias alternativas de enfrentar o poder das corporações); e “crise de informação” (a dinâmica mercantilista provoca a perda de qualidade da atividade jornalística).

O PIG não presta, é um lixo

No mesmo rumo, Emir Sader conclui que “a crise da imprensa é da perda de credibilidade, é uma crise ética, de sua transformação num instrumento de publicidade, do ponto de vista econômico, e da sua constituição em mentor político e ideológico da direita. Os dados demonstram que todos os grandes jornais brasileiros perdem leitores e, sobretudo, perdem influência. Embora todos os maiores jornais e quase todas as revistas semanais – à exceção da Carta Capital – sejam de férrea oposição ao governo, este mantém 83% de apoio e eles conseguem apenas 5% de rejeição ao governo. Temos aí a uma idéia da baixíssima produtividade desses órgãos de oposição”.

Mais escrachado, o blogueiro Paulo Henrique Amorim festejou os dados recém-divulgados pelo Valor. Para ele, a reportagem só cometeu um erro. “Esqueceu-se da principal causa da acelerada decadência do PIG (Partido da Imprensa Golpista). O PIG não presta... O PIG é um lixo”.

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Imagens da ditadura de José Serra






Foto 1- Repressão à greve dos funcionários da Universidade de São Paulo (USP);

Foto 2- Repressão à greve dos policiais civis; cenas de guerra na capital paulista;

Foto 3- Repressão à greve dos professores diante do Palácio dos Bandeirantes;

Foto 4- Repressão às vítimas das enchentes na zona leste da capital paulista.


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O Globo investe contra as 40 horas

No editorial desta terça-feira (6), O Globo voltou a atacar os avanços nos direitos trabalhistas com um discurso que lembra muito o dos escravocratas na época da abolição. No final do século 19, usando uma retórica terrorista, os senhores de escravos garantiram que o fim da escravidão levaria o país ao caos, inviabilizaria o seu desenvolvimento econômico e geraria mais miséria e depravações sociais. O Brasil foi o último das Américas a extinguir a escravidão e o presságio da Casa Grande não se confirmou; o país cresceu e se desenvolveu – ainda que de forma injusta.

Hoje, com o mesmo tom apocalíptico, a famíglia Marinho investe contra dois projetos em debate no parlamento. O editorial é taxativo: “Há prejuízos decorrentes de alguns destes projetos que são indiretos, mas nem por isso são menos deletérios. Caso das propostas de redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 e a da ampliação da licença-maternidade compulsória de quatro para seis meses. São aparentes generosidades que elevam o custo de pessoal para os empregadores e, por isso, como bumerangue, voltam na forma de menos empregos formais”.

Mentalidade escravocrata do capital

O jornal carioca, que não esconde a sua torcida pela candidatura neoliberal do tucano José Serra, também aproveita a discussão sobre os projetos de lei para fustigar a “generosidade” do governo Lula. O alvo escolhido é o ministro Carlos Lupi. “Seu ministério, o do Trabalho, funciona com uma usina demagógica de elaboração dessas propostas – e faz questão de dar um tom de ‘vitória a qualquer preço’ em defesa da candidatura de Dilma Rousseff”.

Os ataques do jornal O Globo não são gratuitos; expressam a visão retrógrada do empresariado. Num artigo recente na Folha, Benjamin Steinbruch, chefão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo), que nunca reclamou da “generosidade” do governo na privataria do setor siderúrgico, também condenou a redução da jornada. Para ele, a aprovação deste projeto “seria certamente uma irresponsabilidade... O custo final dessa alteração, feita no embalo do ano eleitoral, poderia ser muito alto para o país”.

Redução estimula o desenvolvimento

Os argumentos escravocratas do jornal O Globo não têm qualquer consistência. Vários estudos demonstram que a redução da jornada, além de gerar mais vagas e permitir uma vida bem mais decente para os que já estão empregados, serviria também para impulsionar o desenvolvimento econômico do país. A medida estimularia o mercado interno ao gerar mais emprego e renda, o que eleva consumo e, conseqüentemente, a produção e a própria produtividade do trabalho. A redução da jornada não resulta em caos, mas sim em progresso econômico e social.

O Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas calcula que a medida abriria, em curto prazo, 2,3 milhões de vagas. Recente nota técnica do Dieese aponta que “num contexto de crescente demanda por mão-de-obra qualificada, a redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, poderia contribuir positivamente para este desafio, na medida em que sobrariam mais horas para o trabalhador freqüentar cursos de qualificação... Ela também tornará possível, ao trabalhador, dedicar mais tempo ao convívio familiar, estudo, lazer e descanso”.

Nada de “demagogia” ou “generosidade”

“Esses fatores desencadeados pela redução da jornada sem a redução de salários poderiam criar um círculo virtuoso na economia, combinando a ampliação do emprego, o aumento do consumo, a elevação dos níveis da produtividade do trabalho, a melhoria da competitividade do setor produtivo, a redução dos acidentes e doenças do trabalho, a maior qualificação do trabalhador, a elevação da arrecadação tributária, enfim um maior crescimento econômico com melhoria da distribuição de renda”, conclui o Dieese, desbancado as teses patronais e o editorial de O Globo.

A adoção das 40 horas também não seria nenhuma “medida demagógica” ou “generosidade”. O custo da força de trabalho no país é um dos mais baixos do mundo e a jornada encontra-se entre as mais altas. Com o crescimento da economia brasileira, as empresas têm auferido lucros recordes nos últimos anos. A elite burguesa está nadando em dinheiro e não tem do que reclamar. A sua ofensiva contra o projeto da redução da jornada, que está para ver votado no Congresso, expressa apenas a mentalidade escravocrata do empresariado e da sua mídia de aluguel.


Custo horário da mão-de-obra manufatureira em 2007:

Países US$

Noruega 48,50
Alemanha 37,66
Bélgica 35,45
Austrália 30,17
Reino Unido 29,73
Canadá 28,91
França 28,57
Itália 28,23
Estados Unidos 24,59
Espanha 20,98
Japão 19,75
Coréia 16,02
Singapura 8,35
Portugal 8,27
Taiwan 6,58
Brasil 5,96

Jornada média de trabalho (2006)

Países Horas semanais

Japão 43,5
Brasil 43,0
Chile 43,0
Suíça 41,2
EUA 41,1
Reino Unido 40,7
Canadá 39,6
Alemanha 37,6
Espanha 35,3

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Cinco jornalistas executados em Honduras

Somente no mês passado, cinco jornalistas foram assassinados em Honduras por esquadrões da morte. Em 26 de março, Ballardo Mairena e Manuel Juarez, que viajavam de carro para a cidade de Juticalpa, foram rendidos e executados. Os corpos foram encontrados com 13 perfurações de bala cada um, denunciou a TeleSur, a única emissora de televisão que acompanha a resistência popular aos golpistas de junho passado. Antes deles, foram mortos os jornalistas Joseph Ocho, na capital Tegucigalpa; David Montesinos, em La Ceiba; e Nahún Palacios, em Tocoa.

Segundo denuncia o presidente da Associação de Imprensa Hondurenha, Carlos Ortiz, o governo fascista de Porfírio Lobo, bancado pelos EUA, “atenta contra a liberdade de imprensa e o direito que tem o povo de ser informado. Não é possível que se continue assassinando jornalistas e nada seja feito”. O megaempresário Porfírio Lobo foi “eleito” em novembro passado numa eleição de fachada, feita sob os auspícios dos golpistas que depuseram o presidente eleito Manuel Zelaya.

Barbárie e resistência popular

Quando do golpe cívico-militar, em junho de 2009, a repressão se abateu violentamente contra as forças legalistas. A Rádio Globo (que não tem qualquer relação com a golpista brasileira) teve os equipamentos destruídos e vários radialistas detidos. Emissoras independentes de televisão foram fechadas e a censura virou regra. Lideranças sindicais e populares foram presas e, de acordo com vários relatos, muitas foram assassinadas por esquadrões formados por policiais mercenários. As execuções sumárias prosseguem até hoje e Porfírio Lobo garante a impunidade aos criminosos.

Apesar da violência, a resistência hondurenha persiste. No final de março, milhares de pessoas marcharam na capital para exigir a volta da democracia e a revogação das medidas neoliberais do governo. A passeata terminou na Universidade Nacional Autônoma, que se encontra ocupada por professores e estudantes. Juan Bara-hona, coordenador da Frente de Resistência ao Golpe, exigiu a libertação de 15 sindicalistas presos sob a acusação de “usurpação das funções”. Dias antes, o professor José Manuel Flores, dirigente da frente, foi assassinado por homens encapuzados.

O silêncio cúmplice da mídia

A dramática situação de Honduras, que retoma a tradição dos sangrentos golpes contra governos democraticamente eleitos, exige a solidariedade militante das forças progressistas do continente. Os EUA, apesar da falsa retórica de Barack Obama, mantêm a pressão pelo reconhecimento da ditadura de Porfírio Lobo. Qualquer vacilo pode levar à consolidação deste regime fascistóide e incentivar outras ações golpistas na região, em especial no sofrida América Central.

Neste esforço de solidariedade também é preciso denunciar o silêncio cúmplice da mídia privada. Ela que torceu pelos golpistas, tratando-os como “governo de fato”, e que atacou o governo Lula por dar abrigo ao presidente Manuel Zelaya, agora nada fala sobre a ditadura hondurenha. Até o cínico discurso sobre a “liberdade de expressão” já foi arquivado. Os barões da mídia brasileira, teleguiados pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), braço da CIA na América Latina, hoje evitam criticar a censura, as perseguições e os assassinados de jornalistas em Honduras.

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terça-feira, 6 de abril de 2010

O trololó do coadjuvante FHC

O ex-presidente FHC está magoado e não consegue mais conter sua língua. Neste fim de semana, ele publicou mais um artigo rancoroso contra Lula e a candidata Dilma Rousseff. Até colunistas da mídia demotucana notaram sua dor. Josias de Souza, da Folha, registrou: “Fernando Henrique Cardoso não parece disposto a cumprir o papel de coadjuvante que o seu partido, o PSDB, lhe atribuiu na eleição de 2010”. Já Dora Kramer, do Estadão, tomou as dores do amigo e espinafrou o “tucanatinho” que trata o pobre FHC como “um cunhado que vive dando vexame”.

É muita maldade! O ex-presidente não foi convidado para a festança de despedida de José Serra do Palácio dos Bandeirantes e foi excluído do convite oficial de lançamento da candidatura. “O tucanatinho acha que ele não fica bem na fotografia do vigoroso partido onde vicejam próceres cuja capacidade de distinguir credibilidade de popularidade é nenhuma... Acha que isso os autoriza a jogar no lixo o respeito devido a quem permitiu que o partido iniciasse sua trajetória de vida pela rampa do Palácio do Planalto”, lamentou Dora Kramer, a bajuladora de FHC.

O autoritário fala em democracia

Magoado, o sociólogo da nobreza neoliberal escreveu seu terceiro artigo raivoso em curto espaço de tempo. No anterior, ele cometera a deselegância de rotular Dilma Rousseff de “boneca de ventríloquo”. No deste domingo, ele aproveitou a onda anticomunista para comparar o governo brasileiro ao da China, que combinaria desenvolvimento econômico com partido único. Em tom terrorista, o rejeitado FHC adverte as elites que a eleição de outubro colocará em jogo “a própria concepção do que seja democracia”. Dilma seria a expressão do mais perigoso autoritarismo!

O cínico FHC – que rasgou a Constituição e comprou deputados para garantir sua reeleição, que acionou o Exército contra a greve dos petroleiros, que demonizou o MST e que desqualificou as críticas ao seu governo como “nhenhenhém” – garante que Lula conduz o país a “um modelo de sociedade” autoritário, de “pensamento único”. Para ele, a candidatura Dilma Rousseff seria o ápice desta orientação, “que se descola da tradição democrática brasileira, para dizer o mínimo”.

O neoliberal ataca o desenvolvimento

O neoliberal – que desmontou o Estado, a nação e o trabalho, paralisando a economia e causando recordes de desemprego – ainda condena a política desenvolvimentista do atual governo. Feroz inimigo de Getúlio Vargas, FHC agora descarrega seu ódio contra Lula, que estaria patrocinando “uma forma de capitalismo na qual o governo e as grandes corporações, especialmente públicas, unem-se sob a tutela de uma burocracia permeada por interesses corporativos e partidários”. Ele parece incomodado com os índices de crescimento econômico e de geração de emprego e renda.

Oportunista, FHC também dispara bravatas. Ele critica “as alianças feitas sem preocupação com a coerência político-ideológica”. Será que está se referindo a aliança entre tucanos e demos, entre os neoliberais “modernos” e a oligarquia conservadora, criada na estufa da ditadura militar? Ele ataca ainda a “leniência com a corrupção”, talvez numa autocrítica atrasada sobre os seus rasgados elogios ao governador José Roberto Arruda, o “vice-careca” de Serra que permanece preso. Mais sujo do que pau de galinheiro, o ex-presidente insiste em vender a imagem de paladino da ética.

Enterrado em vida pelos seus

Como ironiza o sociólogo Emir Sader, o ex-presidente não vai parar com o seu “trololó” – para usar expressão recente do tucano José Serra num acesso de raiva contra os professores em greve. “O tamanho da vaidade de FHC parece ser o maior adversário de seus correligionários de partido e ex-colegas de governo... Ele não agüenta ver o seu governo atacado e não contar com ninguém que o defenda – como aconteceu no segundo turno de 2006... Eles se deram conta que aceitar a comparação entre os dois governos – o de Lula e o de FHC – é o caminho seguro da derrota”.

“Triste figura a do FHC. Rejeitado por seus correligionários, pela rejeição que sofre do povo brasileiro, funciona como clown, como personagem folclórica, lembrança de um passado que o governo luta para terminar de superar e a oposição para tentar esquecer e apagar da recordação dos brasileiros. Escondido pelos seus, repudiado pelos seus adversários, enterrado em vida pelos seus, tomado como anti-exemplo por seus adversários”, conclui Emir Sader.

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EUA metralham crianças no Iraque



O sítio WikiLeaks, especializado na divulgação de documentos classificados, postou um vídeo em preto e branco, gravado do interior de um helicóptero Apache dos EUA, que mostra o chacina de 12 pessoas, todas civis – inclusive duas crianças no interior de uma van –, em julho de 2007, num bairro de Bagdá. Entre os mortos, dois jornalistas da Reuters. Na época, diante da pressão da agência de notícias, o governo dos EUA argumentou que o helicóptero tinha sido atacado. Pura mentira. O vídeo é impressionante, revoltante, e mostra o grau de selvageria do imperialismo estadunidense.

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O time da pesada da campanha de Serra

Com o título “Serra chama para a campanha o mesmo grupo que o ajudou quatro anos atrás”, a Folha de S.Paulo noticiou neste domingo que o pré-candidato tucano já começou a montar a sua equipe para a corrida presidencial. Os nomes mencionados pela repórter Catia Seabra confirmam a opção do ex-governador paulista por uma forte marca neoliberal e autoritária na sua campanha, no rumo da polarização programática – o que será bastante positivo para o debate sucessório.

Segundo a Folha, o time de José Serra será composto, entre outros, por Sérgio Guerra, presidente do PSDB e coordenador-geral da campanha; Xico Graziano, indicado para elaborar o programa de governo; Andrea Matarazzo e Márcio Fortes, ambos responsáveis pela “interlocução com o empresariado – seja para quebrar resistências ao candidato ou na busca de apoio financeiro”. O time é da pesada. Todos são trogloditas de carteirinha, que não irão amaciar na campanha.

“Nós vamos acabar com ele [PAC]”

O senador Sérgio Guerra, pecuarista, criador de cavalos de raça e rico empresário pernambucano, atua de acordo com o vento (por falta de oportunidade, não faltam oportunistas), já tendo passado por quatro partidos, mas virou um inimigo feroz do presidente Lula. Detesta a política externa do atual governo, critica a "gastança" com os programas sociais, exigi maior repressão aos movimentos sociais. Ele gosta de posar de ético, mas ficou famoso pelo envolvimento no escândalo dos “anões do orçamento”, em 1993.

Destemperado, ele cria constrangimentos no seu próprio partido. Numa entrevista à revista Veja, em janeiro último, ele bombardeou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e concluiu: “Nós vamos acabar com ele”. A confissão irritou o PSDB e Sérgio Guerra teve que engolir suas besteiras. Na semana passada, ele voltou a rosnar num artigo na Folha, no qual afirmou que Lula é “contra a liberdade de imprensa” e disparou mentiras grosseiras contra Cuba e Venezuela.

Inimigo da reforma agrária e do MST

Já Xico Graziano é sempre acionado para o trabalho sujo nas eleições. Ajudou nas campanhas de José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006. Foi assessor especial do ex-presidente FHC e se projetou na presidência do Incra ao defender a concentração fundiária – “a reforma agrária é um atraso” – e ao criminalizar o MST, tratado como “banditismo rural”, cujo seus líderes “botam medo no Estado” e são “justiceiros, que invocam cânones divinos e arrebentam cercas”.

Como coordenador do programa, é de se esperar uma plataforma direitista bem nítida. Graziano não esconde suas idéias fascistóides. Num artigo escrito às vésperas da eleição de 2006, atacou: “Ao lado do MST, você tem um setor muito atrasado da Igreja Católica, aglutinado na Comissão Pastoral da Terra, cujo expoente é Tomás Balduíno. À esquerda atrasada da Igreja, soma-se a esquerda atrasada petista... E o governo Lula não tem coragem de assumir a modernidade”. Na prática, há muito ele se converteu à tese oligárquica de que “a luta social é caso de polícia”.

Os “operadores” de campanha

Os empresários Andrea Matarazzo e Márcio Fortes serão os pivôs de arrecadação da campanha. O primeiro, sobrinho-neto do “conde” Francesco Matarazzo, é uma peça chave nos esquemas de José Serra. Neoliberal convicto, ele comandou vários programas de privatização em São Paulo. Quando o grão-tucano foi eleito governador, ele permaneceu na prefeitura da capital, ocupando a secretaria de coordenação das subprefeituras, mas logo saiu devido aos atritos com o demo Gilberto Kassab. Ficou famoso por sua política de “higienização”, contra os moradores de rua.

A indicação de Andrea Matarazzo pode causar dores de cabeça para Serra. Recentemente, com a eclosão dos escândalos de suborno da multinacional Alstom, o nome do “operador” de campanha do grão-tucano voltou à berlinda. Ele seria uma dos responsáveis pela montagem do caixa-2 dos tucanos, que teria a empresa francesa como uma das principais financiadoras ilegais. Tanto que ele já foi batizado, na Assembléia Legislativa de São Paulo, de “Andrea Alstom Matarazzo”.

“Acima de qualquer suspeita?”

O empresário carioca Marcio Fortes, outro “operador” de José Serra, também está envolvido em várias denúncias. De forma estranha, ele foi transferido para São Paulo e ocupa a presidência da Emplasa (Empresa de Planejamento Paulista). Na época da ditadura militar, ele foi assessor do Ministério da Fazenda e até ocupou interinamente o cargo. Mas ele ficou “famoso” no próspero período das privatizações da era FHC, que rendeu bilhões de dólares aos “cofres públicos”.

Como ex-tesoureiro nacional do PSDB, ele foi acionado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por emitir notas fiscais da sua própria empresa para justificar gastos da campanha de 2002. Na época, ele chiou à Folha: “Eu me considerava acima de qualquer suspeita”. Na sua gestão, as contas tucanas foram alvo de várias investigações. Estes são os empresários “acima de qualquer suspeita” que novamente comandarão a arrecadação financeira da campanha de José Serra.

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