Reproduzo artigo de Mino Carta, publicado na revista CartaCapital:
Não há semelhança possível entre um estúdio de tevê e um ringue. Pelo menos não havia até poucos dias atrás. A gravação de uma entrevista na TV 5, filiada à Rede Bandeirantes em Rio Branco, acabou em vale-tudo entre o entrevistador, o jornalista Demóstenes Nascimento, e o entrevistado, candidato ao Senado pelo Acre, o emedebista João Correia. De categoria nitidamente superior, Demóstenes pareceu mais talhado para catch-as-you-catch-can e ganhou a luta com bom aproveitamento tanto nos socos quanto nos pontapés. Empate em matéria de insultos e palavrões.
O entrevistado farejou certa agressividade em uma pergunta sobre segurança pública e reagiu com acusações ao atual governo acriano. O entrevistador negou-lhe condições morais para manifestar-se ao apontá-lo como envolvido em certo escândalo. O candidato ergueu-se de sua poltrona aos gritos de “lacaio, vendido”. Partiram para a briga e a célebre turma-do-deixa-disso demorou para entrar em ação.
Correia sofreu escoriações no rosto e no joelho direito e lesão no tendão do dedo anular, também direito. Trata-se de um lutador comprovadamente destro. Mas o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre e a Federação Nacional divulgaram uma nota para verberar “a atitude covarde e agressiva” do entrevistado. Nada como a eterna vigilância dos paladinos da liberdade de imprensa, mesmo quando participam de refregas desiguais, representados por pesos-pesados chamados a enfrentar moscas ou galos.
A luta de Rio Branco é um episódio novo na nossa história das campanhas eleitorais, mesmo porque, salvo melhor juízo, os candidatos entrevistados não pulam corda ou socam o punching ball antes de qualquer entrevista. Para revidar às perguntas que não são do seu gosto, o candidato José Serra adota uma linha de refinado senso de humor. Anota a repórter Juliana Cipriani, de O Estado de Minas, que Serra “parece ter dificuldade em entender o que dizem os brasileiros ou inventou uma nova estratégia para evitar responder às perguntas que não o agradam”.
Em meados de julho passado, em Pernambuco, o repórter de um jornal local dirigiu-lhe uma pergunta sobre o trem-bala destinado a ligar São Paulo ao Rio: obra feita ou tiro de festim? A pergunta deveria ser do seu gosto, pois o candidato é contrário ao projeto. Surpresa. “Não entendi, foi muito sotaque”, decretou Serra. Em Minas, quando um jornalista o questionou sobre recente entrevista de Lula em que o presidente lamenta-lhe a falta de sorte ao enfrentá-lo em 2002 e agora diante de Dilma Rousseff, Serra escandiu: “Esta fala mineira de vocês eu não entendo”.
O candidato tucano consegue, porém, ser mais cordato, a depender das situações. Lá pelas tantas desta tertúlia eleitoral, o repórter Fábio Turci dirige a Serra uma pergunta sobre juros. O perguntado não esconde sua irritação, e indaga com a devida veemência: “De onde você é?” Turci esclarece ser da Globo. E Serra, de pronto: “Ah, então desculpe”. Tucano não voa, mas sabe onde pisa.
Na noite de 11 de agosto coube a ele ser sabatinado por 12 minutos pelo casal JN, William Bonner e Fátima Bernardes, os sorrisos mais radiosos do Brasil. Antes, a oportunidade foi bondosamente oferecida às candidatas Dilma Rousseff, segunda 9, e Marina Silva, terça 10. Para ambas, um sufoco. As perguntas do locutor que considera Homer Simpson como telespectador ideal foram muito mais esticadas que as respostas, quando estas não foram furibundamente atropeladas.
No caso de Dilma, o propósito foi mostrar (ingenuamente?) que ela é ao mesmo tempo uma marionete na mão de Lula e personagem dura, prepotente, mandona. De sorte a suscitar a observação da entrevistada, mais ou menos do seguinte teor: então, como vocês me querem, como títere do titereiro ou como a ministra inflexível que chama às falas os colegas de gabinete? Na vez de Marina, o intuito foi outro: provar que ela saiu do governo por discordâncias sobre a política ambiental enquanto, tempos antes, não se incomodou com o mensalão, o escândalo pretendido e até hoje não provado. A certa altura, a ex-ministra teve de reagir com alguma, insólita veemência, para pedir que a deixassem concluir o raciocínio.
Com Serra, na quarta 11, tudo mudou. O casal JN deixou o candidato falar à vontade. E quando a entrevista pretendeu chegar ao ponto de fervura, a pergunta foi: o senhor não se sente constrangido de ter o apoio do PTB, partido metido no escândalo do mensalão petista? Nada do mensalão mineiro nem do escândalo do DEM em Brasília. Maluf e Quércia? Esquecidos. E os votos comprados para a reeleição de FHC?
Segundo momento de aperto. Pergunta a evocar os usuários que reclamam dos preços altos do pedágio em São Paulo. Serra ganha a oportunidade de falar mal das estradas federais. Aí Bonner acrescenta: não existe um meio-termo, só dá para ter estradas boas e caras ou ruins e baratas? Serra emenda, feliz, que na última concessão que fez, os preços do pedágio caíram pela metade. Omitiu que os postos de cobrança foram dobrados e ao cabo cita sua origem humilde, estudante de escola pública etc. etc. Só falta chorar.
A rapaziada não se dá ao respeito. Quem sabe haja quem se incomoda ao perceber que nos enxergam como malta de idiotas. Esta visão da plateia é própria, aliás, dos jornalistas nativos e seus patrões. Será que não usam na medição o metro recomendável para medir a si mesmos?
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domingo, 15 de agosto de 2010
Horário eleitoral e direito de antena
Reproduzo artigo do professor Venício Lima, publicado no sítio Carta Maior:
Começa no dia 17 de agosto e se estende até 30 de setembro o horário eleitoral no rádio e na televisão. Durante 45 dias, candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual estarão em todos os canais de televisão aberta, além dos canais a cabo utilizados pelo Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais e também nas emissoras de rádio. No total serão cerca de 63 horas em cada veículo.
O horário eleitoral, garantido pelo § 3º do artigo 17 da Constituição – “os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e a televisão, na forma da lei” – é o que mais se aproxima, entre nós, de um direito fundamental nas democracias: o “direito de antena”.
O “direito de antena” é praticado em países como Alemanha, França, Espanha, Portugal e Holanda e foi positivado pela primeira vez na Constituição portuguesa de 1976 que reza:
Artigo 40.º
Direitos de antena, de resposta e de réplica política
1. Os partidos políticos e as organizações sindicais, profissionais e representativas das atividades econômicas, bem como outras organizações sociais de âmbito nacional, têm direito, de acordo com a sua relevância e representatividade e segundo critérios objetivos a definir por lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e de televisão.
2. Os partidos políticos representados na Assembléia da República, e que não façam parte do Governo, têm direito, nos termos da lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e televisão, a ratear de acordo com a sua representatividade, bem como o direito de resposta ou de réplica política às declarações políticas do Governo, de duração e relevo iguais aos dos tempos de antena e das declarações do Governo, de iguais direitos gozando, no âmbito da respectiva região, os partidos representados nas Assembléias Legislativas das regiões autônomas.
3. Nos períodos eleitorais os concorrentes têm direito a tempos de antena, regulares e equitativos, nas estações emissoras de rádio e de televisão de âmbito nacional e regional, nos termos da lei.
Na verdade, trata-se de uma forma de democratizar o acesso aos meios de comunicação de massa. Nas sociedades contemporâneas, a liberdade de expressão é apenas um direito subjetivo se não se garante a pessoas e grupos representativos da sociedade civil acesso ao debate público que (ainda) é, em grande parte, agendado e controlado pelos grandes grupos de mídia.
O acesso é gratuito, a veiculação é paga
O que muitas vezes não fica claro para a maioria da população, todavia, é que no horário eleitoral o que é gratuito é o acesso de candidatos, partidos e coligações aos meios de comunicação. A veiculação do horário eleitoral, não é gratuita. A legislação eleitoral prevê a compensação fiscal para as emissoras de rádio e televisão, regulamentada pelo Decreto nº. 5331/2005.
É uma forma de compensar as empresas de mídia, oferecendo-lhes o benefício da renúncia fiscal, pelas eventuais perdas na veiculação de publicidade de anunciantes. A Receita Federal, na verdade, “compra” o horário das emissoras, permitindo que deduzam do imposto de renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário político fosse comercializado.
A Receita Federal, de acordo com números divulgados em outubro de 2009, estimou que, em 2010, os custos para os cofres públicos dessa compensação fiscal chegarão a 851,1 milhões de reais. A estimativa, todavia, já está ultrapassada porque o cálculo inicial não incluiu o ressarcimento para as empresas que trabalham dentro do Super Simples e passaram a ter direito ao benefício fiscal após a minirreforma eleitoral de 2009.
De qualquer maneira, para se ter uma idéia de grandeza, os recursos envolvidos na compensação fiscal às empresas de mídia, em 2010, são maiores do que a isenção prevista para o “Programa Universidade Para Todos (ProUni)”, que é de R$ 625,3 milhões; são suficientes para pagar um mês de salário mínimo a 1,5 milhão de pessoas; ou custear, no mesmo período, 12,5 milhões de benefícios do Bolsa Família, no valor mínimo de R$ 68; ou, ainda, repassando o custo ao cidadão, cada brasileiro paga R$ 4,44 para receber informações sobre os candidatos e os partidos políticos.
Direito fundamental
No prefácio do nosso livro “Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa” (Publisher, 2010), o jurista Fábio Konder Comparato, entre outras, fez a seguinte proposta:
“Além dos partidos políticos, devem poder exercer o chamado direito de antena, já instituído nas Constituições da Espanha e de Portugal, as entidades privadas ou oficiais, reconhecidas de utilidade pública. Ou seja, elas devem poder fazer passar suas mensagens, de modo livre e gratuito, no rádio e na televisão, reservando-se, para tanto, um tempo mínimo nos respectivos veículos.”
O início do horário eleitoral no rádio e na televisão possibilita ao conjunto da população brasileira receber informação política sobre todos os candidatos que disputam mandatos nas eleições de 2010, o que é fundamental no processo democrático. Deveria ser também uma oportunidade para que a cidadania se dê conta do quanto ainda estamos comparativamente atrasados em relação à democratização da comunicação ou da universalização da liberdade de expressão no nosso país.
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Começa no dia 17 de agosto e se estende até 30 de setembro o horário eleitoral no rádio e na televisão. Durante 45 dias, candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual estarão em todos os canais de televisão aberta, além dos canais a cabo utilizados pelo Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais e também nas emissoras de rádio. No total serão cerca de 63 horas em cada veículo.
O horário eleitoral, garantido pelo § 3º do artigo 17 da Constituição – “os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e a televisão, na forma da lei” – é o que mais se aproxima, entre nós, de um direito fundamental nas democracias: o “direito de antena”.
O “direito de antena” é praticado em países como Alemanha, França, Espanha, Portugal e Holanda e foi positivado pela primeira vez na Constituição portuguesa de 1976 que reza:
Artigo 40.º
Direitos de antena, de resposta e de réplica política
1. Os partidos políticos e as organizações sindicais, profissionais e representativas das atividades econômicas, bem como outras organizações sociais de âmbito nacional, têm direito, de acordo com a sua relevância e representatividade e segundo critérios objetivos a definir por lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e de televisão.
2. Os partidos políticos representados na Assembléia da República, e que não façam parte do Governo, têm direito, nos termos da lei, a tempos de antena no serviço público de rádio e televisão, a ratear de acordo com a sua representatividade, bem como o direito de resposta ou de réplica política às declarações políticas do Governo, de duração e relevo iguais aos dos tempos de antena e das declarações do Governo, de iguais direitos gozando, no âmbito da respectiva região, os partidos representados nas Assembléias Legislativas das regiões autônomas.
3. Nos períodos eleitorais os concorrentes têm direito a tempos de antena, regulares e equitativos, nas estações emissoras de rádio e de televisão de âmbito nacional e regional, nos termos da lei.
Na verdade, trata-se de uma forma de democratizar o acesso aos meios de comunicação de massa. Nas sociedades contemporâneas, a liberdade de expressão é apenas um direito subjetivo se não se garante a pessoas e grupos representativos da sociedade civil acesso ao debate público que (ainda) é, em grande parte, agendado e controlado pelos grandes grupos de mídia.
O acesso é gratuito, a veiculação é paga
O que muitas vezes não fica claro para a maioria da população, todavia, é que no horário eleitoral o que é gratuito é o acesso de candidatos, partidos e coligações aos meios de comunicação. A veiculação do horário eleitoral, não é gratuita. A legislação eleitoral prevê a compensação fiscal para as emissoras de rádio e televisão, regulamentada pelo Decreto nº. 5331/2005.
É uma forma de compensar as empresas de mídia, oferecendo-lhes o benefício da renúncia fiscal, pelas eventuais perdas na veiculação de publicidade de anunciantes. A Receita Federal, na verdade, “compra” o horário das emissoras, permitindo que deduzam do imposto de renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário político fosse comercializado.
A Receita Federal, de acordo com números divulgados em outubro de 2009, estimou que, em 2010, os custos para os cofres públicos dessa compensação fiscal chegarão a 851,1 milhões de reais. A estimativa, todavia, já está ultrapassada porque o cálculo inicial não incluiu o ressarcimento para as empresas que trabalham dentro do Super Simples e passaram a ter direito ao benefício fiscal após a minirreforma eleitoral de 2009.
De qualquer maneira, para se ter uma idéia de grandeza, os recursos envolvidos na compensação fiscal às empresas de mídia, em 2010, são maiores do que a isenção prevista para o “Programa Universidade Para Todos (ProUni)”, que é de R$ 625,3 milhões; são suficientes para pagar um mês de salário mínimo a 1,5 milhão de pessoas; ou custear, no mesmo período, 12,5 milhões de benefícios do Bolsa Família, no valor mínimo de R$ 68; ou, ainda, repassando o custo ao cidadão, cada brasileiro paga R$ 4,44 para receber informações sobre os candidatos e os partidos políticos.
Direito fundamental
No prefácio do nosso livro “Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa” (Publisher, 2010), o jurista Fábio Konder Comparato, entre outras, fez a seguinte proposta:
“Além dos partidos políticos, devem poder exercer o chamado direito de antena, já instituído nas Constituições da Espanha e de Portugal, as entidades privadas ou oficiais, reconhecidas de utilidade pública. Ou seja, elas devem poder fazer passar suas mensagens, de modo livre e gratuito, no rádio e na televisão, reservando-se, para tanto, um tempo mínimo nos respectivos veículos.”
O início do horário eleitoral no rádio e na televisão possibilita ao conjunto da população brasileira receber informação política sobre todos os candidatos que disputam mandatos nas eleições de 2010, o que é fundamental no processo democrático. Deveria ser também uma oportunidade para que a cidadania se dê conta do quanto ainda estamos comparativamente atrasados em relação à democratização da comunicação ou da universalização da liberdade de expressão no nosso país.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Wikileaks, Afeganistão e imprensa imperial
Reproduzo artigo de Mumia Abu Jamal, publicado no jornal Hora do Povo:
A publicação de mais de 70.000 documentos da Guerra no Afeganistão foi recebida pela maioria das corporações dos meios de comunicação, no melhor dos casos, como algo mortificante; e no pior, como um ato de traição.
As idéias expressadas por esses meios revelam a mesma mentalidade que agitou a nação e a levou à guerra depois do 11 de Setembro. Meios de comunicação atuando de serviçais do poder presidencial. Meios de comunicação capachos das indústrias da guerra - e do império.
Julián Assange, editor-principal da Wikileaks, foi duramente castigado por não se preocupar suficientemente com os soldados norte-americanos nem pelos alcaguetes afegãos.
Outra ofensa sua? Publicar o número de civis afegãos mortos por tropas dos Estados Unidos. Para a maioria dos meios de comunicação isso é um tabu.
Assim são os meios de comunicação do império.
Do jeito como vão as coisas, as corporações norte-americanas de mídia rapidamente estão se transformando numa espécie em franco processo de extinção, porque cada vez menos gente assiste às noticias na televisão ou lê jornais. Além disso, a juventude encabeça essa tendência. Segundo algumas reportagens, a média dos jornais nos Estados Unidos perde pelo menos 10% de seus leitores a cada ano.
Se a tecnologia indubitavelmente joga um papel nesse processo, a falta de confiança nas reportagens tem que ser também um fator.
Seu patriotismo de bandeirinha, sua música militar e suas mentiras levaram à nação aos desastres no Iraque e Afeganistão.
Quando algo como Wikileaks aparece em cena, com documentos frescos dos campos de batalha, a mídia corporativa soa como algo supérfluo.
E agora, como famintos pit bulls, atacam a Wikileaks por não tomar parte no seu jogo imperial.
Eles ladram... mas a Wikileaks está mordendo.
* Mumia Abu Jamal, jornalista e militante negro anti-racista, é o principal preso político dos EUA. Acusado sem provas pela morte de um policial, em dezembro de 1981, ele foi condenado à pena de morte – sentença convertida, em março de 2008, para prisão perpétua.
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A publicação de mais de 70.000 documentos da Guerra no Afeganistão foi recebida pela maioria das corporações dos meios de comunicação, no melhor dos casos, como algo mortificante; e no pior, como um ato de traição.
As idéias expressadas por esses meios revelam a mesma mentalidade que agitou a nação e a levou à guerra depois do 11 de Setembro. Meios de comunicação atuando de serviçais do poder presidencial. Meios de comunicação capachos das indústrias da guerra - e do império.
Julián Assange, editor-principal da Wikileaks, foi duramente castigado por não se preocupar suficientemente com os soldados norte-americanos nem pelos alcaguetes afegãos.
Outra ofensa sua? Publicar o número de civis afegãos mortos por tropas dos Estados Unidos. Para a maioria dos meios de comunicação isso é um tabu.
Assim são os meios de comunicação do império.
Do jeito como vão as coisas, as corporações norte-americanas de mídia rapidamente estão se transformando numa espécie em franco processo de extinção, porque cada vez menos gente assiste às noticias na televisão ou lê jornais. Além disso, a juventude encabeça essa tendência. Segundo algumas reportagens, a média dos jornais nos Estados Unidos perde pelo menos 10% de seus leitores a cada ano.
Se a tecnologia indubitavelmente joga um papel nesse processo, a falta de confiança nas reportagens tem que ser também um fator.
Seu patriotismo de bandeirinha, sua música militar e suas mentiras levaram à nação aos desastres no Iraque e Afeganistão.
Quando algo como Wikileaks aparece em cena, com documentos frescos dos campos de batalha, a mídia corporativa soa como algo supérfluo.
E agora, como famintos pit bulls, atacam a Wikileaks por não tomar parte no seu jogo imperial.
Eles ladram... mas a Wikileaks está mordendo.
* Mumia Abu Jamal, jornalista e militante negro anti-racista, é o principal preso político dos EUA. Acusado sem provas pela morte de um policial, em dezembro de 1981, ele foi condenado à pena de morte – sentença convertida, em março de 2008, para prisão perpétua.
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Brasil Atual no encontro dos blogueiros
Reproduzo artigo Ricardo Negrão, publicado no sítio da Rede Brasil Atual:
A Rede Brasil Atual é um dos patrocinadores do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorre em São Paulo, nos dias 21 e 22 de agosto, no Sindicato dos Engenheiros, à rua Genebra, 25, ao lado da Câmara Municipal da capital.
Já estão inscritos 250 blogueiros de todo o país, sendo 150 de fora do Estado. O objetivo é chegar a 300 inscritos. Para saber como participar, acesse o site do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Além da Rede Brasil Atual, outras 15 entidades também patrocinam o evento: Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo); CUT (Central Única dos Trabalhadores); CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região; Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo; Federação Nacional dos Urbanitários (FNU); Federação dos Químicos de São Paulo; Agência T1; Café Azul; Carta Capital; Conversa Afiada; Revista Fórum; Seja Dita a Verdade; e Viomundo.
Para abrir o encontro, o jornalista Luis Nassif e seu grupo fazem show na regional Paulista, do Sindicato dos Bancários (Rua Carlos Sampaio 305; metrô Brigadeiro), com muito chorinho, samba e MPB.
Para saber um pouco mais sobre os encontros, ouça as entrevistas produzidas pela Rádio Brasil Atual com alguns blogueiros e organizadores do evento.
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A Rede Brasil Atual é um dos patrocinadores do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorre em São Paulo, nos dias 21 e 22 de agosto, no Sindicato dos Engenheiros, à rua Genebra, 25, ao lado da Câmara Municipal da capital.
Já estão inscritos 250 blogueiros de todo o país, sendo 150 de fora do Estado. O objetivo é chegar a 300 inscritos. Para saber como participar, acesse o site do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Além da Rede Brasil Atual, outras 15 entidades também patrocinam o evento: Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo); CUT (Central Única dos Trabalhadores); CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região; Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo; Federação Nacional dos Urbanitários (FNU); Federação dos Químicos de São Paulo; Agência T1; Café Azul; Carta Capital; Conversa Afiada; Revista Fórum; Seja Dita a Verdade; e Viomundo.
Para abrir o encontro, o jornalista Luis Nassif e seu grupo fazem show na regional Paulista, do Sindicato dos Bancários (Rua Carlos Sampaio 305; metrô Brigadeiro), com muito chorinho, samba e MPB.
Para saber um pouco mais sobre os encontros, ouça as entrevistas produzidas pela Rádio Brasil Atual com alguns blogueiros e organizadores do evento.
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Vermelho apóia o encontro de blogueiros
Reproduzo entrevista concedida ao jornalista André Cintra, publicada no sítio Vermelho:
Com inscrições abertas até sexta-feira (13), o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas deve reunir não só blogueiros — mas também “tuiteiros”, representantes da mídia alternativa e estudantes. Na opinião do jornalista José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho, a iniciativa “chega em bom momento” e “poderá resultar no surgimento de uma organização social, de um novo movimento social organizado”.
Os debates acontecem em São Paulo, nos dias 21 e 22 de agosto. Segundo os organizadores, deve reunir cerca de 300 pessoas, com inscrições a R$ 100 (R$ 20 para estudantes). O Vermelho se empenhará pelo êxito do encontro, que se destacará cada vez mais no noticiário do portal. “Eu diria que o Vermelho está umbilicalmente ligado a esse movimento e, por isso, daremos apoio total. Como não temos recursos financeiros, o empenho do Vermelho não é econômico — é político, é ideológico, é moral, é militante”, garante José Reinaldo.
O que podemos esperar do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas?
É uma iniciativa que chega em bom momento. Vejo o encontro como o segundo desdobramento prático do movimento — o primeiro foi a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro passado). Está-se criando um movimento de massas sobre isso, uma grande corrente de um ativismo jornalístico, editorial, político, que há de render seus frutos. Disso certamente poderá resultar o surgimento de uma organização social, de um novo movimento social organizado.
Podem surgir também iniciativas editoriais, como uma grande agência de notícias. Quem sabe o encontro dos blogueiros não torne isso um resultado possível, agora ou depois? No evento de lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o Paulo Henrique Amorim disse: “Temos de ganhar a batalha da notícia, da informação — e não apenas a batalha da opinião”.
De fato, a informação é a matéria-prima do jornalismo, seu ponto de partida. Os grandes veículos de comunicação têm condições de mobilizar batalhões de jornalistas para fazer coberturas in loco dos fatos ou contratar as grandes agências noticiosas internacionais para mandar os seus despachos sobre o que está acontecendo — na Guerra do Afeganistão, na Guerra do Iraque, nas epidemias da África, etc. Nós não temos ainda essa estrutura. Como disse o Paulo Henrique, “temos muitas pessoas que dão opiniões muito boas, bons analistas — mas não chegamos primeiro à informação”.
Se conseguirmos juntar tudo o que nós dispomos, no sentido de fomentar uma grande agência de notícias sobre os movimentos sociais, seria um resultado já positivo. Esse Encontro de Blogueiros Progressistas pode resultar em muitas coisas e vai jogar papel nessa batalha pela democratização dos meios de comunicação. A vantagem da grande mídia está ligada aos recursos financeiros e tecnológicos de que eles dispõem. Temos de nos munir dos meios.
Qual será o grau de adesão do Vermelho ao Encontro?
O grau de adesão do Vermelho ao 1º Encontro de Blogueiros Progressistas será total. Posso até dizer o seguinte: rigorosamente, o encontro, como parte desse grande movimento que já resultou antes na Confecom, nasceu em grande medida no Vermelho. É fruto, em grande parte, da orientação correta e do empenho do Altamiro Borges, que foi secretário de Comunicação do PCdoB, e do Bernardo Joffily, que, como editor, transformou o Vermelho na trincheira dessa luta pela democratização da mídia.
Eu diria que o Vermelho está umbilicalmente ligado a esse movimento e, por isso, daremos apoio total. Como não temos recursos financeiros, o empenho do Vermelho não é econômico — é político, é ideológico, é moral, é militante. As páginas do Vermelho já se abriram ao noticiário sobre o encontro — o que será intensificado nesta semana, já que as inscrições terminam na próxima sexta-feira. Nos dias do encontro, estaremos lá presentes, e já é decisão nossa que cobriremos totalmente a programação.
Quais devem ser os próximos passos na luta para democratizar a mídia?
Em primeiro lugar, é preciso concretizar o que já foi decidido. Os marcos de cada luta são as conquistas. À medida que você as materializa, dá para avançar e fincar sua bandeira num determinado território. Creio que implantar as medidas aprovadas na Confecom deve ser o próximo passo. É responsabilidade do governo, do Congresso e também do movimento — que precisa ir a Brasília, fazer pressão, bater na porta dos ministérios e do Congresso. Precisamos transformar as conquistas em leis.
A segunda questão — e isso será tema de debate no encontro — é o que fazer para que o movimento dos blogueiros se organize mais. Não sei se estou sendo idealista, mas será que é um objetivo que se pode pôr no médio ou longo prazo? Surgiu o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Estão surgindo outros centros similares? É positivo que isso ocorra?
Existe a possibilidade de em algum prazo, em algum momento, surgir uma entidade ainda mais forte? De surgir uma grande ONG ou um grande sindicato, talvez algo nos moldes das centrais sindicais e das entidades estudantis, que se estruturasse com estatuto, diretoria, meios econômicos, para ser representante do movimento social dos lutadores por uma mídia livre e democrática? Enfim, que passos o movimento pode dar no sentido de se estruturar e se tornar uma força real na sociedade?
Essa questão da mídia ainda é muito difusa. É uma luta que tem muitos aderentes e com a qual todo mundo simpatiza, mas é pouco organizada. Acho que o Centro Barão de Itararé dá uma contribuição para isso, e o Encontro de Blogueiros Progressistas também.
Terceira coisa, que está ligada a isso: a Confecom aprovou a conquista de certos espaços institucionais, como o Conselho Federal de Jornalismo e o Observatório Nacional de Mídia e Direitos Humanos. É preciso não só efetivar esses espaços mas também garantir a real participação da sociedade. Esses representantes da sociedade terão grandes responsabilidades.
E no plano político-parlamentar? A luta pela democratização dos meios de comunicação é transversal a todos os partidos democráticos e a todos os movimentos. Será que há, nestas eleições, candidatos que são ligados a essa causa e que possam formar uma bancada pró-democratização da mídia? É possível organizar uma força política com influência para arrancar concessões e conquistas importantes dos poderes públicos?
Creio que também é necessário associar essa luta ao movimento sindical. Temos a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que acaba de eleger uma nova diretoria, e existem as federações de outras categorias ligadas ao labor da informação. Que vínculos se estabelecem entre essas entidades? Enfim, é preciso dar passos importantes para organizar o movimento. É uma tarefa gigantesca, e o Encontro de Blogueiros contribui nesse sentido.
Você diria que é uma luta que vai além da simples reforma da mídia?
Para nós — que lutamos por uma nova sociedade — e para a esquerda em geral, a luta pela democratização da mídia nunca deve estar dissociada da batalha das ideias. Em cada vitória que se conquiste, essa luta deve servir também para ajudar a difundir as ideias progressistas — que estão muito esmagadas — no mundo e no Brasil.
Hoje você vê a difusão de ideias racistas e belicistas, de filosofias irracionalistas, da propaganda do individualismo e de todo tipo de preconceito. Não há instrumentos suficientes para divulgar outros valores que a civilização já conquistou com as grandes revoluções — a Revolução Francesa, as revoluções socialistas. São os valores da solidariedade, da fraternidade, do coletivo, da paz, da democracia popular.
Penso que os blogueiros progressistas e as mídias alternativas devem se empenhar nessa luta para incorporar valores ideológicos ao seu ideário político stricto sensu. Para nós, tudo isso faz parte de uma batalha histórica e maior — que é a batalha pela estruturação da sociedade em outros planos. É mais que uma reforma da mídia. É uma luta permanente de ideias para formar correntes de opinião progressista. Já tivemos isso no mundo, mas se perdeu muito com as derrotas que os revolucionários e socialistas sofreram. O Vermelho está à disposição dessa luta.
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Com inscrições abertas até sexta-feira (13), o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas deve reunir não só blogueiros — mas também “tuiteiros”, representantes da mídia alternativa e estudantes. Na opinião do jornalista José Reinaldo Carvalho, editor do Vermelho, a iniciativa “chega em bom momento” e “poderá resultar no surgimento de uma organização social, de um novo movimento social organizado”.
Os debates acontecem em São Paulo, nos dias 21 e 22 de agosto. Segundo os organizadores, deve reunir cerca de 300 pessoas, com inscrições a R$ 100 (R$ 20 para estudantes). O Vermelho se empenhará pelo êxito do encontro, que se destacará cada vez mais no noticiário do portal. “Eu diria que o Vermelho está umbilicalmente ligado a esse movimento e, por isso, daremos apoio total. Como não temos recursos financeiros, o empenho do Vermelho não é econômico — é político, é ideológico, é moral, é militante”, garante José Reinaldo.
O que podemos esperar do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas?
É uma iniciativa que chega em bom momento. Vejo o encontro como o segundo desdobramento prático do movimento — o primeiro foi a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro passado). Está-se criando um movimento de massas sobre isso, uma grande corrente de um ativismo jornalístico, editorial, político, que há de render seus frutos. Disso certamente poderá resultar o surgimento de uma organização social, de um novo movimento social organizado.
Podem surgir também iniciativas editoriais, como uma grande agência de notícias. Quem sabe o encontro dos blogueiros não torne isso um resultado possível, agora ou depois? No evento de lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o Paulo Henrique Amorim disse: “Temos de ganhar a batalha da notícia, da informação — e não apenas a batalha da opinião”.
De fato, a informação é a matéria-prima do jornalismo, seu ponto de partida. Os grandes veículos de comunicação têm condições de mobilizar batalhões de jornalistas para fazer coberturas in loco dos fatos ou contratar as grandes agências noticiosas internacionais para mandar os seus despachos sobre o que está acontecendo — na Guerra do Afeganistão, na Guerra do Iraque, nas epidemias da África, etc. Nós não temos ainda essa estrutura. Como disse o Paulo Henrique, “temos muitas pessoas que dão opiniões muito boas, bons analistas — mas não chegamos primeiro à informação”.
Se conseguirmos juntar tudo o que nós dispomos, no sentido de fomentar uma grande agência de notícias sobre os movimentos sociais, seria um resultado já positivo. Esse Encontro de Blogueiros Progressistas pode resultar em muitas coisas e vai jogar papel nessa batalha pela democratização dos meios de comunicação. A vantagem da grande mídia está ligada aos recursos financeiros e tecnológicos de que eles dispõem. Temos de nos munir dos meios.
Qual será o grau de adesão do Vermelho ao Encontro?
O grau de adesão do Vermelho ao 1º Encontro de Blogueiros Progressistas será total. Posso até dizer o seguinte: rigorosamente, o encontro, como parte desse grande movimento que já resultou antes na Confecom, nasceu em grande medida no Vermelho. É fruto, em grande parte, da orientação correta e do empenho do Altamiro Borges, que foi secretário de Comunicação do PCdoB, e do Bernardo Joffily, que, como editor, transformou o Vermelho na trincheira dessa luta pela democratização da mídia.
Eu diria que o Vermelho está umbilicalmente ligado a esse movimento e, por isso, daremos apoio total. Como não temos recursos financeiros, o empenho do Vermelho não é econômico — é político, é ideológico, é moral, é militante. As páginas do Vermelho já se abriram ao noticiário sobre o encontro — o que será intensificado nesta semana, já que as inscrições terminam na próxima sexta-feira. Nos dias do encontro, estaremos lá presentes, e já é decisão nossa que cobriremos totalmente a programação.
Quais devem ser os próximos passos na luta para democratizar a mídia?
Em primeiro lugar, é preciso concretizar o que já foi decidido. Os marcos de cada luta são as conquistas. À medida que você as materializa, dá para avançar e fincar sua bandeira num determinado território. Creio que implantar as medidas aprovadas na Confecom deve ser o próximo passo. É responsabilidade do governo, do Congresso e também do movimento — que precisa ir a Brasília, fazer pressão, bater na porta dos ministérios e do Congresso. Precisamos transformar as conquistas em leis.
A segunda questão — e isso será tema de debate no encontro — é o que fazer para que o movimento dos blogueiros se organize mais. Não sei se estou sendo idealista, mas será que é um objetivo que se pode pôr no médio ou longo prazo? Surgiu o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Estão surgindo outros centros similares? É positivo que isso ocorra?
Existe a possibilidade de em algum prazo, em algum momento, surgir uma entidade ainda mais forte? De surgir uma grande ONG ou um grande sindicato, talvez algo nos moldes das centrais sindicais e das entidades estudantis, que se estruturasse com estatuto, diretoria, meios econômicos, para ser representante do movimento social dos lutadores por uma mídia livre e democrática? Enfim, que passos o movimento pode dar no sentido de se estruturar e se tornar uma força real na sociedade?
Essa questão da mídia ainda é muito difusa. É uma luta que tem muitos aderentes e com a qual todo mundo simpatiza, mas é pouco organizada. Acho que o Centro Barão de Itararé dá uma contribuição para isso, e o Encontro de Blogueiros Progressistas também.
Terceira coisa, que está ligada a isso: a Confecom aprovou a conquista de certos espaços institucionais, como o Conselho Federal de Jornalismo e o Observatório Nacional de Mídia e Direitos Humanos. É preciso não só efetivar esses espaços mas também garantir a real participação da sociedade. Esses representantes da sociedade terão grandes responsabilidades.
E no plano político-parlamentar? A luta pela democratização dos meios de comunicação é transversal a todos os partidos democráticos e a todos os movimentos. Será que há, nestas eleições, candidatos que são ligados a essa causa e que possam formar uma bancada pró-democratização da mídia? É possível organizar uma força política com influência para arrancar concessões e conquistas importantes dos poderes públicos?
Creio que também é necessário associar essa luta ao movimento sindical. Temos a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), que acaba de eleger uma nova diretoria, e existem as federações de outras categorias ligadas ao labor da informação. Que vínculos se estabelecem entre essas entidades? Enfim, é preciso dar passos importantes para organizar o movimento. É uma tarefa gigantesca, e o Encontro de Blogueiros contribui nesse sentido.
Você diria que é uma luta que vai além da simples reforma da mídia?
Para nós — que lutamos por uma nova sociedade — e para a esquerda em geral, a luta pela democratização da mídia nunca deve estar dissociada da batalha das ideias. Em cada vitória que se conquiste, essa luta deve servir também para ajudar a difundir as ideias progressistas — que estão muito esmagadas — no mundo e no Brasil.
Hoje você vê a difusão de ideias racistas e belicistas, de filosofias irracionalistas, da propaganda do individualismo e de todo tipo de preconceito. Não há instrumentos suficientes para divulgar outros valores que a civilização já conquistou com as grandes revoluções — a Revolução Francesa, as revoluções socialistas. São os valores da solidariedade, da fraternidade, do coletivo, da paz, da democracia popular.
Penso que os blogueiros progressistas e as mídias alternativas devem se empenhar nessa luta para incorporar valores ideológicos ao seu ideário político stricto sensu. Para nós, tudo isso faz parte de uma batalha histórica e maior — que é a batalha pela estruturação da sociedade em outros planos. É mais que uma reforma da mídia. É uma luta permanente de ideias para formar correntes de opinião progressista. Já tivemos isso no mundo, mas se perdeu muito com as derrotas que os revolucionários e socialistas sofreram. O Vermelho está à disposição dessa luta.
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Comparato propõe Adin sobre a mídia

Reproduzo artigo de Paulo Henrique Amorim, publicado no blog Conversa Afiada:
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e a Fitert (Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão, que representa os radialistas) subscreveram a proposta do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé de entrar no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão, de autoria do professor Fabio Konder Comparato, contra o Congresso Nacional, por não regulamentar os artigos de Constituição de 1988 que tratam da Comunicação.
Desde 1988 o Congresso não regulamenta os artigos 220, 221e 224 da Constituição.
O 220 proíbe a formação de oligopólio na comunicação.
O 221 trata da programação do rádio e da tevê.
E o 224 impõe a instalação de uma Comissão de Comunicação Social.
E o Congresso não delibera sobre isso, desde 1988.
Todo mundo elogia a Constituição Cidadã, a Grande Conquista dos Brasileiros, mas, na hora de defender o direito sagrado à comunicação…
Por que ?
Porque a Globo e o PiG não deixam.
O professor Comparato fez, inicialmente, essa proposta à Ordem dos Advogados do Brasil, mas, até agora, a OAB não moveu uma palha.
A OAB está mais preocupada com as dores lombares do Ministro Joaquim Barbosa.
A Fenaj e a Fitert se tornaram fundamentais nessa batalha, porque são associações de âmbito nacional, que mantêm com a Adin proposta uma “pertinência temática”, como nos ensinou o professor Comparato.
O Barão de Itararé, sozinho, não poderia fazer isso.
Ao lado da Fenaj e da Fitert estão as centrais sindicais do país, representadas em reunião que tivemos na casa do professor Comparato.
A decisão de entrar com uma Adin para regulamentar o que a Globo e o PiG não deixam regulamentar será formalmente anunciada na abertura do I Encontro de Blogueiros Progressistas, a se realizar em São Paulo nos dias 21 e 22 deste mês de agosto.
No encontro em que formalmente aceitou liderar essa luta, o professor Comparato estabeleceu algumas condições:
1) É um movimento plural;
2) Não pode ser partidário;
3) Não pode ser sectário;
4) Não tem nada a ver com (qualquer) governo;
5) O objetivo da luta é fazer o STF e o Congresso Nacional reconhecerem que o direito à comunicação é um direito do cidadão.
* Na foto da reunião na casa do professor Fábio Konder Comparato, da esquerda para direita: Domingos Fernandes (UGT), Miro, Rosane Bertotti (CUT), Paulo Henrique Amorim, Comparato, Eduardo Navarro (CTB) e Valdo Albuquerque (CGTB).
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Bonner, o machão da Maitê
Reproduzo artigo de Izaías Almada, publicado no blog Escrevinhador:
Nem bem a tinta do jornal havia secado, onde, entre outras sensaborias se podia ler a entrevista da atriz (sic) Maitê Proença, já o Jornal Nacional na sua edição do dia 09 de agosto escancarava aos seus espectadores a “estratégia” de Dona Beija.
Já me explico. O jornalão o Estado de São Paulo publicou uma entrevista com a atriz, onde se destaca um curioso e patético raciocínio. Ela se diz feminista, mas abriria mão parcialmente desta condição, desde que os machistas brasileiros, selvagens de preferência, ajudassem a colocar a candidata Dilma Roussef no seu lugar, isto é: ou na cozinha ou atrás do tanque. Afinal, o que é que ela tem que ficar se metendo em política e ainda ter a petulância de ser candidata a presidente da república?
William Bonner, jornalista com mestrado em Hommer Simpson, não perdeu tempo. Ao lado da mulher, Fátima Bernardes, iniciou uma sequência de entrevistas tendo Dilma Roussef como primeira a ser inquirida (o termo é esse mesmo). Ansioso, tomado de elevado grau de nervosismo, do alto de sua presunçosa arrogância, disparou contra a candidata uma sequencia de perguntas (muitas delas contraditórias, para quem busca alguma consistência nas respostas), atropelando essas mesmas respostas, em demonstração inequívoca do seu despreparo para aquele momento.
Fiquei pensando, enquanto acompanhava a entrevista, o porquê de tal destempero. De repente, acendeu a luzinha: Bonner, aceitando o desafio da atriz, lançado pela manhã, incorpora de imediato o papel de machista selvagem e avança sobre Dilma Roussef de microfone em punho. Quis o destino que ao seu lado estivesse a sua própria mulher, jornalista, dona de casa e mãe de seus filhos. E ficou evidente ali, diante de milhões de espectadores, que Fátima Bernardes não tem lá muitas simpatias por machistas selvagens e – sem que conseguisse disfarçar a sutileza do gesto – procurou mostrar os excessos do marido em agradar aos donos da casa.
Extravagante, patético, sensacional. O pior jornalismo brasileiro (e não são poucos os que o fazem) mostrava as suas vísceras no horário nobre. Para não deixar dúvidas sobre o fosso que vai se abrindo entre um Brasil que a duras penas quer mudar e um Brasil arcaico que insiste em não enxergar a realidade à sua volta.
Neste, no arcaico, os que entraram nos trilhos da resistência e do passadismo caminham para o precipício, mas seguros da sua própria ignorância.
* Izaías Almada é escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico. É autor, entre outros, do livro "Venezuela, povo e Forças Armadas" (Editora Caros Amigos).
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Nem bem a tinta do jornal havia secado, onde, entre outras sensaborias se podia ler a entrevista da atriz (sic) Maitê Proença, já o Jornal Nacional na sua edição do dia 09 de agosto escancarava aos seus espectadores a “estratégia” de Dona Beija.
Já me explico. O jornalão o Estado de São Paulo publicou uma entrevista com a atriz, onde se destaca um curioso e patético raciocínio. Ela se diz feminista, mas abriria mão parcialmente desta condição, desde que os machistas brasileiros, selvagens de preferência, ajudassem a colocar a candidata Dilma Roussef no seu lugar, isto é: ou na cozinha ou atrás do tanque. Afinal, o que é que ela tem que ficar se metendo em política e ainda ter a petulância de ser candidata a presidente da república?
William Bonner, jornalista com mestrado em Hommer Simpson, não perdeu tempo. Ao lado da mulher, Fátima Bernardes, iniciou uma sequência de entrevistas tendo Dilma Roussef como primeira a ser inquirida (o termo é esse mesmo). Ansioso, tomado de elevado grau de nervosismo, do alto de sua presunçosa arrogância, disparou contra a candidata uma sequencia de perguntas (muitas delas contraditórias, para quem busca alguma consistência nas respostas), atropelando essas mesmas respostas, em demonstração inequívoca do seu despreparo para aquele momento.
Fiquei pensando, enquanto acompanhava a entrevista, o porquê de tal destempero. De repente, acendeu a luzinha: Bonner, aceitando o desafio da atriz, lançado pela manhã, incorpora de imediato o papel de machista selvagem e avança sobre Dilma Roussef de microfone em punho. Quis o destino que ao seu lado estivesse a sua própria mulher, jornalista, dona de casa e mãe de seus filhos. E ficou evidente ali, diante de milhões de espectadores, que Fátima Bernardes não tem lá muitas simpatias por machistas selvagens e – sem que conseguisse disfarçar a sutileza do gesto – procurou mostrar os excessos do marido em agradar aos donos da casa.
Extravagante, patético, sensacional. O pior jornalismo brasileiro (e não são poucos os que o fazem) mostrava as suas vísceras no horário nobre. Para não deixar dúvidas sobre o fosso que vai se abrindo entre um Brasil que a duras penas quer mudar e um Brasil arcaico que insiste em não enxergar a realidade à sua volta.
Neste, no arcaico, os que entraram nos trilhos da resistência e do passadismo caminham para o precipício, mas seguros da sua própria ignorância.
* Izaías Almada é escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico. É autor, entre outros, do livro "Venezuela, povo e Forças Armadas" (Editora Caros Amigos).
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Papel da Globo nas eleições de 2006/2010
Reproduzo artigo de Luiz Carlos Azenha, intitulado "Como a Globo ajudou a levar para o segundo turno", publicado no blog Viomundo:
O texto abaixo trará apenas uma novidade (considerável) para os leitores habituais do site.
Mas é importante repetir a história, especialmente para os leitores que chegam agora.
Em 2006 eu era repórter especial da TV Globo baseado em São Paulo. Fui escalado para cobrir as eleições presidenciais. Foi minha primeira experiência no gênero. Fui destacado para acompanhar o candidato Geraldo Alckmin.
Mas antes, durante as denúncias que pipocaram por causa do mensalão, comprovei em Goiás caixa dois do PT. O assunto foi parar em Brasília. Na hora agá, o denunciado abriu os arquivos e disse que tinha dado dinheiro a todos os partidos. A partir daí, o assunto morreu.
O incômodo que eu e muitos colegas sentimos nasceu mesmo na campanha. Eu friso muitos porque a Globo quis fazer parecer que eram apenas dois gatos pingados. Na minha contabilidade, pelo menos dez profissionais da emissora demonstraram abertamente que estavam alarmados com o andamento da cobertura.
Conversávamos abertamente a respeito, na redação.
Como jornalistas experientes, sabíamos detectar as nuances na cobertura da emissora:
1. Marco Aurélio Mello, editor de Economia do Jornal Nacional, nos contou que tinha recebido ordens do Rio para “tirar o pé” das reportagens econômicas que poderiam ser vistas como positivas para Lula, que buscava a reeleição;
2. Alexandre Garcia, comentarista de Brasília, começou a aparecer em programas de entretenimento para fazer análises eleitorais;
3. Todos os sábados, o Jornal Nacional repercutia as capas com denúncias da revista Veja ao governo, sem checar se as informações eram ou não verídicas;
4. Nos 50 segundos diários de cada candidato, muitas vezes a emissora repercutia as denúncias que havia apresentado contra o governo. Assim, eram três candidatos (150 segundos) pedindos explicações ou fazendo acusações ao governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e 50 segundos de “defesa”.
5. Só entravam no ar denúncias contra o governo, o que levou o repórter Carlos Dornelles a fazer um protesto público. Colegas se reuniram para pedir isonomia ao editor regional de São Paulo. Como resultado do protesto, fui encarregado de fazer uma reportagem sobre o escândalo das ambulâncias, que envolvia aliados do candidato ao governo paulista, José Serra. A reportagem nunca foi ao ar. Esse caso eu contei aqui.
6. Na semana do primeiro turno, a Globo bombou no ar as denúncias que envolviam o candidato do PT ao governo de Pernambuco, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, mas escondeu que aliados de José Serra estavam envolvidos no mesmo escândalo.
Aqui, a novidade: diante de tal descalabro, um colega chegou a ligar para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para denunciar que a Globo se empenhava em levar a eleição para o segundo turno.
E a Globo ajudou a levar, com a colaboração dos aloprados petistas, do delegado Edmilson Bruno e por causa da ausência do candidato Lula no debate final da emissora.
A diferença entre 2006 e 2010 é que naquela época éramos dez pessoas denunciando o descalabro, de dentro. Agora, alguns milhares já são capazes de perceber a manipulação apenas assistindo TV.
Curiosamente, em 2010 Ali Kamel não terceirizou o golpe. Pretende aplicá-lo apenas com a ajuda do mais alto escalão, no qual se inclui William Bonner.
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O texto abaixo trará apenas uma novidade (considerável) para os leitores habituais do site.
Mas é importante repetir a história, especialmente para os leitores que chegam agora.
Em 2006 eu era repórter especial da TV Globo baseado em São Paulo. Fui escalado para cobrir as eleições presidenciais. Foi minha primeira experiência no gênero. Fui destacado para acompanhar o candidato Geraldo Alckmin.
Mas antes, durante as denúncias que pipocaram por causa do mensalão, comprovei em Goiás caixa dois do PT. O assunto foi parar em Brasília. Na hora agá, o denunciado abriu os arquivos e disse que tinha dado dinheiro a todos os partidos. A partir daí, o assunto morreu.
O incômodo que eu e muitos colegas sentimos nasceu mesmo na campanha. Eu friso muitos porque a Globo quis fazer parecer que eram apenas dois gatos pingados. Na minha contabilidade, pelo menos dez profissionais da emissora demonstraram abertamente que estavam alarmados com o andamento da cobertura.
Conversávamos abertamente a respeito, na redação.
Como jornalistas experientes, sabíamos detectar as nuances na cobertura da emissora:
1. Marco Aurélio Mello, editor de Economia do Jornal Nacional, nos contou que tinha recebido ordens do Rio para “tirar o pé” das reportagens econômicas que poderiam ser vistas como positivas para Lula, que buscava a reeleição;
2. Alexandre Garcia, comentarista de Brasília, começou a aparecer em programas de entretenimento para fazer análises eleitorais;
3. Todos os sábados, o Jornal Nacional repercutia as capas com denúncias da revista Veja ao governo, sem checar se as informações eram ou não verídicas;
4. Nos 50 segundos diários de cada candidato, muitas vezes a emissora repercutia as denúncias que havia apresentado contra o governo. Assim, eram três candidatos (150 segundos) pedindos explicações ou fazendo acusações ao governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e 50 segundos de “defesa”.
5. Só entravam no ar denúncias contra o governo, o que levou o repórter Carlos Dornelles a fazer um protesto público. Colegas se reuniram para pedir isonomia ao editor regional de São Paulo. Como resultado do protesto, fui encarregado de fazer uma reportagem sobre o escândalo das ambulâncias, que envolvia aliados do candidato ao governo paulista, José Serra. A reportagem nunca foi ao ar. Esse caso eu contei aqui.
6. Na semana do primeiro turno, a Globo bombou no ar as denúncias que envolviam o candidato do PT ao governo de Pernambuco, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, mas escondeu que aliados de José Serra estavam envolvidos no mesmo escândalo.
Aqui, a novidade: diante de tal descalabro, um colega chegou a ligar para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para denunciar que a Globo se empenhava em levar a eleição para o segundo turno.
E a Globo ajudou a levar, com a colaboração dos aloprados petistas, do delegado Edmilson Bruno e por causa da ausência do candidato Lula no debate final da emissora.
A diferença entre 2006 e 2010 é que naquela época éramos dez pessoas denunciando o descalabro, de dentro. Agora, alguns milhares já são capazes de perceber a manipulação apenas assistindo TV.
Curiosamente, em 2010 Ali Kamel não terceirizou o golpe. Pretende aplicá-lo apenas com a ajuda do mais alto escalão, no qual se inclui William Bonner.
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